Fonte: Adaptado de Neves e Branco (2000)
• Entrevistas a especialistas do setor: Realizadas com designers, estilistas, artistas e formadores de opinião, baseado em uma rede mundial de fontes, com enfoque em conceitos artísticos e de desenvolvimento de produtos.
• Investigação de tendências em outros setores: Os estudos mostram que o comportamento do consumidor está relacionado a uma série de outros fatores externos e outros setores de atividades, como música, indústria cultural, movimentos marginais e publicações, por exemplo. O intercâmbio entre as informações também verificadas nesses setores, aponta para um perfil de consumo muito relacionado a estilos de vida.
• Levantamento das megatendências: Análise dos valores e ideologias impregnados e profundamente enraizados no contexto social sob análise.
Dentre os principais bureaux e observatórios de investigação de tendências em atividade e com atuação mundial, podem ser destacados, por exemplo, Promostyl91(Nova York), o Worth Global Style Network/WGSN92(Londres), Nelly
91http://www.promostyl.com/en/ 92http://www.wgsn.com/en-us
Maria Débora Fernandes Pontes | UFPE | Pós-Graduação em Design | Design da Informação | 2014
Rodi93(Paris), o Future Concept Lab94(Itália), o Trendwatching95(Londres), o Trend Union 96 (Nova York) e o Stylesight 97 (Nova York). Pela necessidade de correspondência em diferentes localidades e metrópoles mundiais, várias dessas empresas possuem sedes em diferentes países, nos quais se inclui o Brasil.
A metodologia Coolhunting também é amplamente utilizada, e especialmente disseminada em blogs de moda mundialmente conhecidos, como o The Sartorialist98 (Figura18), o FaceHunter99 ou o Stockholm Street Style100. Esse tipo de pesquisa, busca observar e retrataras pessoas, especialmente aqueles indivíduos reconhecidos como inovadores, formadores de opinião e personalidades, que muitas vezes influenciam o percurso e abrangência que uma tendência terá.
Figura 18: Streetstyle
Fonte: PONTES, 2011
Destacando especialmente características estéticas, estilos de vida e de comportamento nas mais variadas localidades do mundo, a pesquisa Coolhunting se apóia na premissa de que, como afirma Malcolm Gladwell, jornalista do jornal The New Yorker, e que em 1997 escreveu um dos primeiros artigos sobre o tema, “The coolhunt”, em que afirmava que “a chave do coolhunting é primeiro procurar pessoas
93http://nellyrodi.com/ 94http://www.futureconceptlab.com/ 95http://trendwatching.com/ 96http://edelkoortinc.com/ 97http://www.stylesight.com/ 98http://www.thesartorialist.com/ 99http://www.facehunter.org/ 100http://carolinesmode.com/stockholmstreetstyle/
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cool, para depois encontrar coisas cool. Nunca o inverso” (GLADWELL, 1997 apud RIEZU, 2011, p.17).
Ainda sobre os indivíduos que afetam diretamente o comportamento da disseminação das tendências na moda, o mesmo autor declara ainda em uma outra publicação do ano 2000, o livro “The tipping point: how little things can make a big difference” sobre como tendências, por vezes, costumam depender da atitude direta de alguns indivíduos para que cheguem aos demais consumidores, às pessoas comuns. Esses indivíduos ele irá caracterizar da seguinte forma: a) Os connectors (“conectores, gente com um dom especial para agrupar indivíduos”), b) os mavens (“peritos, pessoas em cuja informação confiamos”) e c) os salesmen (vendedores), persuasivos, convincentes e conhecedores do que o mercado tem a oferecer101.
Esses seriam os indivíduos em que as empresas investiriam de modo a chegar de forma mais direta aos seus clientes. Os indivíduos costumam viver em grupos, e desse modo, se identificam por meio de códigos dentro desses grupos. Nada melhor para uma empresa do que quando um de seus produtos se torna emblemático para um grupo. E nesse sentido, entrar na vida das pessoas certas, dos influenciadores, pode se tornar estrategicamente interessante para as marcas atingirem um público maior.
As ruas, por sua vez, são atualmente uma das mais importantes influências para o mercado de moda, tanto para a sondagem, quanto para a disseminação de novas tendências. Agências de pesquisa especializadas, estilistas e marcas no mundo inteiro, desde os anos 1960, se deram conta de que é a partir das ruas, através de seus grupos de interação, de suas tribos (Figura 19) que vem a tona muitas das novas tendências e onde elas mais facilmente se tornam virais.
Maria Débora Fernandes Pontes | UFPE | Pós-Graduação em Design | Design da Informação | 2014
Figura 19: As diferentes identidades estéticas das tribos
Fonte: PONTES, 2011
Sobre isso, Caldas afirma que “como consequência dessa onda jovem, há uma grande impulsão de movimentos de moda oriundos das ruas, que influenciam diretamente as passarelas, transformando-se em novos vetores de tendências” (CALDAS, 2004, p.57). Mary Quant, estilista dos anos 1960, por exemplo, afirmava não pertencer a ela a criação da minissaia, mas que foi nas ruas que ela primeiro surgiu, para assim ser interpretada como necessidade do mercado jovem emergente.
Isso porque, esse é o espírito jovem e inovador que vem invadindo as ruas, os meios midiáticos e as passarelas. Em contrapartida às tendências que anteriormente eram pré-produzidas pelas grandes Maisons, os consumidores, principalmente os mais antenados e informados, se descobriram seus próprios estilistas, montando seus próprios estilos. E é nas ruas que eles irão mostrar seu potencial criativo e os pesquisadores procuram estar atentos a isso.
A metodologia de pesquisa deve focalizar o consumidor, ressaltando que o novo pode emergir de qualquer lugar. A moda que nasce nas ruas e das suas tribos urbanas é cada vez mais uma potente energia inspiradora e extremamente veloz, visto poder aparecer e desaparecer em períodos inferiores a uma estação, o que exige por parte dos criadores e das marcas de moda uma elevada agilidade e capacidade de resposta. O uso e a escolha que as pessoas reais fazem para representar suas identidades, assim como seus próprios estilos de vida, são respeitáveis informações
Maria Débora Fernandes Pontes | UFPE | Pós-Graduação em Design | Design da Informação | 2014
preditas, muito mais do que os modelos que saem dos estúdios de design de moda em Paris ou Milão.102
Concordando com a proposição anterior, Calza (2010) afirma ainda que:
As ruas, espaços plenos e instaurados de comunicação, passam deste modo, a ser consideradas locais propícios para a difusão, aceitação, rejeição e desenvolvimento de moda...Além disso, as ruas podem ser tomadas também, como espaços férteis para a produção de novos estilos e culturas urbanas, que, inversamente acabam por influenciar o trabalho de estilistas e designers [...] (CALZA, 2010, s/p).
Contrapondo-se ao processo de difusão observado por Simmel (2008), o Trickle Down – em que a moda surge nas classes altas para depois ser ‘gotejada’ aos poucos nas classes de menor poder aquisitivo, essas tendências emergentes das ruas funcionam como um processo inverso – ou Bubble Up (Ver Esquema15). A base da pirâmide de disseminação de moda, influenciando diretamente a elite e os criadores. Desse modo, as ruas, que a cada dia cria novos códigos e subverte os antigos, alimenta constantemente o imaginário das sociedades e a indústria da moda contemporânea e globalizada.