• Aucun résultat trouvé

Os processos de transformações socioculturais decorrem em grande parte das necessidades do homem e os seus inventos para facilitar o seu cotidiano. Em pouco tempo saímos da era industrial, marcada por tecnologias com designação para processos de produção, para a era digital, com tecnologias de informação e comunicação e uma ―sociedade em rede‖ (CASTELLS, 1999), rede esta que apresenta uma nova organização da sociedade, a partir das transformações ocorridas e tudo que pode influenciar e resultar quando unimos computadores, pessoas e informação.

Além de nos constituirmos na sociedade em rede, também estamos em constante adequação para a cultura da convergência. Segundo Jenkins (2009), cada indivíduo presencia, participa e interfere: nas transformações tecnológicas, em que os equipamentos cada vez mais sofrem combinações de funções dentro de um único aparelho; nas transformações de mercado para atender os novos consumidores; nas transformações culturais e sociais aproximando diferentes espaços, conhecimentos, perfis e inteligências individuais transformadas em ―Inteligência coletiva‖, o que para Pierre Lèvy (2003), significa:

[...] uma inteligência distribuída por toda parte, incessantemente valorizada, coordenada em tempo real, que resulta em uma mobilização efetiva das competências. [...] a base e o objetivo da inteligência coletiva são o reconhecimento e o enriquecimento mútuo das pessoas, [...] Uma inteligência distribuída por toda parte: tal é nosso axioma inicial. Ninguém sabe tudo, todos sabem alguma coisa, todo o saber está na humanidade. [...] e o saber não é nada além do que o que as pessoas sabem (LÉVY, 2003, p. 28-29).

Esse novo período trouxe novas formas de aproximar os diversos cantos do mundo, dando agilidade para novas descobertas a partir de interações entre sujeitos com suas singularidades e seus diferentes conhecimentos, que participam e compartilham com a sociedade o que sabem por meio das tecnologias digitais de comunicação, com o auxílio da rede mundial que interliga inúmeros computadores em todo o mundo, a Internet.

Não há dúvidas que essa cultura se estabeleceu em diferentes contextos com sua característica ímpar e a informação atualmente se propaga com grande celeridade por meio das tecnologias do contemporâneo. E, neste espaço virtual, seres humanos estão conectados entre si com seus diferentes tempos de adaptação e aceitação, definindo até onde as tecnologias digitais podem estar presentes em seu cotidiano. Estes convivem, compartilham informações, constroem conhecimento, trabalham, estudam, tem momentos de lazer, criam novos laços de amizades, aprendem além de suas especificidades, entre outras possibilidades.

Com esta nova particularidade, tendo como matéria-prima a informação, a partir da utilização das tecnologias digitais, ocorrem constantes transformações em diferentes contextos de influência social, cultural, econômica, e/ou política, sendo que alguns autores preconizaram distintos termos para demarcar e caracterizar a evolução da sociedade. Conceitos que acredito terem sofrido interferência de acordo com suas áreas de estudo e/ou aquelas que abordam a visão de mundo pessoal e profissional constituída de acordo com as suas ―vivências e experiências20‖, a exemplo de Marie-Christine Josso (2004).

Cada autor com suas compreensões de acordo com seu campo de atuação, de conhecimento e especificidades de formação, conduzem reflexões para compreender em diferentes perspectivas as influências e os desafios de uma sociedade na qual as tecnologias digitais e seus diferentes sujeitos dividem o mesmo espaço.

Entre alguns destes termos para explicar mudanças, caracterizando uma nova cultura, descrevendo a sociedade e as interferências das tecnologias, alguns autores definiram expressões como:

[...] ―Aldeia Global‖ (MCLUHAN, 1977); ―Sociedade Pós-Industrial‖ (BELL, 1973), ―Terceira Onda‖ (TOFFLER, 1980); ―Sociedade do Conhecimento‖ (DRUCKER, 1994); ―Sociedade Digital‖ (NEGROPONTE, 1995); ―Sociedade Aprendente‖ (ASSMANN, 1999); ―Sociedade da Aprendizagem‖ (LÉVY, 1999); ―Sociedade em Rede‖ (CASTELLS, 1999); ―Sociedade da Informação‖ (TAKAHASHI, 2000); mais recentemente, ―Sociedade Informacional‖ (CASTELLS, 2000); ―Era da Informação‖ (CASTELLS, 2000); ―Universo Coletivo de Inteligência Compartilhada‖ (LÉVY, 2004) e foram usadas para caracterizar a sociedade (SILVA; CORREIA; LIMA, 2010, p. 217).

20 Para a autora vivência é o vivido sem reflexão dos acontecimentos, para ser experiência precisamos de um tempo para refletir pelo o que passamos e realizamos, ou seja, reflexão das vivências.

Assim como as mudanças das gerações em sua forma de viver a partir das influências tecnológicas de determinada época, também receberam denominações como Geração Baby Boom e a Geração Digital (TAPSCOTT, 2010). As classificações foram mais meticulosas pelo autor, mostrando o tempo/ano vivenciado, a idade dos sujeitos na atualidade, as tecnologias presentes, que mundo e cultura presenciaram. Assim o autor apresenta: [1] A Geração Baby Boom (1946 - 1964), que logo se tornou a Geração TV; [2] A geração X ou Baby Bust (1965 - 1976); [3] A Geração Internet, Geração do Milênio ou Geração Y (1977 - 1997); [4] Geração Next (Janeiro de 1988 até o presente) ou Geração Z. Na sua compreensão, ―cada geração está exposta a um conjunto único de eventos que define seu lugar na história e molda suas perspectivas‖ (TAPSCOTT, 2010, p. 28).

Outra distinção dos diferentes perfis pertencentes à cultura digital é caracterizada por Prensky (2001) de gerações ―Nativos Digitais‖ e ―Imigrantes Digitais‖, estes dividem espaços em comum, porém se encontram em diferentes tempos de conhecimento e domínio do universo digital; enquanto os Nativos Digitais nasceram imersos no contexto do ciberespaço21

(LEVY, 1999), e consequentemente na Cibercultura22 (LÈVY, 1999) ou Cultura Digital (CASTELLS, 2008); os Imigrantes Digitais acompanharam a inserção, o desenvolvimento, a consolidação e ainda estão a apreender como incluir as tecnologias do contemporâneo e desvendar suas possibilidades no seu cotidiano pessoal e profissional.

Manuel Castells (2008) caracteriza a cultura digital por meio dos seguintes aspectos: [1] Habilidade para comunicar ou mesclar qualquer produto baseado em uma linguagem comum digital; [2] Habilidade para comunicar desde o local até o global em tempo real e, vice-versa, para poder diluir o processo de interação; [3] Existência de múltiplas modalidades de comunicação; [4] Interconexão de todas as redes digitalizadas de bases de dados ou a realização do sonho do hipertexto de Nelson com o sistema de armazenamento e recuperação de dados, batizado como Xanadú, em 1965; [5] Capacidade de reconfigurar todas as configurações criando um novo sentido nas diferentes camadas dos processos de comunicação; [6] Constituição gradual da mente coletiva pelo trabalho em rede, mediante um conjunto de cérebros sem limite algum. Neste ponto, o autor refere-se às conexões entre cérebros em rede e a mente coletiva.

21 O termo [ciberespaço] especifica não apenas a infraestrutura material da comunicação digital, mas também o universo oceânico de informação que ela abriga, assim como os seres humanos que navegam e alimentam esse universo (LÉVY, 1999, p. 17).

22

Quanto ao neologismo ‗cibercultura‘, especifica aqui o conjunto de técnicas (materiais e intelectuais), de práticas, de atitudes, de modos de pensamento e de valores que se desenvolvem juntamente com o crescimento do ciberespaço (LÉVY, 1999, p. 17).

De acordo com Oliveira (2009), as Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) vêm mudando as formas de relacionamento social e educacional, e as mudanças não estão relacionadas somente para o seu uso, mas também para os processos de cognição:

É inegável que as TICs vêm alterando os modos de relacionamento social e educacional, promovendo mudanças que ultrapassam o simples uso da tecnologia, entretanto temos que nos questionar em que nível esta mudança atingem os processos de cognição e que mutações esta nova interface digital provoca. Deve-se considerar de que maneira as TICs nos lançam a potencialidade como diferencial uma perspectiva humanista ou nos reduzem à sistemas fechados de conservação ou até mesmo de exclusão. As tecnologias não são boas e nem más, e nem neutras, não podendo ser vistas isoladas, mas em seus modos de agir, de subjetivar, de produzir sentido e conhecimento, de provocar mudanças qualitativas na ecologia dos signos, de promover outras relações intersubjetivas e novos processos de ensino e aprendizagem na cultura vigente (OLIVEIRA, 2009, p. 66).

Atualmente é perceptível que grande parte da população em diferentes lugares do planeta já teve algum contato com as tecnologias digitais disponíveis na atualidade e as suas possibilidades. Diante de algumas circunstâncias, como por exemplo, nas diferenças socioeconômicas, ocorrem algumas variações quanto ao tempo e configuração de contato com as tecnologias digitais. Algumas pessoas têm proximidade contínua na vida particular e profissional, enquanto outras possuem um contato inferior limitado só no trabalho ou escola, ou até chegamos ao caso daqueles que ainda nunca chegaram perto de um computador com acesso à internet.

Aos que já possuem proximidade, independentemente do tempo de acesso, do domínio e das habilidades que possui, o desafio do momento é a busca da sabedoria digital (PRENSKY, 2012). E quais são as sabedorias necessárias, principalmente quando pensamos a educação e a cultura digital? Penso que no momento, este é o caminho a ser desvelado, incluindo as sabedorias de adaptação, de compreensão e de apreender como utilizar as tecnologias do contemporâneo de maneira positiva no ambiente escolar e ou universitário.

Para (PRENSKY, 2012), as tecnologias oferecem um ganho ao cérebro, mas devemos buscar a sabedoria para compreender como os novos recursos tecnológicos podem contribuir para o nosso desenvolvimento cognitivo. Não existe tecnologia boa ou má, mas precisamos questionar se ela foi apropriada para o determinado fim escolhido, pois ela pode não ser conveniente para determinado contexto e ser perfeita para outro.

Em suma, independente da geração a que cada indivíduo pertença na cultura digital, há a necessidade de refletir sobre esta cultura instaurada, nos apropriar de conhecimentos que possamos positivamente aplicar à evolução nos diferentes contextos. E, ―um grande componente da sabedoria digital é descobrir qual de nossas crenças precisam mudar, e o que

devemos manter‖23

(PRENSKY, 2012, p. 55). Cada um de nós precisa refletir o que é fundamental para ser um sábio digital, percebendo a si mesmo, o outro e as mudanças que a sociedade vem sofrendo culturalmente.

Documents relatifs