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Disks Present a Bare Throat to Viruses

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A definição de conflito é plural, apresentando escasso consenso. Segundo autores como De Dreu e Weingart (2002) trata-se de um processo que se inicia quando um indivíduo ou um grupo se sente negativamente afectado por outra pessoa ou grupo, uma divergência de perspectivas, percebida como geradora de tensão por pelo menos uma das partes envolvidas numa determinada interacção e que pode ou não traduzir-se numa incompatibilidade de objectivos.

Almeida (1995) explica que num conflito existem duas partes em confronto e desenvolve-se uma atitude de hostilidade, enquanto num problema há um grupo de pessoas que trabalham em conjunto, desenvolvendo-se uma atitude de aproximação.

O ponto de vista da escola do pensamento das Relações Humanas sustenta que o conflito é natural, ao contrário da visão tradicional que sustenta que este deva ser evitado ao introduzir disfunção na organização. O conflito é inevitável num qualquer grupo ou organização, não tendo de ser visto de forma negativa, podendo até ser uma força positiva para o desenvolvimento da produtividade da organização, e até certos tipos de conflito chegam a ser considerados necessários à eficácia da mesma por incentivarem a discussão sobre diferentes assuntos, promoverem formas construtivas de clarificação de divergências, bem como da sua resolução, encorajarem uma comunicação mais aberta e espontânea, “levando ao crescimento nas diferentes partes envolvidas na relação” (Costa e Matos, 2007). O certo é que se torna necessário a sua

gestão e compreensão de modo a que as suas vantagens sejam aproveitadas e os seus efeitos nefastos sejam diminuídos ou anulados.

Johnson e Johnson (1995) defendem que os conflitos nas escolas podem ser classificados como controvérsia, que academicamente podem facilitar a aprendizagem e a capacidade de tomar decisões, uma vez que se procura um acordo, mas existe incompatibilidade de ideias, opiniões, teorias; conflito conceptual, em que o indivíduo percebe a existência de controvérsia com as suas posições anteriores, conflito de

interesses, quando as acções de uma pessoa interferem com ou bloqueiam as acções de

outro que também pretende atingir os seus fins; e como conflito desenvolvimental, quando forças opostas de estabilidade e mudança co-ocorrem em actividades incompatíveis entre adultos e crianças.

Estes autores consideram que o conflito é necessário para a mudança, sendo necessário lidar com ele, em vez de o evitar, maximizando o potencial positivo inerente. Referem, ainda, que o processo de qualquer conflito, seja intra-individual, interpessoal, intra-grupo ou internacional, apesar da sua diferente complexidade, existem similaridades subjacentes aos conflitos de diferentes níveis sistémicos. Inês Nascimento (2003) diz mesmo, que os professores que estejam interessados em dar prioridade ao desenvolvimento dos seus alunos, devem reconhecer que os conflitos não são o problema mas uma parte importante da solução.

Os conflitos existem, não são bons nem maus, são, antes, inevitáveis. Podemos, contudo, tentar evitá-los e colocar-nos no papel de vítima, ou lidar construtivamente com eles. Nas nossas escolas é muito comum o conflito escalar para a violência, seja nas relações entre pares, seja em relações de complementaridade. Para que se chegue à resolução do conflito, há factores importantes a ter em conta, que passam por reconhecer a existência de percepções distintas sobre o mesmo problema; reconhecer as diferentes emoções e formas diversas de se lidar com a mesma situação; aceitar que o conflito é comunicação, tornando-se necessário metacomunicar; é necessário conhecer o verdadeiro problema, diferenciando os interesses das posições; há que dialogar e

negociar para se poder resolver conflitos; evitarem-se julgamentos precipitados; evitar-

se a procura de apenas uma solução para o problema, pois podem existir opções ou alternativas distintas. A natureza da relação estabelecida entre os membros em conflito constitui um elemento central na determinação da reacção ao conflito e dos efeitos do mesmo. Paula Menos Matos diz, referindo Laursen & Collins (1994), que entre irmãos, por exemplo, os conflitos parecem ser mais intensos do ponto de vista emocional,

parecendo a criança menos motivada para manter a interacção, recorrendo com mais frequência a uma terceira figura para intervir ou simplesmente ignorando o outro. Pelo contrário, no contexto dos amigos, são utilizadas preferencialmente estratégias que permitem manter a interacção, como por exemplo a negociação e a conciliação. Do mesmo modo, e segundo aqueles autores, também os adolescentes parecem pôr em prática diferentes estratégias consoante o conflito ocorra no seio da família ou com o grupo de amigos, evidenciando-se o uso de estratégias mais construtivas, como a negociação e a procura do compromisso nas relações com os pares. O conflito poderá, assim, tomar formas diversas à luz das particularidades da história desenvolvimental de cada indivíduo, e fazer eclodir reacções inesperadas e desproporcionadas relativamente às circunstâncias específicas que o rodeiam.

Muitos autores defendem que a prevenção do conflito e da violência passa, essencialmente, pela vontade do poder político de desenvolver políticas educativas efectivas e eficazes que permitam emergir um sentido verdadeiro da cidadania, havendo os que defendam e proponham estratégias para a promoção de competências construtivas para a resolução de conflitos através da integração de programas no curriculum escolar. Algumas escolas têm tentado resolver o problema do conflito através da mediação de conflitos, criando gabinetes, com professores, com psicólogos, ou com mediadores, que trabalham no sentido de evitar confrontos e comportamentos disruptivos e ajudar no desenvolvimento pessoal e social do aluno, ajudando-o na sua sociabilização e na construção de uma consciência cívica, tornando-o um cidadão mais responsável. O mediador é uma terceira pessoa, que ouve as partes em conflito, tenta promover o diálogo e esclarecer as situações. As partes não podem ser obrigadas a fazer a mediação, tem que ser um processo voluntário.

Hoje em dia, em algumas escolas, utiliza-se a mediação entre pares para a resolução de conflitos. Neste caso evita-se recorrer aos adultos para a resolução de conflitos, e são os próprios alunos que funcionam como mediadores. Esta estratégia pretende desenvolver nos alunos competências construtivas de resolução de conflitos, e como afirma Grave-Resendes (2004), “possibilita o desenvolvimento de competências

como a escuta mútua, a gestão da agressividade, a cooperação, o sentido de responsabilidade”(p. 69).

Defende-se que cada escola, dentro da sua autonomia, ou da que lhe deverá ser concedida, desenvolva estratégias, de acordo com as suas especificidades, da sua realidade sistémica, de forma a lidar com os seus problemas e solucioná-los “na escola e

pela escola”. Há que incentivar o trabalho em equipa nas escolas, e a reflexão sobre a acção dos adultos intervenientes, transmitindo-se verdadeiros sentidos de cidadania, promovendo-se e preservando-se as relações interpessoais entre os nossos alunos, para que também possam agir através do exemplo.

Quando responsabilizamos os nossos alunos pela resolução dos seus problemas e os dos seus pares, estamos a transmitir-lhes confiança e credibilidade nas suas capacidades e a contribuir para o seu desenvolvimento psicossocial. Há, contudo, factores importantes a ter em conta neste tipo de resolução de conflitos, que passam por reconhecer a existência de percepções distintas sobre o mesmo problema; reconhecer as diferentes emoções e formas diversas de se lidar com a mesma situação; aceitar que o conflito é comunicação, e torna-se necessário metacomunicar; é necessário compreender o verdadeiro problema, diferenciando os interesses das posições, há que dialogar, negociar para se poder resolver conflitos; evitarem-se julgamentos precipitados, evitar- se a procura de apenas uma solução para o problema, pois podem haver opções ou alternativas distintas.

A instituição Escola tem sido ultimamente alvo de muita notícia, realçando-se, de forma sensacionalista, acontecimentos de indisciplina e violência que acabam por não só denegrir a sua imagem mas criar mal-estar gerador dos mais variados conflitos. Cada vez mais os nossos alunos são considerados agressivos, sem princípios, valores ou regras. Atribui-se a culpa às famílias que se desresponsabilizam das suas funções, à degradação social, à etnia do aluno e à escola que já não cumpre o seu papel formativo e educativo.

É difícil encontrar responsáveis. Maria Emília Costa (2003) afirma que a complexidade das relações humanas não permite encontrar respostas únicas, porque nos situamos “num terreno com fronteiras lábeis, porque mediadas por variáveis idiossincráticas”. Tudo depende da forma como observamos cada acontecimento, e de quem o observa e em que contexto. Há que atender à singularidade e especificidade de cada situação, e não esquecer que “o todo é mais importante que as partes, e que o indivíduo não pode ser compreendido fora do seu todo”.

A identidade da comunidade escolar é construída pela interacção gerada por todos aqueles que nela se movem e que transportam para ela as suas vivências, a sua história, experiências, significados e as características dos seus contextos de vida. A escola é, ainda, influenciada por uma série de variáveis externas, sejam históricas, sociais, culturais ou políticas. É uma instituição, na sua essência, relacional. É nesta

interacção dinâmica e por vezes conflitual entre todos os actores que se dá o desenvolvimento, através de um processo contínuo de “assimilação e acomodação ao meio”. Costa, M. (2003) afirma que o conflito é para ser vivido, e não evitado ou, mesmo, solucionado. “Pensar diferente e sentir diferente é inerente às relações humanas e potencialmente fonte de crescimento”, acrescentando, ainda, que “discutir essas diferenças, aduzir argumentos, mostrar que não pensamos da mesma forma é absolutamente saudável”.

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