CHAPITRE II : ANALYSE DU CORPUS
1. Disfluences et contexte
A utilização de substratos de vidro não conduz a diferenças significativas na estrutura e morfologia de filmes de silício policristalino depositados por LPCVD, comparativamente aos produzidos sobre silício oxidado. Com base neste facto, no decorrer deste trabalho foi utilizado o vidro Corning 1737 como substrato. Porém, a temperatura máxima de processamento ficou limitada a 650°C.
No que diz respeito à deposição por LPCVD, silício policristalino de qualidade electrónica foi obtido acima de 625°C. A redução da pressão de deposição contribui também para a melhoria das propriedades dos filmes depositados. Porém, as propriedades estruturais e eléctricas dependem fortemente da temperatura, que aliado à limitação imposta pela utilização de substratos de vidro, condiciona a aplicabilidade desta técnica na produção de dispositivos em substratos de baixo custo.
A cristalização de silício amorfo por SPC permitiu a obtenção de filmes policristalinos com propriedades estruturais e eléctricas melhoradas, comparativamente aos depositados por
LPCVD. Desde logo a rugosidade é menor, facto importante na aplicação, por exemplo, a TFTs. A melhoria da qualidade cristalina é também uma evidência, com reflexos na
condutividade eléctrica, onde o regime de condução por estados localizados é menos influente. De salientar que isto é conseguido reduzindo a temperatura de processamento
Caracterização de filmes finos de silício policristalino
abaixo de 600°C. Porém, esta técnica tem como inconveniente o aumento significativo do tempo de processo.
A melhoria da qualidade do silício policristalino obtido por cristalização é conseguida pela técnica de MIC na presença de níquel. O tamanho de grão pode superar 1 micrómetro, com a qualidade cristalina a ser bastante melhorada. A ausência do regime de condução eléctrica por estados localizados confirma isso mesmo. Facto relevante é que o tempo e temperatura de processamento podem ser reduzidos em mais de 20 horas e 100°C, respectivamente, comparativamente à cristalização por SPC. O tamanho de grão final é, essencialmente, dependente da razão metal/silício e temperatura de recozimento, aumentando para espessuras de metal e temperaturas menores, por redução da nucleação dos silicetos responsáveis pela cristalização.
Na Figura 4.66 é mostrada a comparação da parte imaginária da função dieléctrica (ε2)
e condutividade eléctrica de amostras de silício policristalino obtido por LPCVD, SPC e MIC a uma temperatura de 625°C, 575°C e 500°C, respectivamente. É notório que o valor de ε2 é
superior em filmes cristalizados, estando bem definidos os pontos críticos para a amostra obtida por MIC, consequência do maior tamanho de grão. A condutividade em função da temperatura mostra a diminuição da influência do regime de condução por salto no silício policristalino obtido por cristalização.
a) b)
Figura 4.66 – Comparação de resultados para filmes finos de silício policristalino obtidos por LPCVD, SPC e MIC: a)parte imaginária da função dieléctrica e b) condutividade eléctrica em função
da temperatura.
O grande inconveniente do processo MIC é a contaminação por metal, que depende da razão inicial entre as espessuras de níquel e silício. Isso mesmo foi verificado por RBS, AES e
mínimo. Visando esse objectivo, demonstrou-se a possibilidade de cristalizar o silício amorfo a 500°C usando uma espessura média de níquel de 0,05 nanómetros. Espessuras menores são impossíveis de controlar pela técnica de evaporação de metal usada. A utilização de uma barreira de óxido entre o silício amorfo e o níquel revelou-se como uma alternativa no controlo da incorporação de metal nos filmes cristalizados.
Facto relevante neste trabalho foi a utilização da elipsometria para detecção de metal em filmes de silício policristalino obtidos por MIC. A introdução de uma referência de níquel num modelo BEMA modificado permitiu detectar variações na sua fracção volúmica, em função da razão metal/silício inicial. Além de uma melhoria significativa no ajuste dos resultados experimentais, é relevante a relação linear existente entre os valores obtidos por elipsometria e RBS.
A contaminação por metal pode ser reduzida em filmes cristalizados por MILC. Foi verificado que a concentração de níquel é, pelo menos, dez vezes menor comparativamente às zonas cristalizadas por MIC. Esta técnica envolve a migração lateral das cristalites de NiSi2 com as faces <111> orientadas paralelamente à superfície. A velocidade de crescimento lateral diminui com o tempo, devido à nucleação de cristalites de silício por SPC. A extensão das zonas cristalizadas revelou-se assim altamente dependente da temperatura. Por exemplo, a 600°C a velocidade de crescimento é mais de três vezes superior à conseguida a 550°C, mas devido ao processo concorrente de SPC, o crescimento lateral praticamente cessa passadas 5 horas. Por outro lado, a 500°C a velocidade de crescimento lateral é mais baixa mas a inexistência de nucleação por SPC permite que esta se mantenha constante.
4.6. Referências
[1] http://www.corning.com[2] D. Bruggemann, Ann. Phys. (Leipzig), 24 (1935) 636-664
[3] D. Aspnes, J. Theeten, F. Hottier, Physical Review B, 20 (1979) 3292-3302
[4] B. Bagley, D. Aspnes, A. Adams, C. Mogab, Applied Physics Letters, 38 (1981) 56-58 [5] G. Jellison, Jr., M. Chisholm, S. Gorbatkin, Applied Physics Letters, 62 (1993) 3348-3350 [6] P. Petrik, M. Fried, T. Lohner, R. Berger, L. Bıro, C. Schneider, J. Gyulai, H. Ryssel, Thin
Solid Films, 313-314 (1998) 259-263
[7] P. Petrik, T. Lohner, M. Fried, L. Biro, N. Khanh, J. Gyulai, W. Lehnert, C. Schneider, H. Ryssel, Journal of Applied Physics, 87 (2000) 1734-1742
[8] M. Hirose, M. Taniguchi, Y. Osaka, Journal of Applied Physics, 50 (1979) 377-382
[9] K. Zellama, P. Germain, S. Squelard, J. C. Bourgoin, Journal of Applied Physics, 50 (1979) 6995-7000
Caracterização de filmes finos de silício policristalino
[10] M. Miyasaka, T. Nakazawa, W. Itoh, L. Yudasaka, H. Ohshima, Journal of Applied
Physics, 74 (1993) 2870-2885
[11] N. Lu, C. Lu, M. Lee, C. Shih, C. Wang, W. Reuter, T. Sheng, Journal of
Electrochemical Society: Solid-State Science and Technology, 131 (1984) 897-902
[12] H. Wee, C. Lee, S. C. Shin, Thin Solid Films, 376 (2000) 38-46
[13] A. Fontcuberta i Morral, P. Roca i Cabarrocas, C. Clerc, Physical Review B, 69 (2004) 125307
[14] S. Boultadakis, S. Logothetidis, S. Ves, Journal of Applied Physics, 72 (1992) 3648-3658 [15] R. Collins, A. Ferlauto, G. Ferreira, C. Chen, J. Koh, R. Koval, Y. Lee, J. Pearce, C. Wronski, Solar Energy Materials & Solar Cells, 78 (2003) 143–180
[16] A. Borghesi, M. Giardini, M. Marazzi, A. Sassella, G. De Santi, Applied Physics Letters, 70 (1997) 892-894
[17] P. Giri,, S. Tripurasundari, G. Raghavan, B. Panigrahi, P. Magudapathy, K. Nair, A. Tyagi, Journal of Applied Physics, 90 (2001) 659-669
[18] M. Hatalis, D. Greve, Journal of Applied Physics, 63 (1988) 2260-2266 [19] C. Hong, C. Park, H. Kim, Journal of Applied Physics, 71 (1992) 5427-5432 [20] K. Nakazawa, Journal of Applied Physics, 69 (19991) 1703-1706
[21] J. Bloem, Journal of Crystal Growth, 50 (1980) 581-604
[22] R. Iverson, R. Reif, Journal of Applied Physics, 62 (1987) 1675-1681 [23] U. Koster, Physica Status Solidi A, 48 (1978) 313-321
[24] C. Spinella, S. Lombardo, F. Priolo, Journal of Applied Physics, 84 (1998) 5383-5414 [25] D. Kashchiev, Surface Science, 14 (1969) 209-220
[26] K. Nakazawa, K. Tanaka, Journal of Applied Physics, 68, 3 (1990) 1029-1032
[27] S. Gall, M. Muske, I. Sieber, O. Nast, W. Fuhs, Journal of Non-Crystalline Solids, 299– 302 (2002) 741–745
[28] K. Andrade, J. Jang, B. Y. Moon, Journal of the Korean Physical Society, 39 (2001) 376- 381
[29] S. Lee, Y. Jeon, S. Joo, Applied Physics Letters, 66 (1995) 1671-1673 [30] S. Yoon, S. Park, K. Kim, J. Jang, Thin Solid Films, 383 (2001) 34-38
[31] Y. Masaki, S. Nonomura, T. Kurokawa, T. Sakimoto, H. Kawai, R. Gibson, D. Jones,
Journal of Applied Physics, 77 (1995) 2474-2478
[32] C. Doland, R. Nemanich, Journal of Materials Research, 5 (1990) 2854-2864 [33] K. Hollowway, R. Sinclar, Journal of Applied Physics, 61 (1987) 1359-1364
[34] I. Raaijmakers, A. Reader, P. Oosting, Journal of Applied Physics, 63 (1988) 2790-2795 [35] S. Lee, B. Lee, T. Kim, S. Joo, Journal of Applied Physics, 85 (1999) 7180-7184
[36] Y. Wang, O. Awadelkarim, Applied Physics A, 70 (2000) 587–590
[37] R. Wang, P. Du, G. Shen, W. Weng, G. Han, Thin Solid Films, 422 (2002) 225–229 [38] J. Klein, J. Schneider, M. Muske, S. Gall, W. Fuhs, Thin Solid Films, 451–452 (2004) 481–484
[39] D. Kim, M. Gowtham, M. Shim, J. Yi, Materials Science in Semiconductor Processing, 7 (2004) 433–437
[40] F. Quli, J. Singh, Materials Science and Engineering B, 67 (1999) 139–144
[41] L. Hultman, A. Robertson, H. Hentzell, I. Engstrom, P. Psaras, Journal of Applied
Physics, 62 (1987) 3647-3655
[42] S. Yoon, J. Oh, C. Kim, J. Jang, Solid State Communications, 106 (1998) 325-328
[43] C. Cheng, V. Poon, C. Kok, M. Chan, IEEE Transactions on Electron Devices, 50 (2003) 1467-1474
[44] M. Wong, Z. Jin, G. Bhat, P. Wong, H. Kwok, IEEE Transactions on Electron Devices, 47 (2000) 1061-1067
[45] M. Wang, M. Wong, IEEE Transactions on Electron Devices, 48 (2001) 1655-1660 [46] Z. Jin, G. Bhat, M. Yeung, H. Kwok, M. Wong, Journal of Applied Physics, 84 (1998) 194-197
[47] J. Jang, S. Park, K. Kim, B. Cho, W. Kwak, S. Yoon, Journal of Applied Physics, 88 (2000) 3099-3101
[48] C. Hayzelden, J. Bastone, Journal of Applied Physics, 73 (1993) 8279-8289
[49] A. Joshi, T. Krishnamoham, K. Saraswat, Journal of Applied Physics, 93 (2003) 175-181 [50] C. Yu, H. Lin, S. Cheng, L. Chen, Applied Physics Letters, 82 (2003) 1857-1859
[51] S. Yoon, S. Park, K. Kim, J. Jang, C. Kim, Journal of Applied Physics, 87 (2000) 609- 611
[52] J. Christian, The Theory of Transformations in Metals and Alloys, Pergamon, Nova Iorque, 1975
[53] L. Lam, S. Chen, D. Ast, Applied Physics Letters, 74 (1999) 1866-1868
[54] H. Águas, V. Silva, E. Fortunato, S. Lebib, P. Roca i Cabarrocas, I. Ferreira, L. Guimarães, R. Martins, Japanese Journal of Applied Physics, 42 (2003) 4935-4942
[55] W. Sohn, J. Choi, K. Kim, J. Oh, S. Kim, J. Jang, Journal of Applied Physics, 94 (2003) 4326-4331
[56] K. Kim, J. Oh, E. Kim, J. Janga, Journal of Vacuum Science and Technology A, 22 (2004) 2469-2472
Caracterização de filmes finos de silício policristalino
[58] M. Qin, M. Poon., L. Fan, M. Chan, C. Yuen, W. Chan, Thin Solid Films, 406 (2002) 17–22
[59] T. Chang, C. Lin, Y. Chang, C. Tseng, F. Chu, H. Cheng, L. Choub, Journal of The