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Os resultados da análise descritiva para a variável (5) Tempo Levantador - Bloqueio (TLBq) mostraram que os bloqueios ocorreram em 53% das jogadas (46 largadas, sendo 24 masculinas e 22 femininas). Estes bloqueios foram formados pelos bloqueadores nas posições

3 e/ou 4, caracterizando bloqueios simples ou duplos, isto é, por um ou dois jogadores. Alternativamente, não houve bloqueio em 47% das jogadas (40 largadas, sendo 19 masculinas e 21 femininas).

Apenas 26% dos bloqueios foram efetivos, ou seja, resultaram em ponto para a equipe defensora (12 bloqueios). Dentre as 7 largadas que foram bloqueadas nos jogos masculinos, 6 delas (86%) parecem ter sido em decorrência da bola parecer estar passando para a quadra adversária ou estar muito próxima à rede (dados obtidos a partir da observação dos jogos), o que pode ter acontecido em função de passes rápidos e não tão precisos. Dentre as 5 largadas bloqueadas nos jogos femininos, 3 bloqueios (60%) ocorreram pelo mesmo motivo.

Uma possível explicação para esses resultados seria a previsibilidade das largadas que foram bloqueadas, dado que estas foram executadas, em sua maioria, com apenas uma das mãos desde o início do movimento. Isto é, o levantador já preparava o movimento com uma mão só, talvez sinalizando aos adversários que ele faria a jogada com uma mão, que seria a largada. Vale destacar que, em muitos casos em que a bola parecia estar passando, os levantadores decidiam realizar o levantamento (com as duas mãos), ao invés de largar.

A preparação dos bloqueios efetivos foi iniciada mais frequentemente quando o levantador estava prestes a tocar na bola. Para o masculino foram, em média, 290 milissegundos (ms) antes da decisão ser apresentada ao time adversário (7 ações de bloqueio). Para o feminino foram, em média, 350 ms em antecipação (3 ações), ou ainda, ao mesmo tempo em que o levantador tocou na bola (1 ação) e após 200 ms do contato da mão do levantador com a bola (1 ação).

A velocidade das largadas não foi aferida neste estudo, mas, em termos exploratórios, a antecipação mais tardia dos homens, em comparação com as mulheres, pode resultar da maior velocidade das ações masculinas. Também por esse motivo, isto é, por serem menores as velocidades das ações femininas, os bloqueios femininos tiveram seu início mais antecipado, mas também se mostraram efetivos até quando se iniciaram após o contato do levantador com a bola. No entanto, predominantemente, os resultados descritivos mostraram que tanto os bloqueios masculinos quanto femininos foram efetivos quando a ação foi iniciada antecipadamente, em média de 310 ms.

Semelhantemente, a oclusão de imagens de passes a 320 ms antes do contato do levantador com a bola, em comparação com imagens completas da trajetória da bola, revelou não prejudicar a correta antecipação de bloqueadores quanto à direção do levantamento ou largada (exceto para passes extremamente altos) (DENARDI; CORRÊA; FARROW, não publicado). Ou seja, os resultados parecem indicar que os bloqueadores preveniram

adequadamente a ação dos levantadores em torno do tempo apresentado (310 ms), e também, bloquearam efetivamente, em condições específicas. Isto é, a efetividade do bloqueio ocorreu quando os bloqueadores perceberam a pista corporal do braço do levantador, e então iniciaram seu movimento por volta de 310 ms. Particularmente, o presente estudo parece corroborar a assunção feita no estudo de Denardi, Corrêa e Farrow (não publicado) de que a cinemática do levantador teria sido a dica principal utilizada pelos bloqueadores para antecipar sua ação, especialmente em relação às largadas.

Também foi encontrado que em todas as situações de largada, tanto masculinas quanto femininas, o bloqueador na posição 2 não manifestou reação para o bloqueio. Adicionalmente, sua distância em relação ao levantador revelou ser a maior (média de 3,98 m), em comparação aos bloqueadores nas posições 3 e 4 (1,88 m e 1,60 m, respectivamente). Uma possível explicação para esses resultados poderia estar associada ao fato de que o bloqueador na posição 2 parece sempre estar à espera de um ataque dos atacantes, e não do levantador. Mais precisamente, a posição 2 é aquela em que o bloqueador parece estar sempre preparado para bloquear um atacante da posição 4 adversária, pois esta é uma jogada bastante frequente no jogo e, portanto, mais propícia a ser antecipada (RIDGWAY; HAMILTON, 1987).

Ridgway e Hamilton (1987), inclusive, apontam que o bloqueio duplo frequentemente ocorre nesta situação, apesar de o objetivo do ataque (preparado pelo levantador) ser isolar os atacantes contra apenas um bloqueador. O posicionamento dos bloqueadores (na posição 2) nesta jogada parece ser bastante comum, especialmente porque o levantador é constrangido a levantar a bola para o atacante da posição 4 quando o passe não foi tão preciso, visto que esta parece ser a escolha mais fácil e segura. Ademais, esse distanciamento do bloqueador 2 pode caracterizar um posicionamento mais “aberto” do bloqueio que, segundo Queiroga et al. (2010), parece indicar uma possibilidade de realizar a largada.

Em síntese, a reação dos bloqueadores às largadas, ou seja, a antecipação da largada, ocorreu somente em aproximadamente metade das ações (53%). E ainda, apenas 26% desses bloqueios foram efetivos. Esses resultados confirmam o aspecto surpreendente e de difícil defesa da largada, como um recurso do levantador para “enganar” o adversário (BEZAULT, 2002; LAVEGA, 2002). Isso porque as largadas não foram uma jogada antecipada na maior parte das ocorrências, particularmente para a defesa primária, isto é, pelos primeiros defensores, os bloqueadores; e também porque houve um pequeno índice de efetivação da ação do bloqueio.

Complementarmente, o bloqueador na posição 2 mostrou não antecipar largadas, e com isso influenciar a decisão de largar do levantador. Esse bloqueador mostrou talvez

antecipar ataques da posição 4 adversária, devido às suas grandes distâncias do levantador e nenhum movimento de início de bloqueio. No caso dos bloqueadores nas posições 3 e 4, houve a predominância de bloqueios efetivos quando a ação foi iniciada antecipadamente, em média de 310 ms. E a previsibilidade das largadas, que causou sua efetividade, pode ter sido determinada por pistas cinemáticas do movimento corporal do levantador.

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