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Discussion sur la pr´ ecision des r´ esultats

Dans le document The DART-Europe E-theses Portal (Page 82-88)

Approche num´ erique de la stabilit´ e des ondes p´ eriodiques dans les syst` emes hamiltoniens

3. Recherche syst´ ematique d’ondes p´ eriodiques

3.3. Discussion sur la pr´ ecision des r´ esultats

É possível encontrar alguns relatos de como foi o surgimento do primeiro hostel no mundo, a partir do seu idealizador, Richard Schirrmann, em 1909. Simpson (2015), em seu livro sobre a história de vida de Schirrmann, conta que ele era professor e acreditava que as crianças poderiam aprender melhor em meio à natureza. Por isso, levava os alunos para saídas a campo, até que começou a organizar pequenas viagens de estudo.

Em 26 de agosto de 1909, durante um passeio com estudantes, não tendo sucesso na acomodação que havia arranjado, precisou levar seu grupo para uma pequena cidade próxima, onde outro professor deixou que usassem uma sala de aula, como abrigo, para ficar durante a noite. Schirrmann passou a noite em claro, refletindo: “Eu pensei comigo que escolas em toda a Alemanha poderiam muito bem ser usadas para fornecer acomodação durante as férias [...]” (SIMPSON, 2015, p. 155, tradução nossa3).

Já em casa, ele amadureceu a ideia e pensou que jovens adultos e viajantes, como ele mesmo, poderiam dormir em campos, na floresta ou celeiros, mas jovens crianças precisariam de um lugar mais confiável para dormir e preparar refeições. Eles também precisariam de um lugar mais ‘público’, onde poderiam fazer amigos e se divertir juntos. A ideia seria prática e barata. As acomodações teriam o nome de Youth Hostel (Albergue da Juventude), e seriam salas de aula, uma para

3 Do original: “I thought to myself that the schools throughout Germany could very well be used to

meninos e outra para meninas, e cada jovem teria que manter seu local de dormir limpo e arrumado.

Assim, um jornal diário publicou a novidade e as pessoas entenderam a importância daquela ideia. Schirrmann, sua mulher e a zeladora da escola organizavam a hospedagem, no final de cada dia, na escola, e limpavam tudo, antes de as aulas começarem na manhã seguinte. Sua ideia logo demandou um prédio aberto o ano todo e empregados para tal função. Com isso, em 1912, ele transferiu seu hostel para um castelo na mesma cidade (Altena), sendo esse o registro que se tem do primeiro hostel no mundo, e que funciona até hoje.

Paralelo a isso, segundo Giaretta (2003), ocorreram outros movimentos na Europa, envolvendo também jovens, como as caminhadas, os passeios aos Alpes e os escoteiros. A autora, verificando a filosofia dessas organizações, percebeu que elas estavam relacionadas ao espírito de comunidade, ao fazer o bem, a conhecer e respeitar as diferenças. Isso nos dá pistas para compreender o próprio conceito dos hostels, que será abordado mais adiante.

A ideia dos hostels se expandiu rapidamente. Em 1913, já havia hospedagens em 301 cidades e vilas. O número cresceu para 535, no ano seguinte. Em 1924, 2.000 Youth Hostels estavam abertos. Em 1932, foi criada a Associação Internacional de Albergues da Juventude (Hostelling International – HI).

No Brasil, os hostels chegaram somente depois de 1950, quando o casal de brasileiros Yone e Joaquim Trotta, que tinha morado na Europa e levado brasileiros para fazer excursões por lá e se hospedado em albergues, resolveu divulgar essa ideia pelo Brasil. (GIARETTA, 2003). Em 1971, criou-se a Federação Brasileira dos Albergues da Juventude. Hoje em dia, os hostels podem ser associados à HI ou a outras redes, como, por exemplo, a Che Lagarto, na América Latina ou a Generator Hostels, na Europa. Existem, ainda, estabelecimentos independentes, que não são filiados a nenhuma rede.

Não há dados oficiais sobre o número total de hostels no mundo, mas, pelo website da HostelWorld, com busca feita em março de 2019, foi possível encontrar cerca de 36 mil. Desses, quatro mil são filiados a HI. No Brasil, foram identificados 507 estabelecimentos cadastrados, sendo que são 81 na cidade do Rio de Janeiro.

Há números que mostram crescimento do mercado dos hostels em nível mundial. De acordo com a matéria da Hotel Management, de 2017, o crescimento maior foi percebido em algumas regiões, como no sul e sudeste da Ásia (13%),

Oriente Médio (11%), Europa Oriental (11%) e norte da Ásia (10%) (HOTEL MANAGEMENT, 2017). Além do crescimento, a mudança na demanda tem gerado transformações em alguns hostels, aspecto que será tratado posteriormente.

No Brasil, pode-se dizer que é um conceito que se expandiu e que a demanda pela acomodação aumentou somente depois do ano 2000. Em busca pela internet, foram localizadas algumas reportagens jornalísticas que apontam o crescimento do mercado dos hostels no Brasil. Em São Paulo, por exemplo, de acordo com o Diário do Turismo (2015), o número de hostels cresceu de 12, em 2010, para 32, em 2012. Em 2013, aumentou para 60, e, próximo à Copa do Mundo, em 2014, para 100 estabelecimentos. No Rio de Janeiro, em 2011, havia 64 hostels e em 2015 já havia mais de 200 (GLOBO NOTÍCIAS, 2015). Uma pesquisa realizada pela Phocuswright – empresa que realiza pesquisas de viagens, turismo e hospitalidade – e divulgada pela HostelWorld revelou que, de 2011 a 2016, o crescimento dos hostels, no Brasil foi de 533% (DIÁRIO DO NORDESTE, 2016).

Para a Copa do Mundo de 2014, o Grupo Executivo Gestor da Copa do Mundo FIFA de Futebol no Brasil, determinou que os hostels seriam tratados como oferta de hospedagem (MINISTÉRIO DO TURISMO, 2012). E isso pode ser considerado um avanço, tendo em vista que foi compreendido que o público estrangeiro que viria ao Brasil já estaria mais familiarizado com esse meio de hospedagem e o procuraria em terras brasileiras.

Percebe-se, portanto, dois cenários: mundial e nacional. Em nível mundial, o hostel como um meio de hospedagem com mais de 100 anos de existência, que se expandiu rapidamente na Europa e depois por outros continentes. No Brasil, tem-se outro panorama, com pouco mais de 50 anos desde o primeiro estabelecimento, crescimento do mercado apenas depois dos anos 2000 e, muito impulsionado pela Copa do Mundo de 2014, em razão do fluxo intenso de estrangeiros no país, muitos hostels surgiram para suprir essa demanda.

Nesse sentido, verifica-se que o mercado é relativamente novo no Brasil, o que pode explicar o baixo número, ainda, de estabelecimentos, o conhecimento restrito ou errôneo da população sobre esse meio e o fato de ser pouco explorado em pesquisas acadêmicas.

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