3.5 Cascades of events
3.5.2 Discussion on the causes of the high-speed cascades
Quando discutimos o tema da acessibilidade, havemos que le- var em conta pelo menos três tipos de apreensão do problema. A apreensão da audiência, os sujeitos com necessidades especiais, os quais, fortalecidos pelo marco legal, exigem a implementação da acessibilidade de forma instantânea, imediata; a apreensão dos gestores, dos órgãos de monitoramento e observação, base- ada em levantamentos, fiscalizações e que tende a estabelecer diálogos com as instâncias de provimento das estratégias de aces- sibilidade; finalmente, a esfera técnica, onde muitas vezes o tema sequer é pensado, contando, portanto, com uma apreensão nula ou precária das maneiras de implementação da mesma.
No que toca à acessibilidade aos dispositivos móveis, confor- me já discutido, quando se implementou a acessibilidade nativa, os usuários com deficiência visual tiveram um ganho sem prece- dentes, mas, nesse grande mercado da criação de aplicativos e da distribuição de conteúdos, muitas vezes a acessibilidade é descu- rada, o que inviabiliza um consumo confortável de conteúdos de toda ordem, sobretudo, os jornalísticos.
A questão, no entanto, precisa ser apreendida e empreendida por todos os agentes, visto que estamos vivendo o que podería- mos chamar de a era da convergência no que toca aos negócios e à produção/distribuição de conteúdos jornalísticos, conforme Barbosa e Seixas (2012, p.53).
A audiência também tem aderido ao novo processo de inova- ção, numa curva de expansão que se alarga cada vez mais. Dados da ANATEL dão conta que em novembro de 2015, o país contava
com 269,59 milhões de linhas ativas na telefonia móvel e teleden- sidade de 131,5 acessos por 100 habitantes54.
Não nos deteremos aqui, em descrever os impactos de tal ino- vação no campo jornalístico, a qual pode ser apurada em Palacios e Canavilhas (2011), Raimondee (2012), Palacios e Cunha (2012), entre tantos outros autores. Citando Aguado e Castellet, (apud SU- zANA & SEIXAS, 2011, p.59-60):
(...) os traços que distinguem a plataforma móvel de outras plataformas de difusão de conteúdos são: o fato do celular/smartphone ser um dispositi- vo que mais fortemente se vincula à identidade do usuário, entre os muitos que povoam o ecossiste- ma digital contemporâneo; o celular/smartphone como plataforma de acesso a conteúdos (informa- tivos, de entretenimento, etc), é o único dispositivo de consumo cultural ao qual estamos expostos de forma permanente; o celular/smartphone é o pri- meiro que desvincula a comunicação do lugar e, por isso, a tecnologia móvel incide de forma decisi- va no movimento. A conectividade já não depende do lugar, e sim da pessoa. Daí, a importância dos dispositivos móveis como dispositivos pessoais, como um complemento insubstituível do sujeito social (Ibidem, 2011, p.59-60).
No caso dos usuários com deficiência visual, ao trazerem a acessibilidade nativa embutida, esses dispositivos tornam-se cada vez mais as tecnologias de preferência desses sujeitos, que não terão mais que baixar aplicativos de voz para interagirem com os mesmos.
54 Disponível em http://www.anatel.gov.br/institucional/index.php/noticias/noticia-da- dos-01, atualizada em 12 de janeiro de 2016, consulta em 24 /jan/2016.
É na esfera técnica pois, ali, onde estão os desenvolvedores, criadores de aplicativos, distribuidores de conteúdos, onde se deve fortalecer a atenção para os conteúdos locais, hiperlocais, assim como os conteúdos globais, os quais devem contar com estratégias personalizadas para o uso dos mais variados tipos de sujeitos.
Há uma audiência competente a reivindicar acessibilidade a conteúdos, há um marco legal que assegura essas demandas, entretanto, no âmbito da esfera técnica, parece ainda haver uma profunda lacuna no que toca ao conhecimento, tanto das ferra- mentas como da sua implementação, para que os conteúdos se- jam de fato acessíveis. Pesquisas futuras podem demonstrar que a audiência especial não é passiva, mas cria táticas que melhoram sua experiência de navegabilidade, assim como organiza proces- sos alternativos de monitoramento e fiscalização, assim como da formação de uma esfera crítica de opinião. No Brasil, um usuário cego desenvolve um aplicativo que permite melhorar os estilos das páginas de internet, tornando sua navegabilidade e usabilida- de mais acessíveis55.
Finalmente, a pesquisa universitária tem um papel fundamen- tal no sentido de descrever e refletir sobre essa nova ciberesfera e os desafios para a pauta da acessibilidade, não somente no cam- po do jornalismo, mas em outras áreas de conhecimento como o design gráfico, as ciências da engenharia e informática, entre ou- tras.
A arquitetura dos ambientes, produtos e conteúdos jornalísti- cos, nessa viragem tecnológica, não pode mais deixar de fora des- se legado, os variados públicos que agora interferem diretamente no fazer e no consumo de notícias.
Referências
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Cultura do
jornalismo móvel
56FERNANDO FIRMINO DA SILVA