III. Comparaison de l’efficacité de dépose de l’hydroxyde de calcium
6. Discussion
A família brasileira experimenta novas formas de organização, consequência de um processo de mudanças demográficas, econômicas e sociais que interferem nos padrões de organização. As tendências mais marcantes são a redução do número de membros, a diversidade de formas de organização familiar e as mudanças nos padrões de relacionamento, principalmente no que se refere ao empoderamento da mulher (SABÓIA, 2008).
Entre 1960 e 1991, o país passou de rural a urbano, a população brasileira dobrou – cerca de 70 milhões de habitantes para cerca de 150 milhões –, identificou-se queda generalizada das taxas de fecundidade e o aumento da expectativa de vida, causando impactos na estrutura etária e na longevidade. Essas mudanças na dinâmica demográfica por si só contribuíram para o crescimento do número de domicílios acima do ritmo de crescimento da população e do número de famílias; consequentemente, tem-se reduzido a densidade de pessoas por domicílio, enquanto o número de famílias por
domicílio aumenta(ALVES; CAVENAGHI, 2004).
O período em que se acentuam essas mudanças é marcado por um aprofundamento das desigualdades da sociedade brasileira, através da concentração de renda da minoria da população, enquanto a maioria tem uma diminuição do salário. A população está mais escolarizada e tem residência com mais infraestrutura, mas está cada vez mais pobre. A resposta da sociedade a essa deterioração das condições de vida e dos serviços prestados
pelo Estado aparece no rearranjo familiar.5 Entre as estratégias dos indivíduos
para driblar a crise, está o adiamento ou cancelamento de novas famílias. Essa situação é identificada, inicialmente, nas áreas urbanas entre os indivíduos mais escolarizados das camadas médias (GOLDANI, 1994).
No Brasil da década de 1980, o tamanho médio das famílias é de 4,1 pessoas e o arranjo mais comum o casal, com ou sem filhos. Contudo, a participação desses arranjos é reduzida, enquanto outros arranjos têm sua participação elevada. O aumento das separações levou a um aumento das famílias monoparentais, em especial aquelas chefiadas por mulheres, pois, entre chefes homens a participação até reduziu, diferença que pode ser consequência do maior nível de recasamentos, da maior guarda dos filhos por parte da mãe e da viuvez, que é maior entre as mulheres, consequência da maior expectativa de vida. Também se observou no período que a proporção de famílias monoparentais, vivendo com parentes, aumentou – na sua maioria pais e/ou sogros dos chefes. Outro arranjo que tem sua participação elevada são as unidades unipessoais e o grupo de duas ou mais pessoas sem parentesco. No caso das unidades unipessoais, observou-se que os indivíduos são pobres, principalmente em áreas urbanas, sendo que entre os homens destacam-se solteiros, divorciados e separados, enquanto entre as mulheres, as viúvas em idades mais avançadas. Os dados do Censo de 1980 indicam que 48% dessas pessoas são solteiras, 35% são viúvas e apenas 17% separadas. Porém, a diferença por sexo é grande, pois, entre os homens há um equilíbrio na participação, enquanto entre as mulheres a participação cresce com a idade (BERQUÓ, 1989).
De maneira geral, as famílias chefiadas por mulheres têm sua representatividade aumentada. Essa maior participação é acompanhada por uma “pauperização” desses arranjos. O aumento da participação do idoso também é relevante e eles estão localizados em sua maioria em famílias extensas ou multigeracionais, bem como em unidades unipessoais.
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As mudanças nos arranjos familiares, que tiveram origem numa situação de aumento das desigualdades, têm suas tendências mantidas, mesmo depois da queda da desigualdade e redução da pobreza nas décadas seguintes.
No caso do vínculo matrimonial, dobrou a preferência pela coabitação sem vínculo legal ou união consensual, chegando em 1980 a 12%. Além disso, este tipo de união deixou de ser exclusivo dos estratos mais pobres da população e alternativa a uma nova união após a separação de um casamento legal, antes da sanção do divórcio em 1978. Passa a ocorrer em todos os estratos e como primeira opção de vida conjugal (BERQUÓ, 1989).
No início dos anos 1990, destacavam-se entre os arranjos em crescimento os adultos vivendo sós e as famílias monoparentais, além do incremento das famílias reconstituídas, resultado do aumento das taxas de separação, divórcio e recasamentos. O arranjo tradicional “casal com filhos” sofreu mudanças no relacionamento de seus membros. Maior participação da esposa e dos filhos no mercado de trabalho e na renda monetária familiar redefiniu, muitas vezes, os padrões de hierarquia e sociabilidade. A maior participação da mulher em diversas áreas, acompanhada das discussões sobre feminismo, é apenas um dos aspectos da busca da democracia e da cidadania, que culmina na Constituição de 1988 (GOLDANI, 1994).
Nos anos 2000, a média de moradores continua caindo e passa a 3,73 habitantes por domicílio (IBGE – Censo Demográfico) e como se observa na TAB. 2.1, a família conjugal perde participação, enquanto outros arranjos apresentam uma tendência crescente, como é o caso de casais sem filhos, mas, principalmente, as famílias monoparentais e os indivíduos morando sozinhos.
TABELA 2.1 – Distribuição dos Arranjos Domiciliares no Brasil
Arranjos Domiciliares Anos
1991 (%) 2000 (%)
Casal com filhos 52,31 49,55
Casal com filhos e com parentes 6,45 6,16
Casal sem filhos 10,9 11,98
Casal sem filhos e com parentes 1,55 1,83
Monoparental 12,28 14,11
Monoparental com parentes e agregados 2,72 3,59
Pessoa sozinha 6,23 8,55
Duas ou mais pessoas sem parentesco 0,73 0,3
Outro 6,83 3,94
Total 100 100
O arranjo casal com filhos se mantém predominante, mas há uma tendência de redução da importância relativa aos arranjos cujo núcleo é formado por casal, em função, principalmente, da maior proporção de arranjos de núcleo formado por uma mulher sem cônjuge, com filhos e sem parentes. Também se identifica uma tendência crescente da proporção de arranjos de núcleo simples sem filhos, inclusive os unipessoais de homens ou mulheres. Outro arranjo cuja participação teve incremento foi aquele composto por mais de um núcleo, isto é, domicílios que, além do núcleo central – casal com ou sem filhos ou família monoparental –, possuem um núcleo secundário, seja pela presença de parentes, de agregados ou até mesmo de filhos retornados. Em geral, o monoparentalismo é predominantemente feminino.