Compreender a auto-avaliação da sua auto-eficácia 4 sim, 57% 3 não; 43%
A maioria dos alunos faz uma auto- avaliação assertiva; 2 alunas estão demasiado autocríticas e 1 excessivamente confiante. 21. Consideras que sabes estudar sozinho? Compreender a auto-avaliação da sua metacognição 7 sim; 100%
Todos os alunos estão confiantes na sua capacidade de estudo individual. Reconheço um aumento significativo desta capacidade. 22. Quem é o responsável, para a qualidade da tua afinação? Compreender qual a atribuição causal dos seus problemas
da afinação
6 eu; 86%
1 eu e o professor; 14%
Todos os meus alunos assumiram a responsabilidade para a sua afinação. A aluna que transitou da outra escola opinou que os seus professores anteriores poderiam tê-la ajudado mais. 23. Pensas que no futuro irás melhorar a tua afinação? Avaliar a sua espectativa do futuro/ Teoria incremental ou de entidade
7 sim; 100% Todos os alunos estão confiantes nos seus futuros progressos.
Tabela 4: Tabela-Síntese da entrevista final (E2) e a triangulação de dados de E1, E2 e a observação
Da triangulação de dados foram retiradas as seguintes constatações relativas a intervenção realizada:
Todos os alunos desenvolveram uma capacidade de auto-avaliação e a avaliação do desempenho dos outros executantes, muito boas.
Observei um aumento do seu rigor, do cuidado, da sensibilidade auditiva e dos níveis de exigência.
As suas capacidades de detecção, análise e correcção dos problemas, melhoraram. Os alunos do Curso Básico continuam a depender da orientação e da validação da
professora, no entanto, observou-se um aumento da sua autonomia, mais proporcional ao seu nível cognitivo.
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Adoptaram uma atitude mais realista, compreendendo que os problemas têm também uma causa interna e qual a sua importância.
Os alunos permanecem motivados e acreditam que munidos de novas estratégias e conhecimentos, vão melhorar.
Ocorreu uma maior consciencialização do problema principal, dos problemas inerentes e dos métodos utilizados na sua correcção.
Ainda assim foi observada uma interessante variação da resposta “as vezes” nas respostas 16 e 19 da E2 em que a mesma variava entre 1 e 8 valores de entre 10. Este facto sugere que continua a existir uma grande relatividade da importância do assunto.
Apesar de alunos terem assumido a responsabilidade na sua melhoria e considerarem que sabem estudar sozinhos, continua existir a necessidade de intervenção do professor ao nível atitudinal, para poderem surtir os efeitos mais profundos e duradouros.
5. Conclusão
Por forma a serem tiradas as devidas conclusões recapitulo as perguntas de partida: Quais as causas da má afinação?
Poderá a má afinação ser corrigida?
Como ajudar a melhorar a afinação dos alunos de violoncelo?
Qual deverá ser a intervenção do professor na solução do problema? O que poderá/deverá fazer o aluno, de forma autónoma, para melhorar?
Quais são as dificuldades na implementação das estratégias habitualmente encontradas e como podem ser contornadas?
Para poderem ser determinadas as causas da fraca afinação é importante que sejam investigadas as possíveis causas auditivas, técnicas e atitudinais e as suas origens, tanto do lado do aluno como do professor.
Este estudo confirmou que a afinação poderá ser corrigida desde que sejam eliminadas as verdadeiras causas dos problemas, que normalmente são múltiplas. A eficácia da correcção
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depende também da importância que é atribuída ao problema e da intensidade da sua abordagem. Em qualquer caso, as soluções têm muitas outras variáveis, tais como: o tipo de problema, a atitude, disponibilidade e colaboração do aluno, a qualidade do estudo individual, limitação temporal na aula, a existência de outros problemas e outras.
Entre as dificuldades auditivas mais frequentes destacam-se: a insuficiente sensibilização para a precisão da afinação, a incapacidade de audiar, a incapacidade de detecção dos desvios e das suas causas, assim como a incapacidade da correcção autónoma. Os problemas auditivos no nível básico parecem bastante raros e quando ocorrem são difíceis de corrigir. Um aluno com este tipo de dificuldades terá muitas dificuldades na aprendizagem, já por si concentrada, pelo que terá fracas possibilidades de melhoria. Por se tratar de um problema global, a sua abordagem deve ser realizada de forma multidisciplinar e fora da aula habitual, orientada preferencialmente pelo professor de FM.
Mais frequente é a existência dos problemas técnicos e o seu estudo insatisfatório, que condicionam a realização das correcções necessárias. Estes problemas podem derivar do método de ensino do professor e da qualidade do estudo individual, sendo por isso essencial que o professor transmita os correctos métodos de estudo que o aluno deverá desenvolver em casa.
Tanto os problemas auditivos como os técnicos mais significativos são, pela necessidade de assimilação e consolidação, de solução demorada e requerem uma abordagem reforçada no tempo extra-aula. De uma forma geral, qualquer aluno que demonstre dificuldades acrescidas deve receber do seu professor um treino de apoio orientado para o problema específico, não prejudicando a aprendizagem das restantes competências. Poderá sempre melhorar, mas, o empenho de ambos será determinante.
Os problemas mais graves são a falta do rigor correctivo, a indiferença perante o tema e outros problemas de origem atitudinal que são os mais rápidos mas também os mais difíceis de resolver. Se depois de uma maior sensibilização do aluno o problema persistir, a intervenção no domínio atitudinal terá de ser mais profunda. Uma vez instalado, um espírito demasiado permissivo e facilitista, é difícil de desenraizar. O professor deve ser por isso rigoroso desde o início da aprendizagem e deverá mentalizar os alunos para a mudança de atitude, sem a qual , não terão possibilidades de prosseguir os seus estudos.
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Conforme observado neste estudo, a quantidade do estudo individual por si só não influencia a qualidade da afinação. Contudo, e considerando o nível da auto-regulação do aluno, poderão ser indicados pequenos ajustes, acessíveis para a realização autónoma, e combinados com a orientação estruturada na aula.
As competências e as estratégias proactivas e de desenvolvimento devem ser desenvolvidas o mais precocemente possível, evitando futuras complicações e um maior consumo de tempo e de energia na intervenção correctiva.
Uma vez que sejam detectados os problemas consideráveis, deve primeiramente ocorrer à devida sensibilização dos alunos para os mesmos para que os alunos sejam plenamente envolvidos no próprio processo de melhoria.
Após compreenderem os métodos desenvolvidos na aula, devem aprender a utiliza-los de forma autónoma. O professor deve por isso utilizar e ensinar a utilizar as múltiplas estratégias que tem à sua disposição, para cada aluno saber auto monitorizar os seus progressos. O desenvolvimento da metacognição, da auto-regulação e da autonomia do aluno são essenciais para toda a sua aprendizagem.
O professor pode ser responsabilizado pela fraca afinação dos seus alunos, na medida em que, pode estar a fornecer uma instrução incompleta, pecar pela tolerância excessiva assim como pela falta de rigor e pela ausência ou ineficácia da correcção dos problemas detectados.
Pelo exposto, deve actuar na prevenção dos problemas pela construção de bases sólidas em todos os campos, na adopção de um bom método de estudo e na construção da motivação e do espírito autocrítico saudável.
Seja pelo seu papel de sensibilizador, orientador, motivador e impulsionador, o professor é essencial e insubstituível. É o principal responsável na aprendizagem da afinação pelo que deve abordar todos os assuntos e estratégias relevantes para este tema, de forma progressiva, ora directamente ou de forma indirecta, ajudar no diagnóstico dos problemas e na utilização correcta das estratégias. Sua criatividade e a capacidade de adaptação das mesmas serão determinantes para o sucesso de ambos.
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Bom exemplo e espírito crítico são essenciais na formação dos modelos e ideais, por isso qualquer desvio ou a dificuldade devem ser abordados imediatamente e de forma intensiva, evitando o seu agravamento, de modo a que seja desde o início incutido um nível de exigência elevado.
No entanto é preciso que o professor encontre um bom equilíbrio entre a correcção necessária e a resposta do aluno, para não se correr o risco da sua saturação, desmotivação ou até de desenvolvimento do complexo de incapacidade. O princípio deve assentar na exploração das possibilidades em vez da escolha entre o “certo e errado”. Desta forma o aluno será induzido a explorar o instrumento e testar as suas possibilidades (Mantel , 2005, p. 152).
Apesar da forte dependência do seu professor, os alunos podem contribuir para a melhoria da sua afinação de diversas formas:
adotando uma atitude de abertura para os conteúdos da aula que não são os mais apelativos (treino intervalar, exercícios de precisão repetitivos),
estando atentos aos processos utilizados na aula e tentando recria-los no estudo individual, cumprir as indicações do professor,
melhorando a qualidade do seu estudo individual através da criação autónoma de objectivos claros ( qualidade vs. quantidade)
realizando frequentemente e autonomamente os exercícios para o desenvolvimento da memória muscular, em casa, de forma metódica e controlada
utilizando as estratégias indicadas para o uso autónomo que o professor ensina na aula,
realizando o treino auditivo de forma autónoma,
explorando o violoncelo ou mesmo um outro instrumento, de forma criativa, ouvindo mais música tonal, desenvolvida nas funções tonais básicas.
Os processos nos quais assenta o estudo da afinação exigem do aluno um grande grau de autonomia e, como ainda não o possuem, a tarefa é delegada para o professor, ficando limitada ao tempo da aula o que representa o maior dos desafios, visto que os conteúdos programáticos se estendem muito para além da afinação.
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Como a fase essencial para desenvolvimento destas competências decorre ao longo de todo o Curso Básico, coincide com a fase de pré-adolescência. Esta é caracterizada por uma maior sensibilidade emocional do aluno e pelas suas profundas transformações, entre as quais se destaca a manifesta falta de inclinação para o trabalho.
Além disso, a própria natureza do tema cria nestas idades certa malquerença ou mesmo aversão, pelo que o professor deve ser um mestre de disfarce na implementação dos conteúdos relevantes, recorrendo a variados estratagemas pedagógicos para tornar este processo mais cativante. É também importante que as críticas realizadas aos alunos sejam justas e construtivas e o esforço devidamente valorizado, aumentando assim a sua sensível autoconfiança e motivação.
Para o sucesso da afinação do aluno, a frequência do Curso de iniciação é indiscutivelmente vantajosa por representar a fase privilegiada e determinante para o desenvolvimento auditivo e da audiação e de outras competências que não técnicas. É nesta fase que os alunos se tornam auditivamente sensíveis se forem devidamente sensibilizados e corrigidos pela vigilância e ajustes constantes. A instrução deve integrar os processos espontâneos e naturais como o canto, a imitação e a improvisação que favorecem a observação, permitem um maior foco nos fenómenos auditivos, promovem a memorização e desenvolvem a capacidade expressiva. É desejável, que o professor procure desenvolver a interligação entre o som, acção e também a notação, sendo a que a envolvência da notação não é imperativa. Apenas um bom conhecimento das capacidades cognitivas das crianças e das estratégias adequadas possibilitará ao professor adequar o ensino a estas idades.
No decorrer do Curso Básico, a aplicação das múltiplas estratégias sugeridas poderá actuar tanto no campo preventivo como no correctivo e envolver o aluno em todos os processos importantes. Desta forma ocorrerá a sua sensibilização e o aumento da sua autonomia correctiva.
Um dos focos principais deve ser o pleno desenvolvimento da audiação. Simultaneamente devem ser mestradas as técnicas da mão esquerda relacionadas com o domínio digital, das extensões e mudanças de posição, completadas pelo conhecimento do ponto e das existentes relações intervalares.
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No desenvolvimento da afinação no violoncelo as percepções: auditiva, táctil e visual; desempenham importantes papéis individuais, completando-se permanentemente, contudo o foco principal deve sempre permanecer no ouvido. Além do estilo condutor do aluno, que deve ser considerado numa primeira abordagem, devem ser utilizadas as estratégias compensadoras de reforço dos sentidos secundários.
Para uma boa monitorização independente da afinação o aluno deve desenvolver o rigor, disciplina, persistência, cuidado com o detalhe, autonomia, auto-regulação e as suas capacidades metacognitivas. Tudo qualidades, nesta fase da aprendizagem ainda raras e em desenvolvimento. A relação entre a complexidade do problema, o timing certo para o seu desenvolvimento e o nível cognitivo dos alunos, constitui um triângulo complexo de problemas, transponíveis apenas pelos melhores alunos.
Ademais, estas qualidades condicionam o desenvolvimento de todas as competências do aluno, não só da afinação. São imperativas para o desempenho de qualidade de qualquer músico ou até mesmo de profissional qualificado de qualquer outra área. Por essa razão, o aperfeiçoamento da afinação repercutirá no futuro de qualquer aluno
Limitações
A qualificação e principalmente a quantificação na avaliação da afinação são, devido a sua relatividade e subjectividade, difíceis. Apesar de este parâmetro poder ser acusticamente medido e analisado, os procedimentos envolvem a utilização de complexo software de análise e interpretação de dados acústicos, matemáticos e estatísticos, o que se desviava do propósito desta investigação. Devido às circunstâncias, em particular o nível da precisão em que foi observada, optei pela escolha da metodologia da observação, mais flexível e personalizada e, na minha opinião, mais verdadeira. Contudo, devido a necessidade de gerar dados quantitativos para a sua posterior análise optei por expressar os resultados observados em percentagens.
Muitas das estratégias foram implementadas pela primeira vez e os processos de explicação, demonstração e o próprio tempo de compreensão e assimilação consumiram muito do tempo de aula necessário para desenvolver ainda todas as outras competências. O dilema de ter de optar entre o cumprimento do programa ou dedicar-me a investigação esteve por isso
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sempre presente. Ainda assim, consegui implementar e observar todas as estratégias idealizadas.
À pressão relacionada com a optimização do tempo disponível juntavam- se ainda outros problemas como a fraca insonorização de salas de aula, a fraca afinação dos pianos de referencia. Pelo facto de se tratar de um estudo naturalista, tive de contornar também outros problemas habitualmente presentes, como a mudança dos objectivos dos alunos e seus EE, emparelhamento de alunos cognitivamente diferentes, inserção de alunos novos e outros.
É difícil resumir o tópico principal desta investigação à dimensão dum trabalho de mestrado, quando se pretendem abordar todas as questões pertinentes com a devida profundidade. Esta limitação foi, sem dúvida a minha maior dificuldade.