implements in the European Region among people aged 10–29 years
KEY FACTS
4.3 Direct primary prevention approaches .1 Reducing access to knives and sharp weapons
O paradigma da fixação do olhar apresenta duas versões: a intramodal e a intermodal. A primeira diz respeito a uma única modalidade perceptual. Se forem apresentados à criança, por exemplo, estímulos linguísticos (auditivos) de diferentes tipos, e uma alteração em seu comportamento for evidenciada, sugere-se que a criança foi capaz de discriminar a propriedade manipulada. Já a versão intermodal explora a capacidade de o bebê relacionar estímulos captados por diferentes modalidades perceptuais e tomá-los como vinculados a um único evento (NAME; CORRÊA, 2006). Nos estudos em aquisição da linguagem, a técnica de Fixação Preferencial do Olhar em sua versão intermodal (Split-Screen Preferential Looking
Paradigm) é amplamente utilizada e foi a adotada para a realização da atividade experimental
desenvolvida com as crianças mais novas, com idades aproximadas de dois anos.
4.3.1 Descrição da técnica e procedimentos
Na técnica da Fixação Preferencial do Olhar (Intermodal Preference Looking
Paradigm), há, portanto, a utilização conjunta de estímulos visuais – imagens ou animações –
e de estímulos auditivos – enunciados linguísticos. Tal técnica requer a utilização de duas telas (televisões ou monitores) ou, alternativamente, um televisor grande cuja tela encontre-se dividida em duas partes (essa segunda opção foi a utilizada em nosso experimento). Além disso, são necessários um alto-falante, uma câmera de vídeo e um computador.
De acordo com Name e Corrêa (2006), a aplicação de atividades experimentais realizadas com essa técnica ocorre da seguinte forma: a criança fica sentada no colo do responsável de modo que esteja estrategicamente centralizada entre as telas ou exatamente no centro da única tela dividida, enquanto o adulto utiliza uma viseira e fones de ouvido (com música) que asseguram que não haverá interferência do responsável no comportamento da criança (mesmo que involuntária), ou seja, o adulto não percebe o que é mostrado ou apresentado auditivamente à criança, não induzindo, assim, seu comportamento. Esse procedimento, porém, é adotado na aplicação de atividades com crianças na faixa etária de um ano de idade. Crianças mais velhas (de aproximadamente dois anos de idade) acabam ficando mais interessadas pelo fone de ouvido usado pelo responsável do que pelos próprios estímulos apresentados. Dessa forma, os responsáveis não utilizaram fones de ouvido nem viseira para não desviar a atenção das crianças do experimento. Buscou-se orientar os responsáveis para que não interferissem no comportamento da criança, evitando apontar para a tela ou falar com a criança durante a atividade.
É importante controlar, ainda, a intensidade de cor e o tamanho dos estímulos visuais, a fim de equilibrar o interesse da criança entre o que é ouvido e o que é apresentado visualmente, isto é, o estímulo visual não pode ser mais atrativo do que o estímulo auditivo. Vale destacar que a ordem de apresentação dos estímulos é controlada pelo pesquisador e que os estímulos linguísticos são gravados no estilo de Fala Dirigida à Criança (FDC).
Dessa forma, os resultados do experimento podem ser medidos tanto on-line (ao longo do experimento) quanto off-line (após o experimento, por meio da análise da gravação de vídeo do rosto da criança). Em nossa atividade, os vídeos do rosto das crianças foram posteriormente analisados no programa Supercoder (HOLLICH, 2008). Mensura-se, portanto, o tempo de fixação do olhar25 para a tela correspondente ao enunciado linguístico, podendo corresponder a um tempo cumulativo de olhar para uma determinada tela. Se o tempo de fixação do olhar para a imagem-alvo (mapeamento esperado entre estímulo auditivo e visual) for significativamente maior do que a média do tempo de fixação do olhar para a outra imagem, a hipótese nula é rejeitada, sugerindo que a criança é capaz de reconhecer uma dada imagem a partir do enunciado linguístico que lhe é apresentado.
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Consideramos que a mensuração do tempo de olhar seja feita pelo software em segundos, no entanto, não obtivemos uma confirmação da medida de tempo utilizada pelo programa. Deve-se ressaltar que, de qualquer forma, o tempo de fixação foi medido utilizando-se a mesma unidade de tempo para todos os participantes.
Utilizamos essa técnica experimental com pequenas adaptações. O experimento foi montado no laboratório do NEALP em uma mesa comprida, de modo que o responsável sentava-se com a criança em seu colo em uma ponta da mesa e o experimentador sentava na ponta oposta, controlando os estímulos por trás do televisor utilizado. Dessa forma, a criança não via o experimentador durante a atividade.
Materiais utilizados
Foram utilizados uma mesa, uma toalha preta, uma cadeira preta individual (para o responsável sentar-se com a criança), um televisor LG 42ʺ, um amplificador de som FRAHM SS250, um notebook ligado ao televisor por um cabo HDMI, uma câmera filmadora Sony, uma caixinha preta (para esconder a câmera) e um monitor Philco 20ʺ (por meio do qual o pesquisador acompanhava como estava sendo feita a gravação do rosto do participante).
O ambiente
O laboratório do NEALP está localizado no Centro de Pesquisas em Humanidades (CPH) da Universidade Federal de Juiz de Fora e dispõe de um espaço preparado para receber as crianças participantes das atividades experimentais. Nesse espaço, disponibilizamos, em um tapete emborrachado bastante colorido, brinquedos e livrinhos infantis a fim de que a criança conheça o espaço dedicado a ela e interaja com o pesquisador antes da atividade experimental, sentindo-se, assim, à vontade naquele ambiente. A criança e o responsável são recebidos pelo pesquisador e por um assistente em horário previamente agendado, de modo que a criança se familiariza com o ambiente enquanto o pesquisador explica os procedimentos da atividade para o responsável, bem como sana qualquer dúvida que o adulto possa ter a respeito da pesquisa, sem, no entanto, dar detalhes dos propósitos da atividade. Além disso, informa-se ao responsável que a atividade foi aprovada pelo Comitê de Ética da UFJF e que um Termo de Consentimento livre e esclarecido26 deve ser assinado para a efetiva participação da criança na pesquisa. Convida-se, ainda, o responsável a preencher uma ficha de cadastro da criança no NEALP27, podendo o menor ser convidado a participar de novas
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Anexo 2.
pesquisas se assim o responsável consentir. Não foi oferecida nenhuma recompensa financeira ou de qualquer outra ordem para os responsáveis, sendo a participação das crianças na pesquisa voluntária. Da mesma forma, não houve qualquer custo para a participação da criança neste estudo. Ao final da atividade, a criança recebe um certificado simbólico de participação na pesquisa28.
No momento em que a criança já está ambientada com o espaço e com a situação, o pesquisador convida a criança a assistir desenhos em um televisor e, assim que o convite é aceito, o responsável e a criança são encaminhados para o espaço de aplicação da atividade experimental. As figuras que seguem ilustram a antessala onde pais (ou responsáveis) e criança são recebidos e o espaço utilizado para a aplicação do experimento:
Figura 4: Antessala onde criança e responsáveis são recebidos.
Figura 5: Local da aplicação do experimento (posição do pesquisador).
Figura 6: Local da aplicação do experimento (posição do participante).
Procedimento
Quando o responsável já está acomodado na cadeira com a criança em seu colo, o pesquisador diz à criança que estará ali atrás da TV, “passando” os desenhos para ela. Esse comportamento foi adotado a partir do momento em que uma criança ficou incomodada, já
que a “moça havia sumido” da sala. A câmera de vídeo é programada para gravar o rosto da criança e, então, o pesquisador começa a apresentação dos slides, nos quais as animações são rodadas juntamente com o estímulo linguístico. Durante todo o experimento, o rosto da criança é gravado para posterior análise dos tempos de fixação para um ou outro lado da tela.
A escolha desta técnica experimental justifica-se, primeiramente, por possibilitar a investigação do mapeamento de um novo verbo a um dado evento, já que a proposta da técnica é a de investigar a capacidade das crianças em relacionar estímulos auditivos com estímulos visuais. Além disso, essa técnica tem a vantagem de deixar a criança bastante livre para reagir de forma natural, isto é, apenas pela movimentação dos olhos para uma ou outra animação. Crianças menores (como é caso do experimento com crianças de aproximadamente dois anos de idade), muitas vezes, ficam acanhadas ou demasiado agitadas quando são solicitadas diretamente pelo pesquisador a realizar alguma tarefa. Essa técnica, portanto, possibilita a criança reagir de forma mais natural ao assistir “desenhos”, uma vez que o método se baseia na tendência natural de se olhar para a figura que mais combina com o que está sendo ouvido.
A seguir, serão apresentadas as atividades experimentais que se utilizaram das técnicas descritas acima.