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Direct measurement of trade cost components .1 First stage: Building trade cost proxies

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4.2 Direct measurement of trade cost components .1 First stage: Building trade cost proxies

A análise das entrevistas permitiu captar que o componente estético da saúde bucal é um dos elementos preponderantes na construção das representações sociais do objeto em estudo. A importância de um sorriso bonito, composto por dentes brancos, limpos e corretamente posicionados, perpassa todos os discursos registrados:

[...] é muito importante, né... [sorri] a gente cuidar deles [...]. É a aparência, né, o cartão de visita nosso é os dentes, né? uma boa apresentação hoje em dia é muito importante! Não só pra apresentação, pra nossa saúde também [...] É tá com os dentes limpos, apresentável [...] poder conversar com alguém, chegar... não ter [...] apresentação assim feia assim, mau hálito e... ter os dentes bonitos, perfeitos, acho que é isso [sorri]. (gestante 6).

[...] eu acho que é fundamental, além da saúde, da saúde bucal, hoje em dia também tem essa parte da estética, né, querendo ou não, acho que influencia na vida da gente. (gestante 11).

Contribuindo para uma boa aparência, o sorriso bonito e saudável “abre portas” nos relacionamentos interpessoais, afetivos e profissionais, que fazem parte do complexo cotidiano vivenciado na sociedade atual. Mais que isso, uma aparência esteticamente satisfatória é quase uma condição para a entrada no competitivo mercado de trabalho, segundo as gestantes:

[...] eu tenho que fazer, arrumar meus dentes, sou obrigada a fazer isso se eu quero continuar a seguir

a carreira que eu tô pretendendo! [...] Os dentes da gente é como o cartão postal da pessoa, o dente, o

[...] assim como tu cuida do corpo, cabelo, das unhas, dos dentes, né? o cartão de visita da gente! Eu acho a

porta de entrada! Não precisa ser linda, maravilhosa! Eu acho que uma dentição... tem outra aparência!

Na própria profissão nossa, a gente vê isso, sabe? (gestante 8 – grifo nosso).

Bernd et al. (1992) e Martins (1993; 1999) também encontraram o valor da saúde bucal atribuído ao papel que os dentes desempenham na integração social e na obtenção de emprego ou promoção. A experiência do trabalho não apenas condiciona as condições de vida, através do salário e das oportunidades de consumo, mas é também uma forma de inserção na rede social, trazendo razões profundas para a constituição da saúde bucal enquanto valor. “O corpo culturalizado assume papel fundamental no seu reconhecimento”, de tal forma que os indivíduos o entendem no trânsito social e não na forma biológica de órgãos e sistemas (MARTINS, 1999, p.9).

Minayo (1999, p.185) colabora na compreensão destas constatações ao explicar que em “relação à classe trabalhadora, o conceito subjacente na definição social de saúde/doença vinculado pela visão de mundo dominante é a incapacidade para trabalhar”. Noção própria do sistema capitalista, onde o corpo do trabalhador é o seu único gerador de bens, fonte de subsistência e de reprodução. Para esta classe, a representação da doença como sinônimo de inatividade, tem um caráter social e não natural.

Kern (1997, p.157) concorda e vai além: “se hoje a população busca tratamento (...) é porque o social em que vivem requer esse reparo (...) é o mercado de trabalho que exige uma estética perfeita, é a relação familiar que se preocupa com a saúde, é o amor próprio e a auto- estima”, que retorna à questão da vida social e afetiva, porque a estética está em função do outro, aquele com quem se convive. A interação social ameaçada por problemas bucais é a própria identidade depreciada, não só em si, mas também na dimensão social, pois “todo ser humano sente a necessidade de apresentar-se bem, relacionar-se bem e prosperar naquilo que busca.” (KERN, 1997, p.161).

biológica (34,2% das unidades temáticas), mas ainda mais expressivamente por sua função psicossocial (65,8%), na socialização dos indivíduos através da linguagem e da imagem. A imagem negativa da boca, pela ausência de dentes, desperta um sentimento de exclusão, estigmatizando as pessoas por esse traço distintivo. Assim, a autora também constatou que a situação da boca e dos dentes permeia as relações sociais, afetivas e profissionais, marcando a imagem social e as condições psíquicas.

Sendo a saúde bucal tão importante, o autocuidado e o tratamento odontológico são concebidos como valores, tanto que a representação da saúde bucal também foi fortemente fundamentada no cuidado com os dentes, por meio da higiene, da alimentação saudável e do tratamento odontológico:

[...] boa escovação, boa alimentação também faz parte, que não seja fumante de preferência porque fica tudo amarelo. (gestante 1).

Ter saúde na boca é... ter... cuidados, higiene... acho que é isso [sorri]. (gestante 5).

[...] ter uma boa saúde bucal é cuidando corretamente, indo ao dentista corretamente e tendo a higiene corretamente [...] Se tu não tem uma boa higiene, tu não tem os dentes saudáveis, né? É como se fosse assim: tu não vai ser uma pessoa saudável se tu não se alimenta bem! A mesma coisa os dentes da pessoa. (gestante 7).

A saúde bucal também foi representada através do hálito agradável e de dentes saudáveis – “perfeitos e resistentes”, livres de doenças e de dor:

[...] ter o hálito puro também, né? Não sentir nada, assim, ter os dentes tudo certinho, arrumadinho, não ter cárie... (gestante 4).

Sorriso... sempre assim... sorriso bonito, né? Acho que escovar os dentes, né, não ter mau hálito essas coisas. Saúde bucal seria isso. (gestante 12).

E ainda, apesar de menos freqüente, foi o seu entendimento como parte constituinte da saúde geral das pessoas:

Ah, faz parte da nossa saúde também, não só bucal como do corpo também, né? (gestante 1). Como seria o bebê com saúde bucal? (pesquisadora).

uma boa saúde, né? E bucal, ter uma saúde bucal é... cuidando da boquinha, né? (gestante 7).

Kern (1997) também observou a preocupação com a saúde como um todo em sua pesquisa e a relaciona com a concepção de que a saúde é condição fundamental para a concretização da qualidade de vida das pessoas.

O relatório final da I Conferência Nacional de Saúde Bucal (1986) já enfatizava a saúde bucal como sendo “parte integrante e inseparável da saúde geral do indivíduo”, estando “diretamente relacionada às condições de alimentação, moradia, trabalho, renda, meio ambiente, transporte, lazer, liberdade, acesso e posse da terra, acesso aos serviços de saúde e à informação.” (COORDENAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE BUCAL, 1986, p.2).

Realmente a saúde não subsiste com “saúdes” parciais de alguns órgãos ou sistemas, ou seja, a saúde bucal, no caso, só adquire significado quando acompanhada, em grau razoável, de saúde geral do indivíduo. Entretanto, o conceito de saúde bucal identifica objetivos parciais em atividades de saúde (desde que não se perca de vista sua limitação), sendo uma abstração útil para os profissionais da Odontologia (CHAVES, 1977), os quais possuem no terço inferior da cabeça seu lócus físico de prática, historicamente determinado.

A indissociação constatada entre os conceitos de saúde geral e de saúde bucal, por parte das gestantes, é um fato positivo que tende a contribuir para o entendimento adequado dos processos de saúde-doença do ser humano integral.