2. LA CRÉATION DE L’ORGANISME DE BASSINS VERSANTS DE LA ZONE DES
2.2 E XIGENCES GOUVERNEMENTALES
2.7.1 Difficultés rencontrées
Por meio do discurso teórico, é possível identificar a importância da preservação da memória para a construção da identidade cultural da comunidade, e no currículo escolar isso aparece com maior força no ensino de Artes.
Conforme afirma Santos (1997, p. 148) “a cultura de um grupo social (...) não é compreensível sem a análise de sua história (...)”, nesse aspecto no espaço escolar o professor de Artes pode ser um mediador entre as memórias do passado e a cultura do presente. Partindo dessa concepção 90% (18) dos professores participantes dessa investigação, afirmam trabalhar questões culturais que envolvam a comunidade em suas disciplinas, como, por exemplo, o P6 que discorre: “Procuro usar questões que tratam da região e do país, sempre que posso trago apresentações para que os alunos possam ter contato, através de vídeos e imagens, com suas raízes e história” (P6). Já o P5 destaca:
“Trabalho com a cultura da região integrada aos conteúdos da disciplina, minha maior dificuldade esta na falta de condições (financiamento e tempo) para sair do espaço da escola para conhecer outras culturas dentro e fora da cidade com meus alunos” (P5).
As respostas dos professores demonstram o interesse pelo trabalho com a cultura local e as temáticas sobre a história da região onde se inserem, conquanto é possível verificar por meio da fala do P5 a dificuldade de sair do espaço formal de ensino, a escola, e estar presente em instituições culturais ou sítios históricos. Este é o primeiro momento que a presente investigação visualiza as reflexões sobre o uso do passeio virtual como recurso, apontando que o mesmo possibilita uma nova experimentação para visitar e/ou conhecer os espaços culturais. Ainda sobre o discurso da memória, o pensamento dos professores vai ao encontro das ideias de Pinto (2012), o qual acredita que as imagens e informações coletadas do passado educam, provocando reflexões através do que se vê. No entanto, em contradição, mesmo afirmando não trabalhar as questões de sua comunidade, o P9 ressalta:
“Não trabalho com tanta frequência devido ao vasto currículo a ser cumprido, busco relembrar a história da região em datas de festividade ou marcos histórico” (P9).
Nessa ótica o P20 reforça:
“O como se fala do assunto depende de cada professor ou eventualmente do grupo ao qual se pertence. O assunto é dado ou isoladamente na disciplina ou de forma interdisciplinar com outra. No programa do sexto ano, faz parte do conteúdo, já nos oitavos anos não existe este conteúdo no currículo, assim o assunto poderá vir a ser abordado no nono ano, quando mais uma vez se aborda a comunicação virtual” (P20).
Verifica-se aqui, que mesmo quando um determinado professor nega o trabalho com as relações culturais da comunidade, em algum momento durante os conteúdos pedagógicos ele acaba por retomar a história e as vivencias da sua comunidade, ainda que apenas em datas específicas. Sobre o espaço virtual como recurso, surge um pensamento por meio da fala do P20, que relata que em Portugal, nos programas do sexto e nono ano são trabalhadas questões voltadas para comunicação virtual, nas quais o professor tem a possibilidade de relacionar as questões culturais dentro do ciberespaço.
Não obstante, tendo em vista que a identidade individual vai sendo construída ao longo das relações do indivíduo, é no cotidiano escolar que o aluno começa a desenvolver suas primeiras relações dentro de uma organização social. Com relação a esta visão 95% (19) dos professores garantem trabalhar a construção da identidade cultural do aluno em sua prática pedagógica. Com relação a este fato o P1 e o P6 expõem:
“Trabalho e pesquiso sobre a diversidade com base nas orientações trazidas pelos próprios alunos. Acho importante construir a identidade cultural dos alunos por meio de fatos passados e realidades atuais apresentadas pela sociedade” (P1).
”Entro com temas diversos inseridos na globalização como a diversidade de culturas, gêneros e etnias, proporcionando apresentações, composições, musicais, poesias, entre outros” (P6). Para o P9 e o P18:
“As oportunidades para os alunos mostrarem elementos com os quais se identificam devem e podem ser dadas ao longo do conteúdo desenvolvido” (P9 e P18).
As reflexões dos professores seguem por um caminho de inserção dos elementos atuais e cotidianos da vida dos alunos em conjunto com a história e elementos do passado, tendo nessa conjunção a formação de uma identidade constituída por meio das experiências passadas e presentes, além das relações de valores formados por cada comunidade. Este discurso cabe dentro de um pensamento já exposto por Menezes (1894, p. 33), no qual “o suporte fundamental da identidade é a memória”. Contudo o P20 encontra uma barreira nesse trabalho que é expressa em sua fala:
“Não trabalho, por ser cidade, por ser um agrupamento (são 1500 alunos no edifício), por ser uma escola do programa Territórios Educativos de Intervenção Prioritária (TEIP) e por haver muitos alunos institucionalizados, na verdade existem alunos de toda a parte do país e de fora dele. O que em termos de identidade poderá ser algo perdido" (P20).
Compreende-se na fala do P20, a dificuldade do mesmo em relacionar as possibilidades do discurso de identidade cultural do indivíduo frente à diversidade de culturas inseridas no espaço escolar. Apesar disso, 100% (20) dos educadores concluem que a formação cultural deve ser inserida no currículo, não apenas de forma interdisciplinar, mas enfatizando sua importância, como menciona o P4: “Na minha concepção a formação cultura deveria ser acompanhada de políticas públicas para difusão da cultura e da herança cultural”.