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Le difficile desserrement des liens

dynamique situationnelle et processus de qualification Si la violence demande à être saisie au niveau de l’interaction, il est alors naturel de s’interroger sur son

12. Sortir de la violence

12.3. Le difficile desserrement des liens

A divisão dos erros ortográficos em categorias afigura-se como um instrumento importante para a prática lectiva do professor, uma vez que a sua categorização permite- -lhe fundamentar hipóteses acerca da origem do erro bem como estabelecer um referencial objectivo para perceber que tipo ou tipos de erros são mais frequentemente produzidos pelos aprendentes. Esta tarefa facilitará o estabelecimento de estratégias e, mais importante ainda, permitirá ao docente fixar-se nos processos mentais implicados tanto ou mais do que nos resultados (Azevedo, 2000).

Não sendo possível explicitar todas as categorias de erros propostas pelos mais variados investigadores, explicitaremos aquelas que se nos afiguram mais pertinentes, porque inseridas no âmbito da língua portuguesa e decorrentes de estudos empíricos que foram realizados tendo em vista a explicitação das dificuldades ortográficas em aprendentes do português como língua materna.

Deste modo, M. H. Mateus (2002) elabora uma classificação dos erros ortográficos subdividida em três categorias:

1) Ortografia das regras gramaticais (formação do plural - *cristães, superlativo absoluto simples - *diversicímas, numerais - *centezimo, verbos - *admiravão,

114 conjunções - *por que, locuções - *derrepente, interjeições - *hà, composição e derivação - *rapasinho;

2) Erros de vocabulário, subdivididos em

a) Ortografia do uso (confusão de letras - *acim, adição de letras - *houvir, omissão de letras - *umedeceu, homógrafas - *êsse, homófonas - vós e composição - *deshabitadas) e

b) Ortografia fonética e disfonética (adição de vogais - *ademirado, adição de consoantes - *camponenses, queda de vogais - *indifrente, queda de consoantes - *abir, substituição de vogais - *princepes, substituição de consoantes - *habia, metátese - *Algrave);

3) Acentuação - Corte anormal - Aglutinação 3.1. Acentuação

a) troca de sílaba - *múrmurio, b) indevida - *flôres,

c) falta de acento - *já, d) troca de acento - *àgua; 3.2. Corte anormal - *na quela e 3.3. Aglutinação - *havêlos.

M. G. Pinto (1998) recorreu à seguinte categorização dos erros, inspirada no modelo proposto por A. Girolami-Boulinier (1984):

1) erros de género e número: revelam uma não aplicação ou aplicação deficitária das regras de concordância – pedra > “pedro”;

2) erros de uso: aqueles que afectam a forma gráfica da palavra sem afectar a sua forma auditiva – sentado> “centado”; estes dois tipos de erros são considerados de menor importância;

3) erros fonéticos: são os que mudam o aspecto fonético (o fonetismo) das palavras e subdividem-se em:

a) perceptivos, traduzindo-se em: adições – cerveja > “cerveija”, substituições – começo > “comoço”, omissões – depois > “depoi”, inversões – esquerdo > ”escredo” e em

b) erros de mecanismos de leitura – empregado > “enpregado”; 4) erros linguísticos, que se subdividem em

115 a) erros de morfologia verbal: afectam as formas verbais (põe > “poi”, viu > “vio”)

b) erros de identificação ou individualização lexical: mais graves do que os restantes na medida em que podem afectar a compreensão e a construção da frase (aquilo > “a quilo”, depois > “ de pois”, de repente > “derrepente/derepente”).

Quanto aos erros de acentuação, estes são considerados à parte, embora contribuam para uma boa prática ortográfica, e podem ser divididos em:

a) erros de uso, quando as adições de acentos não modificam a pronúncia (fumar > “fumár”);

b) erros de leitura, quando a supressão do acento faz alterar a pronúncia (médico > “medico”);

c) incertezas, quando referem um conjunto de incertezas gráficas ou auditivas que, por vezes, são de difícil classificação (água > “àgua”; à > “á”).

O. Sousa (1999), no estudo a que já fizemos referência, propõe a seguinte tipologia de erros:

Classe I – Palavras fonética e graficamente incorrectas Tipo 1 – adição

Tipo 2 – omissão Tipo 3 – substituição

Tipo 4 – troca de posição ou inversão

Os três primeiros tipos estarão relacionados com a utilização errada de um código oral incorrecto. Nos erros de tipo 4 a palavra transcrita possui todos os grafemas, mas colocados numa ordem incorrecta.

Classe II – Palavras foneticamente correctas mas graficamente incorrectas. Estes erros são consequência da não correspondência unívoca entre fonemas e grafemas no português.

Tipo 5 – maiúscula / minúscula (embora sendo erros gráficos, não alteram a configuração normal da palavra)

Tipo 6 – grafias homófonas

Tipo 7 – omissão / adição de sons mudos (como o h inicial ou o e final)

Tipo 8 – divisão / aglutinação (resultantes do deficiente domínio a nível morfémico e morfológico e mais frequentes a nível da escolarização primária, bem como do recurso ao hífen)

116 Classe III – Outras (provocados pela perda do sinal auditivo)

Tipo 9 – irreconhecível Tipo 10 – omitida Tipo 11 – substituída

Uma outra tipologia de erros é-nos apresentada por G. Rio-Torto (2000). Segundo esta autora, os erros podem ser agrupados em:

1) erros grafemáticos que são aqueles que afectam a representação grafemática da palavra, mas não a sua configuração auditiva ou fónica, dos quais os mais representativos são os etimológicos (ex.: *esitar, *aljibeira);

2) erros fónicos que alteram a estrutura fónica (e não apenas fonética) e silábica da palavra. Muitos deles têm origem perceptiva, enraizando numa deficiente produção ou reprodução do fonetismo da palavra e/ou numa percepção deficitária deste. Estes podem ser divididos em:

a) erros fonéticos não motivados morfologicamente (ex.: candeeiro / *candieiro); b) erros fonéticos superáveis com recurso à estrutura morfológica (ex.: campeão [campeonato] / *campião);

c) erros que se traduzem por adições, omissões, simplificações, inversões e substituições e que têm repercussões sensíveis não apenas na configuração fónica da palavra, mas na sua estrutura morfológica. Tratam-se de erros de expressão ou de manifestação fónica, mas de alcance lexical:

• erros por adição: ex.: assembleia / *assembeleia;

• erros por omissões superáveis através do conhecimento da estrutura morfológica: ex.: adivinhar [adivinha] / *advinhar;

• erros de inversão: ex.: água / *auga. Estes também podem ser de natureza morfo-lexical (ex.: impressionar [pressão] / *impercionar;

3) erros morfológicos: a autora centra-se apenas nos erros de morfologia verbal (aqueles que afectam a identidade das formas verbais), por exemplo *anda-se em vez de andasse; *come-mos em vez de comemos, *podemonos em vez de podemo-nos, etc.

I. Horta & M. Martins (2004), propõem uma classificação dos erros baseada em seis categorias:

1) Ortográficos de uso: aqueles que conservam a forma sonora da palavra, mas cuja grafia é incorrecta (ex.: *dezerta / deserta ou *avia / havia);

117 2) Fonéticos de Tipo 1: erros em que a correspondência fonema / grafema seria possível noutros contextos, mas que, no contexto da palavra em causa altera a sua forma sonora (ex.: *posas / poças);

3) Fonéticos de Tipo 2: aqueles em que a correspondência fonema / grafema é incorrecta, alterando a forma sonora da palavra (ex.: *maravinhosos / maravilhosos);

4) Segmentações Incorrectas: erros devidos a segmentações incorrectas de palavras no enunciado oral (ex.: *que vinham / que vinham ou *a pareciam / apareciam);

5) Flexão de Género ou Número: erros dados por substituição do género ou do número da palavra (ex.: cobertos em vez de cobertas ou rocha em vez de rochas);

6) Palavras Irreconhecíveis: erros que não permitem o reconhecimento da palavra (ex.: *pertra, *sima).

A. Gomes (2006) apresenta uma sistematização dos erros em cinco macrocategorias (ou tipos), subdivididas em onze microcategorias (ou subtipos):

Tabela II. 5: Macro e microcategorias de erros ortográficos

Macrocategorias de erros Microcategorias de erros Exemplos 1. Erros que resultam de uma

não correspondência entre som e letra

1.1. Omissão ou adjunção *cantare, *ação

1.2. Confusão *lial, *ajenda

1.3. Inversão *liete, *áuga

2. Erros de morfossintaxe (incluindo os transfrásticos)

2.1. a nível morfemático

plurais regulares/ irregulares, femininos, graus, concordâncias, verbos, etc.

2.2. a nível lexemático

palavras terminadas em –ência, -ância,

-ível, -oso, etc.

homófonas, parónimos, etc.

3. Erros de acentuação

3.1. omissão ou adjunção acento agudo, acento grave, acento

circunflexo, til, acentuação de palavras (agudas, graves, esdrúxulas), etc.

3.2. confusão (de sinais) 3.3. deslocação

118

4. Erros de pontuação (e outros códigos)

4.1. omissão ponto final, ponto de abreviatura,

ponto de interrogação, ponto de exclamação, reticências, dois pontos, vírgula, ponto e vírgula, travessão, aspas, parênteses, hífen, apóstrofo, maiúsculas, divisão silábica, etc.

4.2. confusão

5. Erros semântico-pragmáticos “Eu, presidente desta Junta e vice-

-versa, declaro…”

(Gomes, 2006)

Por fim, referimos que L. Barbeiro (2007) propõe uma sistematização de erros considerados em nove categorias:

1) Incorrecções por falhas de transcrição, devidas ao processamento dos fonemas ou à utilização de grafemas que não representam o som em causa (ex.: *voram por foram);

2) Incorrecções por transcrição da oralidade, isto é, devidas à transcrição de variedades e registos que diferem da sua representação ortográfica consagrada (ex.: *pescina por piscina);

3) Incorrecções por inobservância de regras ortográficas de base fonológica: a) contextuais (ex.: *omde por onde); b) ou relativas à posição acentual, tónica vs. átona (ex.: *moito por muito – em posição tónica o fonema /u/ não é representado por “o”);

4) Incorrecções por inobservância de regras de base morfológica – representação dos morfemas (ex.: *fomus por fomos);

5) Incorrecções quanto à forma ortográfica específica da palavra – critério lexical (ex.: *sidade por cidade);

6) Incorrecções de acentuação (ex.: *agua por água, *á por à);

7) Incorrecções na utilização de minúsculas e maiúsculas: a) ligados ao critério do referente, ou seja, à representação dos nomes comuns / próprios (ex.: *lis por Lis); b) ligados à organização das frases no texto (ex.: *os amigos … no início de período);

8) Incorrecções por inobservância da unidade gráfica da palavra: a) junção de palavras (ex.: *seirem por se irem); b) separação de elementos de uma palavra (ex.: *de pois por depois); c) utilização de hífen (ex.: *fim de semana por fim-de-semana);

119 Das várias categorias de erros propostas pelos diferentes autores, podemos concluir que não há um critério uniforme na classificação dos erros, o que poderá ser explicado pelo facto de, por vezes, certos erros poderem ser distribuídos por mais do que uma classe. M. G. Pinto já chamara a atenção para “a dificuldade que por vezes representa distribuir (classificar) os erros por categorias e de em certos casos algumas palavras abrigarem em si mais do que uma categoria de erro” (1998: 158). De qualquer modo, parece-nos evidente que as tipologias de erros apresentadas têm em conta o tipo de afastamento relativamente à forma correcta, combinando vários aspectos: o tipo de incorrecções decorrentes da influência do oral sobre o escrito e o modo como esta se repercute (ou não) na incorrecção ortográfica da palavra; as incorrecções que abrangem um critério morfológico, lexical e também sintáctico; as incorrecções que dependem da utilização dos diacríticos bem como de outras regras convencionais da língua como o uso de maiúsculas/minúsculas e a translineação. O facto de em algumas das tipologias de erros apresentadas existir uma categoria própria para os erros de acentuação parece- -nos importante, uma vez que os dados empíricos têm demonstrado que mesmo nos níveis mais avançados da escolaridade este aparece como uma área problemática (Sousa, 1999), bem como nos anos iniciais de aprendizagem formal (Pinto, 1998). Este facto advém de uma explicação que pode ser a seguinte: tal como M. H. Mateus nos refere, “por não fazerem parte integrante do corpo da palavra, os acentos são atingidos por um desinteresse crescente que arrasta um abandono progressivo das regras de ACENTUAÇÃO” (2002; 102). Por outro lado, uma outra razão dada à importância de atribuir à acentuação uma categoria própria reside na visibilidade que estas incorrecções apresentam por si próprias no âmbito da palavra (Barbeiro, 2007).

Não é nossa pretensão sobrevalorizar uma tipologia em detrimento de outra, pois quanto à tipologia usar, esta deverá ser escolhida ou elaborada em função dos objectivos que se pretendem alcançar. Tal como M. F. Azevedo propõe, “ao lado de uma tipologia «máxima», que prevê todos os casos de erros, poder-se-ão imaginar tipologias «mínimas» para a escola primária ou «intermédias» para os níveis subsequentes” (2000: 75).

De salientar que a tipologia de erros estabelecida está fortemente dependente das características da língua a que se refere. Tal como já sublinhámos, sendo o português uma língua que apresenta sinais de alguma opacidade, em que não existe uma relação unívoca entre fonema-grafema e vice-versa, além de que apresenta um sistema baseado no carácter fonológico da língua, será evidente que as tipologias de erros incidam mais

120 consistentemente sobre estes aspectos que apresentam maior dificuldade e, consequentemente, onde pode existir um maior número de erros.