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Différenciation des territoires et principe de clustérisation

Thème IV - Clustérisation des activités et cluster de tourisme

1. Différenciation des territoires et principe de clustérisation

A primeira obra considerada como pioneira dos manuais escolares actuais para crianças, por caber na definição deste tipo de livro e conter texto e imagem, remonta ao século XVII. Trata-se da obra Orbis sensualium pictus (Jogos e Prazeres Infantis) que foi publicada por Jacques Stella em 1658 (Johnsen, 2001; Pombo, 1996). Outro dos pioneiros dos manuais escolares ilustrados surge entre 1719 e 1734, consistindo em pequenos tratados de gramática de latim, escritos em forma de cartas de jogar, criados por M. de Vallange, pedagogo, para a aprendizagem desta língua. (Manson, 2002). Por fim, referimos também o Compendious view of universal history and literature, in a series of tables de James Bell de 1828, que apresentava a informação organizada em tabelas com imagens coloridas à mão, tendo obtido grande sucesso na primeira metade do século XIX (Twyman, 1990).

De então até aos nossos dias, um longo caminho foi percorrido no que diz respeito à função e aspecto formal dos manuais escolares. Sempre em suporte de papel, ao simples veículo de conhecimentos, com ou sem exercícios, foi adicionado o desenvolvimento de hábitos de trabalho e métodos de aprendizagem. A apresentação dos conteúdos, feita quase exclusivamente em texto escrito, transformou-se, dando lugar à predominância do texto icónico. Têm tido sempre, no entanto, como objectivo, a eficácia da aprendizagem e servido também, de

Capítulo 1 - Contributos para uma Definição de Manual Escolar

 

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transmissores, mais ou menos explícitos, dos valores sociais e culturais da sua época.

Entende–se por design, segundo Juan Costa e José Menal, (1989:3), “el conjunto de actos de reflexíon y formalización material que intervienen en el proceso creativo de una obra original (gráfica, arquitectónica, objectal, ambiental,) la cual es fruto de una combinatória particular – y técnica – de planificación, ideación, poyección y desarrollo creativo en forma de un modelo o protótipo destinado a su reproducción/producción/difusión por médios industriales” 5.

O manual escolar como objecto material de reprodução industrial deverá resultar da aplicação deste processo que Maldonado (1963:37) define como: “uma actividade projectual que consiste em determinar as propriedades formais dos objectos produzidos industrialmente”. Especifica que das propriedades formais fazem parte, não só as características exteriores dos objectos, mas também as suas relações funcionais e estruturais, principal origem da sua coerência. O autor sublinha a atenção que deve ser dada a estas relações, explicando que quando se elegem as características exteriores como preocupação principal, frequentemente, por detrás da aparência atractiva, está um objecto construtivamente débil.

Por seu lado, Bonsiepe (1992:42) ao enunciar os objectivos do design industrial, refere que a sua metodologia constitui um factor de desenvolvimento, não só para as empresas que a aplicam, mas também para o contexto em que se inserem os objectos resultantes da sua aplicação. Fernando Seixas (1993:105-111) destaca que os seus objectivos prioritários devem estar relacionados com as formas e os materiais que contribuam para prover cabalmente às necessidades fundamentais do homem e da sociedade e não com o lucro rápido ou a moda efémera.

Chamamos a atenção para a importância destes princípios, quer para quem realiza os manuais escolares, quer para quem os escolhe e utiliza. A adopção da metodologia do design na elaboração dos manuais escolares não é um entrave ao desenvolvimento económico das editoras, muito pelo contrário, e contribui para a       

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“O conjunto de actos de reflexão e formalização material que intervêm no processo criativo de uma obra original (gráfica, arquitectónica, ambiental ou de equipamento) fruto de uma combinação particular – e técnica – de planificação, concepção, projecção e desenvolvimento criativo em forma de modelo ou protótipo destinado à reprodução/produção/difusão por meios industriais” (Tradução livre)

optimização da sua adaptação ao nível de desenvolvimento cognitivo do público a que se destinam. Salientamos ainda outros dois princípios: o primeiro relaciona-se com o argumento mais comum das editoras, na medida em que a procura por parte dos professores de determinado tipo de manual pode não ser sinónimo da sua qualidade científica/comunicacional/pedagógica; o segundo diz respeito ao tempo de vida e à renovação dos manuais escolares que devem ser criteriosamente baseados em factores científico–pedagógicos e não em meras estratégias de marketing, contrariamente ao que consideramos ser uma prática habitual.

Comummente, considera-se o manual como um conjunto de conteúdos, por vezes com ilustrações, das quais fazem parte os desenhos, os esquemas, as fotografias e os documentos históricos, esquecendo, frequentemente, outros elementos formais como o tipo de letra, a cor, a paginação ou a textura do papel, elementos de enorme importância pelo contributo que dão na consecução dos objectivos que se espera que o manual cumpra ou seja, para que se encontre a melhor solução para o que se pretende: comunicar uma mensagem especifica, utilizando informação escrita e icónica, tendo em vista a sua aquisição por de parte de um determinado público. São estas características que integram o manual escolar na categoria específica dos objectos cuja metodologia se insere no ramo do Design Comunicacional.

Bruno Munari (2001) ao procurar definir comunicação visual, afirma que o emissor deve possuir conhecimentos de todas as possibilidades da comunicação para que as possa usar de acordo com os objectivos em questão. Considera que este conhecimento deve ser vasto, englobando o desenho, a fotografia, as artes plásticas, o cinema; todo o tipo de formas, desde as abstractas às reais; imagens estáticas e imagens em movimento; imagens simples e imagens complexas; problemas psicológicos da percepção visual como as relações entre figura e fundo, mimetismo, ilusões ópticas, movimento aparente, permanência retiniana e imagens mentais. Considera ainda, que a comunicação visual compreende todas as artes gráficas, todas as expressões gráficas, desde a forma dos caracteres até à paginação, desde os limites de legibilidade das palavras a todos os meios que facilitam a leitura de um texto, procurando definir, com base em dados objectivos qual a relação mais exacta possível entre informação e suporte.

Capítulo 1 - Contributos para uma Definição de Manual Escolar

 

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Como se pode verificar pelas referências apontadas, não é possível dissociar os princípios do design de comunicação do conceito de manual escolar. No entanto, a sua forma actual tem merecido muitas críticas baseadas, essencialmente, no tipo de leitura que propõem, na sua estrutura e no predomínio da informação icónica.

Rune Petterson (2007)6, apresenta um estudo, fundamentado em numerosa investigação, sobre a apresentação de mensagens visuais e mensagens audiovisuais em contextos de aprendizagem e de informação, tendo como objectivo uma melhor compreensão sobre o modo como as características relacionadas com o design de informação influenciam o uso e a compreensão de tais mensagens. No mesmo, argumenta que a aprendizagem pode ser afectada por diversos factores, de entre os quais, o modo como a informação é apresentada. Indica a sua definição de design de informação: “In order to satisfy the information needs of the intended receiver’s information design comprises analysis, planning, presentation and understanding of a message – its content, language and form. Regardless of the selected medium, a well-designed information material, with its message, will satisfy aesthetic, economic, ergonomic, as well as subject matter requirements” 7. Refere que as origens do design de informação se encontram no design gráfico, nas teorias de ensino e da aprendizagem, na arquitectura e na engenharia ou melhor, na construção e produção, e considera que é uma área multidisciplinar e multidimensional na medida em que é influenciada por disciplinas de áreas como a linguagem, a arte, a estética, a informação, a comunicação, o comportamento e a cognição, o negócio e a lei, e a produção tecnológica. Salienta, ainda, que quem produz informação e materiais educativos como designers e escritores, terá vantagem em conhecer a investigação produzida sobre estas matérias.

Grande parte deste seu trabalho incide no modo como são percepcionadas e interpretadas as mensagens; sobre literacia e “literacia visual”; e em questões       

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Vice-presidente do IIID- International Institute for Information Design, e presidente da IVLA- International Visual Literacy Association de 2000 a 2001

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“Tendo em vista satisfazer as necessidades informativas de determinados receptores, o design de informação compreende análise, planificação, apresentação e compreensão de uma mensagem – o seu conteúdo, linguagem e forma – independentemente do meio seleccionado, um material informativo com um bom design, em conjunto com a mensagem, deverá satisfazer esteticamente, economicamente e ergonomicamente, tanto quanto o assunto exija.” (Tradução livre)

relacionadas com a linguagem visual e as suas representações. Enuncia um extenso e abrangente conjunto de princípios funcionais, estéticos e cognitivos, próprios da metodologia do design que deveria ser utilizada na realização dos manuais escolares.

Por outro lado, James LaSpina (1998) afirma que os meios informáticos aceleraram o diálogo não só entre imagem e texto, mas também entre página e ecrã e que este diálogo influenciou a forma como a matéria é apresentada nos manuais escolares. Para que a imagem e texto se possam transformar numa mensagem única, revelando o seu real potencial comunicativo, o processo de concepção e produção destes livros deve alterar-se. O desenvolvimento das componentes verbal e visual deve ser integrado. O processo tradicional em que a escrita do texto é isolada da concepção do design comunicacional deve dar lugar a uma metodologia de trabalho que permita conceber e apresentar a informação, quer icónica, quer textual, segundo o que for mais apropriado ao conteúdo a apresentar, organizados de forma coerente. Cita o trabalho do designer e tipógrafo Waller (1991:137-166) que afirma que um manual consiste em “topic structure and access structure”8 e que o objectivo do designer gráfico é acrescentar “visual informativeness”9 a estas estruturas. Enquanto “topic structure” pode ser encarada como a representação de um assunto organizado como um conjunto de argumentos relacionados, a “access structure” diz respeito à forma visível do objectivo comunicacional da matéria, conseguido através de organizadores essenciais como as imagens e a paginação. A chave para encontrar a coerência resultante deste processo, advoga La Spina, está nas leis da percepção da Psicologia da Gestalt que encara as imagens como campos perceptivos e afirma que a relação das partes com o todo é uma das características principais das imagens. As leis da organização dos estímulos da Psicologia da Gestalt, figura/fundo, proximidade, semelhança e continuidade são aquelas que permitem ao aluno “ver” e compreender a estrutura comunicacional dos manuais escolares.

      

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“Estrutura por assuntos e estrutura de acesso”. (Tradução livre)

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Capítulo 1 - Contributos para uma Definição de Manual Escolar

 

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Já em 1964, Mc Luhan, (p 25), considerava que as tecnologias não eram simples canais de transmissão das mensagens ao introduzir o conceito “le

message, c’est le médium” 10. Mais tarde, na década de 70, Jean Cloutier, ao

considerar o manual escolar uma mensagem audiovisual, constituída por texto, fotografias, esquemas, gráficos, quadros, etc., corroborava Mc Luhan quando afirmava que as linguagens audio–scripto-visuais, constituídas por diferentes sistemas de signos, têm uma função de expressão e de objectivação mas também de tratamento da informação. Declarava que o modo como se utiliza estas linguagens é determinante para a percepção e o raciocínio através dos quais conhecemos os objectos, na medida em que são instrumentos de mediação e interacção entre nós e o universo e nos permitem pensar, quer o mundo, quer a nossa relação com ele.

Ideia semelhante apresenta João Pedro Ponte (1997:103) quando, referindo-se a software educativo, escreve “A avaliação da qualidade do software é uma competência comparável à avaliação da qualidade dos manuais escolares. (…) A avaliação de materiais educativos deve contemplar diversas categorias, incluindo a qualidade educacional, a flexibilidade e adaptabilidade às características dos alunos, a qualidade técnica (incluindo a robustez e facilidade de utilização) e a qualidade dos materiais de suporte”.