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Um dos primeiros astrónomos a ter trabalho meritório no desenvolvimento da astronomia estelar foi Wilhelm Struve. Nasceu em Altona, na Alemanha, nos finais do século XVIII, mas foi para a Rússia para estudar filologia, conseguindo autorização para trabalhar no observatório da universidade de Dorpat e em 1813, conseguiu a posição de professor de astronomia e matemática na mesma universidade.

Especializou-se na observação de estrelas duplas (a estrela dupla mais conhecida e visível a olho nu é o par Mizar e Alcor da constelação da Ursa Maior) e sistemas estelares múltiplos, para o qual os instrumentos já conhecidos foram de crucial importância, conseguindo melhorá-los. De facto, em 1824 conseguiu um telescópio refractor, o maior e melhor instrumento do mundo, construído por Joseph Fraunhofer.

Struve observou estrelas durante dois anos, conseguindo registos de mais de 120000 estrelas, o que equivale observar mais de 150 estrelas por dia.

De entre os trabalhos deste astrónomo há a destacar os que estão relacionados com a determinação da paralaxe anual das estrelas próximas, para o que estabeleceu três critérios, sendo os seguintes:

− a estrela em questão teria que ser uma das mais brilhantes; − a estrela teria que ter um movimento próprio elevado;

− A estrela teria que fazer parte de um binário no qual as duas componentes estão separadas.” (Ibidem, 165)

As estrelas foram listadas a cada um dos critérios, havendo algumas que pertenciam a mais do que um. Foi considerado um trabalho original que proporcionou o estudo de muitos astrónomos e de muitas estrelas. O trabalho meritório deste astrónomo valeu-lhe o convite para integrar a Academia das Ciências de S. Petersburgo e implementar um observatório em Pulkovo, do qual viria a ser o primeiro director e considerado o melhor do mundo.

William Herschel, em 1744 descobriu um objecto difuso, conhecido hoje por

nebulosa de Orion, constatando que a nebulosa tinha mudado de forma, concluindo que

haveria indubitavelmente variações entre as estrelas fixas. O tema de estudo não era novo pois já Halley, em 1715, se tinha dedicado a estes objectos pouco definidos por estarem a grande distância da Terra. Para as distinguirem chamaram nebulosas às que apresentavam uma aparência leitosa e às que tinham aspecto pontilhado atribuíram-lhes o nome de enxames.

Segundo Herschel, a Via Láctea seria o efeito óptico da distribuição das estrelas, quando vistas por um observador da Terra.

A construção de mais, e cada vez melhores telescópios, veio difundir a ideia de que a sua utilização era necessária e eles teriam que ser cada vez mais potentes. Construiu um telescópio que conseguia varrer todo o céu de Inglaterra e, com a ajuda da sua irmã, Caroline Herschel (1750-1848), o número de nebulosas registadas era já de cerca de 2500. Foi com este telescópio que conseguiu confirmar a variabilidade da nebulosa de Orion.

O progresso dos telescópios continuava e em 1845, William Parsons (1800-1867), mais tarde Conde Rosse, construiu um grande reflector nos jardins do seu castelo, apelidando-o de Leviathan de Parsonstown. Descobriu, com este telescópio, a estrutura da galáxia em espiral M51, e foi pela primeira vez, reconhecida uma nebulosa em espiral.

A par do interesse pela Astronomia das estrelas continuava o interesse pelo estudo do Sol, com as suas “manchas escuras que aparecem na superfície do Sol, são regiões relativamente frias da fotosfera; são grandes – têm mais de 50000 Km de largura – e aparecem normalmente em pares ou em grupos. À medida que o Sol gira, os grupos de manchas solares parece que viajam na sua superfície. Demoram duas semanas a chegar de uma ponta do Sol à outra. As manchas aparecem a cerca de 40ºN e a 40ºs do Equador.” (Stott 1999: 69)

Este renovado interesse pelo sistema planetário foi a de poder observar pela primeira vez a ocorrência de eclipses solares, “acontecimentos raros e espectaculares, que ocorrem uma ou duas vezes por ano e só são visíveis em algumas partes da Terra. Apenas os observadores que estiverem na parte interior da sombra da Lua é que podem ver um eclipse total do Sol; os outros vêem um eclipse parcial”. (Idem, 70)

Mas não era só o Sol, as estrelas e os planetas que despertavam a curiosidade dos astrónomos. Também o estudo dos cometas começou a especializar-se. Em 1858 o cometa

Donati aproximou-se bastante da Terra, e foi alvo de estudos que iam para além do mero

Marte foi um dos planetas, por estar mais próximo da Terra, e também pela ausência de atmosfera, que permitiu a observação da sua superfície com algum pormenor, tal como outros planetas, sendo um deles, Júpiter.

Fraunhofer, já referido atrás, preocupou-se pelo espectro solar, alertando aos astrónomos para uma nova área da astronomia que começava a desenvolver-se: a Astrofísica.

O interesse pela análise espectral já não era só motivado pela actividade do Sol, mas por todo um conjunto de modelos estelares e com a finalidade de estudar as fases distintas da sua evolução, sobre temperaturas que se estenderam desde o Sol às estrelas e que deram origem às primeiras hipóteses de evolução estelar. Fraunhofer propôs uma identificação alfabética para as principais riscas que eram detectadas nos espectros solares. Cada estrela tem um comprimento de onda característico em que emite uma quantidade de máxima de energia. “Quanto mais elevada é a temperatura de uma estrela, mais este máximo estará perto da extremidade azul do espectro. É por isso que as estrelas quentes são azuis e as frias são vermelhas. O Sol está bem na média, sendo amarelo. Os sistemas variáveis das linhas espectrais são associados a esta progressão de temperatura e aos elementos que compõem uma estrela” (Nicolson 1977: 94).

Em 1844 F. W. Bessel chamou a atenção para o facto de a estrela Sírio não seguir uma trajectória aproximadamente rectilínea no céu nocturno e considerada a estrela mais brilhante do céu. Com a implementação da fotografia astronómica passou a poder-se comparar registos de observação da mesma região do céu em épocas diferentes. O astrónomo deixa de ser o geómetra, do século XV, o especialista em mecânica celeste do século XVI, o especialista em espectroscopia do século XIX (Fraunhofer) e no século XX passa a ser analista de espectros.

A Astronomia chega a meados do século XX com um grau de desenvolvimento que a não diminui perante qualquer outra área do conhecimento.

As aventuras no espaço exterior interplanetário, num esforço claro para aumentar o grau de conhecimento acerca do nosso sistema solar foram aumentando.

Em 1959, a sonda espacial soviética Luna 3, forneceu a primeira visão da Lua. No entanto, as primeiras imagens de alta definição da superfície lunar chegariam apenas em 1964, através da sonda lunar norte-americana Ramger 7 e em 1969, a missão Apollo XI com Neil Armstrong, deu os primeiros passos no nosso satélite natural. Em 1970, a sonda

Venera 7 tornou-se a primeira a enviar sinais da outra superfície de outro planeta: Vénus.

Foram-se seguindo outras sondas que descobriram novos detalhes sobre Saturno, Júpiter, Úrano e relativamente a Neptuno.

Com certeza o homem continuará a sua odisseia em busca de novos conhecimentos, sendo ele o protagonista.