• Aucun résultat trouvé

Diagramme de phase (h,θ) pour les ´ecoulements granulaires 5

Dans le document The DART-Europe E-theses Portal (Page 11-14)

2.2 Ecoulements denses

2.2.1 Diagramme de phase (h,θ) pour les ´ecoulements granulaires 5

As emoções são estados intencionais: elas visam a alguma coisa. Como constatamos, essa característica as distingue dos humores e das sensações. Sendo assim, as emoções não são evidentemente os únicos estados intencionais.

Você pode certamente acreditar que seu chefe lhe exige horas extras de trabalho, mas pode também imaginar, crer, deplorar ou mesmo lembrar-se disso. Quer dizer assim que a intencionalidade das emoções não difere daquela de outros tipos de estados psicológicos? Certamente não. Afinal, as emoções não se contentam em visar um objeto dado: elas lançam sobre ele um olhar positivo ou negativo. Mais precisamente, elas avaliam seus objetos e distinguem-se umas das outras pela maneira de fazê-lo (Platão 2016). Se você tem medo que seu chefe lhe exija horas extras de trabalho, é porque você vê nisso, por exemplo, uma ameaça ao seu bem-estar, ou então pensa que a resposta negativa que lhe daria prejudicaria a sua carreira. De modo mais geral, o medo avalia o seu objeto como ameaçador ou perigoso, a raiva como ofensivo, o prazer como engraçado e a vergonha como degradante (Kenny 1963; Roberts 2003). Essa ideia é consistente com a maneira com que nos acostumamos a conceber, ordinariamente, as emoções: com efeito, se as emoções são avaliações, compreende-se que se as critique (“Tu não deverias ter medo”) e se as desaprove (“Tu deverias ter mais compaixão”). Além disso, observe que as diferentes ocorrências de um mesmo tipo de emoções podem destinar-se a objetos variados, mas cuja avaliação em jogo é idêntica: quer você tenha medo de insetos, de espaços confinados, de uma prova, do modo como seu tio dirige ou da morte, você sempre avaliará o objeto de sua crença como ameaçador. Parece que é sobre esse aspecto avaliativo que a intencionalidade das emoções se distingue daquela de outros estados psicológicos – a especificidade das emoções deveria ser situada não no nível de seus objetos particulares, mas no nível do que o jargão filosófico descreve como seu objeto “formal”, a saber, das propriedades avaliativas que, a um só tempo, apreendem os objetos particulares a que visam (Teroni 2007).

Caso se aceite certas concepções clássicas das emoções, no entanto, essa é uma conclusão à qual se deve resistir. Considere, por exemplo, a ideia muito simples, a que subscrevem, aparentemente, os estóicos, segundo a qual as emoções são juízos avaliativos. Segundo essa concepção, estar com raiva de um vizinho consiste em julgar que ele cometeu uma ofensa, e ter vergonha equivale a acreditar que se foi de alguma maneira aviltado (Nussbaum 2004; Solomon 1993).

Mas então, não haveria nada de muito original na intencionalidade das emoções: o liame intencional entre esse episódio de raiva e o vizinho seria idêntico aquele implicado no juízo segundo o qual ele cometeu uma ofensa, assim como com a ligação intencional entre a vergonha de quem a sente seria idêntica àquela implicada no juízo de que se foi aviltado.

Essa tentativa de reduzir a intencionalidade das emoções à do juízo enfrenta, contudo, uma série de dificuldades. Para começar, não está claro que ter a experiência de uma emoção requer a formação de um juízo avaliativo correspondente. Às vezes, sentimos uma emoção a despeito de não aderirmos a uma avaliação pertinente, como quando reagimos de uma maneira que sabemos ser inapropriada. Uma pessoa que tem fobia de aracnídeos, por exemplo, terá medo de uma aranha mesmo que a julgue inofensiva (Döring 2014; Tappolet 2012). Se sentir uma emoção não implica manifestamente que se aceite a avaliação correspondente, pode ser suficiente, para senti-la, pensar no objeto em termos avaliativos pertinentes (Döring 2014; Greenspan 1988; Roberts 2003; Tappolet 2012; Teroni 2007). A cólera que você sente ao encontrar o seu vizinho resumir-se- ia então ao pensamento segundo o qual ele cometeu uma ofensa. Não é afinal inverossímil admitir que um tal pensamento precise ser aceito para que você esteja com raiva de seu vizinho – pode ser até mesmo que a recorrência desses pensamentos após ter sido convencido de que esse vizinho não queria lhe fazer mal explique a persistência de sua raiva.

É preciso, no entanto, resistir a essa interpretação. Com efeito, conceber as emoções em termos de juízo ou de simples pensamentos, consiste simplesmente em deixar de lado o fato de que se trata de experiências específicas. Julgar que alguém cometeu uma ofensa não implica sentir raiva. Essa constatação se impõe de maneira talvez ainda mais evidente no caso dos pensamentos correspondentes: pode-se pensar que alguém cometeu uma ofensa sem se deixar ofuscar por ela, assim como se pode pensar que um labrador é perigoso, sem ter medo dele (Leighton 1985; Maddell 1997). Por essas razões, a existência dos juízos e pensamentos em questão não constitui uma condição suficiente para as emoções. Aliás, ela não parece tampouco constituir uma condição necessária. De fato, um

grande número de animais não-humanos sentem emoções, embora não sejam, sem dúvida, capazes de emitir juízos avaliativos ou de se ocupar de pensamentos avaliativos (Deigh 1994; Roberts 1996). Essas duas constatações jogam água no moinho da mesma conclusão, a saber, que a intencionalidade avaliativa das emoções serve para compreender com base num modelo cognitivo menos exigente e mais sensível à natureza da experiência emocional do que aquele sugerido pelas concepções em discussão.

Uma pista a ser explorada, caso se busque desenvolver um modelo como esse, consiste em recorrer à percepção, antes que ao juízo ou ao pensamento. De fato, os estados perceptivos são estados mentais paradigmáticos a respeito dos quais falamos por experiência. Seriam as emoções, assim, formas da percepção? Segundo essa ideia, um objeto pode nos atingir emocionalmente como sendo ofensivo ou perigoso da mesma maneira que pode nos atingir visualmente, como sendo escarlate; as similaridades subjacentes entre emoções e percepções seriam suficientemente profundas para justificar a análise das primeiras em termos das segundas. Essa analogia, que foi o objeto de um rigoroso tratamento por parte de Ronald de Sousa (de Sousa 1987), gerou um conjunto de abordagens perceptuais das emoções (Deonna 2006; Döring 2007; Johnston 2001; Prinz 2004a; Tappolet 2000,2014; Tye 2008; Wringe 2014; Zagzebski 2003). Segundo esses autores, uma abordagem perceptual possui numerosas vantagens. De uma parte, ela é fiel à dimensão fenomenal das emoções. De outra, ela fornece uma solução sedutora para outros problemas que as posições mais intelectualistas, descritas anteriormente, enfrentam. Em particular, ela permite pensar as fobias segundo o modelo das ilusões perceptuais. Se você percebe um bastão imerso pela metade na água, sua experiência visual será a de um bastão dobrado. Daí você não conclui que o bastão está dobrado. De maneira análoga, uma pessoa que tem aracnofobia poderá ter a experiência emocional da presença de uma aranha inofensiva, como perigosa, sem por isso julgar que ela o é (Döring 2014; Tappolet 2012). Tanto em um caso, como no outro, a experiência não impede que o sujeito tenha bom senso. Ou melhor, como o sublinha McDowell (1994), a percepção pode ser compreendida como um “convite” a aceitar um certo conteúdo, mas esse é um

convite que, às vezes, devemos recusar. Uma abordagem perceptual das emoções resolve igualmente um outro problema: o das emoções dos animais. Com efeito, a representação perceptual do perigo não parece repousar nas capacidades cognitivas de que os animais são desprovidos: se os animais não são talvez capazes de acreditar que o objeto é perigoso ou ofensivo, sua bagagem cognitiva é verdadeiramente suficiente para percebê-lo como tal.

Apesar das vantagens que acabamos de enfatizar, as abordagens perceptuais se deparam com importantes desafios, na medida em que as emoções parecem, em muitas visões, distinguir-se das percepções (Deonna & Teroni 2012; Dokic & Lemaire 2013; Salmela 2011). Primeiramente, em que pese a fenomenologia das experiências emocionais ser tão proeminente como a da percepção sensorial, ela não poderia lhe ser assimilada. Em numerosos casos, a experiência de uma emoção tem algo de particular: ela implica a experiência de uma preparação para agir de uma certa maneira sobre um objeto dado – não é fácil, por exemplo, descrever a experiência do medo sem mencionar a experiência de uma preparação para evitá-lo, ou a experiência da admiração, sem mencionar a de uma preparação para manter a sua atenção sobre o que se admira. Não está claro que o modelo perceptual seja capaz de fazer justiça a essa característica, dado que a fenomenologia da percepção é em princípio estritamente receptiva.

Em segundo lugar, as propriedades representadas por experiências perceptuais são geralmente tomadas como causalmente responsáveis: se você percebe um tigre branco, seu estado mental é, evidentemente, causado pela presença de um tigre branco. Ao contrário, não é certo que as propriedades que as emoções pretendem representar possam desempenhar um papel causal pertinente. Pois quais são suas propriedades? Se admitirmos que se trata de propriedades avaliativas, como o fazem geralmente os amigos da teoria perceptual, a ideia de um poder causal pressupõe uma forma controversa de realismo a esse respeito: as propriedades avaliativas existiriam “no mundo”, independentemente de nossa mente, e elas estariam aptas a causar em nós as respostas psicológicas. Além disso, a teoria perceptual demanda uma concepção muito liberal de percepção, pois não é certo que as propriedades avaliativas

possam ser percebidas no sentido ordinário do termo. No mínimo, a avaliação de uma teoria perceptual depende da concepção da relação perceptiva e do gênero de fenômenos perceptivos sobre os quais ela repousa. Assim, na medida em que se aceita uma concepção da relação perceptiva segundo a qual ela é constituída pela consciência direta dos dados sensíveis, ou por uma forma de realismo direto, as perspectivas de uma teoria perceptual variariam. Do mesmo modo, apelar à percepção simples, que não implica o reconhecimento (Dretske 1979), a uma forma de atenção perceptiva, ao reconhecimento fundado sobre a percepção ou ainda ao ver como (Pelser 2014; Roberts 2003) leva a abordagens muito diferentes.

Em terceiro lugar, as emoções são sempre provocadas por pensamentos que concernem a acontecimentos distantes de nós, tanto espacial, como temporalmente. Você pode assim sentir alegria com o fim de um conflito longínquo ou lamentar que Júlio César foi assassinado. Há aí um contraste claro com a percepção sensorial, na medida em que as experiências perceptivas têm objetos que pertencem ao nosso ambiente imediato. Esse contraste deve evidentemente ser posto em relação com as observações precedentes a respeito da causalidade: é por que o objeto de uma experiência perceptiva deve ser sua causa que ele tem de ser circunscrito de maneira muito mais estrita que o objeto das emoções. Está igualmente ligado a um fato que nós já sublinhamos: as emoções, ao contrário das experiências perceptivas, não têm necessariamente um objeto que as cause.

Essa terceira diferença dá a ver uma quarta diferença significativa entre os estados perceptivos e as emoções: enquanto os primeiros usufruem de uma certa autonomia, os segundos dependem sempre de outros estados mentais (Deonna & Teroni 2013; Mullingan 1998). Não se pode ficar aborrecido com sua chefe sem representá-la de uma outra maneira (via a imaginação, uma lembrança, uma crença ou uma percepção, por exemplo). A relação intencional entre uma emoção e seu objeto particular pressupõe a existência de um outro estado psicológico. Ao contrário, a experiência visual que você tem de sua chefe não altera a sua crença, uma lembrança ou um estado imaginativo acerca dela – se há aqui uma relação de dependência, ela parece ir em outra direção, na direção em que crer, lembrar-se e

imaginar pressupõem, muito frequentemente, estados perceptivos anteriores. Pode ser, evidentemente, que uma teoria perceptual seja capaz de dissipar esses desafios. Pode ser que essas objeções repousem sobre uma concepção conservadora demais da percepção, por exemplo (a esse respeito, ver Tappolet 2016). De acordo com uma abordagem menos conservadora, uma relação perceptiva é fundamentalmente uma co-variação causal sistemática, selecionada pela evolução, entre as condições ambientais dadas e as respostas psicológicas. Esse gênero de abordagem não ficou sem eco nos debates contemporâneos em filosofia das emoções, na medida em que a maneira de aplicação dessa concepção da percepção às emoções, por Jesse Prinz, suscitou um certo entusiasmo (Prinz 2004a).

Isso posto, as objeções mencionadas deveriam talvez incitar a exploração de outras opções teóricas. Duas estratégias muito gerais se destacam: de uma parte, pode-se desenvolver novas concepções das avaliações que incorporem as emoções. Em vez de assimilá-las a estados psicológicos mais familiares, como os juízos, os pensamentos ou as experiências perceptivas, pode-se sustentar que as emoções são uma categoria sui generis de estados mentais, no sentido que se trata de um tipo diferente de atitudes. Poder-se-ia, por exemplo, sustentar que as atitudes emocionais constituem-se de sentimentos de preparação para a ação, direcionados a certos aspectos do ambiente (Deonna & Teroni 2012, 2015). De outra parte, pode-se pensar que os problemas enfrentados pelas abordagens discutidas acima decorrem invariavelmente da ideia segundo a qual as emoções são avaliações, as quais seria melhor renunciar. Certos filósofos contemporâneos se voltaram, por consequência, a abordagens mais tradicionais, fundadas sobre a ideia de que emoções são, antes de qualquer coisa, sentidas, e que os sentimentos que elas evocam não são passíveis de compreensão em termos intencionais (Kriegel 2014; Reisenzein 2012; Whiting 2011). A despeito da ressurgência dessas abordagens em termos de sensações brutas, o caráter essencialmente avaliativo da intencionalidade das emoções persevera no centro dos debates filosóficos contemporâneos (Salmela 2014).

Dans le document The DART-Europe E-theses Portal (Page 11-14)