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Após a realização e transcrição das entrevistas com agricultores assentados, o percurso de interpretação das informações coletadas adotou como referência a técnica denominada ‘análise de conteúdo’ definida por Laurence Bardin (2011). Entre as diversas ferramentas metodológicas possíveis, a análise de conteúdo foi escolhida, pois uma das potencialidades desta técnica consiste na classificação sistemática dos textos analisados. Além de reduzir uma grande quantidade de material coletado em uma curta descrição, também possibilita a elaboração esquemática, fato que favorece a organização e compreensão das informações.

Para Caregnato e Mutti (2006), a análise de conteúdo é uma técnica que trabalha com a palavra, permitindo inferências do conteúdo da comunicação de um texto, bem como a categorização das unidades de texto (palavras ou frases) semelhantes ou que se repetem. Para Bardin (2011), o trabalho do analista de conteúdo vai além da leitura ‘ao pé da letra’, pois trata- se de uma interpretação mais aprofundada, em busca de significados de dimensões psicológicas, sociológicas e históricas. Minayo (1994) considera que a análise de conteúdo se inicia a partir de uma literatura, de primeiro plano, para penetrar em níveis mais profundos, relacionando a superfície dos textos com os contextos que distinguem as suas características.

São diversas as técnicas de análise de conteúdo descritas pela literatura, entretanto, considerando a base investigativa desta pesquisa, optou-se por utilizar a análise temática. O tema, segundo Bardin (2011), geralmente é utilizado como unidade de registro para estudar motivações de comportamentos, pensamentos, atitudes, tendências, entre outras. Para tanto, a

análise temática necessita estabelecer núcleos de sentido que compõem o cerne da comunicação.

Como procedimento metodológico, Bardin (2011) descreve a técnica em três etapas: pré-análise; análise do material; tratamento e interpretação dos resultados. A fase de pré-analise é considerada como a fase de organização da análise, sendo recomendadas por Bardin (2011) atividades como a leitura flutuante31 e a escolha do material que constituirá o corpo da análise.

Conforme mencionado anteriormente, as fontes da análise escolhidas foram os textos integralmente transcritos a partir das dez entrevistas realizadas.

A segunda etapa, definida como análise do material, consiste em codificar o material de acordo com as razões da pesquisa (BARDIN, 2011). Essa codificação transforma os dados brutos do texto em uma forma de representação do conteúdo. Um código na pesquisa qualitativa é, na maioria das vezes, uma palavra ou frase curta, que simbolicamente atribui uma ideia saliente. Essa captura e/ou atribui a essência evocativa para uma porção de dados (SALDAÑA, 2009). A codificação é uma heurística (do grego, que significa "descobrir"), que não corresponde a uma ciência precisa, mas reflete sobretudo um ato interpretativo. “É uma técnica exploratória para resolução de problemas, sem fórmulas específicas a seguir” (SALDAÑA, 2009, p.21).

De acordo com Bardin (2011), para a organizar a codificação, é necessário realizar o recorte, ou seja, a escolha da unidade de registro. É preciso definir qual o segmento de conteúdo a ser considerado como unidade base. Neste trabalho foi utilizada a técnica de análise temática e a construção dos temas partiu tanto dos tipos de perguntas realizadas, como dos tipos de respostas recebidas nas entrevistas.

A análise dos dados coletados permitiu identificar três temas relacionados ao objetivo analítico da pesquisa: as áreas protegidas para os agricultores, manejo do agroecossistema e problemas socioambientais.

Após a definição desses temas, em consonância ao método descrito por Bardin (2011), foi realizada a agregação ou categorização, ou seja, a escolha das categorias que emergem do material analisado. Criou-se então categorias para reunir unidades de registros com o mesmo núcleo de sentido. Bardin (2011) afirma que, para estabelecer essas categorias, passa-se pelos processos de decomposição e de reconstrução. Na decomposição, os elementos dos textos

31 Bardin (2011) considera que a leitura flutuante é o contato inicial com o material, no qual se busca obter as

foram isolados, de forma a se obter diferentes núcleos de sentido. Posteriormente, procedeu-se à reconstrução, que é identificação do significado de cada núcleo de sentido e o agrupamento daqueles que expressam o mesmo significado, em uma determinada categoria, sob luz dos temas estabelecidos (BARDIN, 2011).

As falas foram desmembradas e organizadas em categorias temáticas, dentro de cada tema definido. Para tanto, foram realizados reagrupamentos analógicos, com base em frequências de aparição, analogias e divergências. Importante esclarecer que a denominação das categorias, além de expressar a ideia geral das falas agrupadas, também se apoiou em expressões ou palavras chaves retiradas dos próprios textos analisados. As expressões ou palavras chaves selecionadas fundamentaram buscas de sentido, que possibilitam os agrupamentos das falas e a qualificação das categorias.

Conforme convencionado por Bardin (2011), as categorias estabelecidas se comportam como uma espécie de ‘família’. Foram agrupadas a partir da natureza dos dados e compartilham alguma característica, visando demonstrar o início de um padrão.

Outro aspecto relevante é que todo o processo de análise de conteúdo foi realizado com auxílio do software Qualitative Solution Reserch NVivo 1132, Através deste programa foi

possível organizar resultados em gráficos, tabelas e ‘árvore’ de palavras, de forma a evidenciar as informações obtidas pela análise.

2.3. O Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros e Áreas Prioritárias de