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No primeiro movimento, a Ciranda é subdivida em momentos: introdução, tema, transição e solos. Como já destacado, todos os movimentos são voltados para 2 instrumentos solistas, trompete (Tpt)55 e o trombone (Tbn)56, assim, estes instrumentos são responsáveis pela realização de solos juntos (soli)57, como também, solos individuais. Desta forma, este movimento está estruturado da seguinte maneira:
Tabela 3 – Suíte Monette, I Movimento Ciranda, Maestro Duda – Estrutura formal do I Movimento
Introdução Tema Transição Solos Tema Transição Coda
(Final) Compassos 1-7 Compassos 8-23 Compassos 24-31 Compassos 32-47 Compassos 8-23 Compassos 24-31 Compassos 48-49 Soli Tema e Reexposição Soli Acompanhamento + Trombone Tpt 32-39 Tbn 40-47 Tema e Reexposição Acompa - nhamento + Trombone Todos Fonte: O autor (2017).
Na introdução, o Maestro Duda escreve uma melodia de caráter pomposo, que se caracteriza como uma abertura e que antecede o ritmo da ciranda, iniciada no compasso 5. Desta forma, este movimento poderá ser iniciado (compassos 1-4) um pouco mais lento que o andamento do ritmo da ciranda (compasso 5), como também, a partir do terceiro tempo do compasso 4 poderá ser feito um acelerando. Como estas informações não estão inseridas na partitura original escrita pelo Maestro Duda, foram realizadas sugestões e indicações de tempo nos compassos 1 e 5, e de acelerando no terceiro tempo do compasso 4. Mesmo este trabalho estando voltado para o trombone, as sugestões indicadas também podem ser utilizadas pelo trompete solista e o restante do grupo, ajustes estes que devem ser combinados previamente.
55Sigla utilizada pelo programa de edição de partituras Sibelius. 56
Sigla utilizada pelo programa de edição de partituras Sibelius.
57O termo soli é utilizado pelo Maestro Duda nas partituras da Suíte Monette para informar que os solos serão
Figura 27 – Suíte Monette, I Movimento Ciranda, Maestro Duda – Indicação de andamento e acelerando na introdução (compassos 1-4)
Fonte: Silva (2017b)58.
Na seção que compreende o tema (anacruse dos compassos 8-23), o trompete e o trombone realizam um soli, com mesma estrutura rítmica, porém, através de vozes divididas em intervalos de terças. Também existe uma subdivisão nesta seção, exposição do tema (compassos 8-15), e uma reexposição do tema (anacruses dos compassos 16 e 23), assim, poderão ser realizadas uma variação de dinâmica, sendo a exposição (forte) e a reexposição (piano).
Figura 28 – Suíte Monette, I Movimento Ciranda, Maestro Duda – Indicação de dinâmica na seção do tema principal (compassos 8-23).
Fonte: Silva (2017b)59. 58Documento não paginado. 59Documento não paginado.
Em relação ao fraseado deste tema, podemos agrupar as figuras musicais da seguinte forma: entre os compassos 8 e 23, as anacruses podem ser acentuadas, com o sentido de dar movimento a frase, evitando acentuar os primeiros tempos ou tempo forte de cada compasso, que já são evidenciados pelo surdo (ou tambor) no ritmo da ciranda. Nos compassos que têm duas colcheias no segundo tempo, podem ser entendidas também como anacruses, tendo o mesmo sentido de movimento. A respeito da importância da anacruse na interpretação musical, Thurmond (1991, tradução nossa) em seu trabalho “Agrupamento de Notas: um método para alcançar expressão e estilo na performance musical”60 a destaca como um dos principais fatores que dão movimento às melodias, frases e motivos. Estas frases musicais nem sempre irão iniciar no primeiro tempo do compasso, sendo importante reconhecer estes detalhes musicais e agrupá-las corretamente. Desta forma, Thurmond (1991, p. 49, tradução nossa) acrescenta que:
[...] arsis ou anacruse, qualquer um dos termos, é o fator de criação do movimento no motivo ou frase [...]. O reconhecimento de sua importância, da anacruse pelo músico, assegurará que a interpretação de uma composição será realizada corretamente e com tranquilidade [...]. Portanto se o significado próprio é dado a anacruse, e a parte tética do compasso não está enfatizada, o fraseado será bem mais correto e consequentemente a expressividade da música será aumentada.61
Portanto, as sugestões a respeito dos fraseados entre a anacruse do compasso 8 até o compasso 23, têm como objetivo ajudar o intérprete a direcionar as frases com o intuito de dar movimento e expressividade musical ao trecho indicado.
60“Note Grouping: a method for achieving expression and style in musical performance” (THURMOND, 1991). 61“[...] arsis or anacrusis, whicherver it may be, is the motion-creating factor in the motive or frase [...]. Proper
recognition of this importance by the artist will insure that in performance the composition will be phrased correctly and with ease [...]. Therefore if proper significance is given to the anacrusis, and the thetic portions of the measure are not stressed, phrasing will be more correct and consequently the expressiveness of the music will be enhanced.” (THURMOND, 1991, p. 49).
Figura 29 – Suíte Monette, I Movimento Ciranda, Maestro Duda – Fraseado e indicação de acento e crescendo na seção do tema (compassos 8-23)
Fonte: Silva (2017b)62.
Na seção da transição deste movimento para os solos, o Maestro Duda inseriu uma estrutura rítmica e melódica que é semelhante ao ritmo utilizado no caboclinho, especificamente, no toque de guerra (compassos 24-31) (FIGURA 30). Também modificou a fórmula de compasso de quaternário para binário durante este trecho. Assim, a melodia deverá ser executada de forma bem definida, utilizando o staccato e com rigor rítmico, como também, é possível utilizar um acento nas figuras inseridas nos primeiros tempos de cada compasso, especificamente, os que utilizam o motivo rítmico de colcheia pontuada – semicolcheia - semínima. Devido ao fato de todo grupo estar executando o mesmo motivo rítmico e a percussão, naturalmente, estar acentuado os primeiros tempos destes compassos, a interpretação natural sugere evidenciar o primeiro tempo. Nos compassos que estão inseridas as síncopas, não deverão ser inseridos acentos (compassos 26 e 29).
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Figura 30 – Suíte Monette, I Movimento Ciranda, Maestro Duda – Indicações de acento na seção de transição (compassos 24-31)
Fonte: Silva (2017b)63.
Na última parte deste movimento, destinada aos solos individuais de trompete e trombone, as melodias são basicamente uma variação do tema. Assim como o tema, a seção dos solos tem exatamente 16 compassos (32-47), sendo o solo do trompete equivalente à exposição do tema, 8 compassos, e o solo de trombone, equivalente a reexposição do tema, 8 compassos (40-47). Em relação ao solo de trombone, propomos que se busque realizar alternância de algumas posições, para que o executante possa ter mais facilidade e fluência para executar estre trecho da Obra. Assim, segue as indicações de posições alternativas sugeridas, sabendo que, os números indicam as posições a serem utilizadas na vara do trombone, e o V, as posições combinadas com a válvula existente nos trombones Bb/F, trombone com recurso.
Figura 31 – Suíte Monette, I Movimento Ciranda, Maestro Duda – Sugestões de posições para trombone na seção de solos (compassos 32-47)
Fonte: Silva (2017b)64.
63Documento não paginado. 64Documento não paginado.