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A toada foi utilizada pelo Maestro Duda para compor o primeiro movimento da Obra, utilizando o trompete e o trombone como instrumentos solistas. Os temas são executados pelos 2 instrumentos, em uma forma de conversa com perguntas e respostas, sendo estruturada da seguinte forma:
38No álbum BRASSILEIRO do Grupo Brassil, a obra não foi registrada com o nome de Fantasia para Trompete
e Trombone e sim como Toada. Este fato aconteceu porque o título da composição não estava exposto na partitura e, com isso, o então trompetista do Grupo Nailson Simões, decidiu registrá-la como Toada, nome do primeiro movimento da Obra (informação verbal).
Nota: Informação verbal concedida pelo Maestro Duda através de entrevista realizada pelo autor desta
Dissertação, em Verde Mar Pousada, em João Pessoa – PB, em 15 de setembro de 2016.
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Os integrantes do Grupo que participaram do álbum BRASSILEIROS foram: trompetes: Charles Schlueter, Nailson Simões, Ayrton Benck; trompa: Cisneiro Andrade; trombone: Radegundis Feitosa; tuba: Valmir Vieira; percussão / bateria: Glauco Andreza (CARDOSO, 2002).
Quadro 3 – Fantasia para Trompete e Trombone, I Movimento Toada, Maestro Duda - Forma do I Movimento (compassos 1-31)
Introdução Tema Reexposição do Tema Final
Compassos (1-9) Compassos (9-17) Compassos (17-25)
Compassos (25-33) (Finaliza dentro do II Movimento) Trompete / Trombone / Trompete / Trombone
Trombone Trompete Trombone e
Trompete
Fonte: O autor (2017).
Em diversos momentos do movimento, o trompete e o trombone estão executando melodias com características semelhantes, como também, reexpondo o tema executado anteriormente por um deles, se fazendo necessário estar muito atento à maneira de tocar. Desta forma, buscar tocar o fraseado semelhantemente é um requisito básico neste primeiro movimento, pois, em diversos momentos, ocorrerão situações de imitação entre as melodias executadas pelos solistas.
A partir destas informações, sugerimos que o trombonista ao executar os trechos musicais deste movimento, especificamente, na introdução entre os compassos 1 e 9 (FIGURA 19), esteja muito atento as articulações e fraseados utilizados pelo trompetista solista, pois estará imitando uma ideia melódica executada por ele. Neste trecho da música, os solistas devem combinar como deverão ser agrupadas as quintinas (quiálteras de 5 sons) que estruturam o motivo melódico da introdução, observadas entre os compassos 1 e 9. Neste caso, sugerimos agrupar as quintinas da seguinte forma: 2+3. Como também, propomos que o primeiro movimento seja executado entre 65 e 75 bpm.
Figura 19 – Fantasia para Trompete e Trombone, I Movimento Toada, Maestro Duda - Introdução - Perguntas e Respostas - Agrupamento das quintinas (quiálteras de 5 sons) - Sugestão de tempo (compassos 1-9)
Fonte: Silva (2017a)40.
Para a execução do primeiro tema, solo para o trombone, é sugerido que o mesmo busque aproximar a sua forma de tocar à de um cantor (FIGURA 20), observando as inflexões da voz. A toada tem origem vocal e o trombonista estará executando, nesta Obra, uma melodia referente a uma canção melancólica. Assim, é aconselhável executar o trecho utilizando o legato, tanto o legato natural, através da mudança de harmônicos sem a utilização da língua, quanto o legato artificial, utilizando articulação leve sem intercalar os sons, buscando uma homogeneidade sonora entre os 2 tipos de legato.
Figura 20 – Fantasia para Trompete e Trombone, I Movimento Toada, Maestro Duda - Tema da Toada (compassos 9-17) – Sugestão do legato
Fonte: Silva (2017a)41.
40Documento não paginado. 41
Outra questão importante que o trombonista deverá estar atento é a respeito da indicação de glissando de uma oitava na anacruse do compasso 30 para o compasso 31 (FIGURA 21), utilizada pelo Maestro Duda. Este glissando poderá ser executado utilizando duas diferentes combinações de digitação (posições da vara do trombone), buscando executar todos os harmônicos possíveis compreendidos entre os 2 sons: Dó3 (3ª posição) ao Dó4 (1ª posição); ou Dó3 (3ª posição) ao Dó4 (3ª posição).
Figura 21 – Fantasia para Trompete e Trombone, I Movimento Toada, Maestro Duda - Glissando proposto pelo compositor (compassos 30-31)
Fonte: Silva (2017a)42.
4.3.2 II Movimento Caboclinho – Aspectos e sugestões interpretativas
O Maestro Duda utiliza os elementos originários do caboclinho para compor o segundo movimento da Obra, especificamente, os padrões rítmicos do toque de guerra. O compasso utilizado é o quaternário e as melodias existentes para o trombone, neste movimento, deverão ser executadas bem articuladas (staccato) com rigor rítmico, como também, ornamentadas de acordo com as indicações sugeridas pelo compositor. As ornamentações não foram incluídas para trombone na partitura original (FIGURA 22), mas elas estão presentes na melodia do trompete como, por exemplo, no compasso 43 (FIGURA 23) e também estão presentes na gravação da Obra.
Figura 22 – Fantasia para Trompete e Trombone, II Movimento Caboclinho, Maestro Duda – Partitura do trombone – Trecho do II Movimento (compassos 43-44)
Fonte: Silva ([19--?]a)43.
42Documento não paginado. 43Documento não paginado.
Figura 23 – Fantasia para Trompete e Trombone, II Movimento Caboclinho, Maestro Duda - Partitura do trompete - Trecho do II Movimento (compassos 43-46)
Fonte: Silva ([19--?]b)44.
Assim, se faz necessário executar o ornamento semelhante ao trompete sempre que o motivo melódico for repetido (FIGURA 24). Para este movimento, propomos que o andamento esteja entre 140-150 bpm.
Figura 24 – Fantasia para Trompete e Trombone, II Movimento Caboclinho, Maestro Duda - Sugestão de ornamentação - Tema do II Movimento (compassos 43-53)
Fonte: Silva (2017a)45.
4.3.3 III Movimento Frevo – Aspectos e sugestões interpretativas
O frevo (frevo-de-rua) do terceiro movimento, diferentemente do frevo contido na obra Duas Danças, é escrito no formato AA-BB-Final, não retornando a seção A após o B.
44Documento não paginado. 45
Este retorno é algo comum na estrutura do frevo-de-rua, pois, antes de ir para o final da música sempre volta para o A. Desta forma, as seções do frevo desta Obra estão divididas da seguinte maneira:
Tabela 2 – Fantasia para Trompete e Trombone, III Movimento Frevo, Maestro Duda - Forma do III Movimento
Seções A B Final
Compassos 54-69 70-85 88-92
Fonte: O autor (2017).
Assim como no frevo da obra Duas Danças, a música é iniciada através de anacruse e o compasso da passagem inicia a seção B, momento em que ocorre a transição do tema entre as seções A e B (FIGURAS 25 e 26). Também se tem o jogo de perguntas e respostas, característico do frevo, onde o trombone está representando a pergunta, através de melodias anacrústicas. Essas melodias que caracterizam as perguntas devem ser executadas com intensidade mais forte que a melodia da resposta (FIGURA 25), pois esta maneira de se tocar causa um contraste que torna a música mais interessante. Também se tem a necessidade de dar ênfase na acentuação das figuras que estão em anacruse (FIGURAS 25 e 26), procedimento bastante característico na execução do frevo. Neste caso, as colcheias inseridas na parte fraca do segundo tempo ligadas a alguma figura da parte forte do compasso seguinte deverão ser acentuadas (FIGURAS 25 e 26). É importante salientar que todas as características supracitadas estão presentes no segundo movimento das Duas Danças, Marquinhos no Frevo.46
Ressaltamos ainda que as sugestões interpretativas aqui postas estão baseadas em vivências do autor deste Trabalho junto às orquestras de frevo, observando as indicações dos maestros como também o trabalho dos vários mestres que são responsáveis pelas manifestações folclóricas estudadas nesta Dissertação. Assim, a partir disto, seguem as indicações interpretativas para as seções A e B, baseadas nos principais aspectos interpretativos observados no frevo:
46Cf. a subseção 4.2.2
Figura 25 – Fantasia para Trompete e Trombone, III Movimento Frevo, Maestro Duda – Seção A (compassos 54-69); trecho de perguntas; sugestões interpretativas
Fonte: Silva (2017a)47.
Figura 26 – Fantasia para Trompete e Trombone, III Movimento Frevo, Maestro Duda – Seção B (compassos 70-85); Final (compassos 88-92); sugestões interpretativas
Fonte: Silva (2017a)48.