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2. BASIC CONSIDERATIONS IN DEVELOPING AND REGULATING FOR

2.2. Development of standards

o corpo humano é portador de significados sociais e adquire esses significados na experiência social. Dessa forma, ele representa a sociedade à qual pertence, permite leituras diversas, por diferentes agentes sociais. Sua atitude, sua estrutura, sua disposição, suas manifestações, suas sensações emitem significados que o representam e através dos quais é conhecido e interpretado. Assim, a imagem que se tem do corpo depende do olhar, da leitura efetuada pelo outro e pela cultura onde está inserido (Victora, 1995). O corpo é como um texto passível de leitura e interpretação. Pode ser percebido segundo uma pluralidade de aspectos que se inserem numa vasta teia de representações, ideologias e concepções morais.

A pessoa percebe uma imagem do seu corpo e decodifica os seus significados a partir de suas experiências sociais, porém esses significados podem ser outros para uma pessoa advinda de outro grupo.

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A percepção e a identificação das sensações corporais são produto de uma série de comparações. A experiência prática cotidiana é o meio organizador das sensações. “O corpo é um reflexo da sociedade que articula significados sociais e não um receptáculo de processos exclusivamente biológicos” (Ferreira, 1995, p. 93). A percepção personalizada do corpo humano carrega consigo uma série de conseqüências, na medida em que as pessoas têm um corpo que funciona de maneira singular.

A representação do corpo como único é feita pelo balizamento das diferentes sensações experienciadas por aquele determinado corpo e que serão os determinantes do conhecimento a respeito daquele corpo.

O corpo é “projeto sobre o mundo” (Merleau-Ponty apud Eckert, 1995, p. 165), pois “toda a relação com o mundo é mediada por ele” (Le Breton apud Eckert, 1995, p. 165).

O corpo fala de seus pertencimentos culturais e sociais. “0 corpo denuncia, através de seus próprios movimentos e dos símbolos que porta, uma determinada posição social” (Mocellim, 1995, p.359). É um signo social quando, através dele, desenvolvem-se técnicas corporais que expressam um modo de ser de um grupo social.

O comportamento corporal expressa papéis, atitudes, posições sociais e sentimentos. O corpo é constituído culturalmente nas interações, é influenciado pelo poder, vitimizado pelo consumismo, moldado pelo trabalho, concebido pela religião, entre outros. A cultura é que determina as concepções quanto ao binômio saúde-doença, “assim como o uso do corpo, a forma deste uso, os ornamentos, as concepções de todos os processos biológicos que lhe são afeitos” (Hassen, 1995, p.267). Porém, este mesmo é meio modificador de papéis sociais.

Na nossa sociedade, as diferentes classes sociais tendem a apresentar uso, representações e consumos diferentes com relação ao corpo. Como produto social, o modelo de corpo varia conforme padrões de grupo, do trabalho e do consumo. O conhecimento do corpo de forma contextualizada, sócio-historicamente, permite o auto- conhecimento, o uso apropriado e pode ser usado como papel de transformação e de exercício da cidadania. Conhecer o corpo, seu papel, seus direitos, seus potenciais, para evitar adestramentos deste corpo, deve ser um dos objetivos da pessoa e isso é possível pelo processo de educação.

Corporeidade é a maneira de ser do corpo, corpo visível, participável, percebido e percebedor, tocante-tocado (Merleau-Ponty, 1992). A corporeidade resgata a visão da

totalidade corporal, levando em consideração o ir e vir de inúmeras energias auto- organizantes no corpo. Nela coexistem, em trânsito recíproco permanente, o equilíbrio e desequilíbrio, a simetria e a quebra de simetria, a coordenação e descoordenação, o controle e o descontrole (Assmann, 1995). Tudo o que fazemos, mesmo o pensar mais abstrato, é atividade corporizada.

Corporeidade é o corpo no mundo, reflexo do mundo, ativo-passivo, visível, vidente, englobante-englobado (Merleau- Ponty, 1992). Dificilmente os corpos são vistos como sujeitos históricos, que sofrem, alegram-se, vivem e morrem. Porém, na corporeidade, o corpo é visto como corpo imaginário, sede de sonhos, do quiasma: o fora e o dentro do meu corpo, que faz do espaço presente e passado se permearem num envolvido- envolvente ( Merleau- Ponty, 1992). Através deste corpo penso, decido, amo, me alieno ou me comprometo, sofro, rio. Um corpo em ação, em relação. Para Merieau-Ponty eu não tenho corpo, eu sou corpo, corpo pessoa.

A corporeidade leva em consideração a complexidade dos seres. Nela “o cérebro e o sistema nervoso não têm autonomia em relação ao corpo como um todo, mas estão inseridos nele, dependem dele, estão a seu serviço e só podem ativar-se mediante essa totalidade corpo” (Assmann, 1995, p.89).

Assim os valores espirituais, para serem vividos, necessitam ser encarnados em valores corporais. “Que por corpo humano se entenda uma corporeidade bio-social, ou seja, sócio-ecologicamente inserida num contexto determinado, e que a história seja um conceito que inclua tudo aquilo que faz dos seres humanos, seres-com-necessidades, mas também seres-com-desejos e dentro de certos pressupostos e limites, seres-com-aspirações- solidárias” (Assmann, 1995, p. 107). Até quando decidimos não agir, nossa corporeidade age para consegui-lo. O ver, entender, sentir e o fazer é mediação que se dá através do corpo total/vida.

Para o desenvolvimento das ações de enfermagem é necessário a ampliação da concepção de corpo, sob o prisma da corporeidade, evitando visões dicotomizadas, mecanicistas, para ver o homem no inteiro corpo/mente/espírito. Essa visão permite ao enfermeiro resguardar, no seu ato de assistir, a singularidade, a historicidade do indivíduo, compreendendo o sentido do existir/sentir e se relacionar com o outro. O respeito pelo outro, o transcender, o agora, em direção do outro, ao alcance de um agir na enfermagem mais crítica, reflexivo e sensível, faz-se cada vez mais necessário.

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“Corporeidade é mais que a materialidade do corpo, mais que a somatória das suas partes; e o contido em todas as dimensões humanas; não é aígo, objetivo, pronto e acabado, mas tramitação contínua de redefinições, porquanto é resgate do corpo: é deixar fluir, falar, viver, executar, permitir ao corpo ser o ator principal, vê-lo na sua dimensão realmente humana” (Polak, 1996, p. 119).

Corporeidade pressupõe aprender a viver nas escolhas consigo mesmo e com o mundo da razão, relação e emoção. Pela ótica da corporeidade concebe-se uma humanização do fazer-pensar-sentir enfermagem. Uma enfermagem preocupada no desenvolvimento da capacidade de percepção e da sensibilidade, que compreende as possibilidades do corpo, que se transporta para a situação do outro, para perceber, ver e sentir melhor. Que oportuniza ao outro a descoberta de suas potencialidades, direitos e responsabilidades.