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2.2 The Design
As aulas de Ciências da Natureza foram observadas nos 6ºs anos e 7ºs anos com o mesmo professor. Para os efeitos desta investigação seu nome será Pedro.
Nós (pesquisador e o professor) estávamos no corredor enquanto esperávamos os alunos de uma determinada sala entrar para o início da aula. Durante os momentos em que esperávamos houve um comentário do professor Pedro, fazendo menção ao tamanho dos pés de uma aluna de outra sala, mas que havia acabado de passar por nós. Mencionou que
Olhe o tamanho do pé desta menina! É maior que o meu e ainda está no 8º ano, deve calçar 42 ou 44, meu Deus! (Prof. Pedro, corredor da escola E1, mar. 2019)
Todas as aulas foram observadas no mesmo dia, nos períodos da manhã e tarde. Nas salas em que já havíamos observado as aulas de Matemática, a nossa
apresentação fora dispensada pelo fato de não sermos estranhos às turmas. Mas ele fez questão de nos apresentar às outras em que ainda não havíamos realizado a observação.
Todas as aulas, e em todas as salas começavam pelo docente solicitando a dois ou três alunos que fossem buscar os livros didáticos numa determinada sala. Já de posse dos livros, as atividades começavam mediante a correção de exercícios propostos no próprio livro que haviam sido deixados como tarefa (os alunos tinham que copiar as questões e resolver em casa). Eram raros os casos em que os alunos haviam realizado as atividades, até mesmo porque os livros ficavam na escola e não haviam outras fontes de consulta para sua execução. Mesmo assim o professor Pedro cobrava a tarefa, sempre de forma incisiva dizendo que eles tinham que trazê-las prontas.
Após as correções, sempre de forma expositiva no quadro, sempre solicitava que os alunos fizessem a leitura de determinado capítulo do livro (o próprio professor Pedro fazia a leitura também, mostrando que a aula não havia sido preparada). Após algum tempo (cerca de 20 ou 30 minutos) questionava determinados alunos sobre o que haviam entendido sobre texto lido. Alguns alunos se aventuravam dizendo que haviam entendido determinado ponto do assunto e outros pontos não. Era o momento em que o docente começava a explanar sobe o assunto em questão, mas sempre de forma distante dos alunos. Os alunos que dormiam ou que não participavam das atividades não eram provocados pelo docente, desde que não atrapalhassem o andamento da aula.
No lugar ao fundo da sala onde estávamos sentados conseguíamos ver os cadernos dos alunos. Alguns alunos ainda não sabiam escrever, vimos muitas palavras escritas com erros crassos, como a palavra cogumelo escrita logo no início da linha como cogu-melo.
Outros erros de escrita se mostravam evidentes, mas o docente não se aproximava fisicamente dos alunos, o que o impedia de constatar alguns dos erros de escrita já mencionados, bem como a verificação nas necessidades educacionais de seus alunos. Desta forma, embora estejamos nos referindo a apenas um recorte do todo, entendemos que momentos de inclusão à margem (SASSAKI,2003; MANTOAN, 2003 e CARVALHO, 2011) foram frequentes.
Grande parte dos alunos não realizava as atividades propostas, uma vez que o docente não se aproximava dos alunos para verificar se estavam desenvolvendo o que ele havia solicitado.
Na realidade, em todas as aulas dos 6ºs anos e 7ºs anos as aulas eram exatamente as mesmas (cada qual com seu conteúdo), mas não houve, como na Matemática, a composição de grupos para a discussão de determinado assunto, tampouco o uso de qualquer material diferente que não fosse o livro didático.
Após o final das aulas o professor Pedro nos confidenciou que já havia tentado outras metodologias, mas que só havia conseguido manter a disciplina da sala fazendo desta forma, porque as salas eram muito numerosas.
Por fim, ressaltamos e frisamos que, embora tenhamos que as aulas de Ciências da Natureza e Matemática observadas se tratem apenas um recorte do todo, entendemos que de forma geral, momentos de segregação e exclusão de mostram de forma muita clara, e em outros, momentos de inclusão à margem também ficaram evidenciados e, em outros, as aulas se mostraram inclusivas a alguns alunos com NEE, desde que procurassem pelo docente.
Desta forma, a posteriori, mediante a análise e discussão dos dados aqui mencionados, emergem três categorias para este elemento do corpus.
As categorias que explicam os momentos de alternância já mencionados, e que dificultam momentos para que as aulas sejam tão somente inclusivas são NÚMERO DE ALUNOS, BARREIRAS ATITUDINAIS e GERENCIAMENTO DE RECURSOS.
A categoria NÚMERO DE ALUNOS, se remete ao elevado número de alunos em cada sala de aula, o que dificulta a atividade docente inclusiva, vez que o docente não tem condições dar atendimentos individuais aos alunos em função de seu elevado número, revelando em grande parte das vezes, a inclusão marginal (MANTOAM, 2000, 2003; SASSAKI, 2003 e BUENO, 2016).
Já a categoria BARREIRAS ATITUDINAIS, se referem à algumas situações em que alguns docentes privaram os alunos de participarem das aulas. A situação mais clara se mostrou pelo posicionamento do professor que impediu uma aluna de participar de participar da aula em função do que usava como vestimenta,
caracterizando estigma e exclusão social e escolar segundo considerações de Sassaki (2003)
Na outra ponta, a categoria GERENCIAMENTO DE RECURSOS se mostra para caracterizar a falta ou remanejamento do uso de recursos pedagógicos da escola, bem como dos recursos públicos para a compra de equipamentos, artefatos e demais tecnologias capazes de melhorar a capacidade de adaptações curriculares razoáveis para os alunos com NEE, conforme disposições da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional de Brasil (1996), e até mesmo, para os alunos com NEE e PAEE, em consonância com a Lei Brasileira de Inclusão (2015).