Annex: Sustainable Development Goals
4 Descriptive indicators of non-tariff measures
Para este exercício, os alunos foram incentivados a interagirem com a população local, oportunizando uma aproximação da realidade daquelas pessoas, a qual, muitas vezes, quando conhecida, modifica o olhar do observador. Os próprios alunos, em suas transcrições nos revelam o valor das entrevistas (Figuras 11 e 12).
O incentivo aos diálogos é uma estratégia do TC que pretende favorecer a aproximação do aluno a uma realidade diferente da sua, afim de uma leitura mais condizente com a realidade existentes.
A Tabela 2 foi elaborada através do relato das entrevistas realizadas em campo pelos alunos. As perguntas foram elaboradas pelos próprios alunos, de forma livre, orientados pelo enunciado do exercício (APÊNDICE 3) mas não necessariamente feitas naquela ordem.
No diário de bordo foi apresentado um relato da entrevista com os principais pontos abordados. A coluna categoria é o tema mais abordados na entrevista. Na segunda coluna estão relacionados de forma sucinta os pontos mais abordados sobre os temas. A terceira coluna refere-se à quantidade de alunos que abordaram aquela categoria, ou seja, sua representatividade. Em uma entrevista o aluno consegue abordar vários pontos. As pessoas entrevistadas eram os nativos que exerciam algum tipo de trabalho na região.
Dialogar e ouvir as vivências e as histórias de vida dos nativos é importante para que o aluno possa obter uma compreensão maior das forças que atuam naquele espaço, pois “[...] o nativo tem uma atitude complexa derivada na sua imersão na totalidade do seu meio ambiente” (TUAN, 1980, p. 72), diferentemente dos alunos que estão ali de passagem. Nesse sentido, os alunos entrevistaram cozinheiras, guias, administradores, servidores públicos e comerciantes.
Tabela 02: Exercício do relato de uma entrevista do TC da Chapada Diamantina
TC DA CHAPADA DIAMANTINA EXERCÍCIO DA ENTREVISTA
CATEGORIA PONTOS ABORDADOS Nº DE ALUNOS QUE ABORDARAM O TEMA SOCIO- ECONOMICA Distribuição da renda; O problema da seca; Marcas do garimpo 16 MEIO AMBIENTE Biodiversidade
Fosseis arqueológicos Hidrografia
Conscientização
14
TURISMO Oportunidade de trabalho
Estimulo a preservação ambiental
Fator que eleva o custo de vida da região.
10
NÃO FIZERAM A ENTREVISTA 4
Observamos que os focos de interesse abordado pelos alunos foram bem distribuídos, havendo valor mais expressivo aos temas relacionados a condição sócio econômica, meio ambiente e turismo, respectivamente.
Na categoria sócio econômica os principais pontos abordados estavam relacionados a distribuição desigual da renda, as dificuldades resultantes da seca vivenciada pelo sertanejo e as marcas sociais e econômicas deixadas pelo garimpo. Observamos que os alunos privilegiaram o conhecimento do homem quanto a sua forma de sobrevivência focando nas contradições do espaço social, nos registros de memória, nos fatos históricos. Os extratos dos relatos apresentados nas Figuras 13, 14 e 15, nos apontam a reflexão e reconstrução de valores experimentados pelos alunos. Expressam a dureza da vida do garimpeiro, o conhecimento dos mecanismos do sertanejo para enfrentar a seca identificando a rica biodiversidade e cultura do local, assim como a atuação do homem como ser histórico e agente
transformador do espaço. Estes conhecimentos podem favorecer a modificação da ideia do sertão miserável.
No dia a dia do sertanejo, as histórias e as experiências se diferenciam ou se assemelham daquelas vivenciadas pelos alunos. A compreensão dessas diferentes realidades insere no aluno o estado de confrontação provocando questionamentos sobre sua própria realidade e atuação no espaço. Estar em campo e perceber o cotidiano no falar e no sentir do homem da terra trabalha para a ampliação dos
conhecimentos do aluno desvelando caminhos diferenciados para a compreensão do mundo, como nos afirma, Silva (2002, p. 63), sobre o trabalho de campo:
[...] é do estudo dessa realidade visível, palpável, sensível com a qual interage, com elementos demarcados pela vivência cotidiana, que o aluno e/ou pesquisador transcenderá para a teorização sobre essa realidade, compreendendo-a como a expressão local/regional do conjunto do território e ampliando sua visão sobre o horizonte distante.
Assim, a oportunidade do contato com o nativo amplia o sentir da região como um todo, colocando o aluno frente ao lavrador do próprio espaço, que vive seu cotidiano transformando-o fornecendo ao aluno ferramentas para ampliar a compreensão para uma realidade mais ampla.
Na categoria meio ambiente, podemos verificar que alguns alunos registraram relatos das características da região enquanto patrimônio ambiental: biodiversidade,
fósseis arqueológicos, hidrografia, assim como a conscientização da preservação ambiental e o respeito pela sabedoria popular que constituem uma expressão da cultura local, a exemplo dos alunos 11A e 10A (Figuras 16 e 17).
Na categoria turismo os alunos colhem informações sobre o desenvolvimento dessa atividade no local e suas diferentes consequências na vida local, tanto positivas como negativas, como: oportunidade de trabalho e geração de renda, estímulo a preservação ambiental a partir da educação ambiental assim como a agregação ao meio a exemplo do lixo, e como fator que eleva o custo de vida da região dentre outros, a exemplo do Aluno 9A (Figura 18)
Os levantamentos realizados através desses diálogos permitiram o exercício da investigação, além de promover uma inserção do aluno no meio, aproximando-o das pessoas, instigando a comunicação através da qual o conhecimento se promove. Na comunicação com os nativos o aluno tem a oportunidade de conhecer o mundo de uma outra ótica, e esta aprendizagem pode ser muito significativa, como nos diz Moreira (2011, p. 75) “[...] aprendê-la de maneira crítica é perceber essa nova linguagem como uma outra maneira de perceber o mundo”, e isso pode trazer uma ressignificação de muitos conceitos e valores.
Nesse sentido, o TC torna-se experiência rica de comunicação e aprendizagem, sendo ferramenta promotora de diversas condições férteis ao aprendizado. Silva (2002, p. 62) considera a importância do TC enquanto ferramenta instigadora do conhecimento e investigadora da realidade:
O trabalho de campo constitui-se como instrumento para essa ‘leitura’, por meio da qual se desvenda o entorno e se estabelece a mediação entre o registro, o conhecimento já sistematizado e informado e o seu significado, auferido através de um processo dinâmico e dialético para o entendimento da realidade, especialmente naquilo em que ela se apresenta como ‘inexplicável’, por isso mesmo instigadora.
No exercício sobre a identificação do fenômeno, na categoria seca, a relação desta com a realidade social do sertanejo foi expressiva. Na entrevista, as questões relacionadas aos problemas sociais e econômicos também foram expressivas, a exemplo da transcrição feita pelo aluno 18A na Figura 19, que demonstra uma conexão entre a observação do aluno e os relatos dos nativos, conforme podemos verificar nas Tabelas 1 e 2.
Nas entrevistas os alunos tiveram a oportunidade de ampliar seus conhecimentos da leitura da paisagem, principalmente relacionado as divisões de trabalho, desigualdades sociais, preservação ambiental, o papel do turismo e do agronegócio dentre outros. Assim, as informações colhidas nas entrevistas contribuem para validar e enriquecer a observação dos alunos ampliando sua compreensão sobre aquele espaço, além de promover a aproximação do aluno ao homem do lugar.
O TC pode abrir um ilimitado campo de possibilidades e descobertas trazendo como consequência um conhecimento mais significativo sobre si próprio como agente transformador do espaço a partir do conhecimento do espaço do outro favorecendo o aprendizado de forma mais significativa.