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Description de la stratégie de gestion d’énergie

T ECHNIQUES DÉVELOPPÉES

4.3 Description de la stratégie de gestion d’énergie

categorias inscritas na natureza constitutiva da fotografia podem, desta forma, constituir terrenos privilegiados para a concepção de um real que escapa às sobredeterminações simbólicas e ao edifício de conceitos prescritivos e estabilizadores. Importa, como tal, introduzir fissuras que re- equacionem a realidade e o sujeito como identidade unívoca, interessa curto-circuitar os esquemas perceptivos, furar os estereótipos e os clichés de forma a poder pensar o mundo e a imagem fora dos modelos metafísicos e dos lugares comuns do visível, isto é, fora dos esquemas da percepção que nos asseguram uma apreensão normalizada do mundo. A comprensão expandida da imagem como superfície especular ou simulacral aparece, precisamente, no sentido de uma afirmação do carácter transgressor da imagem enquanto estrutura descentrada e

excêntrica, estrutura que, desfazendo os modelos da verdade e as relações hierarquizadas entre o

original e a cópia, permite ao homem reinventar-se na ficção de outros mundos possíveis. Ao interiorizar uma diferença que, pela repetição, faz do mesmo e do semelhante algo de distinto e de novo em relação a si próprio, o simulacro constitui uma violência que remete o indivíduo para um lugar exterior caracterizado pela dissolução da lógica e das coordenadas espacio-temporais racionalizantes que estabilizavam a sua relação com o mundo.

Fazer da imagem uma realidade simulacral, isto é, uma realidade atravessada por virtualidades que não são nunca inteiramente controláveis, equivale a fazer vir ao de cima circuitos interditos e visibilidades conjecturais que não podem ser reduzidas a relações regularizadas por modelos internos. Consequentemente, o lugar da imagem ao nível das práticas artísticas contemporâneas que se interseccionam com as novas tecnologias electrónicas e digitais jamais poderá ser entendido, de igual modo, ao nível de uma concepção que faz da imagem um instância substitutiva do real ou, dito de outro modo, uma cópia ou uma imitação inteiramente subjugada às relações bem ou mal fundamentadas com um modelo essencial e pré-existente. O regime simulacral da imagem entendido a partir dos princípios constitutivos da fotografia e da sua componente indicial levou-nos, forçosamente, a um questionamento do entendimento das imagens produzidas pelas novas tecnologias electrónicas e digitais enquanto formas substitutivas baseadas no carácter ordenável e previsível da técnica. É que o virtual/digital não pode ser reduzido, uma vez mais, a uma eficácia técnica capaz de controlar o real e a vida pela reprodução

da sua aparência. A eficácia dos novos dispositivos digitais será, de resto, uma eficácia relacionada com a afirmação dos mesmos princípios de incerteza e de indeterminação do real evidenciados pela imagem fotográfica como traço ausentificante. É que, tal como o inconsciente

óptico do dispositivo fotográfico, também o olho do autómato é um olho escópico, táctil e

afectivo que torna visíveis zonas do real das quais estamos excluídos como sujeitos. Ele tem o poder de encarnar impensáveis, imperceptíveis e incorporais que nos atingem como (hiper)realidades de pleno direito, produzindo a complexificação das estruturas pelas quais o indivíduo se pensa a si próprio e ao real.

A partir da análise à obra de Gerhard Richter pudemos ver, porém, e entre outras coisas, que o olhar e o gesto do autómato não tem necessariamente de se revestir de complexas artilharias tecnológicas. O trajecto invisível e extra-rápido de instâncias simulacrais que se formam num

tempo menor do que o mínimo de tempo sensível e pensável pode ser atingido, por exemplo, por pinturas de reflexão que fazem aparecer a realidade no exacto momento em que o visível se

cancela como idealidade icónica e representativa. A superfície da imagem converte-se numa superfície de registo de substâncias que, como vimos com Deleuze, já não necessitam de um «extra-ser» que constituiria o incorporal como sendo um não-existente. Falamos antes de emissões simulacrais, metamorfoses e alterizaçoes que, co-existindo ao objecto e mantendo com ele um vínculo, sobrevêm, no entanto, de fluxos, qualidades e quantidades (qualisignos) que fundam afectividades e impensáveis capazes de des-colocar o indivíduo das relações meramente lógicas e operativas estabelecidas com o real. Tal não significa que se esteja a negar o homem e a realidade. Significa, sim, que estamos a complexificar instâncias anteriormente preservadas na sua plenitude e na sua auto-suficiência monocentrada. Ao fazê-lo, estamos a criar condições para que o homem possa actuar em camadas da realidade que nos são ocultadas ou tornadas demasiado visíveis pelos dispositivos comunicacionais e pelas máquinas de poder. É que, para estas, o real é unicamente aquilo que é veiculado pelos interesses da sociedade e pelo conjunto dos saberes, das imagens e dos discursos institucionalizados. Por isso mesmo, no regime cultural do tardo- capitalismo, as palavras e as imagens já pouco ou nada significam. Elas circulam em dispositivos, encontram-se atadas a modelos comunicacionais esquematizados que pré-determinam usos, comportamentos e pensamentos inseridos em esferas alargadas de consenso. O desejo de arte, o desejo de fazer imagens sobrevém, como tal, da necessidade em produzir sentidos e significações que não se encontrem delimitados pelos modelos comunicacionais binários previamente controlados e informatizados. É neste novo espaço altamente informatizado que a fotografia e as novas imagens devem ser pensadas enquanto experiência de um mundo impossível tornado

possível por visibilidades especulares e conjecturais que constituirão, elas próprias, uma experiência da não-visualidade.