II.4 L’identification par une approche Orient´ee Objet
II.4.2 Description de la Programmation Orient´ee Objet (POO)
Além dos princípios de organização perceptual de objetos, a psicologia da Gestalt estuda outros assuntos relacionados ao comportamento humano, dentre eles a solução de problemas, que consiste em “[...] mover-se de uma situação problemática para uma solução, sobrepondo obstáculos ao longo do caminho.”49 (STERNBERG, 2000, p. 68, tradução nossa). Quando aplicada ao processo de solução de problemas, a Gestalt não é de aceitação universal. Para que compreendamos melhor essa linha de estudos, devemos observar que os teóricos citam dois tipos de problemas: 1) problemas bem-estruturados ou bem-definidos, que têm caminhos claros para soluções, do tipo ‘como encontrar a área do paralelogramo?’; e 2) problemas mal-estruturados ou mal-definidos, que carecem de caminhos claros para soluções, do tipo ‘qual casa comprar se as casas em questão têm vantagens e também desvantagens?’. O último tipo é um problema de insight, por ser preciso reestruturar a representação do problema para resolvê-lo. “Insight é um entendimento distinto, e às vezes aparentemente repentino de um problema ou de uma estratégia, que ajuda na resolução de problemas.”50 (STERNBERG, R.; STERNBERG, K., 2012, p. 455, grifo dos autores, tradução nossa).
Psicólogos da Gestalt defendem que o problema de insight requer a percepção do problema como uma totalidade. Para resolvê-lo, deve-se fugir das associações existentes envolvendo o que já é conhecido e vê-lo em um novo ponto de vista. Insight, para os gestaltistas, é um processo especial que envolve pensamento diferente do processo de informação linear, considerado normal, e que pode resultar de: 1) saltos em pensamento inconscientes e prolongados, 2) processo mental grandemente acelerado, ou 3) algum tipo de curto-circuito do processo normal de raciocínio (STERNBERG, 2009, p. 446). Segundo Sternberg (2009, p. 446–449), os primeiros gestaltistas não fornecem evidência convincente de qualquer desses mecanismos e nem especificam exatamente o conceito de insight. Então, ele apresenta alternativos pontos de vista sobre o assunto:
1) Nothing-Special View51: “[...] insight é simplesmente uma extensão da percepção, reconhecimento, aprendizado e concepção ordinários.”52 (STERNBERG, 2009, p. 446, grifo nosso, tradução nossa). Não existe insight como processo de pensamento
49
“[...] moving from a problem situation to a solution, overcoming obstacles along the way.”
50 “Insight is a distinctive and sometimes seemingly sudden understanding of a problem or of a strategy that aids
in solving the problem.”
51
Que pode ser traduzido como “Teoria de processo nada especial”.
52
especial. Alguns representantes dessa teoria são Langley, Simon, Bradshaw e Zytkow (1987) e Perkins (1981).
2) Teoria neo-gestaltista: para maior distinção entre problemas de insight e problemas usuais, os neo-gestaltistas sugerem que em problemas de insight, solucionadores mostram fraca habilidade de predizer seu próprio sucesso em tentar resolver o problema, ao contrário dos casos de problemas usuais (ordinários). Além disso, são utilizadas metodologias mais detalhadas de observação dos pensamentos na solução de problemas desses dois tipos. Metcalfe (1986) e Metcalfe e Wiebe (1987) abordam essa teoria em seus trabalhos.
3) Teoria dos três processos: há três tipos de insight, que correspondem a três tipos de processos: a) codificação seletiva (distinção entre informação relevante e informação irrelevante e posterior seleção da informação relevante), b) comparação seletiva (relação entre novas e antigas informações), c) combinação seletiva (captura de fragmentos codificados e comparados de informação relevante, e combinação dessa informação em uma maneira nova e produtiva, que foge das associações já existentes). Davidson (2003) e Davidson e Sternberg (1984) abordam essa teoria em seus trabalhos.
4) Insights adicionais: insight é um entendimento que pode envolver ou um processo especial envolvendo uma reestruturação mental abrupta (experiência de insight) ou um processo cognitivo normal que ocorre progressivamente, ao invés de abruptamente. O representante dessa teoria é Smith (1995).
Os pontos negativos da Teoria da Gestalt encontradas por Sternberg (2009, p. 446), em relação à solução de problemas, não afeta o nosso trabalho, uma vez que nosso foco de pesquisa situa-se no assunto relacionado exclusivamente ao agrupamento e segregação de unidades perceptuais.
Outro caso de não-aceitação universal da Gestalt, desta vez relacionado aos princípios de agrupamento perceptual, é observado por Gepshtein, Tyukin e Kubovy (2011, p. 21). Esses autores verificaram que o princípio de proximidade “[...] não se generaliza para cenas dinâmicas, isto é, nenhum princípio de proximidade espaço-temporal governa a percepção de movimento.”53 (GEPSHTEIN; TYUKIN; KUBOVY, 2011, p. 21, tradução nossa). Assim, pequenas distâncias espaço-temporais entre elementos visuais exibidos de forma dinâmica
53
“[...] not generalize to dynamic scenes, i.e., no spatiotemporal proximity principle governs the perception of motion.”
não fazem com que eles se agrupem. Enfatizamos que esse estudo se refere exclusicamente à exame concomitante de ambas as dimensões — espacial e temporal. Devemos observar, no entanto, que isso não afeta as pesquisas gestálticas no campo musical, visto que se restringem a examinar as representações sonoras dos eventos em notação musical, como é o caso deste trabalho. De outra forma, os elementos sonoros simbolizados visualmente na partitura, em uma dimensão exclusivamente espacial, não se expõem como figuras em movimento. Outrossim, se considerássemos o próprio som como objeto de estudo, essa nova perspectiva de proximidade dinâmica também não precisaria ser levada em conta, uma vez que, na falta de um sistema notacional (espacial), ficaríamos restritos à dimensão temporal.
Outro fato, porém de forma geral, é que o comportamento humano, sendo compreendido em termos de como as pessoas pensam, é atualmente examinado pela psicologia cognitiva, que “[...] é o estudo de como as pessoas percebem, aprendem, lembram e pensam sobre uma informação.”54 (STERNBERG R.; STERNBERG K., 2012, p. 3, tradução nossa). Essa abordagem é, em parte, um resumo das últimas formas de análise, que são o Behaviorismo (na precisão quantitativa) e o Gestaltismo (na ênfase de processos mentais internos) (STERNBERG R.; STERNBERG K., 2012, p. 13). Segundo Luccio (2011, p. 121):
A contribuição da Teoria da Gestalt para a psicologia contemporânea é ainda válida. Suas ideias teóricas foram, em muitos aspectos, verdadeiramente originais: auto-organização, isomorfismo, teoria de campo, pregnância, distinção entre fatores locais e globais, e assim por diante. Isso nos convida a continuar com a tarefa de identificar as regras e limites que nos habilitam a ver o mundo como ele se apresenta. Essas ideias comprovaram-se originais em diversos campos da psicologia cognitiva contemporânea: campos dinâmicos, sistemas não lineares, Gestalt computacional. Mas se pode referir a muitas outras abordagens.55 (tradução nossa).
No próximo capítulo, enfocaremos a Gestalt sob uma perspectiva mais especificamente musical.
54
“[...] is the study of how people perceive, learn, remember, and think about information.”
55 “The contribution of Gestalttheorie to contemporary psychology is still valuable. Its theoretical ideas have in
many respects been truly seminal: auto-organization, isomorphism, field theory, Prägnanz, distinction between global and local factors, and so on. It invites us to continue with the task of identifying the rules and constraints that enable us to see the world as it appears. These ideas have proved seminal in several fields of contemporary cognitive psychology: field dynamics, non linear systems, computational Gestalts. But one could refer to many other approaches.”