III- GÉNÉRALITÉS
3- Description de la chicha :
Para verificar a atitude dos consumidores entrevistados quanto às práticas de greenwashing foram realizadas três perguntas sobre o assunto. As respostas dadas sobre os assuntos abordados em cada pergunta serão expostos a seguir juntamente com um quadro comparativo entre as falas dos entrevistados e as dos autores.
4.2.1 Informações sobre a veracidade dos discursos das empresas
Os consumidores foram questionados sobre a maneira como se certificavam da veracidade das informações prestadas pelas empresas. A maioria dos consumidores do primeiro semestre afirmou que usam a internet como fonte de informação, além das redes sociais e dos rótulos dos produtos, conforme as respostas seguintes.
Eu tenho essa curiosidade, embora não seja eu que faça as compras da minha casa, mas eu tenho essa preocupação em pelo menos alertar e
quando eu tô presente, em mudar algumas coisas. Porque é justamente fruto disso, quando a gente vai atrás a gente conhece um pouco a gente acaba substituindo e mudando alguma coisa. Muito do que elas fazem deve estar bem esclarecidas no seu site. Além de olhar rótulos eu também vou no site ver o avanço que a empresa tem feito (ENTREVISTADA 2).
É importante fazer isso pela questão de você verificar a credibilidade da empresa. Quando eu vou pesquisar sobre algum produto, vou no site da empresa ou em algum fórum ou em redes sociais (ENTREVISTADO 3). Geralmente no instagram, pesquiso mais quando vou comprar alguma coisa, olho sempre o rótulo, costumo usar shampoos veganos (ENTREVISTADA 4).
Os entrevistados do nono semestre também citaram a internet, os sites e redes sociais como meio pelo qual se informam sobre as empresas, mas demonstraram menos preocupação com esse aspecto, e alguns afirmaram não despender tempo em busca dessas informações.
Não, isso aí eu não faço. Nunca chego a pesquisar realmente. Eu acho que o que mais chega pra mim é através de noticiário mesmo, através da mídia (ENTREVISTADO 6).
Eu verifico sites e o rótulo sempre, sempre olho se é animal free. Quando eu quero saber algo específico eu vou no site e olho lá em responsabilidade social (ENTREVISTADA 7).
Sim, principalmente produtos de cabelo e maquiagem. Vejo se aquele produto é confiável. Pelo instagram, youtube, comentário de blog (ENTREVISTADA 8).
Não verifico. Alguns produtos que eu uso tem lá “não agride o meio ambiente”, “não testado em animais”, mas é porque tem bem grande no rótulo (ENTREVISTADA 10).
Quadro 7 – Verificação das informações prestadas: comparativo entre as respostas
AUTOR PRIMEIRO SEMESTRE NONO SEMESTRE
Pecado da falta de prova: alegações que não tem informações de fácil acesso ou até certificados que atestem realmente sua veracidade (TERRACHOICE, 2007).
As fontes mais utilizadas para a obtenção dessas informações são: redes sociais, sites das próprias empresas e nos rótulos dos produtos.
Verifico em sites, nas redes sociais, no youtube, em blogs e em noticiários.
Fonte: Elaborado pela autora (2019)
É possível observar no quadro 7 a comparação entre as respostas, juntamente com o referencial teórico que trata sobre a falta de informação disponível para os clientes. Os entrevistados de ambos os semestres se utilizam das redes sociais para se informarem e, especialmente os do nono semestre, não demonstraram muito interesse nesse quesito, conforme as declarações anteriores.
4.2.2 Falsas propagandas de sustentabilidade
Esse ponto tratou sobre como os consumidores se sentiam e se portavam ao se depararem com situações de falsas propagandas ambientais. Os consumidores do primeiro semestre afirmaram que deixariam de consumir produtos de empresas que se enquadrassem nessa suposição.
As vezes tipo, quando eu tô comprando pensando na hora, eu compro do mesmo jeito, porque eu não tô me ligando quanto a isso. Mas quando eu tô realmente focado na questão disso, eu comento com os meus amigos, a gente discute muito a questão. As vezes compra essa que é a única opção, a opção mais barata, porém a gente discute. E quando o preço ou a disponibilidade não é um problema, a gente prefere comprar uma coisa que seja mais verdadeira com o que é proposto (ENTREVISTADO 1).
Eu deixo de utilizá-las e propago pra várias pessoas que não é legal consumir os produtos daquela empresa, geralmente eu propago pros meus familiares e amigos (ENTREVISTADO 3).
Com certeza vou parar de comprar o produto na hora (ENTREVISTADO 5).
Os consumidores do nono semestre fizeram afirmações semelhantes às do primeiro semestre e também se mostram dispostos a deixar de consumir produtos que façam uso dessas falsas propagandas.
Nesse caso, se eu tenho o produto dela eu passo a praticamente deixar... Por exemplo, a Vale, eu jamais vou acreditar nela novamente, por mais que ela faça propaganda, porque foi um erro gravíssimo. Então eu acho que se eu me lembrar, se ficar algo bem gravado eu tendo a não comprar (ENTREVISTADO 6).
Acho um absurdo, acho triste, porque é algo muito importante, é algo que todo mundo deveria tá se preocupando. Com toda certeza deixaria de usar a marca, empresas como a AVON que foi acusada de financiar testes em animais em outros países (ENTREVISTADA 7).
Se for um produto que eu não consiga substituir, aí eu fico usando meio que obrigada, Mas se aparece uma oportunidade de eu trocar o produto, eu troco na primeira hora (ENTREVISTADA 8).
Outro ponto interessante que também é exposto por outro entrevistado é a associação da falsa propaganda ambiental com outros aspectos da empresa, ou seja, se a empresa mente a respeito das suas práticas ambientais, certamente mentiria sobre outras temáticas.
Você se sente enganado né, que se ela faz isso com o marketing ambiental dela, o que ela não pode fazer sobre o produto dela? Você tem a percepção
de que tá sendo enganado (ENTREVISTADO 9).
Se ela (empresa) é verde não me influencia, mas é se ela é uma falsa verde aí ela me influencia. Então ela ter o marketing verde não me influencia a comprar, mas ela fingir que tem e não tem aí ela me influencia a não utilizar mais os produtos dela. Se ela mente disse e imagina do que ela não vai mentir? Se ela mente sobre uma coisa dessas a credibilidade dela comigo cai (ENTREVISTADA 10).
Vale ressaltar a colocação da Entrevistada 10 que nas perguntas anteriores afirmou não ser influenciado por propagandas de cunho ambiental, entretanto, nessa pergunta, colocando-se como alguém que é afetado por falsas propagandas ambientais, afirmou que se sente influenciada.
Pode-se perceber pelas falas dos entrevistados de ambos os semestres que eles apresentam certa disposição de deixar de consumir produtos que vendam uma imagem ambiental falsa, entretanto existe um fator interessante, citado na resposta do entrevistado 1, que é a disponibilidade de produtos substitutos que tenham um preço acessível. Na verdade esse fator acaba se desmembrando em dois, pois se compreende que, apesar da boa vontade em consumir produtos benéficos à natureza e que tenham propagandas verdadeiras, existe a necessidade da disponibilidade de produtos substitutos e que esses produtos tenham preços acessíveis.
O quadro 8 faz um resumo das respostas dos entrevistados e traz a colocação do autor a respeito do assunto.
Quadro 8 – Falsas propagandas de sustentabilidade: comparativo entre as respostas
AUTOR PRIEMEIRO SEMESTRE NONO SEMESTRE
Para Kotler (2012), à medida que uma empresa se compromete com questões de sustentabilidade ambiental maior a probabilidade de encontrar dilemas, visto que em algum ponto ela pode se deparar com um problema na sua cadeia produtiva. Ou seja, uma postura incoerente por parte da organização pode fazer com que os clientes mudem completamente sua percepção a respeito dela, passando a vê-la de forma negativa.
Ao saber sobre falsas propagandas ambientais, o a primeira ação é deixar de consumir e alertar outras pessoas para que também não consumam.
Ao saber de algo do tipo a primeira reação é deixar de consumir e depois difundir a informação para outras pessoas, pois se ela é capaz de mentir sobre esse aspecto, pode fazer pior em outros.
Como mostra o quadro 8, uma questão expressiva na fala dos consumidores é a disposição de disseminar as informações de falsas propagandas para outras pessoas. Durante as entrevistas a maioria dos alunos fazia essa colocação, afirmavam que, ao saberem de um caso assim, difundiriam para as outras pessoas.
4.2.3 Disposições legais sobre falsas propagandas
Sobre esse tema, os consumidores foram interpelados sobre sua postura diante dessas falsas propagandas frente à legislação brasileira a respeito isso, ou seja, se teria uma predisposição a denunciar esses casos.
Os entrevistados do primeiro semestre demonstraram não saber de uma legislação específica em favor dos consumidores em casos de falsas propagandas. Alguns expuseram que não acreditam no efeito da denúncia de apenas uma pessoa e comentaram formas coletivas de agir contra empresas que se portam assim.
Eu não sabia que existia uma legislação, eu não sabia que era proibido eles fazerem isso, então eu me sino sim lesado. Acho que é muito injusto, não é correto ficar fazendo isso com o consumidor (ENTREVISTADO 1).
Por lei você pode pedir tantas mil assinaturas pra ter voz dentro de um programa que possa combater aquela empresa que seja tão grande quanto, a altura pra poder debater determinado tema e exigir uma explicação. Nós como consumidor temos o direito de ouvir a empresa, a justificativa. Se o produto não for tão essencial eu deixo de consumir (ENTREVISTADA 2). A gente pode até denunciar...é muito complicado você se sentir lesado por um produto específico e você ir lá e fazer uma denuncia, eu acho isso muito raro isso acontecer, mas participação de fóruns, participação de baixo assinados, tem vários outros sites que fazem um apelo coletivo, é mais fácil participar desses apelos coletivos do que individualmente (ENTREVISTADO 3.)
A maioria dos entrevistados do nono semestre afirmou que denunciaria esses casos, apesar de também terem afirmado não conhecerem as leis que discorrem sobre o tema e retomaram a predisposição a deixar de consumir os produtos da marca que agisse assim e alertar outras pessoas sobre o assunto.
Eu creio que a gente deve procurar o PROCON, mas eu nunca cheguei a denunciar não, nenhuma propaganda que eu tenha percebido que é enganosa. Mas eu passo não recomendar aquela empresa, com os consumidores que eu me relaciono eu tento não indicar. Só que tem um
‘porém’, as vezes a empresa domina tanto aquele mercado que você não consegue ter um similar (ENTREVISTADA 6).
Denunciaria se tivesse essa informação de cara, de que aquela propaganda é falaciosa. Nunca denunciei, mas continuo achando um grande absurdo. [...] Não sabia que existia uma lei específica pra propaganda (ENTREVISTADA 7).
Me sinto traída, mas o que a gente pode realmente fazer é parar de consumir. O meu protesto seria não consumir mais a mercadoria daquela empresa. Nunca denunciei, porque nunca encontrei, nem sei aonde faria esse tipo de denúncia (ENTREVISTADA 8).
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Quadro 9 – Legislação sobre falsas propagandas: comparativo entre as respostas
AUTOR PRIMEIRO SEMESTRE NONO SEMESTRE
Os anúncios devem respeitar alguns princípios éticos como: deve ser honesto, verdadeiro e respeitar as leis nacionais, ter responsabilidade social, responsabilidade na cadeia de produção, respeitar o princípio da leal concorrência, respeitar a atividade publicitária e não menosprezar a confiança do público. Ele age mediante denúncias feitas por qualquer consumidor, autoridade, associados ou membros da diretoria (CONAR, 1980).
Não sabia que existia uma legislação sobre isso, mas acredito ser mais fácil agir coletivamente através de recolhimento de assinaturas, por exemplo. Mas denunciaria, caso me sentisse lesado.
O melhor a se fazer é deixar de consumir e alertar outras pessoas. Não sei se procuraria denunciar, talvez isso possa ser feito no PROCON.
Fonte: Elaborado pela autora (2019)
Conforme o quadro 9, os entrevistados demonstram não ter conhecimento de como funciona a legislação vigente a respeito das propagandas, especialmente o trabalho do CONAR que age de maneira direta nessa questão e necessita de apenas uma denúncia para investigar e tomar providências em relação à propagandas que lesem o consumidor de alguma forma.