Na primeira unidade de ensino pretendeu-se ampliar a cultura visual dos alunos tornando-os sensíveis ao meio envolvente, neste caso a escola. O intuito desta primeira fase foi dar a conhecer aos alunos o património escolar, desconhecido por muitos, como confirmaram no questionário entregue (Anexo I) e ao mesmo tempo mostrar diferentes perspetivas de como usar as imagens de obras de arte num processo criativo de desenho.
Através da utilização da Perspetiva Cónica, os alunos teriam que se apropriar de imagens de modelos em gesso da escola e contextualizá-las num novo cenário. Este novo cenário era a sala de aula, desenho efetuado por eles nas primeiras aulas da implementação desta unidade de ensino. O objetivo era descontextualizar a sala de aula e as imagens dos modelos, criando, assim, um novo contexto, ou seja, atribuir à sala uma nova função, neste caso de um espaço expositivo, uma galeria, e contextualizando as imagens nesse mesmo espaço, com regras de enquadramento e composição. Para este efeito foi necessário transmitir aos alunos bases da perspetiva para um correto desenho da sala de aula e mostrar imagens de artistas que se apropriaram de obras de outros autores e as interpretaram de outras formas, isto é, deram- lhes a sua própria visão, mostraram uma nova leitura.
Para apresentar este desafio aos alunos foi necessário transmitir conhecimentos técnicos de desenho e ampliar a sua cultura visual, com o propósito de os capacitar a serem indivíduos capazes de conseguir ler e interpretar o que visualizavam. Criar nos alunos uma consciência crítica e sensível sobre aquilo que visualizavam, foi uma necessidade emergente neste contexto, uma vez que as imagens são retidas na memória e passíveis de serem combinadas com outras imagens armazenadas desenvolvendo o
68 pensamento, relacionado com o sentimento, para um novo processo criativo, sendo este de inteira expressão pessoal do aluno. “A atividade de expressão pessoal é a necessidade inata que o indivíduo sente de comunicar às outras pessoas pensamentos, sentimentos e emoções”. (Read, 1943, p. 253).
Assim, para esta primeira Unidade de Ensino foram elaboradas diversas planificações (Anexo VII) dado que no decorrer das aulas houve a necessidade de efetuar alguns ajustes de acordo com o desenvolvimento dos alunos. Os ajustes foram percetíveis não na alteração dos conteúdos e respetivos objetivos, mas antes em termos de sequência das matérias e exercícios.
A preocupação na elaboração das planificações de aula foi a de conseguir articular os conteúdos de forma sequencial para que os alunos conseguissem acompanhar e assimilar a informação, uma vez que a unidade de ensino sobre a Perspetiva Cónica revelou não ser de fácil aquisição por grande parte dos alunos.
No mês de novembro, entre o dia 8 e 22, do ano de 2011, foram lecionadas um conjunto de seis aulas. Na unidade de ensino: Perspetiva Cónica (Organização da Profundidade; Enquadramento – Organização da tridimensionalidade; Os olhos e a recolha de informação visual; Interpretação da informação e construção de perceções), foram desenvolvidos, no total, um conjunto de nove exercícios, sendo os dois primeiros de avaliação diagnóstica (Anexo V).
Nas primeiras aulas foram apresentados os conteúdos em suporte digital (Anexo VIII) que abordava um pequeno contexto histórico e os passos para a realização de um desenho em perspetiva, assim como exemplo de desenhos de obras de artistas e objetos em perspetiva. Os exercícios dos alunos nas primeiras aulas foram desenhos gráficos relativos a objetos em diferentes perspetivas e com um e dois pontos de fuga. O material utilizado para estas representações gráficas foi a grafite. Após estes exercícios de treino sobre a perspetiva e os pontos de fuga, os alunos elaboraram um desenho à mão levantada da sala de aula com um ponto de fuga, recorrendo, igualmente, à grafite.
A meio da unidade de ensino, mais concretamente na quarta aula, programou-se uma articulação de conteúdos com os exercícios anteriormente realizados pelos alunos. Pretendeu-se mostrar as diferentes leituras que uma obra de arte pode ter quando interpretada por diferentes indivíduos. Houve a intenção por parte da investigadora de sensibilizar os alunos para o património escolar, nomeadamente os modelos em gesso da escola, para que estes os pudessem interpretar e contextualizá-los num diferente ambiente. Para este efeito foram apresentados novos conteúdos em suporte digital (Anexo IX) que incluíam imagens de obras de artistas que se apropriaram de obras de outros e lhes deram uma nova leitura, a sua interpretação, mostrou-se igualmente que para além de se transformar as imagens anteriores também se podia apropriar das mesmas e antes descontextualizá-las. Apresentada esta primeira parte, foi pertinente transmitir noções de enquadramento e composição aos alunos (Anexo X), uma vez que os exercícios que iriam realizar eram o
69 de contextualizar os gessos da escola no seu desenho da perspetiva da sala de aula. Este exercício teve uma sequência lógica e foi realizado em diferentes fases utilizando diversas técnicas, como por exemplo, a colagem, decalque, recorte, etc. A sequência consistia em marcar a posição das imagens dos gessos no desenho, depois a sua colagem, o decalque deste processo numa folha de papel vegetal a caneta preta e a criação de um chão no desenho para reforçar e acentuar a profundidade.
A complexidade deste processo não obteve resultados relevantes para o tema da pesquisa como depois foi confirmado no questionário preenchido pelos alunos. Este questionário foi um dos instrumentos por mim utilizado para posterior tratamento de dados e análise dos resultados.