• Aucun résultat trouvé

Des entretiens semi directifs avec des auditeurs

Dans le document Formation et déontologie de l'auditeur (Page 179-183)

SECTION 2. Discussion des résultats autour d’une démarche qualitative confirmatoire

1. Des entretiens semi directifs avec des auditeurs

Miccoli (1997, 2004) apresenta três categorias de experiências sociais: as interações e relações interpessoais, interações grupais e o atrito nas relações pessoais. Os exemplos de interações interpessoais que observei são geralmente externos à sala de aula. A experiência da interação grupal é citada constantemente pelos alunos como algo positivo para a aprendizagem de uma LE. Já os atritos registrados aqui dizem respeito a um choque das concepções de aprendizagem de aluno e professores.

Interação e relações interpessoais

Uma quantidade razoável de alunos mencionou situações de interação com falantes nativos de inglês. De uma forma geral, o êxito na comunicação gerou elevação da auto- estima e percepção da própria aprendizagem, conforme exemplos a seguir:

[72] “Já tive oportunidade de auxiliar duas moças americanas com informações sobre o lugar onde estávamos; na época estava de férias em Natal – RN. Mesmo não tendo o domínio da língua isto te engrandece e incentiva a persistir, mesmo avançando em um ritmo que não condiz com o que se anseia...” (Celeste – RE)

[73] “Meu cunhado recebeu um gringo em sua casa pelo projeto intercâmbio cultural. Nós não podíamos falar em sua língua materna (inglês) para que o mesmo aprendesse rapidamente o português, mas eu me tornei muito desobediente no cumprimento desta regra e sempre que podia conversava com ele em inglês (...) concluí que essa é uma das melhores formas de aprendermos uma língua estrangeira, pois o aprendizado é mais rápido e eficiente.” (Antônia – RE)

[74] “Era um dia normal de trabalho até que meu chefe me pediu para buscar algumas coisas em outro setor. Chegando lá, estavam todos ao redor de um senhor que estava usando muletas e com seu pé enfaixado. Aquele senhor tinha vindo do Canadá para uma reunião de negócios que começaria mais tarde (...) percebi que todos tinham dificuldade em se comunicar com ele. Aquele senhor ficou me observando e querendo conversar comigo. Acho que ele percebeu (e não sei como) que eu falo inglês. Nesta brincadeira, me empolguei e nós ficamos conversando por umas 2 horas.” (Pedro José – RE)

Em geral, observei que os alunos vêem tais experiências como positivas e, apesar de alguma ansiedade inicial durante o evento, por se sentirem surpreendidos e com a própria proficiência posta à prova, após vivenciar a experiência, costumam vê-la de forma bastante positiva, como oportunidades de aprendizagem e aprimoramento.

Interações grupais

A experiência de interação grupal mais citada diz respeito a atividades de trabalho em grupo ou em pares, especialmente ao responder perguntas relacionadas à preferência de atividades em sala, conforme excertos abaixo:

[75] P: “hum... Das atividades que são feitas em sala de aula, o quê que você mais gosta?”

E: “Eu gosto do... da conversation em gru- em grupo, né...((em tom mais baixo)) ah, é em português, né?((risos)) da conversação em grupo, né [J: hum-hum] com os colegas porque aí você conversa com o colega, sabe a opinião dele. Aí às vezes tem uma palavra que você não sabe em relação a vocabulário, ele já, lhe orienta ali... fala como que é...” (entrevista 02 – Ely)

[76] A: “Acho que o trabalho em grupo. ... Não que seja bom, né, mas a gente..., começa a se interagir com o grupo e conversar melhor. No final da aula você vê: quando a gente faz um trabalho em grupo a aula fica melhor, fica mais solta, assim, aberta pra falar, pra ouvir, entendeu?” (entrevista 09 – Antônia)

As informantes acima mencionam tais atividades como as que mais gostaram e apontam a possibilidade de interação e colaboração mútua na aprendizagem como as principais vantagens desse tipo de experiência. Estes são apenas dois exemplos; porém cerca de 80% dos entrevistados mencionam essa atividade e seus benefícios.

Atrito nas relações interpessoais

Os exemplos de atrito nas relações interpessoais dizem respeito a relatos que os alunos fizeram sobre sua relação professor aluno. Ainda que esses alunos tenham citado nomes durante suas entrevistas, eu não os incluí na transcrição para preservar o anonimato de todos os envolvidos direta e indiretamente na pesquisa. Cito aqui, excertos das entrevistas de Libélula e Pedro José. As dificuldades que apresentam dizem respeito às

ações dos professores e a forma como os alunos acreditam que a aula deveria ocorrer. O que ocorre, portanto, não é um confronto direto, mas um constrangimento no clima da aula, e os alunos sentem dificuldades em expressar seus pontos de vista aos professores envolvidos:

[77] L: “hã- hã..., inte..., cria uma interação do professor com o aluno ((riso)) uma barreira muito grande que eu tenho, atualmente é, a falta de..., de interação com o professor. Acredito que o professor ta um pouco distante dos alunos, isso não é uma reclamação só minha, é de algumas pessoas também. A interação do professor é muito bom, existir isso é muito bom. E, mais dinamismo na aula.” (entrevista 03 – Libélula) [78] PJ: “((em tom mais baixo)) Olha, vou dizer a verdade: na aula, eu não gosto, aliás, muito do professor agora. Eu preferia a que tava antes. Sei lá, eu acho que.. eu deixaria mais dinâmico, ta faltando isso. Dinâmica, tipo assim a- aquela simpatia entre professor e aluno, digamos assim. Aquela desenvoltura, digamos assim que-”

P: “Você fala de que, de..., do ambiente da sala de aula mesmo?”

PJ: ((em tom mais baixo)) “Como é que fala?... Tipo, transformar assim, deixar o ambiente mais descontraído. [P: hum...] Mais animado, porque às vezes, ‘cê fica lá: vem, vamo ler, página tal, vamo ler o livro, ta, vamo fazer o listening que ta no livro. Aí faz o listening, beleza, acabou, vamo lá, unidade tal, vamo fazer um.. Sabe? Assim meio- meio que mecânico.” (entrevista 14 – Pedro José)

Comparando a problemática dos dois alunos, nota-se que Pedro José relaciona as dificuldades em sala à dinâmica da aula, a uma necessidade de quebra da rotina para que a aprendizagem se torne mais interessante. No caso de Libélula, o elemento afetivo parece afetar seus comentários, pois se queixa de distância do professor. Os dois casos têm em comum as conseqüências para a dinâmica da sala de aula. Há um constrangimento que faz com que haja uma tensão no ambiente, e a prática da oralidade, segundo os informantes, se vê prejudicada. É possível sugerir um caráter coletivo para a experiência narrada por Libélula, que destaca que os colegas partilham o mesmo sentimento. Pude observar também um caráter coletivo da queixa de Pedro José ao observar que outro informante da mesma turma apontou a mesma dificuldade com o então professor da turma.

Dans le document Formation et déontologie de l'auditeur (Page 179-183)