A análise das características pessoais, familiares e socioculturais das famílias atingidas pela construção da Barragem do Figueiredo, teve o objetivo de compreender melhor o perfil destas famílias, considerando o contexto em que essas famílias estão inseridas, de tal forma que possíveis alterações nas condições de vida dessa população, motivada por uma obra de infra-estrutura, pudessem ser identificadas e investigadas.
5.1.1. Idade e sexo
Os dados contidos na Tabela 3 mostram que no assentamento da Agrovila São José, a maior freqüência dos entrevistados se encontra na faixa etária de 60 a 74 anos com 36 % do total, estando a seguir a faixa de 30 a 44 anos com 32 % entrevistados. As faixas etárias de 15 a 29 anos e 75 a 89 anos corresponde a 4,5 % cada e a faixa etária de 45 a 59 anos com 23% sendo a terceira maior.
Observou-se ainda, que no assentamento da Lapa a faixa etária de 30 a 44 anos corresponde sozinha, a 45,5 % da população, seguida das faixas etárias de 45 a 59 anos e de 15 a 29 anos com 27,2% e 18,2%, respectivamente. Em quarto lugar esta a faixa etária de 75 a 89 anos com 9,1 dos entrevistados a na faixa etária de 60 a 74 anos não houve entrevistado.
Tabela 3 - Idade dos entrevistados da Agrovila São José e da Lapa.
Idade N.° Agrovila São José % N.° Lapa %
Entre 15 a 29 anos 1 4,5 2 18.2 Entre 30 a 44 anos 7 32,0 5 45,5 Entre 45 a 59 anos 5 23,0 3 27,2 Entre 60 a 74 anos 8 36,0 0 0 Entre 75 a 89 anos 1 4,5 1 9.1 TOTAL 22 100,0 11 100,0
Fonte: Resultado da pesquisa
Fazendo uma comparação entre os dois assentamentos em estudo observa-se que o assentamento da Lapa é formado por uma população mais jovem uma vez que a percentagem
dos entrevistados na faixa etária de 15 a 29 anos, faixa mais jovem, da Lapa corresponde a um pouco mais de 4 vezes a do assentamento da Agrovila São José com 18,2% e 4,5%, respectivamente.
Em relação ao sexo dos entrevistados os assentamentos apresentaram resultados semelhantes. Ambas possuem maioria masculina com 59% para o assentamento da Agrovila São José e 55% para o assentamento da Lapa Figura 8.
Figura 8 – Percentagem dos entrevistados com relação ao sexo, Agrovila São José e Lapa.
Fonte: Resultado da pesquisa.
5.1.2. Tamanho
Durante as últimas décadas tem se notado uma redução no tamanho das famílias brasileiras por diversos fatores. A Tabela 4 mostra esse resultado nas comunidades estudadas. Vejam que as famílias de 3 a 5 pessoas (pai, mãe e até 3 filhos), corresponde sozinhas a 63,6% das famílias, este valor para os dois assentamento revelando similitude entre os assentamentos. As grandes famílias com 9 ou mais pessoas apresentaram menor proporção, na Agrovila São José apenas 4,5% das famílias se enquadram nesse perfil e na Lapa nenhuma das famílias entrevistadas era composta por 9 ou mais membros. Outro aspecto interessante foi que em segundo lugar as famílias formadas apenas pelo casal (homem e mulher) e mais uma vez os dois assentamentos mostraram resultados semelhantes, Agrovila São José com 18,3% e Lapa com 18,2% de suas famílias entrevistas formadas pelo casal.
Tabela 4 - Tamanho das famílias da Agrovila São José e da Lapa.
Tamanho da Família Agrovila Lapa
N.° % N.° % 1 pessoa 1 4,5 1 9,1 2 pessoas 4 18,3 2 18.2 3 a 5 pessoas 14 63,6 7 63,6 6 a 8 pessoas 2 9,1 1 9,1 9 ou mais pessoas 1 4,5 0 0 TOTAL 22 100,0 11 100,0
Fonte: Resultado da pesquisa.
5.1.3. Grau de instrução
A escolaridade de um indivíduo ou de uma família tem uma forte relação com o grau de pobreza, de tal forma que quanto menor o nível de educação maior será o estágio de pobreza. Sendo assim, a educação muitas vezes é o único instrumento de ascensão social que a população humilde dispõe.
De acordo com Hoffmann e Ney (2004), o meio rural apresenta um quadro preocupante em relação à escolaridade da sua população. A presença de pessoas que não concluíram o nível primário encontra-se praticamente estagnada em torno de 45%, enquanto que em outros setores observa-se uma redução constante nesse valor. Em 2002, mais de três quartos dos agricultores não tinham terminado o ginásio. Esse baixo nível de instrução dos agricultores é, sem duvida, a maior dificuldade no enfretamento da pobreza e da redução das desigualdades, impedindo o aumento da produtividade do trabalho, do crescimento dos salários e da renda no campo, contribuindo para persistência dos baixos indicadores socioeconômicos.
O modelo de desenvolvimento do Brasil, especialmente da região Semiárida, ao longo da história foi marcado pelo o seu caráter excludente com uma educação de baixa qualidade e inacessível a grande parte da população, isso pode ser observado no grau de educação da população. O baixo grau de instrução no Semiárido ainda é um grande obstáculo no desenvolvimento socioeconômico da região.
Observa-se uma percentagem extremamente elevada no baixo nível de instrução dos entrevistados, uma vez que cerca de 45% dos entrevistados da Agrovila São José (Figura 9) é considerado analfabeto ou semi-analfabeto, pois apenas assina o nome. Uma informação interessante é que no Assentamento da Lapa nenhum dos entrevistados se declarou analfabeto ou semi-analfabeto, mas mesmo assim apresentou baixa escolaridade com 52% dos
entrevistados não possuindo mais do que o fundamental I completo Figuras 10. É possível verificar ainda que apenas 9% dos entrevistados da Agrovila do São José concluíram o ensino médio.
Figura 9 - Nível de instrução dos entrevistados da Agrovila São José.
Fonte: Resultado da pesquisa.
Mais uma vez o assentamento da Lapa se mostra com o grau de instrução superior a Agrovila São José, com o dobro dos entrevistados com o ensino médio completo, quando comparado com a Agrovila, chegando aos 18%.
Figura 10 - Nível de instrução dos entrevistados da Lapa.
Segundo Barros, Henriques e Mendonça (2002), a melhor estratégia para redução das desigualdades e de inclusão social é uma educação de qualidade para todos. Mais do que isso, a educação, é um elemento indispensável para o desenvolvimento socioeconômico sustentável desejado pela humanidade.
5.2. Condições de vida das famílias rurais atingidas pela construção da Barragem do