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Der urheberrechtliche Schulz

Dans le document Sport und Recht : 3. Tagungsband (Page 84-87)

Immaterialgüterrechtlicher Schutz von Sport- Sport-veranstaltungen im Zusammenhang mit der

2. Das Schutzobjekt

3.4 Der urheberrechtliche Schulz

Dentro do simbolismo religioso, a cruz de cedro e a água dos pocinhos aparecem com importante significado. Diretamente ligados ao Monge João Maria, são descritos lugares, nos quais o Monge teria passado e deixado sua marca, ou seja, plantado uma cruz, geralmente de cedro, cujo tronco, mesmo sem raízes, quando enterrado, normalmente brota. Junto à cruz sempre aparece um veio de água, um pocinho, que, segundo os caboclos, dificilmente seca, a não ser por algum fato extraordinário. Memórias disto são fartas entre os migrantes serranos em Florianópolis. Maria Cecília conta:

Porque o São João Maria quando andava no mundo, posou ali. E a- onde ele posava, formava esse pocinho. Então ele plantava um cruzei­ ro e daí formava um pocinho. Agora como é que sttrgiu o pocinho, sem ter água, ninguém sabe explicar. Ele plantava um cruzeiro, mas se já tinha aquela água, nunca ninguém viu, nunca soube dessa histó­

” 4 Marinete fala que, o rosário de antigamente era "feito de bagumha que a gente prantava e colhia''. LISBOA. Dona M a­

rinete. op. cit., p. 27.

ria. Só sei que onde ele posava, plantava um cruzeiro e as pessoas

j ' 226

iam la.

Também Cezário, fez questão de destacar esta história, logo no início da entrevis-

Onde nóis morava, ele deixou uma cruz plantada. E lá tem um gra- madão, que eles chamam gramado da Cruz das Alma, um chapadão, um alto, lá tem um pezinho de cedro, era um toquinho, mais ou menos

dessa altura, e aquele toquinho fe z um arremate assim, e fe z um poci-

nho ali. Então o seguinte, diz que ele fe z um poso ali. E não é tudo que vai lá que tem água. Tem gente que vai lá e tá seco, e tem gente que vai lá e tá derramando água prá fora. Eu sei, já fui. Cansei de ir lá e tava derramando água. E diz que, aquele era um poso dele.221

Na mesma linha, nos contou Maria Conceição, destacando a importância da água, como verdadeiro remédio:

Sim. Nós tinha uma cruz plantada lá na fazenda do Valkoski, naquela cruz tinha uma vertente de uma água. Aquele água era hem amareli­ nha. Aquela água faziam tipo remédio. E era remédio. Eu não sei se era a fé da gente que tinha, eu não sei. Foi plantada uma cruz de ce­ dro e aquela cruz brotó), e veio uma vertente e naquela vertente tinha água. Todo mundo ia lá, pegava uma garrafmha d ’água e trazia

A água dos pocinhos era guardada em casa, para ser usada nas mais diferentes ocasiões. Maria Cecília lembra que:

todo mundo usava. Quando se armavam aqueles tromenta, joga­

vam em roda da casa. Na roça eles também usavam levá e jogá nas plantas, né. Nem bem fazia os canteiros, eles já molhavam, né, com aquela água que era santa, prá eles era santa. [...] Quem morava mais longe sempre tinha aquela aguinha, uma garrafa d 'água. Aquele tempo só usavam era garrafa de vidro, uma garrafa branca, especial, tudo branca, onde guardavam aquela água. Então aonde nós more- mo, lá na Barra, então a gente ia toda semana, porque era pertinho o

Pocinho de São João Maria.229

226 Alberto N ovaes dos Santos e Maria Cecília dos Santos, p. 04. 227 Cezário França Moreira e Maria dos Prazeres Oliveira, p. 0 1 . 228 M ana Conceição de Oliveira, p. 02.

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Um dos usos mais importantes da água de São João Maria, era no batizado em ca­ sa. Misturava-se um pouco desta água, com outra, apanhada em fonte corrente.

Num batizado, nas águas de São João Maria, ocorreu um fenômeno, descrito por Maria Cecília. Algumas crianças estavam sendo batizadas diretamente em um pocinho de São João Maria. Ocorreu que, uma criança jogou um cachorro no pocinho, e misteriosamente, a água secou. Provavelmente, visto como castigo, pela atitude desrespeitosa.

Estavam até batizando as crianças, era um pocinho com bastante á- gua. Diz que veio uma rapariga - rapariga é uma menina - com um cachorrinho, e jogou dentro do pocinho, e daí naquela onda, a ma­ landra fazendo aquela malvadeza, o pocinho secou. Daí o poço secou, ficou seco de uma vez, né. Dai, eles se apegaram, fizeram muita ora­ ção, fizeram muita caminhada, novena, e daí fizeram outro Cruzeiro. Fizeram muita oração, e daí deu uma chuva, deu um tempo de chuva muito grande, dai encheu o pocinho, né, da chuva, e com aquilo es­ tourou uma veia de a par desse Cruzeiro novo que tinham feito. E dai ficou o pocinho. Secou aquela outra água. Ficou uma cruz de São Jo­ ão Maria.730

Este episódio contém um aspecto significativo, que é a dimensão de mistério, má- gico-milagrosa, sempre presente no que se relaciona ao Monge. Já, em depoimento de Cezário, citado acima, ele fala que nem todas as pessoas que iam ver o pocinho de São João Maria, o encontravam com água. A presença do sinal milagroso, é condicionada à atitude de fé e respei­ to.

Um famoso exemplo disto, é a história ocorrida no município de Mafra, planalto norte do Santa Catarina. Lá havia um cruzeiro de São João Maria, às margens do Rio Negro. Certo dia, a prefeitura resolveu removê-lo, para dar lugar a uma praça. O cruzeiro foi levado para o Cemitério Municipal, sob protestos de alguns moradores. Não se passaram muitos dias, e uma grande enchente atingiu a cidade, chegando a água até a praça, onde estava o cruzeiro. Os habitantes, logo interpretaram esta catástrofe como castigo, e não tiveram dúvidas, foram

ao cemitério, e, em procissão, recolocaram de volta o cruzeiro no antigo local, que permanece • 231

até hoje na praça Lauro Muller, às margens do no.

O jornalista Nilson Thomé, destaca a importância da cruz, como símbolo desta ex­ periência religiosa, da qual faz parte, também, o caráter mágico.

A cruz - desenhada nas portas e janelas, gravada no punho das ar­ mas, erguida nos terreiros ou plantada junto a arroios e fontes de 'á- guas santas’ por João Maria, virtude que Deus deixou - é ao mesmo tempo, o símbolo mais importante da fê riistica e um escudo mágico

contra todos os perigos.232

Podemos notar que a devoção á cruz está diretamente relacionada aos rituais qua- resmais, e como já foi visto, o grande dia de oração e penitência dos caboclos, é a Sexta-Feira Santa, dia da crucificação de Jesus.

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