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Usando como base metodológica a proposta de Guerra (2009), conseguiu-se alcançar um resultado eficiente levando em consideração as condições ambientais de cada setor da área de estudo, produzindo o índice dos fatores de exposição física a inundações, o qual foi subdividido gradualmente de acordo com os níveis estabelecidos por Oliveira (2018) (FIGURA 53).

Figura 53 - Níveis dos fatores de exposição física a inundações

Fonte: Oliveira (2018), adaptado de Guerra (2009).

Como resultado, pode-se produzir o primeiro mapa de exposição da sede municipal de Touros - RN (FIGURA 54). Com este, foi possível representar e evidenciar as áreas mais problemáticas no que diz respeito à exposição física ao perigo de inundação, possibilitando uma análise espacial mais aproximada quando considerada a realidade da área.

Desta forma, foi possível perceber que as áreas mais expostas são os setores 4, 5, 10, 12, 13 e 14, conforme pode ser visto na Figura 62. O mapa mostra índices os quais variam de alto a muito alto. Tais dados foram coerentes com as dificuldades mais recentes ocorridas na cidade.

O setor 4 (FIGURA 55) encontra-se densamente habitado e suas características ambientais favorecem a ocorrência de inundações. O seu índice populacional contribui para o entendimento de que este teria impacto maior levando em consideração a possibilidade de atingir um maior número de pessoas. Ambientalmente, possui uma carência significativa de um sistema de drenagem adequado. No entanto, os corpos hídricos, de maneira geral, não são tão assoreados e as ruas são mais limpas, apesar de não possuírem muita cobertura vegetal e nem dispor de calçamento, pavimentação ou sistema de esgotamento sanitário.

Figura 55 - Setor 4

Fonte: Foto de Erick Jordan (2019).

O setor 5 (FIGURA 56) foi a área mais problemática identificada. Esta corresponde ao bairro Frei Damião, o qual constantemente sofre com o aumento repentino de suas lagoas sazonais, principalmente pela ocupação desordenada desses ambientes. Nos últimos anos, no entanto, esses problemas sofrem agravantes relacionados a poluição das lagoas, usadas comumente como depósito de lixo, além da falta de um sistema de drenagem e a impermeabilização do solo em vários lugares desse setor.

O setor 12 (FIGURA 57 A) consiste no assentamento São Sebastião, uma área de ocupação em um ambiente com lagoas sazonais. Esta área é a populosa. No entanto, a

problemática é iminente. A falta do sistema de drenagem a qual atenda essas particularidades faz com que a população sofra com inundações em períodos de chuva. A falta de cobertura vegetal, a impermeabilização das margens da lagoa e o lixo são os piores de todos os agravantes. O aterramento dessas lagoas (FIGURA 57 B) demonstra que o ocorrido no Setor 5 está se repetindo e, desta forma, posteriormente tende a causar danos proporcionais.

Figura 56 - Setor 5

Fonte: Foto de Erick Jordan (2019).

Figuras 57 A e B – Setor 12 (A); aterramento da lagoa (B)

O setor 10 (FIGURA 58), ainda que dispondo de uma alta exposição física a perigos, se destaca dentre os outros por estar localizado muito próximo ao centro da cidade. Possui sistema de esgotamento sanitário e uma rede de drenagem mais apropriada para a situação da área. Essa área está totalmente calçada ou pavimentada, dispõe de bueiros espalhados os quais funcionam quando são necessários para o escoamento das águas pluviais, ajudando a evitar acumulações no rio, o que poderia causar danos graves.

Figura 58 - Setor 10

Fonte: Foto de Erick Jordan (2019).

Os setores 13 (FIGURA 59 A) e 14 (FIGURA 59 B) possuem características muitos parecidas. São próximos e se localizam no centro da cidade. Estão atravessados pelo rio Maceió e por suas condições físicas e ambientais expostos a inundações. A impermeabilização das margens e o lançamento dos detritos nos rios são os maiores problemas dessas áreas, ambas densamente habitadas e cujo sistema de esgotamento sanitário, em sua maioria, tem o próprio rio como destino de seus dejetos.

Em contraponto, alguns setores não registraram nenhum nível de risco a inundação. Isto porque a ausência de qualquer corpo hídrico sazonal ou permanente impediu a aplicação integral da ficha de inundações. Foram eles: 2, 6, 7, 8, 9 e 15. Desta forma, registros fotográficos os quais evidenciam algumas das características dessas áreas podem ser vistos na figura 60.

Figuras 59 A e B - Setor 13 (A); Setor 14 (B)

Fonte: Foto de Erick Jordan (2019). Figura 60 - Características das áreas

Fonte: Foto de Erick Jordan (2019).

Nesse sentido, os setores 1 (FIGURA 61 A) e 3 (FIGURA 61 B) estão classificados como nível médio de exposição. Essas áreas possuem campos de dunas móveis e fixas. Seus solos dispõem de cobertura vegetal e não possuem áreas calçadas. As lagoas que os compõem são mais limpas e o aumento de nível não é tão frequente quanto as de alto risco. As casas são mais espaçadas e não impermeabilizam integralmente as margens como em outros setores, fazendo com que a água escoe com mais rapidez mediante evento de inundação. Diferente dos setores de

alta exposição, estes não exigem ações emergenciais. No entanto, a falta de um sistema de drenagem o qual procure resolver esse problema acaba por dificultar a vida da população exposta a esse problema que, futuramente, pode vir a causar danos maiores.

Figuras 61 A e B - Setor 1 (A); Setor 3 (B)

Fonte: Foto de Erick Jordan (2019).

O setor 11 (FIGURA 62) apresentou resultados os quais o classificaram como nível médio em exposição. Isto porque, apesar de dispor de lagoas permanentes em seus limites, não tem suas áreas adjacentes ocupadas. Sua vegetação é espessa e densa. No entanto, ainda assim, existe uma exposição permanente, levando em conta que o transbordamento da lagoa é possível, ainda que incomum para aquela área.

Figura 62 - Setor 11

O resultado do cálculo de todos os setores da sede foi padronizado entre 0 e 1, permitindo assim quantificar o índice de Exposição (INEX) (TABELA 5) considerando os valores referentes ao número de residências em cada setor, permitindo projetar a quantidade de habitantes os quais podem ser atingidos por uma inundação.

Tabela 5 - Índice de exposição física a inundações Setor Fexp Quantidade de residências InEx

Setor 5 4,3 185 0,638 Setor 14 3,9 118 0,369 Setor 12 3,8 71 0,216 Setor 13 3,5 243 0,682 Setor 4 3,4 366 0,997 Setor 10 3,3 385 1 Setor 11 2,8 235 0,527 Setor 3 2,6 486 1 Setor 1 2,3 231 0,426

Fonte: Elaborado pelo autor (2019).

Os resultados oscilaram, ou seja, os setores com maior nível de fatores de exposição não foram proporcionais ao índice de exposição. Isto pode ser visto na figura 63. O resultado se dá justamente pela diferença entre a população de cada setor. Esta não pode ser considerada primordialmente para a setorização, pois as condições ambientais são adversas. Isso faria com que o resultado ficasse comprometido.

O InEx permitiu perceber que o resultado obtido não depende somente das condições ambientais propícias a um desastre, mas principalmente de quantas residências ou pessoas podem ser atingidas caso esse fenômeno se materializasse. Isso nos revela que, sistematicamente, esse resultado, apesar de coerente, exige uma análise específica a qual supera a noção da quantidade. Destarte, permeia o questionamento de como estas pessoas podem estar vulneráveis socialmente.