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や更衣 こうい が 賑 々 にぎにぎ しくお 仕 つか えしておりました 帝 みかど の 後 宮 こうきゅう に、それほど高貴 こうき な 家 柄 いえがら の 御 出 身 ごしゅっしん ではな いのに、帝に誰よりも愛されて、はなばなしく、 優 遇 ゆうぐう されていらっしゃる更衣 こうい がありました。

Nyõgo ya kõi ga niginigishiku otsukae shiteorimashita mikado no kõkyū ni, sorehodo kõki na iegara no goshusshin dewanai noni, mikado ni dare yori mo aisarete, hanabanashiku, yūgū sareteirassharu kõi ga arimashita.

Embora se verifique que tal informação não foi ignorada, percebe-se que a ênfase ocorre na versão tradicional de Setouchi Jakuchõ, pois teríamos, com tradução livre: “SJ-2” – [Nas alas do palácio imperial, as damas consortes nyõgo e kõi serviam vividamente, entretanto, havia uma dama que, apesar de não ser da alta nobreza, era mais amada que todas as outras e, de forma glamourosa, era favorecida em seu tratamento por parte do imperador].

Todavia, na edição ilustrada, embora a autora faça menção à ‘competição’ entre as damas da corte, não há destaque para o fato de a

dama de sua preferência não pertencer às origens nobres, como citado em outros textos. Sendo assim, conferimos: “SJ-1” – [Na corte imperial havia muitas damas consortes, que disputavam entre si pelo amor do imperador. Dentre elas havia uma feliz dama que, mais que todas as outras, desfrutava do amor do imperador].

Neste excerto observa-se, entretanto, que o fato de haver a expressão 幸 せ (shiawase), cujo significado pode ser traduzido por [felicidade], mas que por vir acompanhado da partícula な (na) passa a ter valor adjetivo, estando, deste modo, relacionado à dama preferida do Imperador em 幸せな更衣 (shiawase na kõi) como [dama feliz], há, de certa forma, uma dissonância com relação aos outros textos, e que somente será desfeita quando da continuidade da leitura, em que se faz menção ao sofrimento que esta esposa padece justamente por ser a preferida do Imperador.

Por fim, as versões em línguas: espanhola - “XRF” – La Novela de Genji, de Xavier Roca-Ferrer (2010); e portuguesa europeia - “LM” – O Romance de Genji, de Lígia Malheiro (2008), podem ser analisadas de forma aproximativa e complementar, uma vez que as mesmas são muito próximas. Retomando os textos:

XRF: En la corte de cierto emperador, cuyo nombre y año en que

subió al trono omitiré, vivía una dama que, aun sin pertenecer a los rangos superiores de la nobleza, había cautivado a su señor hasta el extremo de convertirse en su favorita indiscutida.

LM: Na corte de um certo Imperador, cujo nome e ano em que

ascendeu ao trono omitirei, vivia uma dama que, sem pertencer às classes superiores da nobreza, cativou o seu senhor, ao ponto de se converter na sua indiscutível favorita.

Em análise, observa-se que ambas as versões, acima referidas, conservam a enigmática característica com relação ao reinado – ou corte – do Imperador em questão, com: “XRF” – En la corte de cierto emperador, cuyo nombre y año en que subió al trono omitiré; e “LM” – Na corte de um certo Imperador, cujo nome e ano em que ascendeu ao trono omitirei. De forma similar, tanto uma quanto outra fazem menção à posição social desfavorável da dama pela qual o Imperador cultivava maior apreço, nos trechos: “XRF” – vivía una dama que, aun sin

pertenecer a los rangos superiores de la nobleza, había cautivado a su señor hasta el extremo de convertirse en su favorita indiscutida; e “LM” – vivia uma dama que, sem pertencer às classes superiores da nobreza, cativou o seu senhor, ao ponto de se converter na sua indiscutível favorita; sem, no entanto, expor maiores detalhes ou explicitar que se tratava de uma dama de companhia. Do mesmo modo, observa-se que a forma de tratamento apresenta-se equivalente para ambos os idiomas, tanto para o personagem masculino: “su señor” para o primeiro caso e “seu senhor” para o segundo; quanto para o feminino, em que encontramos: “una dama”, para “XRF”; e “uma dama” para “LM”.

Conclui-se que, não fossem as explicações dos respectivos autores de que foram utilizadas mais de uma edição publicada em línguas ocidentais como fonte de pesquisa para procederem com suas traduções, poderiamos supor tratar-se de uma tradução indireta a partir de uma outra tradução igualmente elaborada de forma indireta, haja vista tamanha padronização textual entre ambas.

Ressalta-se, novamente, que os textos apresentados como corpora e analisados neste capítulo não devem ser considerados como comparações lineares, pois não foram traduzidos a partir de um mesmo original, i.e., uma mesma cópia a partir do texto de base, e também por esta razão foram encontradas notáveis diferenças entre os mesmos, principalmente no que diz respeito às três traduções em língua inglesa, e igualmente entre as traduções para a língua japonesa, embora estas últimas tenham sido realizadas pelas mãos da mesma autora, o que demonstra a variedade de opções que surgem não somente pelas diferenças entre os idiomas envolvidos, mas igualmente em virtude do estilo escolhido, da cultura inserida, e até mesmo do público a que se destinam.