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L’intertextualité au service de l’interculturalité

3. Analyse intertextuelle et classification

5.2.2.3. Deanerys Targaryen

Para esse primeiro chat, havíamos planejado o que fazer conjuntamente. Em nossa aula presencial de LI, havíamos combinado como faríamos. O nosso encontro seria mediado pelo aplicativo de chat do MSN Messenger. Assim, os alunos redigiram seus endereços de e-mails, utilizados por mim para criar um grupo no MSN Messenger.

A turma já possuía um e-mail em conjunto. Então, uma das instruções era que, antes de acessarem o aplicativo de chat, o e-mail da turma deveria ser obrigatoriamente lido, pois

aquele também seria um meio de nos comunicarmos e de eles se instruírem para a realização dos chats. Os alunos sugeriram que dialogássemos sobre o tema que estávamos estudando –

Violence against women and girls46. Solicitei aos alunos que relessem o texto apresentado no livro didático, que tratava exatamente do tema, a fim de que pudéssemos embasar a discussão. Compareceram para o nosso encontro quatro alunos. Como primeiro chat, alguns problemas surgiram, especialmente relacionados ao como lidar com alguns mecanismos que envolviam a tecnologia. Embora estes usassem diariamente as tecnologias digitais, alguns não se encontravam inteiramente preparados para lidar com as mesmas em determinadas situações; o que não considero como algo posto, pois sabemos que o conhecimento integral sobre qualquer que seja o assunto é algo impossível de se deter. Alguns tiveram problemas aparentemente simples como, por exemplo, se adicionar ao grupo.

Assim, o primeiro encontro on-line com a turma ELT transcorreu com uma participação tímida dos alunos, em termos numéricos. Pouco antes do horário combinado, acessei o MSN

Messenger e logo fui enviando o convite aos alunos para participarem do grupo. Estava meio apreensiva, pois não tinha ideia de como seria.

Sei que, como pesquisadora narrativa, essa preocupação de querer prever como as coisas devem acontecer não procede. Deveria viver literalmente a experiência, sem quaisquer antecipações. Entretanto, não posso negar que era assim que me sentia, querendo prever os acontecimentos, a experiência em si, antecipar resultados.

Pouco antes da hora agendada para o início do chat (15h), acessei o MSN Messenger e aguardei. Até que uma participante apareceu para o bate-papo, conforme as figuras 7 e 8 que se seguem.

46 Violência contra as mulheres

Figura 7 – Recorte de chat 1 via MSN Messenger

Fonte: Chat ocorrido em 11 nov. 2012

Figura 8 – Recorte de chat 2 via MSN Messenger

Meu objetivo em antecipar meu acesso ao MSN Messenger era tudo fazer para que não tivéssemos transtornos. Conforme apontam Berge (1995) e Masetto (2000) sobre o papel do professor facilitador, era necessário que assumisse a função gerencial, ou seja, as interações somente poderiam ter sucesso com a assunção de papéis e ações essenciais ao planejamento e à organização do evento on-line. Assim, em ambos os diálogos apresentados, manifesto a preocupação em que os participantes tenham lido as instruções passadas via e-

mail (Figuras 7 e 8).

Em seguida, apresento um recorte de uma nota de campo, contextualizando a experiência.

A nossa experiência de chat de hoje, apesar de alguns contratempos relativos à impossibilidade de acesso de alguns alunos, não deixou de ser interessante. Participaram do bate-papo quatro alunos, três deles tiveram uma participação mais efetiva, pois entraram na hora agendada e puderam, então, participar das discussões desde o seu princípio. Alguns alunos tiveram problemas para se conectar ao MSN Messenger e durante o chat havia sempre uma referência a esses alunos, pois eles estavam conectados com os colegas em outros ambientes on-line e buscavam se integrar ao grupo, porém, sem sucesso.

(Notas de campo da pesquisadora – 11 nov.2012)

Pensando sobre o tema a ser objeto de discussão em nosso encontro, para a primeira interação, os participantes já o haviam escolhido. Eles sugeriram o tema que estava sendo estudado na unidade do livro didático, conforme referência anterior.

Por meio de alguns recortes dos chats47 (figura 9), pode-se analisar e perceber as opiniões dos participantes48 sobre o tema abordado.

47 Os recortes foram transcritos dos chats realizados no MSN Messenger da forma como ocorreram, mantendo-se

também os horários em que ocorreram os chats.

48 Os nomes dos participantes utilizados são fictícios a fim de se preservar a sua identidade. Apenas não houve

Figura 9 – Recorte de chat 3 via MSN Messenger

Fonte: Chat ocorrido em 11 nov. 2012

Para iniciar a discussão, foi necessário o questionamento da professora-pesquisadora, inclusive lembrando os participantes sobre o tema decidido em sala de aula. Percebe-se a interação entre os participantes quando utilizam expressões como Yes, Carla / I agree / Yes,

it’s terrible para concordar com a opinião da participante Carla, emitindo também uma opinião.

Para prosseguir o diálogo, um novo questionamento é realizado e a participante Anna responde com o seu exemplo, mostrando-se envolvida com a conversa ao apresentar seu exemplo e emitir sua opinião a respeito da situação posta. Mais uma vez, percebe-se interação quando Carla e eu, a professora-pesquisadora, concordamos com o que Anna diz.

É importante mencionar que, durante a realização dos chats, não há a preocupação com a forma ou a estrutura da língua, pelo menos em tese. Marcuschi (2008, p. 202) aponta para “certa informalidade” na escrita que se deve a questões relativas à agilidade da escrita e ao tempo. Então, essa foi a instrução por eles recebida. Embora isso fosse bem reforçado, me parecia que, de certa forma, os participantes não deixavam de ter em mente o dever para com escrita, se sentindo quase que obrigados a corrigi-la quando percebiam algum ato falho. Na verdade, interessava-nos perceber também se e em que medida a interação entre os participantes poderia impactar e influenciar a aprendizagem, não apenas a LI, mas também

como lidar com a ferramenta chat e as possibilidades de aprender por meio das tecnologias digitais. As figuras 10 e 11 indicam partes das discussões.

Figura 10 – Recorte de chat 4 via MSN Messenger

Fonte: Chat ocorrido em 11 nov. 2012

Figura 11 – Recorte de chat 5 via MSN Messenger

Fonte: Chat ocorrido em 11 nov. 2012

Como os participantes se sentem? E minha postura, seria adequada? Devo deixar o diálogo fluir ou seria melhor mediá-lo? Interessantes as opiniões dos alunos- participantes...

Durante as discussões sobre o tema (figuras 10 e 11), algumas indagações e pensamentos apareciam: como os participantes estão se sentindo em relação à interação? E a

minha postura? Estou agindo adequadamente? Devo deixar o diálogo fluir ou mediá-lo? Gosto do envolvimento e dos comentários dos alunos-participantes... Eles me parecem críticos em seus posicionamentos.

No decorrer das atividades, procurava analisar a minha postura. Então, como analisar o meu papel durante a realização dos chats uma vez que eu era a professora dos alunos- participantes desta pesquisa? Percebia que minha relação com os alunos ainda estava muito pautada na relação que tínhamos em sala de aula.

Na verdade, sentia que era praticamente impossível dissociar uma relação da outra. Talvez pelo fato de estar vivenciando uma experiência, de certo modo, nova para mim, e por ter muito presente o contexto presencial em minha postura docente. Outra questão era que, embora me colocasse como possuidora de uma perspectiva sociointeracionista, analisando os

chats, percebia o meu direcionamento das discussões, em muitas situações. Por outro lado, refletindo sobre isso, percebi que essa postura se devia à minha preocupação em não deixar as discussões se perderem. O que também corrobora a perspectiva de Berge (1995) referente aos papéis desempenhados pelo professor facilitador no ambiente on-line, que assume funções nas áreas: pedagógica, social, gerencial e técnica, embora nem todas estejam efetivamente presentes nos momentos de interação analisados.

Além disso, percebia que, se eu não tomasse a iniciativa de postar alguma indagação, o diálogo, às vezes, não fluía. Fonseca (2010, p.88) aponta que um “tempo longo de espera reduz o ritmo da conversação, o que a torna menos interativa”. Nessa perspectiva, outro receio que se evidenciava era de o silêncio vir a tornar os participantes enfadonhos a ponto de desistirem das conversas. Assim, me via na função de não deixar que isso ocorresse.

Outra questão que parece clara é que a preocupação em não deixar o diálogo se extinguir podia fazer com que se mantivesse a interação entre os participantes e, havendo interação, o diálogo, por sua vez, fluía e oportunidades de construção de conhecimento poderiam ser proporcionadas. Para exemplificar essas reflexões, apresento um trecho de nosso

Figura 12 – Recorte de chat 6 via MSN Messenger

Fonte: Chat ocorrido em 11 nov. 2012

Assim, pelo conteúdo do chat, é possível perceber que a postura de professor mediador se faz presente. Todas as perguntas por mim utilizadas visavam à discussão propriamente dita e também à manutenção do diálogo, para que os alunos pudessem utilizar mais a LI. Entretanto, não posso deixar de mencionar que, às vezes durante os chats, procurava me policiar para que não interferisse tanto nos diálogos, dando a oportunidade aos outros participantes de interagirem.