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Annexe 4 Temps de redémarrage de Windows et de Linux avec

1.5.2.3 DBench

a) Dona Severina – a pioneira – e seus familiares (fotos 01, 02 e 03, anexo 02) A primeira ocupação feita no loteamento Parque Industrial I (mapa 06, anexo 01) com edificação de residência ocorreu em 1976, quando dona Severina Claudino da Silva saiu de João Câmara – município do RN -, onde morava em uma casa de taipa com 04 (quatro) de seus 08 (oito) filhos e veio para Parnamirim em busca de um emprego e de uma casa para morar, pois estava desempregada e separada do marido.

Segundo dona Severina, uma de suas filhas, Edilza Claudino da Silva Rodrigues, já morava em Parnamirim, no bairro de Liberdade, na casa da sogra, sua primeira morada ao chegar ao município.

Dona Severina conseguiu um emprego em uma fábrica de adubos localizada na rua Rio Pitimbú, esquina com a rua Rio Jaguaribe, no loteamento Parque Industrial I; porém, o baixo salário não lhe permitia alugar uma casa em um bairro residencial da cidade, já que a distância do trabalho acarretaria uma necessidade de pagar transporte e complicaria ainda mais a manutenção da família.

A família encontrou nas ruas largas e desabitadas do loteamento Parque Industrial I, o lugar ideal para construir um pequeno barraco de madeira e papelão; ocupando com a edificação um cantinho na lateral da fábrica onde trabalhava dona Severina, solucionando assim os problemas de moradia e transporte (figura 01, anexo 03).

Aos poucos o pequeno barraco foi se transformando, com o acréscimo de outro vão e a família foi ocupando o espaço da rua com plantações de árvores frutíferas, formando um pequeno sítio que já ocupava dois terços da largura da rua e tinha 42 metros de comprimento (figura 02, anexo 03).

Dois anos depois do estabelecimento da família no local, segundo conta a filha, Maria José Claudino da Silva, dona Severina construiu na parte da frente do sítio, voltado para a rua Rio Pitimbú, onde também se localizava o portão principal da fábrica de adubos, um espaço destinado a um comércio para vender bebida e alimentos aos moradores das proximidades e aos funcionários da fábrica, e assim aumentar a renda da família. Para isto demoliu o barraco onde moravam e utilizando o material deste e mais alguns recolhidos pelas proximidades, construiu um novo espaço para morar e na parte da frente o comércio, voltado para a rua Rio Pitimbú (figura 03, anexo 03).

Em seguida foi construído um novo barraco para servir de oficina para que o Sr. Manoel – seu novo companheiro - pudesse trabalhar de mecânico em seu próprio espaço e assim não gastar com aluguel e transporte (figura 04, anexo 03).

Três anos mais tarde a filha Edilza, que morava na casa da sogra, separou-se do marido e veio para junto da família, construindo também um pequeno barraco ao lado do sítio de dona Severina, próximo ao local onde foi demolido o antigo barraco da mãe. E foi aos poucos, a exemplo da mãe, ampliando o seu espaço e construindo seu próprio sítio, com 19 metros de comprimento (figura 05, anexo 03).

Mais dois anos se passaram e o filho Edílson Claudino da Silva, que já morava na casa de uma tia em Parnamirim, casou com Regineide Maria da Fonseca e juntou-se à mãe, pois não tinha condições de pagar aluguel de uma casa para morar com a nova família. Nesta ocasião foi cedido pelo Sr. Manoel o espaço de sua oficina para que este pudesse ser transformado em uma nova residência para abrigar a família de Edílson (figura 06, anexo 01).

Passado algum tempo desta ocasião, Edilza, necessitando de mais espaço, segundo ela própria, pois se tornou a proprietária do comércio, trocou de casa com

dona Severina, passando a morar na parte da frente do terreno e transformando o local em um sítio próprio e separado do sítio da mãe. Logo depois, transferiu o comércio para junto da BR 101, em local também de posse, pois a fábrica de adubo já não funcionava mais e havia a necessidade de buscar nova freguesia. Edilza utilizou o espaço antes destinado ao comércio para ampliar sua residência (figura 07, anexo 03).

José de Arimatéia Claudino da Silva, um dos quatro filhos que moravam junto à mãe no primeiro barraco construído por ela, casou-se com Iolanda Francisca de Lima, e o então barraco de dona Severina foi ampliado para receber a nova família (figura 08, anexo 03).

Maria José Claudino da Silva, outra dos quatro filhos que vieram morar com a mãe desde criança, casou-se, e desta vez o barraco de dona Severina foi dividido para que sua filha tivesse seu próprio espaço. Um dos vãos do grande barraco - que já possuía 06 cômodos - foi transformado em uma nova residência para a família da filha, ficando assim o sítio de dona Severina ocupado por cinco núcleos familiares (figura 09, anexo 03).

Maria José foi ampliando aos poucos sua moradia e chegou a possuir 09 cômodos, depois dividindo o sítio da mãe em duas partes com uma cerca de arame (figura 10, anexo 03).

Por último, o filho solteiro José Osmar Claudino, com a ajuda do Sr. Manoel, construiu um barraco de apenas um vão, vizinho à casa de Edilza, porém sem ocupar parte do sítio da irmã e sim mais um espaço da rua Rio Jaguaribe (figura 11, anexo 03).

E permaneceram assim, morando juntos e/ou próximos, até as casas serem demolidas no final do ano de 2001 (figura 12, anexo 03).

A ocupação da rua rio Jaguaribe pela família de dona Severina abriu caminho para que outras 10 ruas fossem ocupadas por mais famílias ao longo dos anos. Algumas destas ocupações fecharam totalmente a abertura da rua, impedindo a continuidade da malha urbana.

b) Sr. José Pereira e Maria do Carmo e Sr. Severino (foto 04, anexo 02)

Em 1979 iniciou-se a construção da fábrica de tecidos, Texita (mapa 06, anexo 01), o que trouxe o Sr. João Moisés para o Parque Industrial. Construiu em

uma rua por trás da fábrica, uma casa de taipa para morar e vender alimentos e bebidas aos trabalhadores da construção da fábrica (figura 13, anexo 03).

Em 1989, o Sr. José Pereira ficou desempregado na cidade onde morava, Cerro Corá, interior do Rio Grande do Norte, e veio com sua mulher para casa de uma tia que morava no Parque Industrial. Conseguiu emprego em construções e comprou a casa de taipa construída pelo Sr. João Moisés, para morar com a família.

Em 1992 resolveu fazer um cômodo ao lado de sua casa para hospedar a sogra quando esta vinha visitá-los (figura 14, anexo 03). Dois anos mais tarde foi trabalhar em uma construção de um condomínio residencial no Parque Industrial onde conheceu o Sr. Severino de Lima. Este havia chegado de Santo Antônio do Salto da Onça-RN, também para trabalhar na construção do condomínio.

Severino morava em casa alugada em sua cidade e não tinha onde morar em Parnamirim; assim o Sr. José Pereira lhe deixou morar no cômodo que havia feito para a sogra, onde permaneceu até novembro de 2001 (figura15, anexo 03), quando mudou-se para o Residencial Parque do Cabugí.

c) Sr. José Miguel (foto 05, anexo 02)

Por volta de 1986 o Sr. José Miguel Fernandes Neto comprou de um posseiro chamado Chico, um terreno com um pequeno barraco, que ocupava parte da rua Rio Açu.

Antes da compra do terreno o Sr. Miguel morava com a família em uma casa alugada no próprio bairro Parque Industrial e trabalhava como carroceiro fazendo “bicos” pela vizinhança. Conseguiu assim fazer algumas economias, e para livrar-se do aluguel, investiu na compra do terreno de posse citado.

Demoliu o barraco e construiu uma casa de taipa que aos poucos foi ampliada para uma residência com 04 cômodos (figuras 16 e 17, anexo 03).

d) Sr. Alexandre e sua mulher (foto 06, anexo 02)

A quarta ocupação ocorreu na rua Rio Beberibe, a uma distância de 60 metros dos sítios da família de dona Severina.

O casal Alexandre e Luzineide do Nascimento Fernandes, segundo Luzineide, morava na casa dos pais de Alexandre no bairro de Emaús. Lá conheceram João de

Emaús, um posseiro assim chamado, que havia construído uma casa em alvenaria com 03 cômodos, e em 1992 vendeu-lhes (figura 18, anexo 03).

Posteriormente ampliaram a casa, construindo um novo quarto para o filho e uma varanda (figuras 19 e 20, anexo 03).

e) Sr. José Olinto e sua mulher (foto 07, anexo 02)

A quinta ocupação a princípio não se deu em uma rua; mas em propriedade privada. Maria Aparecida Bernardo Faustino e seu marido José Olinto moravam na casa da sogra no Parque Industrial e um amigo convidou-os para morar em um sítio nas proximidades. O sítio mais tarde foi transformado em vários lotes pelo legal proprietário e foi aberta uma rua dentro do terreno para dar acesso aos novos lotes. Por este motivo foram obrigados pelo proprietário a deixar a casa que ocupavam.

Por aconselhamento de um amigo, que os convenceu que a Prefeitura não os tiraria do local, já que havia outras famílias na mesma situação pelo bairro e eles até podiam receber uma casa do Poder Público Municipal, resolveram construir naquela rua Projetada, por volta de 1993 uma casa de taipa, onde mais tarde fizeram um cercado ocupando grande parte da rua (figuras 21 e 22, anexo 03).

f) Dona Maria da Costa e Dona Maria Dalva (fotos 08 e 09, anexo 02)

Naquele mesmo ano, 1993, dona Maria Costa de Araújo, como ela mesma relata, havia se mudado de Natal para morar em São Paulo, e, ficando viúva, voltou para o Nordeste. Residiu primeiramente na casa da irmã que morava no loteamento Parque Industrial I e posteriormente resolveu comprar de um posseiro um terreno grande com um pequeno barraco construído que ocupava parte da rua Rio Jundiaí, esquina com a av. Amélia Machado.

Mandou derrubar o barraco e construiu ali uma casa de alvenaria com 08 cômodos e cercou o terreno também com um muro em alvenaria (figura 23, anexo 03).

Cinco anos mais tarde dona Maria Costa vendeu metade do seu terreno para dona Maria Dalva Fonseca dos Santos, que construiu uma casa em alvenaria com 05 cômodos e um comércio (figuras 24 e 25, anexo 03).

Dona Dalva morava em um apartamento alugado no Serrambí I e tinha uma filha que residia no Parque Industrial, por isso resolveu mudar-se para o local.

g) Dona Francisca Cipriano sua família e dona Maria do Amparo (foto 10, anexo 02) Em 1994, por causa das inúmeras ocupações já existentes e da idéia bastante difundida entre esses “posseiros” de que para que suas casas fossem retiradas a Prefeitura teria que lhes doar uma outra casa em alvenaria, dona Francisca Cipriano Rodrigues e seu marido, Manuel Nunes, saíram de Ceará Mirim e vieram fixar residência no loteamento Parque Industrial I, ocupando a outra extremidade da rua Rio Jaguaribe, onde morava a família de dona Severina já há 18 anos.

Segundo dona Nega, como dona Francisca é chamada, construíram ali uma casinha de taipa com apenas dois vãos, ocupando um pequeno espaço no cantinho da rua (figura 26, anexo 03).

Um ano mais tarde a filha de dona Francisca Cipriano, que morava na casa da sogra com o marido em outro bairro de Parnamirim, veio juntar-se à mãe.

O Sr. Manuel Nunes construiu então uma pequena casa de taipa de um único vão, conjugada à sua, para a filha, Navegante, e seu genro, João Maria do Nascimento (figura 27, anexo 03).

Naquele mesmo ano Maria do Amparo Gonçalves da Silva e seu marido Flávio, que moravam na casa dos pais de Flávio em Emaús, ao saber das posses no loteamento Parque Industrial I, resolveram construir uma casa ocupando o espaço que restava na rua Rio Jaguaribe. Casa esta, vizinha a de dona Francisca Cipriano e a da sua filha.

Construíram ali uma casa de taipa com 03 cômodos e cercaram um pequeno terreno que servia de quintal para múltiplos usos da família (figuras 28 e 29, anexo 03).

Simultaneamente a estas ocupações, na rua Rio Açu, esquina com a rua Rio Trairí, no mesmo quarteirão onde o Sr. José Miguel Fernandes Neto morava há 08 anos, uma nova família construía suas casas.

Francisca Hermínio Nascimento, como relata a mesma, morava com seu marido, João Maria, em uma casa alugada ali mesmo no loteamento Parque Industrial I e comprou o terreno da rua Rio Açu a um posseiro, construindo no local uma casa em alvenaria com 03 cômodos (figura 30, anexo 03).

Alguns anos depois o irmão de João Maria, Jorge, que morava com a sua mulher, Edjane Vicente da Silva, na casa de uma outra irmã sua, construiu uma casa com 4 cômodos em alvenaria, conjugada à casa de João Maria, e mudou-se com a família para lá (figura 31, anexo 03).

Em 1999 a sobrinha de Edjane Teixeira – também chamada Edjane -, que morava em um bairro de Parnamirim na casa dos pais, casou-se e, necessitando de um lugar para morar, resolveu unir-se à tia e construir, junto com o marido, um barraco de taipa de apenas um vão nos fundos da casa da tia (figuras 32 e 33, anexo 03).

i) Francisca Lucimar e familiares (foto 12, anexo 02)

Mais outras duas ruas estavam sendo ocupadas naqueles mesmos anos. Na rua Rio Eufrates mais duas famílias chegavam para construir suas casas. Em 1996, Francisca Lucimar Julião mudou-se de Emaús, onde morava em casa alugada, e construiu uma casa em alvenaria com 03 cômodos para morar com o marido, José Pereira e os filhos (figura 34, anexo 03).

Três anos depois, o casal Francisca e José Pereira, construiu uma casinha com 02 cômodos, conjugada à deles, para a filha Adailma Julião da Silva e o seu marido Manoel Messias, morarem (figuras 35 e 36, anexo 03).

j) Francisca Lúcia e seu marido (foto 13, anexo 02)

Em 1999, na rua Rio Beberibe, esquina com a av. Amélia Machado, Francisca Lúcia Fernandes e o marido construíram sua casa em alvenaria com 05 cômodos e uma pequena área murada na frente que servia de quintal (figuras 37 e 38, anexo 03).

Como visto nos relatos a concentração das ocupações ocorreram em parte do loteamento Parque Industrial I (mapa 06, anexo 01). Todas estas ocupações aqui relatadas foram demolidas pela Prefeitura de Parnamirim simultaneamente ao deslocamento de seus moradores e seus pertences para o conjunto Residencial Parque do Cabugí (mapa 07, anexo 01).

2.1.2. O artefato – as casas autoconstruídas

Nas entrevistas realizadas com os moradores a fim de averiguar detalhes das plantas levantadas e construir o relato da ocupação – procedimento que será explicado no capítulo 3 –, foram também obtidos dados a respeito da faixa de renda, escolaridade, faixa etária e quantidade de habitantes por unidade. Será feita a descrição do perfil encontrado dos moradores das casas autoconstruídas bem como a caracterização das casas habitadas por eles.

Quanto ao tipo de material utilizado para construção, as casas autoconstruídas podem ser classificadas em 4 grupos: tipo 1. construídas em papelão, pedaços de madeira e/ou zinco; tipo 2. construídas em taipa; tipo 3. construídas em tijolo sem reboco e tipo 4. construídas em tijolo com reboco e pintura. Das 21 casas autoconstruídas, 57% eram do tipo 2 (taipa). Os outros 43% das moradias estão distribuídas de maneira praticamente uniforme entre os demais tipos, sendo que o tipo 4 (tijolo com reboco e pintura) aparece em segundo lugar na amostra com 19% das unidades (gráfico 01, anexo 04).

Quanto à faixa de renda das famílias, a maioria ganha em média 1 salário mínimo – 57% -, seguido de 19% com renda em torno de 3 salários mínimos, que foi a maior renda encontrada na amostra. Ainda existem os que declararam ter renda menor que 1 salário mínimo – 10 % -, e os demais têm renda em torno de 2 salários mínimos (gráfico 02, anexo 04). Se forem comparados o tipo de moradia com a faixa de renda dos moradores é possível verificar que existe uma relação direta. O gráfico 03 do anexo 04 mostra que a linha de tendência aumenta à medida que aumenta a renda da família.

Os moradores da amostra tinham em sua maioria menos de 20 anos de idade: 53%. Somadas as faixas de 21 a 30 anos e 31 a 40 anos estão mais 37% da população. Somente 11% dos moradores tinham mais de 40 anos e entre estes apenas 5% tinham mais de 60 anos (gráfico 04, anexo 04).

Foi verificado pelas entrevistas que a maioria dos moradores tinha o primeiro grau incompleto. Se contarmos com o fato de que a população de crianças era 29% da amostra, isso não significaria um índice baixo de escolaridade, porém, entre as pessoas acima dos 20 anos somente 6% declararam ter o segundo grau incompleto e outras 3% declararam ter o segundo grau completo (gráfico 05, anexo 04).

Diante do grande número de crianças e jovens em idade escolar, somente 37% da população trabalha, e como foi visto, o grau de escolaridade entre os adultos é baixo, assim, as profissões mais encontradas foram de assistente de serviços gerais e pedreiro. Entre as mulheres, uma média de 50% não tem trabalho remunerado, declarando-se donas-de-casa. E entre as que trabalham, foram encontradas profissões como: esteticista, secretária, manicura e doméstica.

Enfim, uma população bastante jovem, com baixa escolaridade e baixos salários, não parece fugir da realidade encontrada em grande parte da população brasileira que por não conseguir realizar o “sonho da casa própria” ocupa terrenos e espaços públicos com suas “autoconstruções”, sendo estas um “retrato” de sua própria realidade.