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O livro Projeto Araribá, do 6º ano, é uma obra coletiva concebida, desenvolvida e produzida pela Editora Moderna, e tem como editor responsável Fernando Carlo Vedovate, mestre em Ciências (área de concentração: Geografia Humana) pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (USP). Segundo a Editora, “No Araribá Geografia, os alunos são convida- dos a interagir com os conhecimentos por meio do diálogo e da interação em sala de aula. A partir dos conhecimentos prévios, o professor promove uma reflexão sobre temas atuais e orienta a compreensão sobre as relações entre sociedade e natureza”. A obra é constituída de 215 páginas, que estão divididas em oito unidades, sendo elas: 1. A Geografia e a compreensão do mundo; 2. O planeta Terra; 3. Os continentes, as ilhas e os oceanos, 4. Relevo e hidrografia, 5. Clima e vegetação, 6. O campo e a cidade; 7. Extrativismo e agropecuária e 8. Indústria, comércio e prestação de serviços. Ele também possui a seção “Ati- vidades”. Ao final de cada unidade, há as seções “Atividades”, “Representações gráficas” e “Compreender um texto”. As seções: “Lugares interessantes” e “Saiba mais” aparecem intercaladas em alguns temas. E ao final de cada unidade, há as “Referências bibliográficas”.

Esse livro faz parte de uma coleção de quatro volumes (6° ao 9°), que são acompanhados, cada um, por um DVD, compostos por conteúdos multimídias que complementam os conteúdos apresentados nos livros didáticos.

A primeira unidade da obra trabalha os principais conceitos geográficos: paisagem, espaço geográfico e lugar, tais conceitos são instrumentos básicos para a leitura do mundo do ponto de vista geográfico. De certa forma, quando se trabalha com os conceitos geográficos, já se fala dos elementos que compõem o meio ambiente. Eles são ferramentas, recursos intelectuais fundamentais para a compreensão dos diversos espaços. Esses conceitos mais abrangentes coope- ram para os alunos, no estudo da Geografia, para localizar e dar significado aos lugares, pensar na sua significação e na relação que eles têm com a vida cotidia- na de cada um.No entanto o volume em questão não resgata ao longo da obra esses conceitos da Geografia, ficando a cargo do docente sempre lembrar que a “imagem” mostrada no início de algumas unidades são paisagens.

O livro trabalha, também na primeira unidade, com outras temáticas como os problemas ambientais no campo, por exemplo: a produtividade, a deterioração dos solos, os agrotóxicos e fertilizantes químicos e os impactos ambientais cau- sados pela irrigação, além de tratar dos principais problemas urbanos e recursos

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naturais e atividades econômicas, discutindo sobre as transformações da paisa- gem geradas pela ação do homem, provocando a destruição da vegetação através do desmatamento, que podem ocasionar o desaparecimento de animais e plantas. Nessa unidade, ainda é apresentado um pequeno texto na página 13, intitulado: “A ação humana altera o ambiente” (Anexo A), o qual traz a discussão sobre as modi- ficações realizadas pelo homem quando o mesmo se estabelece em determinado espaço, e ainda apresentada uma imagem da Avenida Presidente Vargas, na cidade do Rio de Janeiro, na qual ficam evidentes as modificações realizadas pelo homem na natureza. Pois, como sabemos, muitas das modificações ocorridas na natureza são realizadas a partir do trabalho humano, criando, assim, relações de interde- pendência social: homem x homem e homem x natureza. Contudo a interferência humana na natureza é indispensável para a continuidade do funcionamento da sociedade, mas por outro lado é preciso lembrar que a natureza e seus recursos são esgotáveis e que ela necessita de respeito e cuidados especiais. Entretanto por vezes percebemos que o homem esquece que faz parte da natureza.

O ensino de Geografia para Cavalcanti (2002) tem como finalidade básica de ação trabalhar o aluno junto com suas referências adquiridas na escola e sistema- tizá-las em contato com a sociedade, com o cotidiano, para assim criar um pensar geográfico que leve em consideração a análise da natureza com a sociedade e como estas se relacionam e quais as dinâmicas resultantes deste relacionamento.

Observa-se que os componentes do meio ambiente são discutidos de ma- neira tradicional, sendo apresentadas suas definições e dinâmicas. Para Grou e Junior (2009, p. 3):

[...] o modelo tradicional de abordagem para o ensino geográfi- co, ainda hoje, apesar de já ter sido superado, é muito utilizado por muitos professores. Esse modelo se reflete nos métodos e nos conteúdos de ensino, para os quais é importante a infor- mação sobre as áreas da superfície terrestre, bem como a me- morização dos elementos da paisagem, como rios, montanhas e recursos produzidos.

Na unidade 3, sobre “Os continentes, as ilhas e os oceanos”, são apresenta- das duas figuras (Anexo B), a primeira representando o desperdício de água pelo homem, seja lavando a calçada, tomando banhos demorados ou deixando a torneira aberta enquanto ensaboam a louça ou escovam os dentes, e a segunda figura com um mapa da distribuição de água doce no planeta, demonstrando a importância da utilização consciente desse recurso tão precioso para a vida.

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EDUCAÇÃO AMBIENTAL NO ENSINO DE GEOGRAFIA

No que diz respeito à relação entre os componentes do meio, os quais passam a existir nas unidades 4: “Relevo e hidrografia” (Anexo C) e 5: “Clima e vegetação” (Anexo D), quando, no item “Abertura”, são apresentados pequenos textos discutindo respectivamente a relação entre relevo e hidrografia e clima e vegetação.

Na unidade 6, sobre: “O campo e a cidade”, o livro ressalta que as paisagens urbanas são as mais alteradas pelos seres humanos, pois praticamente todos os elementos que vemos em uma cidade foram introduzidos pela ação humana. Cita, ainda, que nas paisagens do campo, há pouca concentração de pessoas e de construções e é marcada pela grande presença de elementos naturais, como rios e vegetação. O livro destaca, também, que o espaço rural (campo) e o espaço urbano (cidade) são formados por paisagens diferentes, mas são amplamente re- lacionadas. E que a necessidade de obter alimentos e matérias-primas para fabri- cação dos mais diferentes produtos tem levado os seres humanos a transformar as paisagens naturais, provocando vários problemas ambientais no campo, como: queimadas, a degradação do solo e poluição das águas pelo uso inadequado de produtos químicos, além dos impactos ambientais resultantes da irrigação.

Já na unidade 7: “Extrativismo e agropecuária”, são abordadas as questões relacionadas à exploração dos recursos naturais, o uso das fontes de energia renováveis e não renováveis, discutindo também sobre o extrativismo animal e vegetal, citando a questão da utilização destes recursos de forma consciente e fazendo uma exploração sem destruir o meio ambiente.

Outras temáticas ambientais se fazem presentes na obra, como os compo- nentes do meio ambiente: água, ar, solo e flora, sendo que, em alguns trechos, são feitas relações dos elementos do meio físico com aspectos econômicos, po- líticos e sociais, porém o maior destaque é dado aos seus componentes. Um exemplo dessa situação é a abordagem do conteúdo água doce e salgada, na qual se destaca também a importância econômica e o uso racional da água.

Os PCNs reforçam a importância da consciência crítica do aluno em torno da temática ambiental. “O trabalho de Educação Ambiental deve ser desenvolvi- do a fim de ajudar os alunos a construírem uma consciência global das questões relativas ao meio ambiente para que possam assumir posições afinadas com os valores referentes à sua proteção e melhoria”. (BRASIL, 1997, p. 35)

A partir da análise do livro, pode-se notar que, de modo geral, a temática ambiental é abordada de forma tradicional, principalmente no item “Desenvol- vimento do conteúdo conceitual e/ou factual”.

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Atualmente, a ampla produção cultural disponibiliza múlti- plas linguagens a ser utilizadas como auxiliares na compre- ensão e análise do espaço geográfico. Não obstante, os livros didáticos continuam a ser o grande referencial na sala de aula para alunos e professores das escolas públicas e privadas do país, embora sejam utilizados de formas variadas: às vezes, permitindo que o aluno faça uma reflexão; muitas vezes, tra- balhando de modo tradicional e não reflexivo. (PONTUSCHKA; PAGANELLI; CACETE, 2007, p. 339)

Contudo algumas atividades estimulam o aluno a refletir, utilizando-se como base os conteúdos trabalhados e imagens expostas, como pode ser veri- ficado na página 78 (Anexo B). A obra também faz indicação de sites de Organi- zações Não Governamentais (ONGs) que visam promover a proteção, a preser- vação e a recuperação da água doce no planeta através da Educação Ambiental.

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