CHAPTER VI: Eliciting preferences for hybrid vehicles in the Metropolitan Area of
4. Regression analysis
5.1 Overall
A primeira etapa compreendeu escolher um assunto e definir seus termos e propriedades, formular o problema de referência e organizar o plano de investigação.
A experiência do autor na Proteção Social Básica da Assistência Social motivou a pesquisa no âmbito desta política social. A vigilância socioassistencial era um dos temas em vista já no início do Programa de Pós-Graduação, cujo interesse foi instigado já anteriormente por experiências com a informatização de um CRAS266.
Durante as disciplinas obrigatórias do Programa de Mestrado, bem como nas reuniões de orientação e nos encontros do núcleo de pesquisa267, a política de Assistência Social foi constantemente abordada. Em todos esses momentos foi possível um esclarecimento mais denso sobre o que era a vigilância socioassistencial e suas possibilidades de pesquisa.
Dentre as muitas questões levantadas que poderiam se tornar um fontes. É possível até mesmo dizer que foi uma característica necessária ao entendimento de que a vigilância socioassistencial, definida somente por parâmetros legais, não permitia uma melhor compreensão das práticas de vigilância. Foram as visitas frequentes aos documentos que possibilitaram reconhecer a necessidade de se recategorizar a vigilância socioassistencial e conceituá-la posteriormente como uma relação sociotécnica.
265As etapas adotadas para a pesquisa bibliográfica seguem de perto os capítulos I a IV, Primeira Parte, de Salvador (1986, p. 43-169).
266Entre os anos de 2010 e 2013, a Secretaria de Assistência Social do município onde trabalhou o autor avançava com dificuldades para a integração com a Rede SUAS. Suas unidades de atendimento ainda eram pouco informatizadas. Averiguada esta situação, foi criado um projeto de iniciativa do autor para qualificar e otimizar as rotinas do CRAS através de recursos digitais de informação. O projeto se beneficiou de experiências anteriores do autor com recursos educacionais digitais no campo da educação.
267Núcleo de Pesquisa Interdisciplinar Sociedade, Família e Política Social (NISFAPS/UFSC).
problema de pesquisa, uma polêmica frequente foi a presença do termo “vigilância”. Nas orientações técnicas (BRASIL; SNAS, 2013), o termo vigilância aponta para os processos de tratamento da informação que se ocupam da demanda e da oferta da rede socioassistencial.
Perguntava-se, entretanto, se da polissemia do termo “vigilância”, já exposta neste trabalho como abarcando os sentidos de “supervisionar”, “espreitar”, “controlar”, etc., poderiam se abrir possibilidades para a continuidade de padrões tradicionais de controle e de subalternização dos usuários. A existência de sentidos não normatizados para as práticas de vigilância iria contra o avanço técnico e democrático proposto pela concepção da vigilância socioassistencial.
Através de leituras seletivas das obras acadêmicas que tratam da vigilância socioassistencial foi possível reconhecer um espaço de análise ainda pouco explorado. Tratava-se de problematizar as concepções de prática de vigilância que se vinculavam à vigilância socioassistencial e que estavam expressas nos textos científicos de diferentes maneiras e muitas vezes pouco explícitas.
O problema de pesquisa foi assim colocado: como os textos científicos que têm como objeto a vigilância socioassistencial demarcam a concepção de prática de vigilância? Desdobramentos deste questionamento resultaram na necessidade de exame mais abrangente que a própria definição de prática de vigilância. Assim, buscou-se apreender as justificativas, as pressuposições e as inferências que circunscreviam e sustentavam as concepções de prática de vigilância encontradas nas obras acadêmicas que tratavam da vigilância socioassistencial.
Como se verá adiante, um primeiro resultado das leituras reflexivas das obras acadêmicas foi a constatação de que a concepção de prática de vigilância ali presente residia quase que exclusivamente em referência aos marcos legais. Isto determinou uma alteração importante no desenho desta pesquisa, pois ficou clara a exigência de uma abordagem que problematizasse a concepção de prática de vigilância adequada ao contexto sociotécnico da vigilância socioassistencial. A definição presente nas normativas, e majoritariamente adotada pelas obras acadêmicas, não dava conta do fundamento sociotécnico observado.
Decorre daí a introdução dos estudos de vigilância (surveillance
studies). Este ângulo de análise permitiu adensar o olhar sobre as
estruturas e processos da vigilância socioassistencial, elementos que se voltam ao tratamento da informação via tecnologias, marcos importantes para a compreensão das práticas de vigilância nesse recorte.
O plano final de estudo consistiu numa trajetória dividida em três momentos. Na primeiro, utilizando-se do procedimento de pesquisa documental, as legislações e as normatizações sobre a vigilância socioassistencial foram abordadas. Objetivou-se descrever minuciosamente a vigilância socioassistencial iluminando suas estruturas e recursos de gestão da informação e de tecnologia da informação, conforme visto no capítulo 2.
Aclarados os detalhes e os contornos da vigilância socioassistencial, passou-se para a fundamentação teórica das dimensões ético-políticas e das relações sociotécnicas. O objetivo foi estabelecer uma perspectiva de análise que privilegiasse a conexão dinâmica entre a dimensão técnica e a dimensão ético-política da vigilância socioassistencial, conforme exposto nas últimas seções do capítulo 2.
Na segunda parte do estudo, capítulo 3, discorreu-se teoricamente sobre uma dimensão sociotécnica particular da vigilância socioassistencial, denominada de práticas de vigilância. O ângulo de análise foi delimitado por uma revisão da literatura do campo dos estudos de vigilância (surveillance studies) e de uma linha de investigações que vêm se consolidando pela observação das práticas de vigilância nos sistemas de bem-estar social (welfare surveillance).
A terceira e última parte da investigação se assentou sobre o procedimento de pesquisa bibliográfica. Suportado pelo enquadramento teórico dos estudos de vigilância, passou-se a interrogar as obras acadêmicas do Serviço Social em busca dos sentidos dados à noção de prática de vigilância, das interpretações sobre as dimensões políticas e tecnológicas da gestão da informação, e das preocupações éticas sobre as práticas de vigilância na vigilância socioassistencial.
4.3.2. SEGUNDA ETAPA: A SELEÇÃO DA BIBLIOGRAFIA E A