As eleições de 1960 no Rio Grande do Norte representaram o desejo de mudança de uma sociedade que passava por um momento de crise social e econômica, oriundas do pós- guerra e crise política advindas de mudanças da estrutura política oligárquica nordestina. As intervenções urbanísticas realizadas pelos governos estaduais nas quatro primeiras décadas do século XX, juntamente com a instalação de bases aéreas e navais na capital contribuíram para um rápido aumento populacional. Somando este aumento populacional com a saída das tropas americanas, deflagram-se, assim, crises econômicas e sociais as quais desencadearam uma série de ações colocadas em prática pela igreja católica de caráter assistencialista em todo o estado.
Foi nesse período pós-guerra que Aluízio Alves construiu sua carreira política. Oriundo das oligarquias agrárias dominantes, pela legenda da UDN se elege e reelege deputado federal no período de 1945 até 1961. Durante todos os anos 1950 o estado vivenciou crises econômicas e sociais, mas será só no final desta década e, acompanhando o cenário nordestino, que começou a vivenciar também uma crise política. Enquanto que o governo Juscelino Kubitscheck fazia políticas em prol do desenvolvimento do país, o Nordeste apresentava-se como contraste desta política, uma vez que em 1958, a região vivenciava mais uma de suas graves secas. Com isso o governo federal chama para si a responsabilidade de desenvolver a região criando a SUDENE e assumindo a tutela do desenvolvimento nordestino. As oligarquias agrárias nordestinas a partir da criação da SUDENE irão entrar em decadência política, o que possibilitará a ascensão de partidos de esquerda, a exemplo do
Partido Social Trabalhista (PST) com a eleição de Miguel Arrais em Pernambuco em 1962.
Atento a toda conjuntura política regional e nacional, Aluízio Alves, mesmo não abrindo mão de romper com sua origem oligárquica, se propõe como nova liderança para conduzir esse momento de ruptura da política nordestino em solo norte-rio-grandense.
Assim, para se apresentar como a esperança de desenvolvimento do estado a qual a conjuntura política nacional exigia, Aluízio Alves põe em prática sua ideologia da esperança nos comício, nas rádios e, sobretudo nas páginas do seu Tribuna do Norte.
Em um momento em que o perfil do eleitorado do estado passava por mudanças derivadas do aumento populacional urbano, era necessário e estratégico que Aluízio Alves se distanciasse das práticas oligárquicas tradicionais, mesmo que em seu governo não foi isso
que aconteceu. Desta forma a dominação do eleitorado pelas práticas políticas oligárquicas foi mantida pelo êxito obtido pela ‘nova’ ideologia da esperança.
Apesar de observarmos a permanência da dominação dos eleitores é interessante também observar as conclusões de Jorge Ferreira em sua obra intitulada O imaginário
trabalhista: getulismo, PTB e cultura política popular 1945-1964:
A democracia brasileira de 1945 a 1964 representou um período em que trabalhadores e populares participaram ativamente do processo político. Após estabeleceram em sua cultura política a noção de que eram cidadãos no plano social e, portanto, merecedores de uma legislação protetora do trabalho, eles, com a democratização que se abriu em 1945, muito rapidamente aprenderam a lidar com os direitos políticos (FERREIRA, 2005, p. 375).
Ao analisar a permanência da dominação do eleitorado pelas práticas oligárquicas através do estabelecimento de uma nova oligárquica, a família Alves, não é o objetivo deste trabalho construir a ideia de um eleitorado que serviu como massa de manobra com o qual Aluízio Alves construiu sua relação de dominação. Antes, a ideologia da esperança foi resultado de uma atenta percepção por parte de Aluízio Alves ao reconhecimento dos trabalhadores e populares de que eram possuidores de direitos. Com isso, o tema central de desenvolvimento utilizado pela Cruzada da Esperança chamou a atenção do eleitorado que desejoso pela utopia desenvolvimentista, termo utilizado por Lucília de Almeida Neves (apud, FERREIRA, 2005), submete-se a relação de dominação proposto por Aluízio Alves.
Enfim, a ideologia da esperança foi o início da dominação da família Alves em torno de um eleitorado ainda hoje cativo. O atual prefeito da cidade de Natal é o seu sobrinho Carlos Eduardo Alves. O seu filho Henrique Eduardo Alves foi eleito e reeleito deputado federal desde 1970 até 2014 quando concorreu para governador do Rio Grande do Norte e perdeu para o atual governador Robson Faria. Hoje Henrique Eduardo Alves encontrasse preso acusado de corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro na construção do estádio Arena das Dunas17. Ao que tudo indica talvez estejamos presenciando o início do fim do ciclo da dominação da família Alves em solo norte-rio-grandense que já duram 56 anos.
17 Informação obtida pelo site: https://g1.globo.com/rn/rio-grande-do-norte/noticia/ex-ministro-henrique- eduardo-alves-e-alvo-de-mandado-de-prisao.ghtml. Acesso em: 21 de novembro de 2017.
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