2. DEFINITIONS AND DATA ANALYSIS
2.2. Data analysis
A população mundial está ocupando cada vez mais as cidades; com isso, também os poucos ambientes naturais existentes nas cidades, como as áreas verdes e os corpos d’água, são tornados escassos. Além do problema da escassez, o que mais preocupa é a qualidade desses ambientes que, muitas vezes, ao invés de trazer benefícios ecológicos, climáticos, paisagísticos, entre outros, quando degradados, podem constituir focos de proliferação de doenças, sendo prejudiciais à saúde da população humana e animal.
Mas a atenção com o uso da água em termos de qualidade e quantidade visando a sua preservação, não é exclusiva dos tempos modernos e contemporâneos em função das crises ambientais. A preocupação começou na antiguidade, já que “As primeiras leis da humanidade, fixadas por escrito, são códigos que regulam o uso da água” (LIEBMANN, 1979, p. 84).
Mencionando o fato de que a água vinha sendo utilizada há vários milhares de anos pelos romanos para fins cultuais, escreve Vitrúvio que os sacerdotes do antigo reino dos faraós louvavam publicamente a importância da água, pois, diziam, as coisas deste mundo só podiam existir graças tão somente a ação da humidade (LIEBMANN, 1979, p. 105).
Ainda na época dos romanos (sec. I d.C.),
Nas grandes cidades, já bem cedo se reconhecera a necessidade de se proceder à eliminação de esgotos. Acreditava-se, porém, que bastava lançar essas águas servidas nos rios ou no mar. Falta qualquer concepção que indique alguma preocupação relativa ao tratamento dos esgotos (LIEBMANN, 1979, p. 115).
É notório que a ausência de tratamento de efluentes líquidos brutos (esgotos) provoca o aparecimento das doenças. Também o despejo de esgoto diretamente nos corpos d’água afeta diretamente a saúde da população, tanto pelo fato de a população ingerir a água que pode estar contaminada, como pela possibilidade de ter contatos físicos com os esgotos lançados a céu aberto nos rios, riachos e lagoas.
Os serviços ligados ao que hoje chamamos de saneamento básico desde muito tempo são motivo de grande preocupação nas cidades antigas, modernas e atuais. Alguns relatos mostram as condições higiênico-sanitárias, já na Inglaterra da Idade Média.
Muito elucidativas são as descrições que, dessa época, se obteve de Londres, no século 13: as ruas são estreitas, com os andares superiores das casas de madeiramento exposto se projetando sobre elas. Nem se pode dizer que sejam ruas, pois não passam de sendas e vielas tortuosas. No meio dessas vias escorre o esgoto em direção ao Tâmisa. Nelas, os açougueiros lançam seus detritos; os curtidores, suas águas usadas; os fabricantes de sabão, a sua lixivia. O Tâmisa, que é ao mesmo tempo a principal via de transporte da cidade, torna-se o “principal armazenador” da canalização londrina (LIEBMANN, 1979, p. 150).
O lançamento dos esgotos nos rios urbanos não começou na Inglaterra da Revolução Industrial (sec. XVIII), porém foi neste período que se tem relatos de grandes quantidades de corpos d’água poluídos, em decorrência do aumento da população urbana e dos poucos cuidados com a qualidade dos ambientes, que apareciam insalubres.
Prosseguindo na história, já na Alemanha do sec. XIX, na obra de Liebmann (1979, p. 146) tem uma antiga gravura que chama atenção pelo texto (subtítulo) da ilustração redigido em alemão dialetal que diz o seguinte: “É tornado público que de amanhã cedo em diante ninguém mais pode defecar no riacho, cujas águas o meritíssimo juiz vai usar para fabricar cerveja depois de amanhã”.
Nos anos quarenta do século XIX, nas principais cidades da Inglaterra a água limpa “valia ouro”, como relata Mosley (2013).
Muitas atividades - particularmente fábricas têxteis, minas de carvão, fábricas de químicos, fábricas de papel, de ferro e aço - eram consumidores extraordinários de água e algumas empresas usavam diariamente vários milhões de litros de água. E, após o uso, os efluentes eram despejados diretamente em riachos locais, tratando-os como <<esgotos naturais>>. Muitos contemporâneos acreditavam erroneamente que os rios eram capazes de se auto-depurar e diluir sem perigo os resíduos prejudiciais. Com o desenvolvimento de novas cidades industriais, no entanto, a quantidade e a qualidade do abastecimento de água começou a cair
drasticamente. Entre as consequências ambientais desta exploração houve o desaparecimento de peixes e da vegetação aquática enquanto a água dos rios tornou-se evidentemente tão poluída de modo a ser imprópria para consumo humano ou para indústria (constituindo, portanto, também um entrave ao próprio crescimento econômico) (MOSLEY, 2013, p. 145, tradução nossa13).
Com o aumento da urbanização nos últimos setenta anos, nem todos os países conseguiram manter o passo com as infraestruturas básicas das cidades, incluindo os sistemas de esgotamento sanitário. De acordo com Mosley (2013),
Atender a crescente demanda urbana por alimentos e fibras tem tido um grande impacto sobre as florestas, os solos, rios e animais selvagens [...]. Lá, onde o crescimento não foi planejado corretamente, as cidades dos países em desenvolvimento têm se esforçado para oferecer aos seus moradores também o abastecimento de água, o esgotamento sanitário e a eliminação eficiente de resíduos sólidos. Como já tinha acontecido no caso de cidades vitorianas, as infraestruturas urbanas foram incapazes de acompanhar o ritmo do crescimento da população (MOSLEY, 2013, p. 156, tradução nossa14).
Além das questões ligadas à má qualidade dos elementos naturais existentes na cidade, é preciso também discutir o aspecto espacial dos ambientes naturais nos aglomerados urbanos. Na cidade, os espaços naturais existentes nas porções de terreno que ainda não foram ocupadas, muitas vezes são vistos e tradados como espaços de “sobra”. Isso significa que as áreas ainda sem construções – sejam estas vegetadas ou não, mas de qualquer forma com terreno permeável – não representam para a população espaços pensados para a cidade, que deveriam ser projetados a partir de uma concepção prévia, de um planejamento que delimite as áreas no desenho urbano.
O que acontece na realidade de muitas cidades, incluindo o nosso estudo de
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Molte attività – in particolare le fabbriche tessili, le miniere di carbone, gli stabilimenti chimici, le cartiere e le fondiere di ferro e acciaio – erano straordinarie consumatrici di acqua e alcune imprese ne utilizzavano quotidianamente diversi milioni di litri. E, dopo l’uso, scaricavano gli affluenti direttamente nei corsi d’acqua locali, trattandoli come <<fogne naturali>>. Molti contemporanei credevano erroneamente che i fiumi fossero ingrado di autodepurarsi e di diluire senza pericolo i rifiuti nocivi. Con lo sviluppo delle nuove città industriali, però, sia la quantità, sia la qualità degli aprovigionamenti idrici cominciarono a ridursi drasticamente. Tra le conseguenze ambientali di questo sfruttamento c’era la scomparsa dei pesci e della vegetazione acquatica mentre l’acqua dei fiumi diveniva così palesemente inquinata da non essere adatta all’uso potabile né a quello industriale (costituendo così anche un freno alla stessa crescita economica).
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Soddisfare la crescente domanda urbana di cibo e fibre ha avuto un notevole impatto sulle foreste, sul suolo, sui fiumi e sulla fauna selvatica (cfr. I capitoli precedenti). Lì dove la crescita non è stata pianificata in modo adeguato, le città dei paesi in via di sviluppo hanno fatto fatica a garantire ai propri residenti anche l’approviggionamento idrico e sistemi fognari e di smaltimento dei rifiuti efficienti. Come era già avvenuto nel caso delle città vittoriane, le infrastrutture urbane furono incapaci di stare al passo con la crescita demografica.
caso – Juazeiro-BA –, é que os ambientes naturais são considerados espaços vazios nas cidades, por isso, em vez de serem planejados e projetados previamente no seu tamanho, forma e função, ficam confinados nos interstícios entre os ambientes construídos.
Dessa forma, pode-se afirmar que na cidade de Juazeiro-BA tais tratamentos dos ambientes naturais consideram que esses locais sejam vistos como uma sobra, ou um resto de terreno que ficou vazio por não ter sido preenchido pelas outras edificações. De acordo com Rodrigues (1998),
Neste findar de século, o meio ambiente “natural” está cada vez mais ausente no “meio ambiente urbano”, porque dele foi banido através das formas concretas de desenvolvimento (enterrando-se os rios, derrubando-se vegetação, impermeabilizando terrenos, calçadas, ruas, edificando-se em altura - criando solo urbano, etc.) (RODRIGUES, 1998, p. 90).
O entendimento corrente do ambiente natural como sobra prevalece na produção das cidades contemporâneas, principalmente da forma como estão sendo produzidas as áreas urbanas periféricas, já que ainda não se consegue estabelecer uma convivência entre espaços naturais e artificiais em razão de conflitos permanentes no próprio processo de reprodução do espaço geográfico, sobre o que Santos (2009) faz a seguinte reflexão:
A história da humanidade parte de um mundo de coisas em conflito para um mundo de ações em conflito. No início, as ações se instalavam nos interstícios das forças naturais, enquanto hoje é o natural que ocupa tais interstícios. Antes, a sociedade se instalava sobre lugares naturais, pouco modificados pelo homem, hoje, os eventos naturais se dão em lugares cada vez mais artificiais, que alteram o valor, a significação dos acontecimentos naturais (SANTOS, 2006, p. 96).
É como dizer que a natureza, a origem de tudo, atualmente foi tão reduzida na sua dimensão e significado, que chegou a ter um papel irrelevante quando inserida nos ambientes urbanos. Apesar de ser de domínio público a importância das áreas verdes e dos cursos d’água nas cidades, na prática, a organização do espaço urbano e o tratamento que as áreas naturais recebem, não parecem ser acompanhados pela mesma importância.
Além da ausência de projetos e ações de conservação de áreas naturais, em cidades como Juazeiro-Ba, pode-se afirmar que atualmente a natureza na cidade representa um risco, já que é associada a eventos que podem provocar impactos ambientais urbanos. Pensa-se, por exemplo, na possibilidade de um rio urbano
transbordar, ou uma encosta de um morro desmoronar.
Nesse sentido, a natureza é vista como causadora de estragos e também como obstáculo para a expansão física da cidade ou, no caso de uma área de preservação ambiental com flora e fauna nativa, é vista como uma perda de espaço “aproveitável” que, na lógica capitalista vigente, não oferece a possibilidade de produzir lucro, com exceção dos casos onde uma natureza frondosa, verde e exuberante pode ser “aproveitada” para adicionar valor simbólico aos imóveis e à mercadoria destinada a uma população que aprecia e pode pagar por isso15.
Mas não é somente do ponto de vista espacial que a natureza na cidade é desprezada, pois, além de serem tratados como sobra, os espaços e os recursos naturais na cidade são tratados também como resíduos; e isso vale tanto para as áreas verdes, como para os cursos d’agua. De acordo com Almeida; Carvalho, (2010, p. 151), “Infelizmente, os rios urbanos no Brasil têm sido tratados como resíduos da cidade, fundos de lote e local de despejos. Há uma verdadeira negação da Natureza, principalmente no que se refere aos cursos d’água na cidade”.
Junto aos rios, pode-se pensar ao tema da água. Por exemplo, nas cidades a água de chuva é tida como lixo. As estruturas de drenagem urbana não são pensadas para represar e reaproveitar as águas pluviais, na ótica da captação de água de chuva como acontece com as cisternas nas áreas rurais.
Nos últimos tempos assistiu-se a enormes contradições quanto às cidades que sofrem com o baixo nível dos reservatórios de água para abastecimento humano, e ao mesmo tempo sofrem com as inundações durante as fortes precipitações. Os alertas em relação ao risco sempre existente do exaurimento da água nos rios perenes causam cada vez mais preocupação, especialmente no contexto semiárido, onde as chuvas são escassas, e captar as águas pluviais na cidade para fins de abastecimento humano, industrial e agrícola, seria uma solução que evitaria desperdiço de recursos naturais e econômicos por parte da população e do poder público.
A partir dessas considerações, entende-se que os ambientes naturais na cidade representam especialmente para uma parte expressiva da população urbana, um risco (relativo ao excesso ou a escassez); uma sobra de espaço “desperdiçado”;
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Para citar somente um dos vários exemplos de uso da natureza para a valorização da cidade, o Central Park, em Nova York, foi construído com a finalidade de criar um “pulmão verde” na grande metrópole, mas ao mesmo tempo teve a função de aumentar muito o preço dos imóveis que circundam a área do parque.
um resíduo a ser eliminado, e até mesmo o próprio recipiente dos resíduos, pois os terrenos baldios, as áreas verdes não utilizadas e o leito dos corpos d’agua são usados indevidamente como locais para despejar entulhos, resíduos orgânicos e resíduos sólidos domésticos.