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D 2041 Supplemental Procedure for Mixtures

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THEORETICAL MAXIMUM SPECIFIC GRAVITY OF BITUMINOUS PAVING MIXTURES'

D 2041 Supplemental Procedure for Mixtures

No nosso caminho de redução, ou reconstrução, cabe anunciar um gesto rumo à perspectiva de um desenlace, que, a cada vez, pode nos colocar de volta no caminho que parte dos entes e se envereda em direção ao ser. Conquistarmo-nos como Daseins é celebrar o

Ereignis e deixa-lo ser. Despertamos para o “aí” que somos vai na contramão de

compreendermo-nos como ‘sujeitos’ encapsulados, aptos a decidir pelo acontecer do mundo. Colocarmo-nos como Daseins (77,95), portanto, é ao mesmo tempo o mais óbvio e simples, e o mais distante e difícil. Nas palavras de Heidegger:

Exige-se do pesquisador justamente isto, o mais difícil, a passagem do projeto do homem como ente vivo dotado de razão para ser-homem como Dasein. [...] O deixar-ser do ente (homem) à luz do Da-sein é extremamente difícil e insólito, não somente para o cientista de hoje, mas também para aquele que está familiarizado com o projeto do Da- sein, devendo ser constantemente examinado de novo. O "deixar" [Lassen], isto é, aceitar [Zulassen] o ente, assim como ele se mostra, só se tornará um deixar-ser apropriado se este ser, o Da-sein, ficar antes e constantemente à vista; isto é, quando o próprio pesquisador tiver experienciado e experienciar-se a si mesmo como Da-sein, como ek-sistente e determinar-se toda a realidade humana a partir daí. O eliminar e afastar representações inadequadas sobre este ente, o homem, só é possível se o treino da experiência de ser homem como

Da-sein tiver tido êxito e iluminar toda a pesquisa do ser humano sadio e doente (HEIDEGGER, 2001, P. 236).

Esse trecho aponta que o “tornar-se Dasein” é algo que não se oferece a nós de partida. Mais à frente discutiremos a diferença entre o Dasein que somos e o Dasein que ainda estamos por conquistar (110,184).O projeto do Dasein deve ser constantemente examinado de novo, a cada vez, por cada um de nós, pois o caminho só se faz ao caminhar. Se compreendermos o projeto de Dasein, ou qualquer termo de Heidegger como meros conceitos filosóficos ou um trivial passo a passo de procedimentos, estaremos nos afastando da sua própria proposta.

Deixar-ser como um primeiro aceno à liberdade

(105,124,194) Quando vamos ao encontro dos fenômenos, não devemos tirar conclusões. “O que os fenômenos, isto é, aquilo que se mostra, exigem de nós é apenas que os vejamos e os tomemos assim como se mostram. "Apenas" isto. Isto não é menos do que a conclusão, mas sim mais e, por isto, difícil” (HEIDEGGER, 2001, p.89). “Deixar-ser” o ente só é possível para alguém que se compreenda como Dasein, e isso é o mais simples e ao mesmo tempo o mais distante de nós. Essa dificuldade, segundo Heidegger, é provada pela abrangência da tradição metafísica, “pela interpretação equivocada do ser-no-mundo como uma ocorrência do ente humano no meio do ente restante em sua totalidade, do ‘mundo’”. Ao contrário disso, a presença que abre espaço para o deixar-ser “já pressupõe a aceitação do ser desprotegido no projeto ontológico-fenomenológico como Dasein” (HEIDEGGER, 2001, p.236). Deixar-ser só é possível para este ente em específico que tem o modo de ser que se revela no seio do aberto, ao qual pertence. “A liberdade em face do que se revela no seio do aberto deixa que cada ente seja o ente que é. A liberdade se revela então como o que deixar- ser o ente” (HEIDEGGER,1999c, p.336). Para o autor, a essência da liberdade é o deixar-ser. Vamos voltar a falar sobre a essência da verdade e da liberdade, ainda não estamos no ponto de as compreender por completo. Por ora, vamos nos entregar à solicitação do deixar-ser. Essa presença não pode ser entendida como desleixo ou descaso:

A palavra aqui necessária para expressar o deixar-ser do ente não visa, entretanto, nem a uma omissão nem a uma indiferença, mas ao contrário delas. Deixar-ser significa o entregar-se ao ente. Isto, todavia, não deve ser compreendido apenas como simples ocupação, proteção, cuidado ou planejamento de cada ente que se encontra ou que se procurou. Deixar-ser o ente — a saber, como ente que ele é — significa entregar-se ao aberto e à sua abertura, na qual todo ente entra e permanece, e que cada ente traz, por assim dizer, consigo (HEIDEGGER, 1999c, p.336).

O deixar-ser também contém em si a dissimulação (51), que é o velamento. Existir é nunca dar conta do ente na sua totalidade, ao deixarmos-ser já o fazemos no modo da

dissimulação. O velamento originário, que Heidegger chama de não-verdade original, não

impede o desvelamento, pois o velamento originário nada mais é do que o mistério (145,147,160,166,168,169,172,182,187,190). O mistério é de onde tudo pode brotar, é aquilo que permite que velamento e desvelamento se deem. O mistério, para Heidegger, domina o

ser-aí do homem. No cotidiano, tanto desvelamento quanto dissimulação se atenuam, pois os

impasses obscuros do dia-a-dia nada mais fazem do que obnubilar a dissimulação do que está velado. O mistério, na banalidade do cotidiano, caiu no esquecimento (HEIDEGGER, 1999c, p.339). Não poderíamos nutrir a ilusão, porém, que o mistério que se esvai no cotidiano, deixa de existir. Ele apenas se retrai, deixando o homem distrair-se de si e de sua condição. O homem se engrandece, se acredita possuidor do controle e assim se engana nas medidas, ao se tomar como parâmetro. “Esta persistência encontra seu apoio, apoio que ela mesma desconhece, na relação pela qual o homem não somente ek-siste, mas ao mesmo tempo in-

siste, isto é, petrifica-se apoiando-se sobre aquilo que o ente, manifesto como que por si e em

si mesmo, oferece” (HEIDEGGER, 1999c, p. 340). Dirigir-se sempre ao que é mais corrente e afastar-se do mistério são facetas do mesmo movimento. Essa fuga e essa busca desenfreada são maneiras da “agitação inquietante” do Dasein. O que não se percebe é que nessa correria desenfreada acontece algo oposto a essa sensação de movimento constante, acontece a petrificação das petrificações. Esse transitar arbitrário, diluído em situações do cotidiano e distante do mistério, é a errância do Dasein.

Petrificação e errância: esse é o ponto de partida Petrificado em sua insistência, o homem erra.

A errância não é uma característica acessória do Dasein, não é um acidente, mas, sim, faz parte da constituição íntima de cada um de nós. A errância é espaço de jogo do vai vem de lembranças e esquecimentos. Os erros cotidianos ou filosóficos-conceituais são apenas maneiras superficiais de errar. A verdadeira errância leva ao desgarramento. Paradoxalmente, é justamente através do desgarramento que pode nascer uma possibilidade do ek-sistente não se deixar levar pelo mesmo desgarramento. Aqui, lembramos, que para Heidegger e Hölderlin, justamente onde mora o perigo é onde cresce a salvação (192,70,148). “O homem não sucumbe no desgarramento se for capaz de provar a errância enquanto tal e não desconhecer o mistério do ser-aí” (HEIDEGGER, 1999c, p. 341). Lembrarmo-nos do

esquecimento. As indicações de Heidegger nos jogam no manancial turbulento da ek-sistência e nos mostram que o único caminho possível é sermos-aí, sermos o nosso aí (110, 119).

Para deixar-ser (93) é preciso que nos desloquemos da posição de suposta segurança oferecida pela subjetividade postuladora e voltemos a ser aquilo que já sempre fomos: mortais, vulneráveis, vazados, perfurados, desprotegidos, indeterminados (41,34,136). Vizinhos do abismo. Só nesse lugar de inconstância fundamental poderemos deixar-ser o ente para além da sua objetividade e conveniência para nós, só neste quase não-lugar poderemos lembrar o ser e o deixar-ser na sua diferença ontológica. Neste aí que somos nós, o simples pode vir à tona como aquilo que não “funciona”, mas que persevera. Isso não aconteceria sem um exercício intenso de nossa parte:

Tudo depende de exercitar a mesma simples visão do essencial [Wesenhafte] impronunciado [unausgesprochen], mas que nos interpela constantemente. Exercitar: permanecer junto ao mesmo, acordar o sentido do simples - não o contínuo correr apressado, de um progresso para o próximo e a insistência em resultados úteis (Heidegger, 2001:275).

Se esse exercício for levado a sério, como intuito, esforço e empenho, a fenomenologia passará a ser mais “científica” do que as ciências naturais, pois ela nos levará para perto daquilo que estamos questionando, e não nos deixará nos dissuadirmos com teorias prontas ou calculabilidades frias. Se conseguirmos conquistar a nós mesmos como Daseins (77,92), estaremos mais próximos do nosso próprio ser, consequentemente, mais próximos do ser de tudo o que há, e desse lugar poderemos celebrar o ser ele mesmo. Por ora, apenas prenunciamos o Norte desse caminho, que esperamos poder conquistar até o final deste trabalho.

Para seguirmos caminhando, passaremos a percorrer, na proximidade com outras vozes, veredas de reflexões sobre a psicologia fenomenológico-hermenêutica e sua prática.

II - HERMENÊUTICA DA FACTICIDADE DO CLINICAR

Perguntas permanecem sugestões; pensamentos para a reflexão, ímpeto, ou seja, estímulo e espanto para uma possível conversa [Gespräch].

Com o objetivo de conquistar uma proximidade maior com a perspectiva fenomenológico-hermenêutica, proximidade essa que extrapolasse o mundo formal dos trabalhos acadêmicos e artigos científicos, fomos a campo conversar com quem atua na área da psicologia clínica e se nutre com os estudos da filosofia fenomenológico-hermenêutica. A importância de partir para entrevistas com profissionais foi buscar outras vozes para

desconstruir o conhecimento exclusivamente sedimentado nos livros, sustentado na teoria e

no senso comum, e assim compor a compreensão de uma prática psicológica fundamentada na fenomenologia hermenêutica. Há textos publicados sobre o assunto, que também estão sendo considerados na totalidade deste trabalho, porém, aqui, nós os misturamos com vozes menos oficiais, vozes que não passaram pela protocolarização necessária para sua legitimação como artigo ou texto acadêmico. Falamos aqui de vozes, que na espontaneidade de uma conversa (91,98,165), puderam levar nossa desconstrução alhures, entre as linhas do discurso e sob a estrutura da sintaxe. São essas vozes que nos conduziram, que abriram espaço para outras vozes, quiçá até mesmo mais formais. Em última análise, são vozes que deram o tom e indicaram os temas das reflexões que se seguem.

O que se apresenta neste capítulo é uma trança (12) de múltiplos fios, cada fio oriundo de um relato singular, e que, ao se entrelaçarem para um fim, tornam-se um outro todo tecido por nós. Muitas vezes, as palavras da entrevistadora e dos entrevistados se embaralham na trama que se apresenta a seguir, o que é de acordo com o que se espera quando o texto pretende ir além de uma autoria individualizada. Formamos nós um mosaico de palavras que pretendeu retirar propositadamente o caráter lógico e linear de cada entrevista, para que os fragmentos de cada uma se somem a partir da tessitura da autora, formando um todo singular.

Como um dos temas que esse trabalho pretende discutir é a implicação de cada um de nós no mundo, e o engajamento como posicionamento fundamental (76), a autora não poderia deixar de se colocar aqui, em primeira pessoa, para explicitar de onde parte e em que direção segue: sou psicóloga de formação, e estudiosa de fenomenologia há anos. Faço atendimentos clínicos em meu consultório, e também leciono disciplinas relacionadas à fenomenologia no curso de psicologia. Assim, quando parto em direção às conversas sobre os temas que se seguem, estabeleço um diálogo com os entrevistados, no qual debatemos assuntos sobre os quais todos ali têm familiaridade. Isso está impregnado nas entrevistas, e, a nosso ver, não poderia deixar de ser assim. As entrevistas, se caracterizam, assim, como um

momento propício para debater temas, e não como instrumentos investigativos que pudessem nos levar a conclusões científicas.

A pesquisadora, portanto, não é ingênua, nem poderia ser. Já está imersa no campo desse tipo de reflexão e prática. Já parte de um lugar, e dali se direciona para as indagações que se seguem. Podemos pensar, outrossim, que esse trabalho não se consuma como uma pesquisa qualitativa comum. A pesquisadora é parte integrante do diálogo, e não apenas aquela que pergunta e ouve. Há total interferência do modo da pesquisadora no que vem à tona.

Podemos recordar do círculo hermenêutico (34) para salientar que, sempre que partimos rumo à investigação de algo, já temos uma pré-compreensão desse mesmo algo. Somos desde sempre, também, imersos em círculos compreensivos epocais que tingem nossa compreensão (79). Há, além disso, um saber mais específico que norteia nossa prática, e que acaba aparecendo o tempo todo, mesmo quando de forma tácita. Entrar em contato com isso fez com que houvesse a necessidade de fundamentar as falas aqui referidas. Isso foi feito na primeira parte do trabalho (31).

As entrevistas partiram do percurso pessoal da autora, e o critério de escolha dos entrevistados foi muito mais biográfico do que científico: afinal, mundo, para Heidegger, é rede de significado, então, essas entrevistas explicitam apenas esse engajamento específico no mundo e esse percurso singular. Também foi fruto desse percurso pessoal o diálogo com trechos de palestras das quais a entrevistadora participou enquanto preparava este texto. Foi pedida expressa autorização para utilização desses trechos por parte dos autores das palestras, a saber, Nichan Dichtchekenian, Marco Antonio Casanova e Ana Maria Calvo Feijoo.

Foram entrevistados sete profissionais psicólogos atuantes. Para chegar a eles, fizemos contato com duas das principais instituições que se debruçam sobre a fenomenologia de Heidegger e a psicologia, a saber, a Associação Brasileira de Daseinsanalyse, em São Paulo e o Instituto de Fenomenologia Existencial do Rio de Janeiro. Acabamos estabelecendo contato mais próximos com profissionais que trabalham com psicologia clínica, na abordagem fenomenológica, com foco heideggeriano. Também foram contatados colegas que, embora não estivessem, necessariamente, filiados a essas instituições, atuam como psicoterapeutas e são professores de disciplinas do currículo universitário atreladas ao ensino da fenomenologia. Buscamos na complementaridade provável entre a docência e a prática

profissional uma possibilidade maior de que tais profissionais se debruçassem reflexivamente sobre sua própria prática.

As entrevistas foram abertas. A entrevistadora, no início de cada entrevista, apresentava o tema e propunha que cada entrevistado relatasse aspectos relacionados à sua prática, como psicólogo de abordagem fenomenológico-hermenêutica. A entrevista seguia o percurso proposto por cada profissional, e se desenrolava em forma de conversa (91,165). Coube à entrevistadora estimular o desenvolvimento dos assuntos importantes para essa pesquisa, em forma de perguntas e comentários durantes os relatos. O material todo foi gravado e posteriormente transcrito. As entrevistas podem ser consultadas na íntegra no link59.

Os temas destrinchados por nós ao longo deste capítulo surgiram das próprias entrevistas. A partir do demorar-se junto às entrevistas, temas foram brotando como possíveis compreensões, e cada fala que se complementava foi sendo, assim, a eles reunida. O texto que se apresenta a seguir está, portanto, organizado em temas que foram pinçados pelos olhos desta autora, buscando trazer à tona reflexões e discussões que refletissem os principais temas e assuntos tratados nas entrevistas.

Os temas que emergiram desses encontros são:

Tema 1: sob a marca pessoal de uma escolha: inquietação e compromisso.

Tema 2: por uma psicologia diferente – entre a prática e a filosofia. Tema 3: o poder de uma falta – a antiteoria da fenomenologia.

Tema 4: lutar pela manutenção de um espaço que não serve para nada – pela rememoração do fundamento e da direção.

Tema 5: o vigor de andar na corda-bamba.

Tema 6: a vulnerabilidade de um é a vulnerabilidade de todos – por uma ética da proximidade.

Tema 7: espanto e encantamento como cultivo do estar-junto-a: pelo respeito ao mistério.

Tema 8: rigor e implicação como única possibilidade de engajamento.

59https://docs.google.com/document/d/1EsPXgL-

Ao longo deste capítulo, os trechos em itálico, recuados60 ou no corpo do texto,

referem-se às falas dos entrevistados, seguidos por parênteses que indicam de qual entrevista aquele trecho foi retirado, como, por exemplo: (E.7).

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