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D'ENSEIGNEMENT ET ÉVALUATION

Dans le document Documentaires enE» UCATI N (Page 195-198)

Desde períodos remotos o homem faz uso de signos linguísticos para codificar e decodificar o mundo. Além de dar significação ao mundo social, esse sistema de conteúdos simbólicos é utilizado para comunicação, permitindo a troca de informações e conhecimentos. Assim, as trocas simbólicas estão amplamente relacionadas com todos os aspectos da vida humana, com tal força que as interações sociais são orientadas pelas formas simbólicas18 que, por meio da comunicação, estabelecem moldes e contornos à existência e ao agir dos agentes sociais.

Os conteúdos simbólicos são comumente reproduzidos pela palavra escrita ou falada, mas além da interação face a face, o homem desenvolveu técnicas de reprodução cada vez mais aperfeiçoadas para a transmissão e divulgação dos produtos de ordem cultural. A criação de instrumentos físicos (prensa de Gutenberg no século XV), depois as revoluções industriais a partir do século XVIII, e a criação de instituições de comunicação a partir do século XIX, possibilitaram a concepção de instrumentos de difusão cada vez mais sofisticados para a transmissão de bens do sistema simbólico, tais como: as esculturas, a música, a pintura, a fotografia, os livros, as revistas, os jornais, o cinema, os aparelhos de audiovisual e etc.

18 Bourdieu (1989) assenta na concepção de Durkheimer ao utilizar o termo formas simbólicas. “Com Durkheimer, as formas de classificação deixam de se formas universais (transcendentais) para se tornarem (como implicitamente em Panofsky) em formas sociais, quer dizer, arbitrárias (relativas a um grupo particular) e socialmente determinadas (BOURDIEU, 1989, p. 8)”.

No que se refere aos bens de dimensão simbólica, os jornais estão no campo de produção do jornalismo. Este bem possui uma esfera de ação particularmente importante, pois cria conteúdos que possuem fácil inserção no mundo social.

Os jornalistas – preciso dizer o campo jornalísticos – devem sua importância no mundo social ao fato de que detêm um monopólio real sobre os instrumentos de produção e de difusão em grande escala da informação, e, através destes instrumentos, sobre o acesso aos simples cidadãos, mas também dos outros produtores culturais, cientistas, artistas, escritores, ao que se chama por vezes de “espaço público”, isto é, à grande difusão (BOURDIEU, 1997, p. 65).

Essa ação real lhe confere inúmeras possibilidades ao produzir e publicar conteúdos simbólicos, com poder de transformar estruturas culturais e legitimar ou deslegitimar esquemas de percepções do mundo.

Quanto ao produto do jornalismo, em particular as notícias, são narrativas e histórias construídas a partir de percepções e comercializadas pelas instituições de comunicação. Estas relatam os mais diversos acontecimentos sociais, políticos, econômicos, manifestações populares, conhecimento do campo científico e fenômenos excepcionais que fogem à “normalidade”. Assim, o jornalismo produz informações que se referem ao âmbito da esfera pública, com um produto elaborado para ser socializado com o maior número de pessoas (consumidores), tornando-se, assim, uma mercadoria que obedece às leis de produção do mercado, tendo como objetivo alcançar audiência.

Ao produzir conteúdo que estão no plano da vida pública, isto é, que são de interesse público, o jornalismo lida com assuntos que ocupam o centro da vida social: a troca de conteúdos simbólicos, ou melhor, comunicação, informações, fofocas e opiniões. Com um leque vasto de informações disponíveis, não é qualquer fato que se torna notícia, que se transforma em conteúdos de difusão que podem ser altamente reproduzidos pelas instituições de comunicação. Para esta decisão, o jornalismo não segue receitas ou critérios a título de instrução, por mais que se tente evidenciar o contrário, mas segue uma estrutura que define o quê, como, e com que destaque, a informação será noticiada.

Utilizando a noção de campo de Pierre Bourdieu, pode-se descrever essa estrutura da seguinte forma: a informação e o enquadramento da notícia dependem da política da empresa (posição no espaço social), sua linha de pensamento em relação aos mais diversos assuntos (habitus dos jornalistas e editores e chefes de redação construído a partir da posição e trajetória no espaço social), sua posição de vendas no mercado (tomadas de posição) e também, do crivo do repórter (escolhas e disposições relacionadas ao habitus).

Sobre a atuação dos profissionais do jornalismo, é preciso frisar que este grupo compartilha crenças em relação a sua ação em que afirmam que o produto dos jornais - as notícias - são responsáveis por buscar informação de interesse público, transmitir a verdade, neutralidade, dar voz as mais divergentes opiniões, tentando cumprir critérios de objetividade e imparcialidade. Entretanto, Schudson (1981), Bourdieu (1997), Hall (1999), Hackett (1999) e Tuchman (2002), verificaram em suas pesquisas que entre a teoria e a prática na produção jornalística há um grande hiato. Na práxis o jornalismo lida com conteúdo altamente selecionado, a partir de critérios que dependem da posição dos agentes ou da instituição de comunicação no espaço social; narrativas criadas a partir de pontos de vista, cheias de subjetividade, no qual reproduzem a ideologia do veículo da imprensa; e reproduz a ordem social vigente (SCHUDSON, 1981; BOURDIEU, 1997; HALL, 1999; HACKETT, 1999). Desse modo, as regras e roteiros criados para definir e produzir os assuntos que merecem visibilidade e conhecimento do público servem para cumprir o ritual da crença, dar legitimidade e conferir credibilidade aos conteúdos produzidos pelos jornais.

Bourdieu (1989) considera que para entender um campo é preciso buscar a gênese social do mesmo, “[...] apreender aquilo que faz a necessidade específica da crença que o sustenta, do jogo de linguagem que nele se joga, das coisas materiais e simbólicas em jogo que nele se geram[...]” (BOURDIEU, 1989, p. 69). Buscando cumprir este princípio, para entender o campo jornalístico, o presente capítulo irá apresentar, a partir de uma perspectiva sociológica, o sistema de produção simbólica, o mercado de bens simbólicos, as crenças compartilhadas pelo campo jornalístico, e discorrer como este reproduz e reforça a ordem social.

Na próxima seção, inicialmente, serão abordados o poder simbólico, o sistema de produção simbólica, a noção de campo e o mercado de bens simbólicos, sempre abordando as questões da comunicação, do jornalismo e da imprensa como um campo de produção simbólica. Para isso, será amplamente utilizada a literatura, os conceitos e os estudos de Pierre Bourdieu no que se refere ao campo de produção cultural.

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