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CHAPITRE 9 : IMPLANTATION SUR GPU DE L’ALGORITHME HAUTE RÉ-

9.6 Résultats

9.6.1 Détermination du nombre optimal de rayons par LOR pour l’implanta-

Em que pesem suas diferenças, todas as personagens analisadas até o momento tinham como denominador comum sua associação ao governo de Francisco de Toledo. Mas o fato de gravitarem em torno de um mesmo núcleo político não deve servir para minimizar as divergências que, como se viu, manifestavam-se com relação aos mais variados assuntos. Ao contrário, o inventário das diferenças internas a esse grupo revela a riqueza de propostas de reforma da sociedade peruana que alimentaram, em maior ou menor, grau a política daquele governante. Em última instância, a decisão que teve lugar sob Toledo opunha-se e ao mesmo tempo supunha a existência das opções políticas abertas pela situação crítica posta em evidência na década de 1560. Ainda assim não é excessivo insistir na convergência de fundo que reuniu autores como Sarmiento de Gamboa, Ondegardo e Matienzo, a despeito de suas incontáveis divergências. Toledo seria apenas a personificação dessa proximidade, mas esta não coincidia de forma integral com seu governo. Tendo isto em vista, talvez seja interessante deslocar a análise rumo às margens, às situações-limite que puseram em xeque a própria vigência desse grupo e que, por isso mesmo, permite com que este seja delimitado. Parece ser este o caso de Pedro de Quiroga.

É possível afirmar que esse clérigo levou ao seu limite a possibilidade de divergência no interior da concertada produção de escritos analisada até o momento. Em sua obra mais

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Sobre os mestiços, cf. COELLO DE LA ROSA, Alexandre. Deà estizosà à riollos en la Compañia de Jesús. àop.à it.à“ILVá,àPatrícia F. op. cit.

conhecida, os Coloquios de la verdad, é possível entrever alguns dos elementos que dariam pertinência a semelhante afirmação. Basta comparar esse escrito com a Historia Indica para notar o quão radical era a distância que separava Quiroga do núcleo duro da política de Toledo; ao passo que Sarmiento de Gamboa proscrevia a existência de toda e qualquer tradição pré- hispânica, a economia narrativa adotada nos Coloquios não poderia ser mais oposta ao fazer coincidir, em alguns momentos, a voz do autor com as afirmações de uma personagem indígena177. A esse respeito, portanto, soldado e clérigo encontravam-se nos antípodas. E se da parte do primeiro estão claros os motivos que o levaram a assumir tal posicionamento, resta por analisar em que sentido a trajetória de Quiroga encontrava-se implicada nas suas formulações. Para começar, uma breve reflexão biográfica a respeito do clérigo permite que se evidencie o caráter ao mesmo tempo exemplar e marginal dessa figura no intricado panorama político e intelectual peruano das décadas de 1560 e de 1570. A esse respeito é importante levar em consideração o grande contraste existente entre seus primeiros anos no Peru e sua atuação política ao longo desse período posterior. Embora as informações a seu respeito sejam cheias de lacunas, sabe-se que o autor dedicou seus primeiros anos na região ao paciente trabalho de missionação junto aos índios. À diferença, portanto, de todos os demais autores aqui analisados, Quiroga participou diretamente daquilo que viria a ser conhecido como p i ei aà e a gelizaç o .à Esseà pe u soà à ta toà aisà sig ifi ati o quando colocado em perspectiva com o ulterior engajamento político do clérigo nas discussões travadas na década de 1560. Os Coloquios também podem ser lidos, nessa perspectiva, como um projeto de reforma análogo àquele de autores como Matienzo ou Ondegardo. Por esse mesmo motivo é necessário vincular tal obra, escrita apenas na década de 1560, à longa trajetória missionária iniciada com a chegada do autor no Peru, na década de 1540. Mas ao mesmo tempo em que seu aparecimento remontava à atividade de campo desse veterano missionário, os Coloquios simbolizavam também sua renúncia a essa atividade. A partir de então, Quiroga acercar-se-ia cada vez mais de postos relativamente elevados na estrutura eclesiástica peruana, chegando a desempenhar a função de canônico de Cusco. Essa mudança tem um sentido especial com relação ao que foi dito até o momento. Isso porque a análise da trajetória do clérigo sob o governo de Toledo permite que se mensure, enfim, sua proximidade com relação à política desse vice-rei. Mesmo que se possa observar uma crítica a pontos centrais da agenda que seria implementada pelo governante, é importante observar que se tratava ainda de uma crítica interna, realizada por uma figura que compartilhava de alguns dos elementos fundamentais esposados por Toledo e pelos demais autores analisados. Nesse mesmo sentido, é importante

mencionar a presença do religioso em alguns trechos da visita geral promovida pelo vice-rei ou ainda sua nomeação como visitador eclesiástico para a vila de Arequipa; outro indício, este indireto, da proximidade de Quiroga com o governante era sua atuação como comissário da Inquisição, a partir de 1573. Aliás, foi essa proximidade com o grupo associado a Toledo que daria sentido à possível apropriação que Acosta teria realizado dos Coloquios178. E a

mencionada proximidade com o vice-rei concorreria para tornar ainda mais significativa sua opção por vincular suas opiniões a uma personagem indígena. Qual seria o sentido de uma escolha tão curiosa?

Para responder a essa pergunta talvez seja necessário mencionar um conjunto de questões que não diziam respeito apenas à figura em questão, mas que eram tipificadas em seu percurso individual. Isso porque a cisão acima mencionada intervinha a essa altura para articular o indivíduo ao contexto que o circundava. Lembre-se a esse respeito que seu engajamento missionário inicial teve lugar num período particularmente turbulento da história local, encerrado em 1548 sob os auspícios de la Gasca. Por seu turno, também a escrita dos Coloquios e, depois, a circulação de Quiroga no circuito de funcionários próximos a Toledo seria de extremo interesse para compreender a passagem da turbulenta década de 1560 à política institucionalizada na década seguinte. Isto é, o encadeamento de situações pelas quais passou o clérigo permite ler na sua trajetória a distância existente entre o ambiente instável (e, portanto, aberto) que caracterizara a década de 1560 e o fechamento em torno (ou contra) as posições de Toledo a partir de 1569. Por ocasião da redação dos Coloquios observava-se a inexistência de uma política delimitada em termos claros por parte das instituições imperiais no Peru. A incapacidade, então, de fazer valer a agenda desejada pela Coroa para seus domínios podia ser lida na própria existência daquele livro, que atestava a possibilidade de seu autor de se associar a posições que dificilmente seriam defensáveis alguns anos depois, sob a batuta de Toledo. Isso concorre para explicar a discrepância do tom adotado nos Coloquios perante a Historia Indica. Ao contrário do que faria mais tarde um Sarmiento de Gamboa, que teria em Las Casas um oponente inescapável, Quiroga teve a possibilidade de incluir em sua obra pontos de vista até mesmo contraditórios, sem a obsessiva preocupação com a coerência tão marcante no soldado. A década de 1570 era marcada por um panorama muito simplificado a respeito das antitéticas posições possíveis, ao passo que os anos anteriores foram, por sua situação crítica, abertos a um questionamento radical dos próprios pressupostos sobre os quais se assentava o domínio castelhano na região179. Uma análise sobre as personagens que

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RÍPODAZ ARDANAZ, Daisy. op. cit. pp. 43-50.

179 “o eàoà o eitoàdeà ise ,à f.àá‘ENDT,àHannah. Entre o passado e o futuro. São Paulo: Perspectiva, 2007 [1961]. Trad. Mauro W. Barbosa. p. 223.

apareciam ao longo do diálogo elaborado por Quiroga é útil para esclarecer alguns pontos específicos a esse respeito.

Das quatro personagens que intervêm ao longo dos Coloquios, duas podem ser tidas como predominantes: o índio Tito e o espanhol Barchillón. As demais figuras apresentadas, a do espanhol Justino e a do índio Caio, têm uma participação restrita ao longo do diálogo, encontrando-se mesmo ausentes na maior parte dele. A análise de Tito e de Barchillón adquire interesse na medida em que ambos são passíveis de ser identificados com tipos clássicos da realidade peruana da época. No que se refere ao espanhol, por exemplo, não há ali qualquer tentativa de dissimular sua identificação com Pedro Hernández Barchillón. E o modelo escolhido para inspirar a personagem não poderia ser mais significativo. Isso porque se trata de uma figura publicamente conhecida, que participara da conquista e depois se aliara ao partido de Gonzalo Pizarro. É possível observar a esse propósito a importância da experiência pessoal de Quiroga, inclusive quando se lembra que Barchillón teria sido preso e condenado por la Gasca por participar da rebelião contra os representantes da Coroa. Mas foram incontáveis as figuras que tiveram a mesma sorte desse conquistador. Mesmo Ondegardo, como se viu, teve sua lealdade à Coroa forjada após sua detenção pelo mesmíssimo la Gasca. Mas há um ponto singular que faria de Barchillón uma figura particularmente interessante aos olhos do autor dos Coloquios. Ao contrário de Ondegardo, que passaria para o lado dos realistas quando estava sob sua custódia, o conquistador referido por Quiroga fugiu da prisão onde se encontrava, após o quê, sem sofrer qualquer tipo de pressão direta, retirou-se para o interior, onde passou a dedicar-seà à e a gelizaç oà dosà í dios.à Oà a te à olu t ioà dessaà o e s oà à e dadei a à causa missionária, ignorada pelos conquistadores, seria o signo distintivo a atribuir uma virtude a Barchillón. Mesmo as autoridades que representavam a Coroa teriam reconhecido esse fato, concedendo ao revoltoso arrependido seu perdão. Após esse favor oficial, essa figura passou a dedicar-se à obra pia por excelência da época, como servidor do hospital de Huamanga180. Ora,

de modo análogo à pessoa que a inspirara, a personagem de Quiroga era apresentada ao leitor como um eremita que teria adquirido tal condição após arrepender-se dos crimes que perpetrara no momento da conquista. Mais sintomático ainda era a reação que esse arrependimento teria provocado: na condição de eremita, Barchillón fora alvo do escárnio de todos os que o rodeavam, o que reforçava ainda mais o valor de sua conversão181. Como essas observações tornam evidente, a escolha por atribuir uma caracterização tão singular à principal personagem de extração europeia manifestava a preocupação de um autor que chegara ao

180 Pa aàu àe e plo,àa ueleàjesuíti o,àdeàatuaç oà osàhospitais,à f.àO MáLLEY,àJoh àW.àop.à it.àpp. 268- 273.

Peru na década de 1540 e, portanto, vivenciara em parte os acontecimentos que marcaram o estado de guerra civil pela qual a região então passara. Esse tema, aliás, não aparecia apenas por ocasião da construção dessa personagem, mas irrompia nos Coloquios em diversas ocasiões. As próprias características de Barchillón eram mesmo acentuadas no primeiro colóquio, onde este discute com Justino. Os termos usados pelo eremita para contestar o otimismo de seu amigo, fazendo contrastar sua experiência com a condição forasteira deste, apenas reforçava o desvalor parcial sob o qual a conquista deveria ser encarada por quem, em plena década de 1560, porventura lesse a obra de Quiroga182. Nada mais distante da reabilitação, que seria promovida poucos anos depois por Sarmiento de Gamboa e Toledo, dos conquistadores que teriam servido, enfim, à derrota do inimigo indígena. Pizarro segundo a Historia Indica encontrar-se-ia no campo oposto ao de Barchillón.

Quanto à figura de Tito, a apresentação desse índio ocorria em termos muito diversos em comparação com o espanhol. Como se viu, esta figura fora composta por Quiroga a partir de uma imagem localizável da história peruana; quando se mencionava o nome de Barchillón o autor mobilizava o senso comum dos leitores, que já possuíam uma visão predeterminada a respeito do conquistador arrependido. Embora Tito também possa ser considerado uma figura ideal, foi outro o caminho percorrido pelo clérigo na composição de sua personagem indígena. Como já foi referido, a forma como se deu a presença desse natural nos Coloquios revelava uma aproximação muito maior de seu autor com relação aos nativos do que acontecia, por exemplo, em Matienzo. A veiculação de Tito como figura ideal era, portanto, objeto de interesse semelhante àquele revelado com relação a Barchillón. Mas o caminho trilhado por Quiroga para apresentar sua personagem continha algumas opções que lhe conferiam ainda mais significado. Ora, quando tem início o segundo colóquio, em que são introduzidas as duas personagens indígenas, o tom adotado pelo texto é francamente adverso a estas. Isso porque os índios entram em cena no curso de um ritual idolátrico assistido em segredo por Barchillón e Justino183. Apenas dissimulados os espanhóis tinham a essoà à e dadei a à fa eà daà ultu aà nativa, que não poderia ser apresentada de modo mais sintonizado com a denúncia feita poucos anos antes por Ondegardo. Aliás, é possível pensar que essa passagem tinha por objeto não apenas a idolatria, mas sua própria denúncia por parte de espanhóis tão zelosos quanto Barchillón, o que de fato ocorreria logo em seguida na narrativa. O momento em que estes irrompem em meio ao ritual indígena não poderia ser mais significativo: apropriando-se de uma temática amplamente tratada, como se viu, por autores que vão de Matienzo a Acosta, Quiroga fazia coincidir o ápice da cerimônia idolátrica com a tentativa de suicídio de Tito. Mas

182 Idem. pp. 73-87.

se a intervenção dos europeus delineava um cenário moral dividido entre duas escolhas possíveis, o prosseguimento do texto fazia com que o leitor se deparasse com um panorama muito mais complexo. A exemplo do que ocorre com Barchillón, é possível perceber logo de início a singular posição ocupada por Tito que, ao contrário de seu companheiro Caio, não foge dos espanhóis. Sua reação inesperada ao flagrante que lhe fora dado era seguida por uma conversação travada com Barchillón, em que o índio se apresenta como interlocutor extremamente qualificado. Na verdade, Tito praticamente monopoliza a discussão com o espanhol, o que o coloca mesmo numa situação superior aos olhos do leitor. Mesmo assim, resta como marca indelével o ato idolátrico em que esse índio ladino fora inicialmente apresentado. É interessante a esse respeito lembrar as suspeitas levantadas com relação a mestiços e ladinos por parte de figuras como Toledo e Acosta184. Mas ainda que Tito não seja um cristão exemplar, Quiroga faz dele o detentor da maior parte das referências bíblicas feitas ao longo dos Coloquios. Em seu conjunto, esse panorama valorizador traçado pelo clérigo em torno de sua principal personagem indígena concorre para associá-la à elite cusquenha da d adaà deà .à Des o e ta à essesà a osà po à auto esà t oà sig ifi ativos quanto Juan de Betanzos185, essa elite de extração incaica, que mais tarde seria glorificada por Garcilaso de la Vega, era estratégica para Quiroga na medida em que lidava perfeitamente a esta altura com os códigos culturais ocidentais. Esse ponto oferece uma interligação entre a forma dialógica dos Coloquios e a caracterização das personagens. Não apenas Tito, mas também Barchillón compunham um singular conjunto de figuras onde a comunicação entre índios e espanhóis seria possível. O contraste era oferecido tanto pelo fugitivo índio Caio, quanto por Justino, que logo se oferece para persegui-lo e puni-lo.

Basta atinar para a composição das personagens para notar a distância existente entre os Coloquios e as proposições lascasianas. Estava ausente dali a linha moral, traçada pelo dominicano, mas também por seus seguidores e detratores, que dividia os campos possíveis de atuação entre duas posições antagônicas186. A facilidade com que muitos se apegavam à o t aposiç oà e t eà e à eà al à oà podiaà seà faze à presente numa obra que punha em questão seus próprios fundamentos. Muitas gradações se escondiam no amplo espectro de casos manifestos entre a bondade e a maldade, os quais por seu turno teriam pouco a acrescentar sobre a realidade peruana. Mesmo nos momentos em que Quiroga parecia entregar-se de todo à crítica ou ao elogio, observa-se seu cuidado em temperar suas próprias

184 ACOSTA, José de. De procuranda. op. cit. v. 2. pp. 430-433. TOLEDO, Francisco de. op. cit. v. 1. pp. 367- 420.

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A respeito de Juan de Betanzos, cf. PEASE G. Y., Franklin. op. cit. pp. 227-243.

186 Sobre o conceito deà o al ,à f.àáGáMBEN,àGio gio.àA comunidade que vem. Lisboa: Presença, 1993 [1990]. Trad. António Guerreiro. pp. 18-20.

afirmações. A forma como a conquista foi tratada no primeiro colóquio é bastante instrutiva a esse respeito. Já vimos que Quiroga tinha sobre esse tema uma opinião muito diversa, ou até mesmo oposta, com relação àqueles que defendiam a forma como se constituiu o domínio castelhano sobre o Peru. Mas mesmo quando fez do respeitável Barchillón a prova viva, com referente concreto, dos erros cometidos pelos espanhóis, isto não chegava para que o leitor concluísse pelo desvalor absoluto da conquista. Afinal, Justino também se encontrava munido de argumentos convincentes em favor de seu partido. Ora, se é fácil para o arrependido Barchillón mencionar casos incontestáveis e mesmo numerosos de abusos perpetrados pelos adventícios, seu interlocutor procura conter essa crítica no campo da exceção. Como norma, a conquista teria ocorrido sob o signo da honradez; em vez de voltar-se contra o todo, os detratores da Coroa deveriam voltar-se para o grupo de figuras, restrito, que teria desrespeitado os justos títulos de domínio com o intuito privado de fazer guerra aos índios187. Ao voltar suas baterias contra os interesses particulares de alguns conquistadores, Justino estava a criticar sua exacerbada autonomia perante a Coroa. Seu procedimento voltado para o ganho pessoal terminara por obstar uma ocupação fundada no bem comum de índios e de espanhóis. Não deixa de ser estranho que essa defesa da subordinação à autoridade do rei e do clero tivesse lugar na boca de um típico representante da ambiciosa soldadesca que depois seria tematizada por Matienzo. Esse posicionamento talvez não seja tão estranho quando concebido como resposta à inescapável condenação feita por Barchillón. Por um lado, tratava- se de reconhecer os abusos e de atribuí-los a um grupo isolado de conquistadores; por outro lado, tratava-se de reivindicar a possibilidade de uma atuação conquistadora sob as ordens das autoridades. Seria possível ler a conquista com outros olhos.

Embora constituísse a defesa de um grupo que seria adverso a Toledo, é possível reconhecer nesse posicionamento uma convergência parcial com relação à política que viria a ser adotada pelo vice-rei. A princípio, é fato que ambos defendiam a necessidade de constituir um domínio espanhol sobre o Peru com base na autoridade real. Mas essa formulação comum escondia motivações opostas. Se no governante esse ponto servia à consolidação do atrelamento do poder local às instituições imperiais, a posição de Justino nos Coloquios procurava salvaguardar a validade da ação dos conquistadores, mesmo que para tanto fosse necessário reconhecer, em alguma medida, a importância de colocar-se sob as autoridades constituídas. Há ainda outra diferença entre a personagem e o governante no que toca à jurisdição eclesiástica. Ao passo que Toledo, cioso de ampliar as prerrogativas das instituições imperiais, tolheria paulatinamente o campo de atuação do clero peruano, Justino caminhava

num sentido diverso. Sua intenção de absolver os conquistadores tinha na sua vinculação com aà Ig ejaà pe ua aà u à a gu e toà deà pa ti ula à fo çaà pe a teà asà íti asà à aç oà pou oà ist à daqueles. Para tanto, nada mais coerente da parte de Justino que a defesa da autonomia e da extensão da jurisdição eclesiástica no Peru. Nada poderia estar mais distante disso que o