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Détermination de la surface nécessaire du radier

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CHAPITRE VIII : ETUDE DE L'INFRASTRUCTURE

VIII.5. Détermination de la surface nécessaire du radier

A cibercultura surge a partir de uma imbricação entre técnica, sociedade e cultura, em que as transformações alcançadas não podem ser entendidas numa visão simplista de causa- efeito. Concordando com essa perspectiva, André Lemos define cibercultura como “a forma sociocultural que emerge da relação simbiótica entre a sociedade, a cultura e as novas tecnologias de base micro-eletrônica [...]” (LEMOS, 2003, p.12). Dessa forma, embora originada a partir da evolução da microeletrônica, da microinformática e das telecomunicações, que possibilitaram a comunicação em rede numa perspectiva global, a cibercultura é fruto de uma sinergia entre o social e o técnico.

Segundo Pierre Lévy:

A emergência do ciberespaço acompanha, traduz e favorece uma evolução geral da civilização. Uma técnica é produzida dentro de uma cultura, e uma sociedade encontra-se condicionada por suas técnicas. E digo condicionada, não determinada. (...) Dizer que a técnica condiciona significa dizer que algumas possibilidades, que algumas opções culturais ou sociais não poderiam ser pensadas a sério sem sua presença. Mas muitas possibilidades são abertas, e nem todas serão aproveitadas. (LÉVY, 2000, p.25).

Nesse sentido, não podemos pensar na técnica como um artefato que determina transformações sociais; no entanto, imaginar, por exemplo, a comunicação global como hoje se dá, sem a presença das TIC, nos parece impossível. As tecnologias são, portanto, condicionantes de novas formas de agir e pensar, condicionantes de novos processos culturais, já que, sem elas, as possibilidades abertas não existiriam. Porém, a existência das possibilidades abertas pelas técnicas não determinam as mudanças culturais, pois estas poderão ou não ser aproveitadas. Dessa forma, Pierre Lévy argumenta que a tecnologia, embora condicionante, não pode ser vista como um ator autônomo que atua separadamente da sociedade e da cultura.

As verdadeiras relações, portanto, não são criadas entre a tecnologia (que seria da ordem da causa) e a cultura (que sofreria os efeitos), mas sim entre um grande número de atores humanos que inventam, produzem, utilizam e interpretam de diferentes formas as técnicas. (LÉVY, 2000, p.23).

A cibercultura, condicionada pelas técnicas, abre uma série de possibilidades que podem ser aproveitadas no sentido da autoria e do compartilhamento, e possibilita, também, uma nova forma de imersão interativa na e com a informação. Um novo modo de pensar, novas práticas, é potencializado pela emergência do ciberespaço que oferece, a partir da

estruturação em rede, um ambiente propício para o desenvolvimento do que é denominado por Pierre Lévy (1998) de inteligência coletiva e que, na concepção do autor, “é uma inteligência distribuída por toda parte, incessantemente valorizada, coordenada em tempo real que resulta em uma mobilização efetiva das competências” (LÉVY, 1998, p.28), e que tem como base e objetivo “o reconhecimento e o enriquecimento mútuo das pessoas” (LÉVY, 1998, p.29).

Alguns aspectos da cibercultura a caracterizam de forma muito peculiar. Manuel Castells (2006) levanta cinco características principais da sociedade em rede, baseado nos principais aspectos do que ele chama de paradigma da tecnologia da informação: (1) o foco na informação agindo sobre a própria informação, diferentemente das revoluções tecnológicas anteriores nas quais a informação era pensada para agir sobre as tecnologias; dessa forma, a informação é a matéria-prima da revolução, ocupando nela o papel central; (2) a penetrabilidade dos efeitos, já que a informação permeia todos os processos da nossa existência, de forma que todos, sem exceção, estão participando (ainda que minimamente) da sociedade informacional e têm sua existência individual e coletiva influenciada – mas não determinada – pelas TIC; (3) a lógica das redes, cuja morfologia “parece estar bem adaptada à crescente complexidade de interação e aos modelos imprevisíveis do desenvolvimento derivado do poder criativo dessa interação” (CASTELLS, 2006, p.108) – especialmente pela possibilidade da comunicação muitos-muitos; graças às TIC a topologia das redes pode ser materializada em qualquer processo ou organização potencializando essa nova lógica de relacionamentos e o crescimento exponencial natural da estrutura em rede; (4) a flexibilidade (que pode ser tanto uma força libertadora quanto uma tendência repressiva, a depender de quem sejam os redefinidores das regras), a partir de sua grande capacidade de reconfiguração, trazendo o potencial da transformação e adaptação ao contexto; (5) a convergência para um sistema altamente integrado, o que resulta na sua lógica de compartilhamento, e possibilita uma atuação multimidiática; dessa forma, novas e antigas linguagens podem ser integradas em um único sistema de informação possibilitando o fácil acesso e potencializando a diversidade de escolhas entre múltiplos caminhos que são criados a cada instante.

André Lemos (2003) caracteriza a cibercultura através de três leis fundamentais: (1) a lei da reconfiguração; (2) a lei da liberação do polo-emissor; e (3) a lei da conectividade generalizada. A primeira lei refere-se à questão de evitar a lógica da substituição na cibercultura; tudo deve ser reconfigurado agregando novas técnicas, sem necessariamente descartar as antigas; isso é possibilitado pela digitalização e pela tendência à convergência e

integração de mídias levando a uma crescente utilização multimidiática da rede. A segunda lei, a liberação do polo-emissor, diz respeito à emergência de vozes antes reprimidas pela intermediação dos meios de comunicação de massa, já que a comunicação de massa supõe a produção e o controle da informação por um grupo privilegiado, enquanto a grande massa atua como ouvintes passivos; com a possibilidade da comunicação todos-todos numa lógica de redes, emissor e receptor se fundem e passam a ser ambos, em potência, cocriadores da mensagem. A terceira lei fala da conectividade generalizada entre homem-homem, homem- máquina e máquina-máquina; o tudo em rede, a rede em todos os lugares e em todos os equipamentos trazendo a ubiquidade do ciberespaço para a vida cotidiana e reforçando a sensação de simultaneidade temporal e de velocidade das relações e das mudanças (LEMOS, 2003).

Armazenar informações no formato de números (digitalizar) é a base de todas as transformações do ciberespaço, já que todo tipo de informação (textos, imagens, documentos, áudios, vídeos) pode ser codificado em padrões de zeros e uns e armazenado em computadores eletrônicos. A partir da digitalização, as informações podem ser copiadas e transmitidas indefinidamente, sem que sejam consumidas ou desgastadas; além disso, como o armazenamento é feito através de números, as informações podem ser objeto de cálculos aritméticos e lógicos executados pelos computadores, e esses cálculos podem produzir transformações na informação original. Assim, a informação digitalizada “pode ser processada automaticamente, com grau de precisão quase absoluto, muito rapidamente e em grande escala quantitativa” (LÉVY, 2000, p.52). Essa possibilidade de processamento rápido e preciso significa que a mensagem, antes rígida e inalterável, pode agora sofrer inúmeras transformações de acordo com o desejo de cada sujeito que entra em contato com ela, potencializando a possibilidade de autoria individual e coletiva.

Dessa forma, a digitalização produz na informação uma transformação que a torna mais fluida, mais volátil e com uma maior possibilidade de reprodução e de geração de novas informações, diferentes da original, mas geradas a partir dela. A informação digitalizada não é irreal, nem desmaterializada – já que ocupa um espaço, ainda que mínimo, no meio digital – é sim virtualizada e, sobretudo, “pode tornar-se visível de acordo com outras modalidades que não a reprodução em massa” (LÉVY, 2000, p.54). Embora na linguagem corrente o termo virtual seja relacionado a uma ilusão, no sentido filosófico traz a noção de potência, e pode ser entendido como um processo de questionamento, de problematização, de deslocamento do aqui e agora (LÉVY, 1996).

Com o desenvolvimento da informática e das comunicações computadorizadas em rede, popularizaram-se os termos “virtual” e “virtualidade” que aparecem pela primeira vez, nesta área, nos anos de 1970, com a introdução, pela IBM, do conceito de memória virtual (LEMOS, 2004). No entanto, o conceito de virtual é muito mais abrangente que a informatização. Segundo Pierre Lévy (1996), embora a digitalização no ciberespaço desempenhe um papel importante nas transformações do mundo contemporâneo, existem outros vetores da virtualização como: a imaginação, a memória, o conhecimento, a religião; vetores estes que levaram ao abandono da presença muito antes da informatização.

O virtual tem somente uma pequena afinidade com o falso, o ilusório, o imaginário. Trata-se, ao contrário, de um modo de ser fecundo e poderoso, que põe em jogo processos de criação, abre futuros, perfura poços de sentido sob a platitude da presença física imediata. (LÉVY, 1996, p.12).

[...] o virtual não se opõe ao real, mas ao atual. Contrariamente ao possível, estático e já constituído, o virtual é como o complexo problemático, o nó de tendências ou de forças que acompanham uma situação, um acontecimento, um objeto ou uma entidade qualquer, e que chama um processo de resolução: a atualização. Esse complexo problemático pertence à entidade considerada e constitui inclusive uma de suas dimensões maiores. O problema da semente, por exemplo, é fazer brotar uma árvore. A semente é esse problema, mesmo que não seja somente isso. Isto significa que ela conhece exatamente a forma da árvore que expandirá finalmente sua folhagem acima dela. A partir das coerções que lhe são próprias, deverá inventá-la, coproduzi-la com as circunstâncias que encontrar. (LÉVY, 1996, p.16).

André Lemos, Cláudio Cardoso e Marcos Palácios (2005), tomando como base o exposto por Pierre Lévy em seu livro O que é virtual, argumentam que:

Podemos ver o real como o conjunto de processos de virtualização e atualização sucessivos, sendo os primeiros dispositivos de questionamento de um determinado estado de coisas, e os segundos formas de resoluções desses problemas. Assim sendo, quando escrevemos este artigo, virtualizamos (pomos em questão) essa temática: educação e novas tecnologias, atualizando-a quando escolhemos uma abordagem e não outra, quando finalizamos escrevendo este texto. O processo é infindável, já que o leitor vai de novo virtualizar nosso texto ao lê-lo, ao questioná-lo com suas referências adquiridas e com uma criação de relações e vínculos próprios. Grosso modo podemos, para o que nos interessa aqui, dizer que todo processo de virtualização é um deslocamento do aqui e agora [...]. Assim, virtual se opõe ao atual, fazendo parte do real. (LEMOS; CARDOSO; PALÁCIOS, 2005, p.10-11).

O atual, então, é a solução exigida pela problemática, pelo virtual; é o produto da atualização feita pelo virtual e que alimenta de volta o virtual. Atual e virtual coexistem e se

intercambiam a partir de soluções (atualizações) e problematizações (virtualizações) numa espiral infinita, estando o virtual sempre na posição do questionamento, da possibilidade, da potência, ampliando os graus de liberdade e potencializando a criação. O real é entendido, nessa concepção, como o movimento alternado entre virtualizações e atualizações sucessivas.

Com as TIC e com a digitalização da informação, o potencial da virtualização é ampliado a partir da facilidade de modificação da informação, da comunicação independente de lugar ou de tempo, da possibilidade de cooperação e compartilhamento de memórias. “A extensão do ciberespaço acompanha e acelera uma virtualização geral da economia e da sociedade” (LÉVY, 2000, p.49).

Com a possibilidade de manipulação da informação de forma fácil e em grande escala através da digitalização, um outro conceito, a hipertextualidade, ganha renovada força com o computador e as redes. A noção de hipertexto não é exclusiva das TIC, afinal, o próprio pensamento se dá de forma hipertextual, já que passamos de uma reflexão a outra a partir das conexões semânticas construídas pela memória, pelos conhecimentos anteriores que possuímos, pelas múltiplas referências que valorizamos. O termo, como dito anteriormente, foi proposto por Ted Nelson, em 1965, para definir o conceito de conexão de informações textuais, de forma que um texto poderia ser ampliado com novas “janelas” de informações previamente conectadas (LEMOS, 2004). Lévy define hipertexto como um texto não linear estruturado em rede e “constituído por nós [...] e por links entre esses nós [...] indicando a passagem de um nó a outro” (LÉVY, 2000, p.56). Uma enciclopédia (mesmo impressa) é um documento hipertextual com seus índices e seus termos definidos a partir de referências a outros termos. No entanto, a hipertextualidade de um texto impresso implica um movimento de buscar uma referência num índice, numa biblioteca, de forma que a hipertextualidade nem sempre se dá de forma direta. Se pensarmos numa enciclopédia digitalizada (a exemplo da Enciclopédia Britânica Digital) a hipertextualidade é potencializada, já que, com um simples “clique” pode-se adentrar a conteúdos diversos e, a partir disso, construir um caminho individualizado a ser percorrido de forma única. Quando passamos a um suporte digital em rede, como é o caso da Wikipédia6, o potencial da hipertextualidade é ampliado ainda mais, já

6 A Wikipédia é uma enciclopédia cujo conteúdo é livre e construído de forma colaborativa por qualquer

internauta; seu conteúdo é regido pelos termos da licença conhecida como GFDL (Gnu Free Documentation License), o que significa que tal conteúdo, em sua plenitude, pode ser livremente copiado, alterado e redistribuído por terceiros, desde que sejam dados os devidos créditos, segundo as determinações das licenças. O projeto foi iniciado em janeiro de 2001 e já possui mais de 14 milhões de artigos em centenas de línguas e dialetos. Mais informações disponíveis em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Wikipedia>; acesso em 06 abr. 2010.

que os links levam a espaços abertos na rede possibilitando um conjunto inumerável de caminhos possíveis e acesso a informações não previamente previstas e pensadas; a Wikipédia apresenta ainda um importante potencial a mais, caracterizado pela cocriação, descentralizando a construção de seu conteúdo e possibilitando a produção colaborativa em rede e, consequentemente, a modificação da informação – o que seria impossível sem a presença digital da rede.

Marco Silva (2002) traz o hipertexto como o grande divisor de águas entre a comunicação de massa e a comunicação interativa. Isso fica claro ao observarmos a modificação da leitura quando esta é hipertextual; o texto perde sua linearidade e a cada indivíduo é possível definir um caminho único de acesso a conteúdos diversos, e até contraditórios, possibilitando o contato com uma multivocalidade que é potencializada pelo digital. Essa multivocalidade pode ser entendida como um dispositivo de comunicação polifônica a partir de contribuições de vários autores, assumindo a possibilidade da complementaridade como um princípio norteador, e que viabilizaria um conjunto de informações mais completo (e complexo) já que poderia expor versões complementares de um tema, deixando ao indivíduo a possibilidade de efetuar suas próprias sínteses e combinações (SIMEÃO; MIRANDA, 2006).

É interessante notar que essa possibilidade de aprofundamento de um tema que tenha sido apenas superficialmente tratado em um site através de um link imediato a outro site mais especializado (que pode estar fisicamente situado em qualquer parte do mundo) é uma das grandes originalidades e uma das mais impressionantes vantagens da Web. (LÉVY, 2000, p.88).

A possibilidade de escolha individual leva-nos a outro importante conceito, também diretamente imbricado com a definição de cibercultura: a interatividade. Marco Silva (2002) traz a interatividade como um mais comunicacional que emerge a partir da sociedade em rede, trazendo consigo a livre expressão, o diálogo e uma nova importância para a linguagem. O autor argumenta que:

[...] um produto, uma comunicação, um equipamento, uma obra de arte, são de fato interativos quando estão imbuídos de uma concepção que contemple complexidade, multiplicidade, não linearidade, bidirecionalidade, potencialidade, permutabilidade (combinatória), imprevisibilidade etc., permitindo ao usuário-interlocutor-fruidor a liberdade de participação, de intervenção, de criação. (SILVA, 2002, p.100).

É importante perceber a relação da interatividade com a hipertextualidade potencializada pelas TIC. Transformar a leitura de um hipertexto em um caminho individualizado pressupõe a interatividade e a autonomia do leitor na construção do seu caminho. Se um texto, ainda que construído de forma hipertextual, é lido linearmente, sem interatividade, o potencial do hipertexto está sendo desprezado; mas essa, no entanto, é uma opção individual do leitor, o que significa que a simples presença de elementos hipertextuais não garante (não determina) a mudança de uma postura passiva para outra ativa, autônoma e, consequentemente, interativa. Em contrapartida,

[...] considerar o computador apenas como um instrumento a mais para produzir textos, sons, imagens sobre suporte fixo (papel, película, fita magnética) equivale a negar sua fecundidade propriamente cultural, ou seja, o aparecimento de novos gêneros ligados à interatividade. (LÉVY, 1996, p.41). Alex Primo (2007) opta por utilizar a expressão “interação mediada por computador” e alerta para a banalização do termo “interatividade” que vem sendo associado mais a um argumento de venda que a uma relação dialógica. Nesse sentido, Alex Primo diz que Marco Silva está correto quando propõe evitar os discursos totalizantes, as separações maniqueístas e o debate simplificador sobre interatividade, e sugere a valorização da complexidade dialógica do processo, das possibilidades de livre debate, influência recíproca e cooperação em ambientes mediados tecnologicamente. Para tanto, o autor assume uma postura sistêmica – que vê o mundo justamente em termos relacionais – e busca compreender a complexidade dos processos interativos dando ênfase ao que se passa “entre” os participantes. Alex Primo classifica as interações mediadas por computador em dois grandes tipos, mútua e reativa, defendendo, no entanto, que cada uma delas pode apresentar diferentes intensidades e que é possível estabelecer interações que são ao mesmo tempo mútuas e reativas. Segundo o autor:

[...] a interação mútua é aquela caracterizada por relações interdependentes e processos de negociação, em que cada interagente participa da construção inventiva e cooperada do relacionamento, afetando-se mutuamente; a interação reativa é limitada por relações determinísticas de estímulo e resposta. (PRIMO, 2007, p.57)

Na visão de Alex Primo, numa interação mútua os participantes, além de atuarem na definição de suas relações, também são (re)definidos pelo relacionamento, que os afeta recursivamente. Nesse sentido, a interação mútua não é baseada em uma causalidade linear – característica da interação reativa – mas sim é construída no processo e de forma dependente da história de vida de cada participante e dos contextos social e temporal. Além disso,

interações posteriores serão influenciadas pelos traços deixados por outras interações, e não se pode reproduzir as reações que se dão em cada uma delas (PRIMO, 2007). Já os sistemas reativos, segundo o autor, são caracterizados por interações reativas que se dão baseadas em um equilíbrio estático, em que as trocas acontecem condicionadas a predeterminações, dentro de limites previstos; na interação reativa, as mesmas reações programadas se repetem, “em vez de ser negociada, a relação insiste em perseguir os trilhos demarcados” (PRIMO, 2007, p.154). Alex Primo defende a interação mútua nos ambientes mediados tecnologicamente na intenção de valorizar as possibilidades de livre debate, influência recíproca e cooperação, de forma que processos problematizadores sejam estabelecidos nesses ambientes.

Como podemos perceber, uma das maiores – senão a maior – transformações que observamos na cibercultura está relacionada com a comunicação. Os meios de comunicação antes da Internet são caracterizados pela comunicação de massa: um polo-emissor, produtor da informação que é transmitida, sem possibilidade de intervenção dos receptores – a exemplo da TV, do rádio, do jornal impresso. Concordamos com André Lemos quando diz que:

[...] a Internet não é uma mídia no sentido que entendemos as mídias de massa. Não há fluxo um-todos e as práticas dos utilizadores não são vinculadas a uma ação específica. Por exemplo, quando falo que estou lendo um livro, assistindo TV ou ouvindo rádio, todos sabem o que estou fazendo. Mas quando digo que estou na Internet, posso estar fazendo todas essas coisas ao mesmo tempo. Além de enviar e-mail, escrever em blogs ou conversar em um chat. Aqui não há vínculo entre o instrumento e a prática. (LEMOS, 2003, p.17).

Nesse sentido, muito mais que uma mídia de massa, a Internet é um ambiente que agrega recursos de interação. A conexão generalizada do ciberespaço tem como um de seus principais fatores a liberação do polo-emissor da informação, antes dominado e controlado pelos meios de comunicação de massa. Pela primeira vez na história, potencialmente falando, qualquer indivíduo tem a possibilidade de gerar/receber informação (em qualquer formato) para/de qualquer pessoa em qualquer lugar do planeta, o que favorece a criação de grupos em torno de tendências e objetivos comuns, em práticas de colaboração e coautoria que repercutem na forma de produção de conhecimento na contemporaneidade.

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