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Déstabilisation de l’interface solide/liquide et conséquences

I. Etat de l’art

1. La solidification des eutectiques

1.3. Déstabilisation de l’interface solide/liquide et conséquences

No primeiro dia de aula, iniciei com a aplicação do questionário, com o intuito de conseguir algumas informações importantes, tais como: idade atual, etnia, idade que aprendeu o PB e a concepção de interculturalidade considerando as realidades acadêmicas e docentes de suas aldeias, bem como uma pergunta sobre o que é ser crítico.

A informação sobre a aprendizagem do português foi um critério de congruência para o uso da concepção de português como segunda língua; as concepções de Interculturalidade foram pontos cruciais para compreender as epistemologias que circundam a formação desses(as) acadêmicos(as) indígenas; e, por fim, o questionamento sobre criticidade veio ao encontro das abordagens que utilizamos neste estudo, inerentes ao contexto Intercultural indígena.

Para melhor exposição, apresentamos, no Quadro 7, algumas concepções em resposta à seguinte pergunta do questionário “O que é Educação Intercultural?”

Quadro 7 − Concepções sobre Educação Intercultural

Participantes86 Concepção de interculturalidade

Povo Xerente 1 aluno e 1aluna

“É a educação de todos, por que indivíduos a educação do povos, tanto indígena e não índio, onde podemos trocar o conhecimento de nos com outros povos “troca de conhecimento” dentro das culturas. No meu ponto de vista são várias culturas diferentes que nós se encontramos no estudo da faculdade da UFG”. (Excerto A)

Povo Guajajara A educação intercultural para mim é uma troca de conhecimento entre

culturas. Para mim a educação intercultural é a troca de saberes diferentes,

86 Para fins de preservação das identidades dos(as) estudantes indígenas, expomos os dados nomeados pela etnia ou povo.

178 1 aluno e 2 alunas conhecimentos diferentes entre povos, de acordo com os nossos saberes

tradicionais. Se refere a diversidade cultural que se manifesta na sociedade

cultural uma origens e etnia e línguas diferentes. (Excerto B) Povo Xavante

7 alunos e 1aluna

A educação intercultural é cultura dos povos indígena e outros também

para reconhecer vários culturais. É a educação diferenciada para os povos indígenas terem reconhecimento das nossas identidades e sustentar a nossa cultura, tradição e crença. A educação intercultural

aonde tem escola de vários povos como estamos aqui na UFG, estudando juntos. A educação intercultural é papel maior de saberes como todos,

esses saberes interagem e dão valor de conhecimento da cultura, línguas, costumes entre outros, nova visão, outro olhares, refazer vida, melhorar e reforçar. A Educação Intercultural, no contexto da letras sociais contra os processos crescente e o reconhecimento das diferenças ao mesmo tempo em que sustentam a interrelação. A educação intercultural é o encontro de duas línguas ou conhecimento. Os povos contribuem seus conhecimento cultural com os demais, e o povo aprendeu com outro povo, também com o não-indigena. A educação intercultural é a

diversidade cultural e várias étnicas. (Excerto C) Povo Kaiapó

1 aluno

No meu entendimento a educação intercultural aonde os professores

indígenas tem espaço para estudar os conhecimentos ocidentais e inclusive os conhecimentos tradicionais para fortalecer os saberes tradicionais interagindo uns com os outros. A educação intercultural são as trocas de saberes indígenas e de diálogo entre os conhecimentos que vem

de geração para geração. (Excerto D) Povo Karajá

1 aluno

A educação intercultural é a diversidade cultural e várias étnias. (Excerto

E)

Povo Kuikuro 3 alunos

Intercultural é importante pra mim ter conhecimentos dos indígenas e não

indígenas. Na minha opinião, a educação intercultural está de parabéns, que

trouxe muita experiência na minha formação acadêmica. Várias cultura

conhecimento diferente é de vários povos. (Excerto F)

Povo Gavião 1 aluna

É uma educação diferenciado e com isso nos aprendemos ter conhecimento diferentes. E aqui na educação intercultural aprender a dar mais valor a

minha cultural e a minha lingua materna, porque ela e minha identidade. (Excerto G)

Fonte: Elaborado pela autora, 2019.

As concepções sobre o termo Interculturalidade, transcritas no Quadro 7, partem das práticas pedagógicas dos(das) acadêmicos(as) indígenas do curso, extraídas da questão nº 7 do questionário.

No Excerto A, o aluno e a aluna do povo Xerente acreditam que a Educação Intercultural envolve o conhecimento entre as culturas, afirmam que há “‘troca de

conhecimento’ dentro das culturas”, e ainda “várias culturas diferentes que nós se encontramos”.

No Excerto B, destacamos as assertivas dos(das) estudantes do povo Guajajara, que assegura que a Educação Intercultural é “uma troca de conhecimento”, “uma troca

de saberes, conhecimentos diferentes entre povos, de acordo com os nossos saberes tradicionais” e, ainda, “diversidade cultural”.

179 No Excerto C, salientamos as seguintes afirmações sobre o que é a Educação Intercultural, segundo a opinião do grupo de discentes pertencentes ao povo Xavante, que afirmaram que é a “educação diferenciada para os povos indígenas terem

reconhecimento das nossas identidades e sustentar a nossa cultura, tradição e crença”. “A educação intercultural é papel maior de saberes como todos, esses saberes interagem e dão valor de conhecimento da cultura, línguas, costumes entre outros, nova visão, outro olhares, refazer vida, melhorar e reforçar” [...] o reconhecimento das diferenças ao mesmo tempo em que sustentam a interrelação.

“Os povos contribuem seus conhecimento cultural com os demais, e o povo aprendeu

com outro povo, também com o não-indigena”.

No Excerto D, o aluno acadêmico da etnia Kaiapó afirma que “a educação

intercultural aonde os professores indígenas tem espaço para estudar os conhecimentos ocidentais e inclusive os conhecimentos tradicionais para fortalecer os saberes tradicionais interagindo uns com os outros”.

No Excerto E, do estudante acadêmico pertencente ao povo Karajá, a Educação Intercultural é concebida com “diversidade cultural e várias étnias”.

No Excerto F, alunos acadêmicos pertencentes ao povo Kuikuro acreditam que a Educação Intercultural consiste em “ter conhecimentos dos indígenas e não indígenas”, “formação acadêmica. Várias cultura conhecimento diferente é de vários povos”.

No Excerto G, a aluna acadêmica da etnia Gavião explica que “aqui na educação

intercultural aprender a dar mais valor a minha cultural e a minha lingua materna, porque ela e minha identidade”.

A partir das respostas obtidas sobre Educação Intercultural, centramos nossa atenção nas diferentes concepções, tendo em vista que os(as) alunos(as) têm o PB como segunda língua e são ingressos da turma de 2017, o que significa que já iniciaram os estágios que perpassam os conceitos de interculturalidade, diversidade, sustentabilidade e diversidade.

A princípio, é recorrente a afirmação de que a Educação Intercultural consiste na troca de conhecimentos entre culturas e que faz jus à diversidade cultural. Posteriormente, nas respostas mais elaboradas, notamos a complexidade da concepção de interculturalidade, que sugere sua importância para o fortalecimento das culturas indígenas, bem como a formação acadêmica a começar pelo reconhecimento das identidades para sustentar a cultura, tradição e crença desses povos, ressaltando a relação dos conhecimentos tradicionais e ocidentais.

180 Em consonância com as teorias sobre interculturalidade, a formação acadêmica indígena buscar resistir às interferências da cultura ocidental em prol da valorização do tradicional. Nesse sentido, o contato entre culturas e a troca de conhecimentos são centralizados na valorização e revitalização dos povos indígenas. O enfoque não está no “outro”, pertencente à sociedade dominante, mas sim nos “eus” como povos indígenas.

Quanto à criticidade, considerando a opinião dos alunos frente suas realidades, solicitei aos(as) discentes que respondessem a questão n.º10 do questionário, que consiste na pergunta “O que é ser crítico?”.

Os(as) estudantes acadêmicos(as) apresentaram as seguintes concepções, transcritas no Quadro 8 a seguir.

Quadro 8 − Concepções sobre criticidade

Participantes Concepção sobre criticidade

Povo Xavante 7 alunos e 1

aluna

“o crítico é pesquisar para reconhecer algumas duvidas”. Ser crítico “é da visão negativa é não estar de acordo”. [...] “é uma expressão que provem a arte de julgar

em especifico designar o pensamento em análise”. [...] “para ser critico é ter a capacidade de questionar e refletir a profundamente sobre o assunto”. [...] “a

crítica pode ser diferente, [...] dependendo da situação. Critica positiva (construtiva) ou crítica negativa, por exemplo, na realidade de um povo indígena; a critica pode surgir de forma (ilegível) quando apresenta para a sociedade, na cultura, na lingua etc. mas pode ser construtiva afirmando na cultura, sendo

visto como importante para o fortalecimento”. [...] “que julga por a apreciação,

a critica de obra de arte, ciência, comportamentos e costumes”. [...] “é a capacidade

de analisar de forma inteligente, buscar a reflexão, questionamentos e aprofundar sobre a palavra crítica”. (Excerto H)

Povo Guajajara 1 aluno e 2alunas

“[...] é ter a própria opinião e ter seu ponto de vista”. [...] “na minha opinião o ser critico muitas vezes ela é valido e impulsiona mais ainda. E também ela te coloca

para baixo. Isso depende muito de como será, e como é o ser critico, se é por

avaliação ou pela performance da pessoa”. [...] “não aceita certa situação do

presente contra a nossa faculdade”. Excerto I)

Povo Karajá 1 aluno

“é propor e não deixar de dar sua opinião, [...] dar ideia dialogando comos

outros e ser compreensível também em alguns momentos”. (Excerto J)

Povo Kuikuro 2 alunos

“Opinião própria”. “ser crítico é saber somar pensamentos positivos, ser critico

é ser produtivo e construtivo”. (Excerto K)

Povo Gavião 1aluna

“é quando uma pessoa tem um conhecimento diferente do seu, e você pode compreender ou não o modo de vista ou a sua opinião”. (Excerto L)

Povo Xerente 1 aluna

“crítico a gente só fala ruins de outra pessoa ou então se acha bem mais

inteligente que o outro”. (Excerto M)

Povo Kaiapo 1 aluno

“é não aceitar certas situações que afligem e menospreza um individuo ou um

grupo no contexto indígena, por exemplo”. ( Excerto N)

Fonte: Elaborado pela autora, 2019.

No Excerto H, as concepções dos discentes e da discente Xavante partem do princípio de que ser “crítico é pesquisar para reconhecer algumas duvidas”.

181 Interessante notar que a criticidade se estabelece por meio da pesquisa motivada por dúvidas. Nesse sentido, a concepção de crítico por ser vista como “a arte de julgar em

especifico designar o pensamento em análise”, bem como “ter a capacidade de questionar e refletir a profundamente sobre o assunto”. Os(as) estudantes Xavante

associam a capacidade de analisar ao ser crítico, como na afirmação “é a capacidade de

analisar de forma inteligente, buscar a reflexão, questionamentos e aprofundar sobre a palavra crítica”, logo, pressupõe que a análise precede a uma reflexão advinda

de questionamentos para alçar a criticidade.

No Excerto I, os(as) estudante(s) parte(m) de um conceito sucinto ao afirmar que ser crítico consiste em “ter a própria opinião e ter seu ponto de vista”. Posteriormente, se expande paraa argumentação de que ser crítico é “não aceitar certa situação do

presente contra a nossa faculdade”. Nesse excerto, a semântica de faculdade apresenta

uma ambiguidade, uma vez que pode ser relacionada ao cognitivo ou se referir aos ataques ao meio acadêmico Intercultural.

No Excerto J, o aluno acadêmico Karajá acredita que ser crítico “é propor e não

deixar de dar sua opinião”, [...] “dar ideia dialogando comos outros”.

No Excerto K, os alunos Kuikuro afirmam que “ser crítico é saber somar

pensamentos positivos” e, ainda, “é ser produtivo e construtivo”.

No Excerto L, a estudante acadêmica Gavião argumenta que ser crítico équando “uma pessoa tem um conhecimento diferente do seu, e você pode compreender ou

não o modo de vista ou a sua opinião”.

No Excerto M, a aluna acadêmica concebe o ser crítico como algo negativo, ao afirmar que se trata de “gente só fala ruins de outra pessoa ou então se acha bem mais

inteligente que o outro”.

No Excerto N, o aluno Kaiapó entende ser crítico como a atitude de “é não aceitar certas situações que afligem e menospreza um individuo ou um grupo no contexto indígena, por exemplo”.

Notamos que as respostas ao questionamento sobre ser crítico foram direcionadas ao campo semântico intelectual, que desperta certa reflexão e crítica a uma determinada situação. A criticidade aparece como uma posição de resistência.

As respostas dadas ao questionário centraram-se na identificação das concepções de interculturalidade acerca do contexto educacional indígena, com o intuito de verificar como os(as) acadêmicos(as) indígenas concebem tais termos da língua portuguesa, bem como a construção dos sentidos com base em suas experiências e visão de mundo.

182 Como sequência da minha prática de ensino do PB como segunda língua no âmbito intercultural indígena, apresentamos, a seguir, algumas atividades centradas nos gêneros acadêmicos resumo e resenha, com o intuito de perceber como o ensino ocorre nesse ambiente acadêmico.

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