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La croissance eutectique dans les systèmes binaires et ternaires

I. Etat de l’art

1. La solidification des eutectiques

1.2. La croissance eutectique dans les systèmes binaires et ternaires

A proposta de ensino de Português como segunda língua, num contexto Intercultural indígena, centra-se nos Temas Contextuais, importantes para o livre acesso às áreas dos conhecimentos. Nessa perspectiva, os Temas Contextuais são abordados com base em gêneros textuais que expressam os discursos que circulam socialmente em uma determinada comunidade.

Como já mencionado, o ensino de Português é ministrado, dentro do curso de Licenciatura Intercultural, em oito módulos organizados, a partir de ementas83, em matrizes básica e específica.

83 As ementas do Português Intercultural que constam no PPP de 2006/2007 foram reformuladas e, em alguns aspectos, não correspondem às práticas docentes atuais. Tais transformações foram incorporadas ao novo PPP do curso, em trâmite para implementação.

172 A matriz de formação básica é composta por Português Intercultural I com a seguinte ementa ‒ “Apresentação de tópicos da variedade padrão da língua portuguesa, em sua modalidade escrita, entendida como uma língua de contato, adquirida como segunda língua” ‒ e Português Intercultural II com a ementa ‒ “Prática de leitura e produção de textos escritos oficiais e não-oficiais usados em contextos interculturais. 2- Estudo complementar: Português Intercultural III ‒ “Prática de leitura e produção de textos escritos oficiais e não-oficiais usados em contextos interculturais” (PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO DO CURSO, 2007, p. 59).

Já a matriz específica é composta por Português Intercultural IV, com a ementa “Aspectos gerais do português escrito em contexto intercultural bilíngue/trilíngue e/ou bidialetal: funcionamento gramatical e textualidade; Leitura e produção de textos informativos de contextos públicos”. Português Intercultural V com a ementa: “Aspectos gerais do português escrito em contexto intercultural bilíngue/trilíngue e/ou bidialetal: funcionamento gramatical e textualidade; Leitura e produção de textos acadêmicos: resumos e resenhas”. Português Intercultural VI, com a ementa: “Aspectos gerais do português escrito em contexto intercultural bilíngue/trilíngue e/ou bidialetal: funcionamento gramatical e textualidade; Leitura e produção de textos argumentativos”.

Português Intercultural VII, com a ementa “Leitura e produção de textos

literários/artísticos numa perspectiva intercultural bilíngue/trilíngue e/ou bidialetal; Aspectos formais e estéticos do português escrito”. E Português Intercultural VIII, com a ementa: “Aspectos gerais do português escrito em contexto intercultural bilíngue/trilíngue e/ou bidialetal: funcionamento gramatical e textualidade; Leitura e produção de textos de divulgação científica: artigos acadêmicos/científicos; estrutura de trabalho monográfico e relatório acadêmico” (PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO DO CURSO, 2007, p. 60-61).

As matrizes supracitadas direcionam a organização do ensino de Português por Temas Contextuais que estabelecem os “conteúdos” que serão parte das práticas linguísticas e discursivas exercidas por alunos(as) indígenas em sala de aula, considerando a relação intracultural e intercultural. Logo, as diversas áreas dos saberes transitam no ensino-aprendizagem sem fronteiras disciplinares.

O contexto intracultural aciona os conhecimentos inerentes às tradições culturais e aos acontecimentos sociais dos povos indígenas, tais como: pintura corporal, rituais sagrados, casamentos, resguardos, pesca, artesanatos, adornos corporais, alimentação tradicional, dentre outros temas direcionados a cada etnia. Já os conhecimentos

173 interculturais estão relacionados aos acontecimentos culturais locais engendrados no global, tais como: o ensino da língua indígena e a língua portuguesa, temas locais aplicados no contexto de ensino escolar, algumas traduções de mitos para o português, leis e direitos indígenas, notícias sobre povos indígenas veiculadas na mídia, dentre outros.

O ensino a partir da intraculturalidade e interculturalidade é direcionado pelos Temas Contextuais que regem a proposta de ensino do Português como segunda língua, ou Português Intercultural, tendo em vista as matrizes e ainda os gêneros textuais sugeridos, pelos quais são materializados os temas.

No Quadro 6, apresentamos a organização dos Temas Contextuais no ensino de Português como segunda língua.

Quadro 6 − Representação dos Temas Contextuais

Tema contextual Livros de apoio84 Conteúdos centrais Gênero textuaI Português

Intercultural I

“As experiências e histórias de vida de cada um e cada uma: auto-representação e autoria indígenas”.

Leitura como ênfase na escrita de textos (tipologia narrativa) sobre

suas experiências e histórias de vida. Autonomia e autoria indígena, reflexão gramatical e

oficinas de produção textual.

Relatos de experiência; reportagens; crônicas; cartas, artigo de opinião etc. Português Intercultural II “Contínuo oralidade- escrita em contextos interculturais”

Forma e função das modalidades oral e escrita em contextos

formais e informais de comunicação. Contextos de

interação (aldeia e cidade). Refexão gramatical e produção

textual. Oficinas de produção textual. Ofícios, atas, requerimentos, cartas, bilhetes etc. Português Intercultural III “Leitura, autoria e argumentação em contextos interculturais”

Concepções de leitura. Autoria indígena. Argumentação em defesa. Oficinas de produção

textual. Reportagem, artigos científicos, artigos de opinião etc. Português Intercultural IV “Produção e circulação pública de informação em contextos interculturais”

Leitura de textos informativos. Discursos midiáticos. Análise reflexiva sobre as informações

que impactam no contexto indígena. Oficinas de produção

textual. Manchete, noticias, reportagens, entrevistas formais, etc. Português Intercultural V

“A escrita indígena em contexto intercultural:

gêneros textuais acadêmicos”

Leitura e produção de gêneros acadêmicos. Oficinas de produção textual. Resumos, resenhas, artigos científicos, ensaios, etc.

84 Os conteúdos sugeridos no Quadro 6 são inspirados nas ementas de cada Tema Contextual que se originam de demandas dos (as) alunos (as) indígenas. A coletânea de André Marques do Nascimento propôs um material de apoio que fomenta os temas relacionados ao ensino do Português Intercultural como língua de relações interculturais, no curso de formação de professores indígenas, na Licenciatura Intercultural na UFG.

174 Português Intercultural VI “Argumentação para defesa de direitos indígenas”

Recursos argumentativos. Tipos de argumentos. Conectores discursivos. Argumentação para

defesa de direitos indígenas. Oficinas de produção textual.

Leis, decretos, cartas argumentativas, artigo de opinião, projetos de lei etc. Português Intercultural VII “Linguagem e arte em contextos interculturais”

Representação indígena como manifestação artística. Reflexões

sociolinguística e gramatical. Oficinas de produção textual.

Literaturas indígenas e brasileiras. Musicas, teatro, pinturas corporais etc Português Intercultural VIII “Produção de conhecimento e escrita acadêmica indígena em contexto Intercultural”

Escrita acadêmica. Elaboração de trabalhos acadêmicos. Oficinas de produção textual.

Artigos, científicos, resenha crítica, monografias, dissertações e teses.

Fonte: Elaborado pela autora, 2019.

O Quadro 6 ilustra a base que fomenta o ensino de Português para indígenas, sendo uma das possibilidades de material de apoio. Os gêneros citados no quadro são sugestivos, uma vez que a proposta na perspectiva de Tema Contextual são construções epistêmicas, parte de uma abordagem crítica inerente aos contextos de interação linguística, em que os conhecimentos são abordados dialogicamente, para alçar a transdisciplinaridade.

Desse modo, Nascimento (2012, p. 30) assevera que a coletânea sobre o ensino de Português Intercultural tem como principal desafio colaborar com a promoção do uso do português seguro e proficiente, a fim de promover a autonomia, ao mesmo tempo em que busca valorizar, preservar, e fomentar o uso das língua indígenas. Ao priorizar as práticas comunicativas escritas em português, posiciona a oralidade e a tradição dos povos indígenas desse processo de produção textual, assim como as reflexões críticas, gramaticais e sociolinguísticas, bem como o funcionamento linguístico.

O citado autor elaborou, com participação dos(as) acadêmicos(as) indígenas, as coletâneas com acuidade, responsabilidade social e ética, em respeito às demandas dos povos indígenas em contexto de assimetria sociocultural e linguística. Esse é um projeto pedagógico que salienta o protagonismo e a autonomia indígena.

Interessante pensarmos que, de modo geral, quando se discute sobre Interculturalidade no contexto brasileiro, muito se discorre sobre a heterogeneidade cultural, o quesito de variedade linguística se resume às variações regionais do PB, muito trabalhadas com base nos gêneros textuais. Tal postura assumida ou despercebida por teóricos conceituados da linguagem faz-nos pensar que é decorrente de uma política linguística pautada no monolinguismo da língua portuguesa, portanto é uma questão que

175 deve ser amplamente discutida no contexto de ensino de Português em âmbito cultural e linguístico.

Segundo Marcuschi (2008a), os gêneros textuais ensinados com maior acuidade denotam que as culturas podem determinar a estrutura e a adequação situacional de um determinado gênero. Assim, o autor (2008a, p.172) diz que “não podemos supor que todas as culturas escrevam uma carta do mesmo modo”. Essa afirmação vai ao encontro dos modos como algumas etnias indígenas usam marcadores discursivos como referências culturais.

Nesse sentido, a proposta exposta nos livros da coletânea de Nascimento (2012) caracteriza uma política educacional e linguística que contempla as demandas do ensino Intercultural inserido na heterogeneidade cultural e linguística, em que as línguas indígenas são acessadas com igual importância e funcionalidade do português, nos contextos situacionais onde as práticas comunicativas se inserem.

Dito isso, é relevante pensar o ensino de gêneros textuais para além de uma visão cultural e, principalmente, linguística (variações regionais), como apresentado pelos recorrentes discursos no meio educacional.

Na secção seguinte, discorremos, brevemente, sobre algumas práticas desenvolvidas nos contextos indígenas, durante o ensino-aprendizagem de PB como segunda língua.

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