2.1. Des collections orientées pour les besoins du public
2.1.2. Le « dépoussiérage » des bibliothèques universitaire : donner une nouvelle
Iniciamos a entrevista solicitando que as participantes mencionassem o conceito acerca do valor moral da justiça. Cinco professoras (25%) demonstraram certa dificuldade tanto em relação ao conceito em si – “Como é que você conceitua... conceituo lá mitocôndria, citoplasma, aí eu sei todos os conceitos, agora, justiça?! Ai... justiça!” (Carmem, 37) – quanto em relação ao fato de este não ser um tema sobre o qual elas costumam refletir – “Justiça. Eu acho que... como é que eu conceituo justiça? Eu nunca pensei sobre isso!” (Geane, 43).
De qualquer forma, mesmo diante das dificuldades apresentadas, todas as professoras conseguiram elaborar pelo menos um conceito, fato que pode ser explicado como uma resposta desencadeada: aquela que o participante elabora durante a entrevista, como uma solução para um problema proposto (Piaget, 1932/1994).
Portanto, diante da solicitação de que as participantes enunciassem um conceito de justiça, obtivemos 27 respostas que foram agrupadas segundo a perspectiva da a)
ação correta, b) igualdade e c) eqüidade, conforme pode ser observado na Tabela 11.
Tabela 11
Conceitos das professoras sobre o valor moral da justiça
Conceituou baseada na: Número de citações Porcentagem
Ação correta 16 59,3%
Igualdade 8 29,6%
Eqüidade 3 11,1%
Total 27 100,0%
Conforme podemos verificar, a ‘Ação correta’ serviu de base para a elaboração de 59,3% dos conceitos. Incluímos, neste grupo, as respostas que fazem referência à justiça como aquilo que direciona as ações de forma correta: “É algo que a gente faz certo na ocasião certa (...) Eu considero justiça e punidade juntos. (...) Punidade, punir de qualquer forma. (...) por meio de uma lição de moral bem dada, ou, às vezes, por um castigo” (Poliana, 27).
Especificamente a respeito dessa citação anteriormente citada, quando perguntamos à professora o que seria uma lição de moral, ela explicou da seguinte forma: “Falar dos valores que o indivíduo tem que ter. Você tem que ser honesto,
tem que ter amigos, você tem que ser humilde, falar: ‘você tem que reconhecer o que você fez’, essas coisas” (Poliana, 27). Ou seja, uma referência direta a um dos procedimentos de educação moral citados por Piaget (1930/1996): a lição moral. Conforme apresentado na seção sobre Procedimentos de Educação em Valores, o autor considera que tal método de ensino não auxilia as crianças a desenvolver sua autonomia, porque está baseado em uma imposição de valores. O que merece destaque é o fato de que, em 1930, Piaget (1930/1996) já mencionava esta questão e, quase 80 anos depois, nós ainda ouvimos referências a tal tipo de intervenção. Falaremos especificamente sobre isso mais adiante, nesta seção, quando tratarmos da forma como as professoras ensinam sobre a justiça (tópico 6.3.6). No momento, cabe-nos apenas chamar a atenção para esse fato em especial. Em suma, pudemos constatar, dentro dessa categoria, respostas que sugerem tanto uma postura autônoma, baseada em valores que foram legitimados pela própria participante – “(...) você cobrar o posicionamento, o direcionamento, em cima daquilo que você acredita ser certo, justo” (Gabriela, 37) –, quanto uma postura heterônoma, como a anteriormente citada.
Dando continuidade à análise dos conceitos das professoras sobre o valor moral da justiça, o grupo de respostas sobre a ‘Igualdade’ contou com metade das citações da categoria anterior (29,6%). Elas falaram diretamente sobre a igualdade – “É quando existe um mesmo peso e medida para todas as pessoas, igualmente. Independente de cor, de raça, a qual setor da economia ela pertence” (Gisele, 36) –, ou, então, que falam de uma forma mais geral: “É aquilo que vale para todos” (Haidê, 29). De qualquer forma, seu conteúdo fazia referência direta à noção de igualdade entre as pessoas.
O enfoque sobre a ‘Eqüidade’ inclui apenas três respostas (11,1%) sobre a igualdade nas diferenças: “Eu acho que é você avaliar cada caso, cada situação” (Mariana, 36). Surpreendeu-nos o reduzido número de respostas sobre essa categoria, pois esperávamos que as professoras apontassem mais para a questão das especificidades individuais.
As relações que fizemos entre estes conceitos e os fatos históricos que caracterizaram o ano de ingresso das professoras na 5ª série revelaram que, de todas as respostas emitidas pelas professoras que ingressaram durante os ‘Anos de chumbo’, 71,4% conceituaram justiça tendo como base a ‘Ação correta’. Por outro lado, das menções daquelas que iniciaram durante a ‘Abertura política’, 30,8% responderam com enfoque na ‘Igualdade’ e 15,4%, na ‘Eqüidade’. Em outras palavras, existe uma
preferência das professoras que ingressaram na 5ª série nos ‘Anos de chumbo’ por relacionarem justiça com ‘Ação correta’, enquanto as professoras que ingressaram durante a ‘Abertura política’ enfatizaram – mais do que as outras– a relação entre justiça e ‘Igualdade’ ou ‘Eqüidade’.
Outra questão que pudemos observar é que, de todas as respostas emitidas pelas professoras de ‘5ª/6ª’ séries, 50% estão relacionadas à ‘Ação correta’ e 50%, à ‘Igualdade’. Por outro lado, das respostas das professoras de ‘7ª/8ª’ séries, 64,7% conceituam com base na ‘Ação correta’. Cabe, porém destacar que todos os conceitos elaborados com base na ‘Eqüidade’ foram emitidos por professoras de ‘7ª/8ª’ séries. Ou seja, os conceitos das professoras de ‘5ª/6ª’ têm como foco a ‘Ação correta’ e a ‘Igualdade’ enquanto os das professoras de ‘7ª/8ª’ dizem respeito principalmente à ‘Eqüidade’ e à ‘Ação correta’.
Após apresentar os pontos mais relevantes da análise do conceito de justiça, vamos passar para as justificativas que as professoras deram para esses conceitos, que contabilizaram um total de 21 respostas. Os argumentos utilizados tiveram como base três critérios: a) ação prática, b) juízo e c) aprendizagem, que explicaremos a seguir.
No grupo relativo à ‘Ação prática’ (47,6%), incluímos os argumentos que remetem a atitudes práticas que a própria pessoa utiliza – “Porque é o que eu costumo fazer aqui, na escola” (Pamela, 30) –, ou a considerações sobre posturas que deveriam ser tomadas: “Se ela agiu de forma errada ela tem que ser cobrada por isso” (Gabriela, 37). De qualquer forma, o contexto desses argumentos revela a importância da prática das ações justas.
O outro grupo de respostas – ‘Juízo’ – inclui 42,9% das citações e tem um cunho basicamente conceitual: “Para mim justiça é isso, é um equilíbrio” (Monalisa, 37), ou, então, “à medida que você pondera você analisa as coisas profundamente, não superficialmente” (Carmem, 37). Ao contrário da categoria anterior, esta agrupa respostas de caráter mais abstrato.
Por fim temos o critério da ‘Aprendizagem’, que, apesar de contar com somente duas citações (9,5%), revela argumentos heterônomos (segundo Piaget, 1930/1996; 1932/1994), ou baseados em um raciocínio moral típico do nível convencional (segundo Kohlberg, 1984/1992), visto que estão respaldados na aceitação incondicional de um conceito: “Porque alguém me impôs isso!” (Helve, 37).
Ao verificarmos os argumentos utilizados pelas professoras que ingressaram na 5ª série durante os ‘Anos de chumbo’, percebemos que 60% deles se referem às ‘Ações
práticas’. Já dos critérios com os quais as professoras que ingressaram durante a
‘Abertura política’ justificaram seu conceito, 50% deles são relativos ao ‘Juízo’.
De forma geral, podemos perceber que os conceitos que as professoras emitem sobre o valor moral da justiça têm como base, principalmente, a ‘Ação correta’, dos quais 50% são justificados em termos da ‘Ação prática’, 37,5%, pelo ‘Juízo’ e 12,5%, da ‘Aprendizagem’. Além disso, as participantes também conceituaram a justiça em termos de ‘Igualdade’, justificando, em sua maioria (62,5%), pelo critério da ‘Ação
prática’, o que significa dizer que, para essas professoras, justiça é fazer valer a
igualdade nas situações práticas da vida. Por fim, grande parte (66,7%) dos conceitos relativos à ‘Eqüidade’ foi justificada pelo ‘Juízo’, sugerindo que ser justo significa ter presente a noção de eqüidade como princípio.
Tendo verificado como as professoras conceituam a justiça, cabe-nos agora verificar quais os contextos sociais no qual esse valor moral lhes foi ensinado.