4.3. C IRCUITS SUR SUBSTRATS FLEXIBLES
4.3.5. Démonstrateur : caractérisations et résultats
O corpo docente da escola, no geral, à época da investigação-formação, era composto eminentemente por professoras que atuavam em turmas do 1º ao 5º anos do EF. Elas ingressavam na rede pública estadual de ensino por meio de concurso público ou por contratação temporária.
Como a investigação-formação desenvolveu-se no turno da manhã (das 10:00 às 11:30h), devido a uma decisão pessoal da investigadora, foi feito o convite somente para as professoras que trabalhavam neste turno em turmas do 1º ao 3º do EF, as quais todas aquiesceram inicialmente. Convém destacar que a participação delas foi por adesão voluntária sendo liberadas das suas atividades de ensino para participarem da investigação-formação dentro da carga horária de trabalho, garantido pela hora pedagógica (HP). Tal aquiescência foi legitimada a partir da formalização do Termo de Consentimento (apêndice 1).
O grupo inicial era composto por mim e mais seis professoras. Das seis, uma professora chegou a participar somente durante três encontros, mas depois desistiu de participar, não justificando para mim os motivos da sua saída. Outra professora foi demitida por ter seu contrato de trabalho terminado com a SEDUC, situação que interrompeu seu vínculo profissional com a escola afastando-se também do grupo. Em seu lugar, foi contratada temporariamente outra professora, que participou de quatro
43O Programa Mais Educação é ofertado às escolas públicas de EF e consiste no desenvolvimento de
atividades de educação integral que expandem o tempo diário da escola para o mínimo de sete horas, por meio de atividades optativas, que também ampliam as oportunidades educativas dos estudantes. O Programa Nacional de Alfabetização na Idade Certa (PNAIC) é um programa de formação continuada nas áreas de alfabetização, matemática e ciências, destinado a professores que atuam no 1º ciclo do EF. O PDDE Escola é um programa de apoio à gestão escolar baseado no planejamento participativo e destinado a auxiliar as escolas públicas a melhorar a sua gestão. Para as escolas priorizadas pelo programa, o MEC repassa recursos financeiros visando apoiar a execução de todo ou de parte do seu planejamento (Cf. MEC, 2016).
111 encontros do grupo, porém esvaiu-se sob o argumento de “que já sabia o que estava sendo discutido e estudado”. Sob este argumento da docente reflito que não é raro encontrarmos professores que não têm compreensão de que o conhecimento é um produto provisório, inacabado, transitório e plural. Por outro lado, me faz refletir também que o processo formativo é uma via de mão dupla em que formandos e formadores se formam mutuamente em uma perspectiva colaborativa e dialógica, faltando a estas professoras que desistiram de participar do grupo uma atitude de partilha.
Com a saída das duas professoras, o grupo de trabalho contou com a participação efetiva de quatro professoras que permaneceram até o final da investigação-formação. Dessas, uma era efetiva (concursada) e três tinham contrato de trabalho temporário com a SEDUC, condição propícia para uma alta rotatividade de docentes nas escolas públicas paraenses, fato que dificulta reuniões pedagógicas e formativas nas escolas e na Escola lócus da investigação como constatado.
Todas as quatro docentes trabalhavam em dois turnos, sendo que três delas na escola AMBTF e uma em outra escola da rede estadual de ensino. No que diz respeito à formação inicial das mesmas todas possuem Licenciatura em Pedagogia.
Os nomes aos quais as quatro professoras serão identificadas ao longo desta tese são fictícios, conferindo-lhes o anonimato e confidencialidade segundo os princípios éticos da investigação-formação. Sendo assim, as nomeei aleatoriamente de:
1) Keila (professora do 1º ano) 2) Denise (professora do 1º ano) 3) Dalva (professora do 2º ano) 4) Socorro (professora do 3º ano)
A seguir faço uma breve descrição do perfil das docentes participantes da investigação-formação para dar a conhecer ao leitor.
A professora Keila tinha 31 anos de idade e 11 anos de exercício no magistério do EF e é especialista em Gestão Escolar (cursava também Licenciatura em Biologia à época). Seu vínculo de trabalho com a SEDUC era temporário. Trabalhava há 2 anos em um só turno na escola AMBTF e no contra turno em outra também temporária. Era professora do 1º ano do EF.
A professora Denise tinha 37 anos de idade e 17 anos de exercício no magistério do EF, dos quais 3 na rede estadual de ensino. É especialista em Gestão e Responsabilidade
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Social. Seu vínculo de trabalho era temporário e trabalhava há 3 anos na escola AMBTF nos 2 turnos. Era professora do 1º ano do EF.
A professora Dalva tinha 33 anos de idade e 16 anos de exercício no magistério do EF, dos quais 7 na rede estadual de ensino (02 como temporária e 05 como efetiva). Estudava à época Especialização em Psicopedagogia. Seu vínculo de trabalho com a SEDUC era efetivo. Trabalhava em 2 turnos somente na escola AMBTF há 04 anos. Era professora do 2º ano do EF.
A professora Socorro tinha 50 anos de idade e 25 anos de exercício na docência, destes somente 3 anos na rede estadual de ensino. À época cursava Especialização em Orientação Educacional e Psicopedagogia. Seu vínculo de trabalho era temporário e trabalhava há 3 anos na escola AMBTF nos 2 turnos.
No tempo de desenvolvimento profissional, todas as professoras buscaram por meio da conclusão de seus estudos de pós-graduação a continuidade de seu processo formativo. Contudo, um fato me chama a atenção de que os Cursos de Especialização realizados por duas docentes pertencem à área da Gestão Escolar, embora os conhecimentos provavelmente estudados nesses cursos possam contribuir para instrumentalizar técnica e politicamente as professoras para o exercício da docência45.
Tal fato pode também me levar a pensar de que quando estas professoras buscaram Cursos de Especialização para a melhoria de suas práticas docentes, suas opções não foram para aqueles em que o EF era priorizado, talvez porque elas pensem no futuro em trabalhar na gestão escolar deixando o magistério como segunda opção, ou então porque sintam-se insatisfeitas com as precárias condições de trabalho que o professor em sala de aula se depara ao exercer o magistério público estadual. Como exemplo, a professora Dalva enquadra-se neste perfil, já que de 2016 até os dias atuais é diretora de uma escola. A migração dos professores das séries iniciais do EF para a gestão escolar em qualquer nível e modalidade da educação básica é amparada legalmente pela formação inicial realizada no Curso de Pedagogia (que habilita para diversas saídas profissionais: docência em educação infantil, anos iniciais de escolarização (1º ao 5º anos do EF) e Educação de Jovens e Adultos (1ª e 2ª etapas) e a gestão em qualquer nível e modalidade
45 A rede pública estadual de ensino no Pará não exige o grau de Mestre para o exercício do magistério da
educação básica, de tal sorte que esta formação ainda é um desafio aos professores paraenses, sobretudo se considerarmos a grande demanda de candidatos que buscam, por meio de um processo seletivo extenso e
intenso, uma vaga em programas de pós-graduação credenciados pelas CAPES.Os mestrados e doutorados
em educação/ensino no estado do Pará são ofertados somente por universidades públicas e oferecem um número restrito de vagas para atender uma demanda muito vasta.
113 de ensino no campo da educação e em ambientes não escolares (hospital, empresas, sistema penitenciário, entre outros).
Ademais o fato de três professoras serem servidoras temporárias não repercutiu de maneira desfavorável na construção da investigação-formação. Ao contrário, foram sempre receptivas em todas as atividades desenvolvidas. Todavia, é de ressaltar que o fato de se ter na escola muitas professoras temporárias, para a gestão escolar, isto é um grande problema, uma vez que há muita rotatividade dos professores quando estes são distratados46 o que inviabiliza um trabalho mais cooperado, partilhado, envolvente.
Este é um grande desafio a ser superado pelo governo do estado do Pará tendo em vista suprir uma demanda significativa de vagas no magistério público estadual, pois a aposentadoria, a morte, o abandono do emprego, podem ser justificativas para que o governo estatal realize sistematicamente concursos públicos para professores para que estes saiam de um quadro de precarização de trabalho. A seguir um quadro síntese da caracterização das professoras da escola AMBTF:
NOME IDADE FORMAÇÃO INICIAL E PÓS-
GRADUAÇÃO