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José Mujica é eleito em 2012. Ele visita Dilma, quando é assinado um documento chamado “Novo Paradigma para a relação Brasil-Uruguai”, cujo fim era aprofundar a parceria entre estes países. É criado, então, um Grupo de Alto Nível Brasil-Uruguai, para desenvolver iniciativas em várias frentes, tais quais, a integração produtiva, comunicação e informação, ciência e tecnologia, infraestrutura e transportes, entre outros. Essa aproximação foi refletida em maior intercâmbio comercial entre os países, que notou um aumento de 23% (OLIVEIRA; SILVEIRA, 2015, p. 147). As relações pessoais entre os dois presidentes foram boas, o que favoreceu a relação entre estes, tendo seus ministros trocado, também, diversas visitas. Um acordo para pagamento de transações em moeda local, inclusive, foi assinado em 2015.

Com o Paraguai, houve diversas visitas ministeriais, e a presidenta Dilma e Fernando Lugo tiveram reuniões de trabalho, nas quais firmaram acordos como o

“Memorando de Entendimento entre o ministério da pesca e aquicultura do Brasil e o ministério da agricultura e pecuária do Paraguai e o Memorando de Entendimento entre o Ministério das Comunicações do Brasil, o Ministério de Obras Públicas e Comunicações do Paraguai e a Secretaria de Informação e Comunicação para o Desenvolvimento (SICOM) do Paraguai sobre Cooperação na Área de Televisão Digital Terrestre (MORAES, 2015, p. 97)“.

Após a suspensão do Paraguai no Mercosul, houve uma breve ameaça de aproximação paraguaia à Aliança do Pacífico. No entanto, após a eleição de Horácio Cartes, as relações bilaterais sofreram nítida melhora. Em 2013, o presidente paraguaio visita o Brasil e trata de questões como comércio, infraestrutura e desenvolvimento fronteiriço. Neste mesmo ano, Dilma inaugura com Cartes a linha de transmissão de energia elétrica, conectando Itaipu e Villa Hayes - um projeto do Focem. O comércio entre os dois países cresceu neste período (OLIVEIRA; SILVEIRA, 2015).

Com o Chile, as relações também apresentaram uma aproximação. Diversos encontros ocorreram entre Dilma e Sebatián Piñera, nos quais o corredor bioceânico e reformas em instituições internacionais - como o CSNU, FMI e Banco Mundial - foram temas. O Brasil negociou com o Chile parcerias na área de energia, fechando acordos no âmbito da educação e cultura. Piñera também anunciou que os pesquisadores e militares brasileiros poderiam utilizar a base chilena na Antártida, até que a brasileira - a qual sofrera um incêndio - fosse reconstruída (OLIVEIRA; SILVEIRA, 2015, p. 149).

Em visita de Bachelet à Dilma, em 2014, as presidentas trataram de várias questões bilaterais, como integração física, cooperação energética, comércio e investimentos (OLIVEIRA; SILVEIRA, 2015).

As relações com a Argentina também foram priorizadas neste governo e, desta forma, a integração entre ambos foi classificada como um objetivo permanente do Brasil. Deste modo, a Argentina foi o primeiro destino internacional da presidenta, a qual acreditava serem os países cruciais para transformar a América Latina no século XXI. Neste encontro, cerca de quatorze acordos e documentos conjuntos foram firmados e as presidentas se comprometeram a criar uma comissão bilateral de cooperação e desenvolvimento fronteiriço (MATEO, 2014, p. 225).

A Argentina, sendo o principal parceiro do país na região, também enfrentou problemas políticos, econômicos e sociais internos, os quais auxiliaram na redução das capacidades regionais brasileiras. Entre uma das medidas argentinas que afetaram o Brasil está o aumento do protecionismo em relação ao comércio com o Brasil, o qual respondeu dificultando a entrada de alguns produtos argentinos no país. Essas ações resultaram um recuo aproximadamente de 27% - de 2011 a 2014 - das transações bilaterais. Cabe ressaltar que, além disso, o país vizinho também incrementou as suas relações comerciais com a China, o que afetou as exportações brasileiras (OLIVEIRA; SILVEIRA, 2015; DESIDERÁ NETO, 2017).

No que concerne à reação brasileira diante de todas essas ações argentinas, deve ser assinalado que, em um primeiro momento, especialmente em 2011 e 2012, o governo Dilma adotou a estratégia de, ao mesmo tempo, promover algumas represálias ao protecionismo argentino, mas também buscar o diálogo, propondo a discussão de medidas efetivas para a integração de cadeias produtivas que pudessem aumentar as importações brasileiras procedentes da Argentina e reduzir o superávit comercial. De toda maneira, na verdade estes diálogos não prosperaram suficientemente e a espiral negativa na qual entrou a economia argentina nos anos seguintes, em especial após a disputa

com os fundos abutres, causou uma crescente preocupação no Brasil de que o país pudesse ser conduzido outra vez a uma moratória –como acabou acontecendo, de certa forma– e isso afetasse negativamente a economia dos dois lados da fronteira.

Por essa razão, o governo tomou a decisão de esperar até que a conjuntura econômica argentina melhorasse e, portanto, não adotar medidas que pudessem contribuir para sua piora (DESIDERÁ NETO, 2017, p. 129-130).

Por fim, a estratégia brasileira foi de negociar as restrições comerciais por setor e oferecer financiamento do BNDES para obras de infraestrutura, com o fim de compensar a balança de pagamentos.

Em outras palavras, a partir de 2013, o Brasil não fez nada substantivo com respeito à questão comercial bilateral, aguardando a reação da economia argentina. Devido a isso, a pauta econômica no Mercosul ficou esvaziada ao longo de todos estes anos. Assim, o país assistiu à queda sequencial de suas exportações de melhor qualidade e, consequentemente, o reforço da primarização de sua pauta global de produtos vendidos ao exterior, em um contexto em que a progressiva queda dos preços das commodities fazia reduzir as receitas dessas vendas. Vale destacar que o Brasil foi o país mais afetado pelas medidas protecionistas argentinas, seja em termos absolutos ou relativos. Em março de 2013, por exemplo, o superávit brasileiro chegou a se tornar um déficit (DESIDERÁ NETO, 2017, p. 130).

A eleição de Maurício Macri consegue afastar ainda mais os dois países, já que este possuía uma visão de oposição aos governos de centro-esquerda, buscando - inclusive - na Aliança do Pacífico um novo modelo de integração regional (JAEGER, 2016, p. 50-51).

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