Pr ADMANE Merizek Dr GACHI Khaled
I- la performance publique
1- La définition de la performance dans le secteur public
Começamos por analisar a presença de indicadores e índices com valor semântico de ágape no que tange à adesão à EdC, que diz respeito somente aos empresários126.
Como demonstramos em nossa dissertação (Cruz 2009), é possível considerar o surgimento da EdC como resultado da relação intersistêmica MF (enquanto sistema religioso) e o sistema econômico. Neste caso, levantamos o pressuposto de que o sistema econômico enviou uma perturbação (output) ao sistema MF, ou seja, a sinalização do problema da desigualdade social provocada e não resolvida pelo sistema econômico, o que exigia uma resposta. “A resposta começou a ser buscada no sistema religioso, isto é no interior do MF (logo a partir de suas próprias comunicações): falta o
amor ao irmão; que caricatura o mundo sem Jesus” (Cruz 2009: 97).
Deu-se início a um processo comunicativo no interior do MF fundamentado nos elementos da espiritualidade da unidade como tema das comunicações. Deste sistema de interações, é possível verificar o surgimento da EdC.
A inovação – EdC – surgiu no interior do MF, dentro de um sistema de interações, extrapolando-o, fixando-se primeiramente no sistema MF, comprovando a tese de Luhmann, segundo a qual é no nível da interação que acontece uma pré-seleção, uma primeira confirmação de que a inovação é possível. (Cruz 2009: 102)
126 Para facilitar a compreensão da análise e dos modelos por nós apresentados, sintetizamos alguns dos
conceitos por nós utilizados como instrumentos de análise: índice-menção explícita de um tema numa mensagem; indicadores-presença de expressões relacionadas com o valor semântico do tema central ágape expressos diretamente ou indiretamente; unidade de contexto, ou corpus da pesquisa- conjunto das entrevistas realizadas; unidades de registro – frases ou trechos de falas que indicam a presença do tema pesquisado, no caso o ágape, ou expressões agápicas; tema-recortes em nível semântico, utilizados como unidades de registro.
Portanto, historicamente, a adesão à EdC está vinculada à adesão ao MF, uma vez que os primeiros empresários que deram início à Economia de Comunhão eram membros do MF. Portanto, neste primeiro grupo de modelos percebemos, justamente, que a adesão à EdC pode ser entendida como resposta a um input recebido no sistema MF, resultado de uma relação intrasistêmica: diante da situação de desigualdade social e do fato de haver inclusive entre os membros do MF pessoas em situação de pobreza, o carisma da unidade, ou seja a sua espiritualidade que, entre outros aspectos, comportava a comunhão dos bens em nível pessoal, impulsionou e impulsiona a resposta para a direção da adesão à EdC:
A motivação a gente tem dentro da gente dentro das coisas do ideal127, os valores
[espiritualidade (carisma da unidade)/motivação valorativa (justificativa das escolhas)/adesão à EdC/empresário], né. (5)
Mas sabe quando você sente que você tem uma missão! [espiritualidade (carisma da
unidade)/motivação valorativa (justificativa das escolhas)/adesão à EdC/empresário]
(1-1)
Né, a minha escolha de Deus [espiritualidade (relacionamento com Deus)/motivação
valorativa (justificativa das escolhas)/adesão à EdC/empresário], sabe? Senão não faria!
(6-2)
No entanto, embora a grande maioria dos empresários sejam membros do MF, sobretudo no Brasil, contexto cultural, social e religioso no qual a EdC surgiu, há quem aderiu à EdC sem ser membro do MF. Nesta próxima fala percebemos que a adesão foi feita à EdC e não ao MF, embora a EdC seja uma expressão do MF:
Porque a gente vê um capitalismo muito ainda, aqui, na realidade de hoje, um capitalismo muito acirrado, assim e a EdC é aquilo que vem ... é a economia do dar e não do ter [alternativa
econômica(nova proposta)/motivação valorativa (justificação das escolhas)/adesão à EdC/empresário], então quando eu conheci a EdC eu era recém-formada e vim trabalhar em
uma empresa de EdC e aí foi tudo novo pra mim e eu me encantei logo de início. (11-2)
Ademais a resposta comunicativa do agente social se deu não somente a um
input recebido diretamente da espiritualidade – uma economia do dar – mas também do sistema econômico: “Porque a gente vê um capitalismo muito ainda, aqui, na realidade de hoje, um capitalismo muito acirrado, assim e a EdC é aquilo que vem ... é a economia do dar e não do ter”.
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Ideal. Termo utilizado pelos membros do MF para indicar a espiritualidade. Este uso tem origem no fato de o carisma ter surgido de uma primeira compreensão de Deus como Amor e como único ideal pelo qual vale a pena viver: “‘Existirá um ideal que não morre, que nenhuma bomba pode destruir, ao qual possamos nos dedicar por completo?’. Existe sim. É Deus” (Lubich 2003c: 42-43).
Também para aqueles que receberam o input do MF, portanto do sistema religioso, vale a inferência de que houve um input do sistema econômico contemporaneamente, cuja resposta foi a adesão à EdC.
Quando surgiu a Economia de Comunhão, foi é redescobrir a forma de estar ajudando os pobres. [alternativa econômica (nova visão)/concretude (unilateral, parte do amante em direção ao amado: concretiza-se em atos)/adesão à EdC/empresário] (6-1)
Que tinha essa ânsia pra ser uma resposta a esta disparidade do Brasil. [alternativa econômica
(solução para disparidade social)/concretude (unilateral, parte do amante em direção ao amado: concretiza-se em atos)/adesão à EdC/empresário] (9-2)
Levar à economia ao aspecto da comunhão. [extensivo (difusão cultural)/concretude (ação
agápica-transforma a realidade)/adesão à EdC/empresário] (10)
Fiquei encantada com a possibilidade de através do trabalho incidir no social. [extensivo
(transmissão dos valores EdC)/concretude (ação agápica-transforma a realidade)/adesão à EdC/empresário](1-1)
Partindo do princípio de que ágape é a categoria geral de nossa análise e que atua como MCSG ao orientar as seleções/escolhas/ações dos agentes sociais na EdC, as seguintes falas nos apresentam indicadores e índices que expressam, com maior definição, esta presença semântica de ágape como propulsora da adesão à EdC e confirmam esse princípio:
Descobrimos, pai! Nós podemos, né, por amor, com o amor!128” [amor que excede (motivação
pessoal)/gratuidade (busca o bem do outro pessoal e social)/adesão à EdC/empresário] (11-
1)
E nesse daí é essa visão nova [alternativa econômica (nova visão)/motivação valorativa
(justificação das escolhas)/adesão à EdC/empresário] que a EdC apresenta para nós
empresários é o que, é o motor principal pra você tocar uma empresa se você vive os princípios da EdC [padrão de comportamento(princípios de EdC)/motivação valorativa (justificação
das escolhas)/adesão à EdC/empresários] você consegue se realizar como empresário
[realização pessoal/resposta a uma expectativa pessoal/motivação valorativa/adesão à
EdC/empresário], como pessoa humana, e realiza os que estão trabalhando com você [amor que excede (o outro)/gratuidade (busca o bem do outro social e pessoal)/adesão à EdC/empresário] (1-2)
Não só pelos pobres, mas esse amor pelo irmão, né! Eu acho, né! Pelos pobres nasceu, pelos mais necessitados, no dia-a-dia, mas eu acho que tudo pelo amor ao irmão! [amor que excede
(o outro)/gratuidade (encontra razão em si mesmo)/adesão à EdC/empresário]. Nunca
esperar o retorno!!! [amor que excede (exclui o princípio de equivalência)/gratuidade
128 Considerando a unidade de contexto, esta expressão se refere à descoberta de que era possível
colaborar na solução dos problemas sociais mediante a prática do amor: “E a gente via com muita tristeza minha família passar, via com muita tristeza toda essa diferença social! E quando Chiara... quando conheci o Ideal em 1971, 1970, se eu não me engano, o que é que mais me tocou o coração foi o lema “Que todos sejam um”. Aquilo veio pra mim assim fabulosamente... Eu cheguei em casa e falei assim pra meu pai: “Descobrimos, pai! Nós podemos, né, por amor, com o amor!” Não como eu fazia, eu faia de uma outra forma, vamos dizer, com a minha rebeldia contra aquele sistema eu agia de uma forma quase
que agredindo, agredindo mesmo! E quando Chiara lançou, depois, em 91 a EdC eu falei: “É agora! É
(exclui o princípio de equivalência)/adesão à EdC/empresário]É. Eu Nunca espero! Quando
vem é o cêntuplo!129 Né! Mas normalmente vem! (6-2)
Olha, é essa coisa, essa realidade que a gente sempre viveu como cristão engajado que nos levava a amar o próximo, então fazia com que eu tivesse a solidariedade para com os outros. Então sempre me moveu desde jovem a isso, né?, Esse partilhar, esse distribuir, esse estar ao lado, né. Então quando Chiara lançou essa novidade então imediatamente a gente... eu já comecei a pensar: "o que é que eu posso fazer?" [amor que excede (motivação)/concretude
(concretiza-se em atos)-gratuidade(encontra razão em si mesmo)/adesão à EdC/empresário] (6-1)
Desta última fala, consideramos pertinente destacar a relação entre o cristianismo que leva a amar o próximo, o amor (cristão) que leva à solidariedade. Isto porque coloca o amor e a solidariedade em duas posições distintas, porém considerando a solidariedade como oriunda do amor, portanto uma sua expressão. Esta percepção do agente social colabora na confirmação de que o amor (ágape) pode ser considerado uma categoria de análise ao lado da solidariedade, ou seja, como categorias que não se excluem e não se substituem, mais ainda, que o ágape pode acrescentar sentido (valor semântico agápico) à própria solidariedade, como procuramos demonstrar no terceiro capítulo de nossa tese.
Retomando o percurso histórico da EdC podemos, metodologicamente, definir algumas etapas. Primeiramente a elaboração, o lançamento da proposta130, e a adesão dos primeiros empresários EdC, seguida de sua concretização e da sua difusão como cultura e prática.
Os próximos modelos que apresentamos referem-se, justamente à concretização da EdC e à sua difusão. Dentro do amplo espectro da concretização da EdC tratamos das características de uma empresa EdC de um modo geral, dos benefícios, das situações adversas e das prioridades assumidas em uma situação de crise.
129 Referência ao cêntuplo prometido por Jesus no Evangelho: “E todo aquele que por minha causa deixar
irmãos, irmãs, pai, mãe, mulher, filhos, terras ou casa receberá o cêntuplo e possuirá a vida eterna”. (Mt 19, 29)
130
Tal processo, analisado de acordo com a Teoria dos Sistemas Sociais, pode ser aprofundado na dissertação de mestrado CRUZ, Iracema Andréa Arantes da. 2009. No reino da complexidade: a Economia de Comunhão entre as esferas civil e religiosa segundo a abordagem da Teoria dos Sistemas Sociais de Niklas Luhmann. (Dissertação de mestrado. Pontifícia Universidade Católica de São Paulo).