Os instrumentos que utilizamos para nossa pesquisa foram: questionário, entrevista e observação, conforme citamos anteriormente. Dessa maneira, sentimos a necessidade de definir cada um dos instrumentos que usamos no trabalho, bem como as vantagens e limitações que apresentam.
Para Marconi e Lakatos (1982), a observação é um instrumento que por meio dos sentidos, subsidia na obtenção de informações da realidade de um grupo social. Esta possui vantagens e limitações, como os demais instrumentos de pesquisa qualitativa, a saber:
Como vantagens (MARCONI E LAKATOS, 1982):
• Permiti de maneira abrangente e direta o estudo dos mais variados fenômenos;
• Admite o levantamento das informações sobre o contexto em estudo.
• Favorece o esclarecimento de dados que vão além do roteiro de entrevista ou de questionário.
Encontramos como limitações (MARCONI e LAKATOS, 1982):
• O observador poderá tender a criar impressões favoráveis ou contrárias com relação ao que se está investigando.
• Situações imprevistas podem interferir na tarefa do observador. • O tempo de observação é de caráter variável.
Ainda, a observação de acordo com Oliveira (2005) recebe duas caracterizações: direta e participante. A primeira é fundamentada de maneira sistemática e objetiva por consistir no registro dos fenômenos observados de maneira previamente definida e planejada em que o pesquisador procura inteirar-se de maneira programada no contexto em que pretende pesquisar, por exemplo, um projeto piloto. Neste é recomendado a caracterização dos dados coletados em que o pesquisador tem a oportunidade de observar quais as deficiências que seu trabalho apresenta e onde precisa melhorar ou até mesmo o que necessita acrescentar, sendo proporcionado assim a reflexão sobre o andamento do trabalho. Na participante, ocorrerá à interação do pesquisador com o meio que pretende pesquisar, ao estabelecer a relação direta com o grupo pesquisado, por meio de situações informais utilizando-se o diálogo.
Diante das formas de observações expostas, preferimos optar pela primeira, por estabelecer relação direta com o que pretendemos fazer, sendo descrito detalhadamente no decorrer desta metodologia.
Além disso, apesar do instrumento observação apresentar limitações, acreditamos que contribuiu na obtenção das informações que necessitávamos para o andamento deste trabalho, pois esclareceu dúvidas que somente foi possível responder se entrássemos na sala de aula, que se apenas entrevistássemos o professor mesmo assim ficariam lacunas.
O questionário é definido por Oliveira (2005) como uma “técnica de obtenção de informações sobre sentimentos, crenças, expectativas, situações vivenciadas”, p.89, entre outras. Os principais fins com a utilização deste instrumentos estão relacionados a caracterização de pessoas ou grupos sociais.
Mas quais as vantagens e limitações que podemos encontrar neste instrumento para o trabalho de campo, de uma forma geral? Como vantagens podemos encontrar (GIL, 2006):
a) São viáveis as mais fáceis obtenção de informação, no sentido de explicar as razões ou fatos que aconteceram.
b) É o meio mais rápido e econômico para que o ítem seja contemplado, pois não é necessário o treinamento de pessoas para este propósito, bem como garante o anonimato.
No que diz respeito à limitação para esse instrumento, de acordo com Gil (2006), as perguntas formuladas seguem conforme o ponto de vista do pesquisador.
Apesar da limitação apresentada no questionário para pesquisa, vimos que as vantagens estão mais direcionadas no que nos propusemos a fazer, frente aos objetivos específicos que foram elaborados.
No caso da entrevista é definida por um diálogo direto entre o pesquisador e os indivíduos colaboradores, sendo caracterizada por uma conversa com perguntas, que são conduzidas pelo entrevistador e respostas dadas pelo entrevistado, na qual o pesquisador apenas escuta, não interferindo em qualquer resposta dada pelo mesmo (OLIVEIRA, 2005). A entrevista é classificada em estruturada, não-
estruturada e semi-estruturada (COSTA; ROCHA; ARCÚCIO, 2004, 2005):
• A estruturada é caracterizada por questões de natureza fechada, pois são expostas exatamente da maneira como foram formuladas e possuem a avaliação das respostas bastante reduzidas.
• A entrevista não-estruturada é de caráter aberto, na qual o entrevistador propõe um tema desenvolvendo-se no desenrolar da conversa e as questões emanam do contexto imediato.
• A semi-estruturada caracteriza-se pela existência de um roteiro previamente elaborado, que servirá como eixo norteador da conversa entre o entrevistador e o entrevistado, procurando garantir que todos os entrevistados respondam as mesmas questões; além disso, não segue rigidamente a ordem em que estão dispostas cada pergunta, por ser as mesmas exploradas de maneira flexível, bem como o desenvolvimento da entrevista se adaptar ao entrevistado.
Esta para ser usada como instrumento de trabalho em pesquisa qualitativa é necessário que o entrevistador saiba o que pretende enfocar de maneira clara, ou seja, saiba especificamente o que pretende pesquisar, elaborando dessa forma as perguntas de modo a contemplar os objetivos a que se propôs. Vimos que a entrevista apresenta tanto vantagens, quanto limitações (GIL, 2006), a saber:
Vantagens
• Possui maior flexibilidade.
• Aplica-se a um grande número de pessoas e não exclui os que não sabem lê. • O entrevistador pode auxiliar o entrevistado que esteja com dificuldades de
responder, bem como analisar as expressões de caráter não-verbal.
• Há mais tempo para o entrevistado responder e na hora que lhe seja mais conveniente.
Desvantagens
• Ao subsidiar o entrevistado com dificuldades de responder as perguntas, o entrevistador pode mascarar e induzir as respostas fornecidas, bem como inibir o mesmo, podendo desta forma comprometer os objetivos a que se propôs a estudar.
• Não garante o anonimato do entrevistado.
• Requer exercício para isso, ou seja, é necessário ao entrevistador que tenha certo treinamento (que no nosso entendimento um teste piloto para que tal exercício seja possível é de fundamental importância).
• Características inconvenientes do entrevistador podem prejudicar a obtenção das respostas: dicção, timidez, abordagem deficiente, expressar opinião apaixonada pelo tema em estudo.
Por apresentar maior flexibilidade como instrumento de análise, vimos que a entrevista seria de grande valia, pelo fato de termos optado pela observação e aplicação de questionário, algumas respostas do mesmo e indagações concernentes da observação ficariam sem o devido esclarecimento. Desse modo foi oportunizado aos professores esclarecer as dúvidas que surgiram da observação de suas aulas e modificar algumas de suas respostas, pois tomaram o enfoque de entrevista. Assim, soubemos com maior riqueza de detalhes como e porque usaram as ferramentas didáticas para subsidiar o conceito de ligações químicas.
Diante do exposto, no nosso trabalho, procuramos utilizar a entrevista de ordem semi-estruturada e com o auxílio do áudio tivemos a oportunidade de
transcrever o que foi mencionado a partir do que a priori, os professores colaboradores responderam no questionário.