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Définir ses techniques d’écriture pour atteindre ses objectifs

SECONDE PARTIE : DES PROFESSIONNALITÉS EN ÉCRITURES

3.2 Définir ses techniques d’écriture pour atteindre ses objectifs

Identificação: Mulher, solteira, 37 anos, 1.º grau completo.

Estrutura: mística antifrásica Comando do teste:

a) Você tem 30 minutos para fazer um desenho com os seguintes elementos: uma queda, uma espada, um refúgio, um monstro devorante, alguma coisa cíclica (que gira, que produz, ou que progride), um personagem, água, um animal (pássaro, peixe, réptil ou mamífero), fogo.

b) Escreva aqui a história do seu desenho:

As Maluquices de um Menino

O menino maluquinho. Um passeio no campo com o menino maluquinho. Pense num menino travesso, chegou na casa num dia de sol pegou a espada esbarrou na mesa e derrubou o jarro de flores , A noite foi pescar no rio e pegou um lindo peixe e assou na fogueira. Pense num menino maluquinho que gosta de brincar com fogo e imagine um lobo mau perseguindo um menino tão maluco. Afinal será que lobo mau seria tão maluco de perseguir um menino tão maluco assim.

c) Responda de modo preciso às seguintes questões:

a. Sobre que ideia você centrou sua composição? “As maluquices de um menino”.

b. Você foi eventualmente inspirado? “O menino maluquinho de Ziraldo”. c. Entre os nove elementos do teste de sua composição indique:

i. Os elementos essenciais em torno dos quais você construiu o desenho: “Entorno do menino maluquinho”.

ii. Os elementos que você teria vontade de eliminar. Por quê? “O lobo mal, porque ele é mau”.

d. Como acaba a cena que você imaginou? “O lobo mau fugindo do menino maluquinho”.

e. Se você tivesse de participar da cena composta, onde você estaria? O que faria? “O sol que brilha muito”.

d) No quadro seguinte, você deve especificar:

i. Por meio de que você representou os 9 elementos do teste (coluna A);

ii. O papel, a função, a razão de ser de cada uma de suas representações (coluna B);

iii. O que simboliza, para você, cada um dos 9 elementos do teste (coluna C).

Elemento A – Representado por B – Função/papel C – Simbolizando

Queda Um vaso de flores Enfeitar Alegria Espada Espada Instrumento de arte Travessuras Refúgio Casa Aconchego Um lar Monstro Lobo Assustar Medo Cíclico O sol Iluminar Energia

Personagem Menino Fazer travessuras Uma criança travessa Água Meio ambiente Acolher o peixe Natureza Animal Peixe Alimento Pescaria

Fogo Fogueira Aquecer Um modo de assar peixe

Análise:

A cena imaginada pelo sujeito-autor, cuidador/funcionário, uma mulher de 37 anos, solteira, com 11 anos de trabalho na instituição, intitula-se: “As maluquices de um menino”. Ela se inspira no menino maluquinho, de Ziraldo.

As representações pictóricas das imagens/elementos do teste estão soltas; não chegam a evidenciar a relação entre os nove elementos, o que pode caracterizar a presença de possível desestrutura, uma vez que o imaginário é o conjunto relacional de imagens.

O estímulo arquetípico personagem, elemento colocado no teste por seu criador, Y. Durand (1988), para representar o protagonista da história/dramatização imaginada, é representado, nesse protocolo, pela imagem de um menino. Tal elemento aparece desenhado apenas pela cara do maluquinho, personagem infantil criado por Ziraldo e simbolizado, no protocolo em análise, por uma criança travessa. O elemento monstro está representado por um lobo mau que caracteriza teriomorfia, identificado no quadro do teste com o papel de assustar, simbolizando medo, porém na narrativa o lobo mau não assusta nem provoca medo no menino, visto que o menino é muito travesso. A narrativa transmite a ideia de que um monstro desfuncionalizado, pois não ataca, passa a ter medo do menino. O sujeito-

autor pergunta: “Será que o lobo mau seria tão maluco de perseguir um menino tão

maluco assim?”. O sujeito-autor se identifica com um “menino tão maluco assim”.

O elemento espada, colocado no teste por Y. Durand para ataque ou defesa da morte/monstro, tem, nesse protocolo, a função de instrumento de arte e simboliza travessuras, o que remete à presença da antifrasia, pois nem o monstro nem a espada servem para ação heroica.

Pictoricamente, o elemento espada – desenhado como uma “espada”, simbolizando “travessuras” –, e o elemento queda – representado por “vaso de flores caindo”, com função de enfeitar simbolizando alegria – voam no ar rumo ao chão, até porque o personagem no desenho tem só cabeça. De acordo com a história imaginada, o menino maluquinho “...pegou a espada esbarrou na mesa e derrubou o jarro de flores.”, o que deixa subentendido que o personagem não chega a lutar com a espada nem sem ela, ele tem a função de fazer travessuras que simbolizam “uma criança travessa”,

O elemento refúgio se representa desenhado por uma casa e no quadro lhe é atribuída a função de aconchego, simbolizando um “lar”: “[...] chegou na casa num dia de sol pegou a espada esbarrou na mesa e derrubou o jarro de flores”.

Nesse protocolo, o elemento cíclico está representado pelo sol, com a função de “iluminar” simbolizando “energia”. Sol e luz são símbolos espetaculares relativos à visão e pertencem ao regime diurno das imagens, o que sinaliza para a presença de heroísmo neste imaginário. Durand (1989, p. 105) afirma que “parece, na verdade, que o sol significa antes de tudo luz e luz suprema”. O sujeito-autor responde à última questão do protocolo dizendo que seria: “O sol que brilha muito”. Aqui ele se projeta na energia, como ele simboliza o sol; no quadro do protocolo, elemento cíclico.

A pesca é noturna e o animal, representado por peixe, com o papel de “alimento”, simboliza “pescaria”. Tanto o elemento animal como o elemento água, - pictoricamente representado pelo rio, complementam a ideia mística, situada no regime noturno das imagens.

No quadro do teste, preenchido nesse protocolo, a água aparece como meio ambiente, com a função de “acolher o peixe”, simbolizando a natureza, e o elemento fogo, representado por uma fogueira para assar o peixe, remete também à estrutura mística: “[...] pegou um lindo peixe e assou na fogueira”. Este fogo/fogueira é para aquecer e é dito para assar o peixe que, possivelmente, será digerido/comido pelo

Maluquinho. “Pense num menino maluquinho que gosta de brincar com fogo [...]”. O peixe está relacionado ao simbolismo deglutidor, vinculado à fantasia infantil. De acordo com Durand (1989, p. 150-151), “o peixe tem capacidade de encaixamento, ou seja, de desdobramento pela confusão do sentido passivo e ativo que ele implica, é tal como uma dupla negação, capacidade de inversão do sentido diurno das imagens”.

De acordo com a análise dos registros míticos contidos no protocolo, considera-se que o sujeito-autor, a funcionária/cuidadora do asilo, apresenta um imaginário com estrutura mística.

Pode-se verificar uma concordância da análise com a observação feita ao sujeito-autor. Trata-se de uma pessoa que vai trabalhar uniformizada, porém parece usar diariamente maquiagem mais apropriada para ambientes de festa. Apresentou- se também nos dias da pesquisa com uma alegria inabalável. Quando a pesquisadora conversava com um idoso que demonstrava sinais de demência, riu alegremente e disse: “é sempre assim, é deste jeito mesmo”; aspecto que deixou revelar certa acomodação, como o que está estabelecido, está sempre bom, o que ocorrer é normal,e não há demonstração de luta contra o preestabelecido.

A análise sinalizou que toda a história imaginada se desenvolve num cenário místico de paz e brincadeira, mas os elementos monstro e espada não são desconsiderados e aparecem como impureza na estrutura mística. Eles não atualizam a estrutura heroica, mas aparecem na história como mau/morte/morte, que está representado pela imagem do lobo mau, com a função de “assustar” simbolizando “medo”. O sujeito autor atribui ao elemento espada a função de “instrumento de corte” simbolizando travessura, o que descaracteriza este estímulo arquetípico normalmente provocador da luta/defesa ou ataque. Ele aparece na história como elemento de brincadeira “para fazer travessura.” Trata-se de um imaginário místico antifrásico.