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Assim, ao longo do período colonial, a elite intelectual hispânica do México utilizou a imagem da Guadalupe para divulgar os ideais de um “novo catolicismo”, instaurando a Virgem como modelo, emblema que permitiria transmitir essa mensagem. No entanto, o culto à Virgem de Guadalupe está intimamente ligado à tradição indígena e criolla, distinta das características espanholas, e por isso se converteu em um símbolo de identidade, em um processo de “proto-nacionalismo”. Com efeito, durante os séculos XVII e XVIII, um sentimento de pertencimento entre os crioulos às terras que Nova Espanha abrangera começou a se despertar.

Essa consciência era, em parte, estimulada pela exal- tação da “belleza y fertilidad de la tierra novohispana y de la habilidad, el ingenio, la valentía, la fidelidad y la inteligencia de sus habitantes criollos” (RUBIAL, 2014, p. 34). Esse sentimento de

identidade por parte da elite criolla se consolidou notadamente graças ao cristianismo que exaltava os mitos e os milagres. Os criollos se aproveitaram dos mitos da aparição do início da colonização, e em particular, do da Guadalupe, que por ter aparecido em terra novo-hispânica, conferia a esse território um caráter de sagrado e seguro frente aos menosprezos por parte da Península, segundo Vicente Espinel (1618 apud SAIZ DE MEDRANO, 1986). Esse aspecto divino se tornou motivo de orgulho patriótico e de amor à terra onde se tinha nascido, sinônimo de segurança e prosperidade.

De fato, os criollos, desejosos de ser considerados como iguais aos espanhóis, precisavam demonstrar que sua terra – México – era escolhida pelo divino, uma vez que era onde vivia uma divindade. Isso somente seria possível constando a obra de Deus nesse território. Desse modo, os milagres seriam prova de proteção:

Los criollos, deseosos de ser considerados iguales a los españoles, debían demostrar que esta tierra estaba contemplada en el plan divino como un área donde habitaba la divinidad, y tal demostración sólo era posible si constataban que Dios había obrado en ella milagros y portentos como prueba de su protección (RUBIAL, 2014, p. 37).

A Virgem, por sua vez, foi tomada como símbolo nacional, criadora de uma identidade mexicana. Miguel Sánchez deu-lhe forma ao recuperar e difundir uma tradição quase esquecida, atribuindo características próprias dos criollos à Virgem. Ademais, esse fenômeno definiu o Cerro de Tepeyac como um lugar seguro, guardado por uma divindade. De fato, os criollos seriam “hijos de

Os criollos se apropriaram, assim, da imagem da Guadalupe para embasar sua identidade. Nesse sentido, poderia objetar-se que, na verdade, a Virgem apareceu a um indígena em um local que, na época pré-hispânica, já era sagrado para os índios, ou ainda, que o primeiro relato fora recolhido em língua nahualt. Entretanto, toda a narrativa e o imaginário por ela suscitados pertencem ao estilo barroco. Além do mais, nem os criollos, nem os peninsulares se interessavam muito pelas fontes indígenas, a não ser na medida em que essas permitiam comprovar a autenticidade dos fatos. A exaltação do passado indígena – explorado e reapropriado – somente serviria a poste-

riori para acentuar a distinção do respeito ao peninsular, uma

empresa nada fácil considerando as caraterísticas homogêneas que os aproximavam mais do que os diferenciavam.

A imagem da virgem de Guadalupe como objeto empregado ao serviço da configuração identitária dos criollos, primeiramente da capital e depois da Nova Espanha inteira, pode ser considerada como representativa de um fenômeno generalizado na América hispânica durante o Barroco. Assim, como conclui Francisco de la Maza (1953, p. 12) no prólogo do seu livro El guadalupanismo mexicano: “El guadalupanismo y el arte barroco son las únicas creaciones auténticas del pasado mexicano, diferenciales de España y del mundo”.

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